Quando questionado sobre os meus intérpretes favoritos tento sempre fugir uma vez que me é muito difícil eleger um só que abarque todos os períodos da música erudita de tradição ocidental. Descaio-me desta vez com Henryk Szeryng, sim, o meu violinista preferido, a interpretar a Fuga da Sonata No. 1 para violino de Bach.



Bom fim-de-semana.

Há dias o Rui Curado Silva insurgia-se, muito acertadamente, com desconhecimento do método científico. Seguindo as suas palavras, cito:

(…) o desconhecimento do método científico é assustador, as recentes discussões na blogosfera sobre ciência revelam uma ignorância profunda do assunto. E o pior é quando este desconhecimento vem da parte de cientistas (das ciências sociais e humanas às ciências exactas).

Não deixei de corroborar esta sua impressão nos comentários do Klepsydra, uma vez que em nome da ciência e do método científico, se têm produzido os mais hilariantes estudos, nomeadamente no domínio das ciências sociais e humanas que melhor domino. Então estudos ‘encomendados’ por governos principescamente remunerados estamos, de facto, prenhos.
Crencas Religioes e Poderes - dos Individuos as SociabilidadesMas pretendia cruzar, precisamente a assertividade do Rui com o texto da Alice Valente Alves, Crenças e poder – do dever em não devir, fruto de uma comunicação produzida na ‘11.ª Mesa-Redonda De Primavera – Crenças, Religiões E Poderes‘ da FLUP, cujas comunicações foram reunida em livro a apresentar hoje no Porto, na Livraria Leitura ao Centro Comercial Cidade do Porto, pelas 18:30h, sob o título CRENÇAS, RELIGIÕES E PODERES – dos Indivíduos às Sociabilidades, em especial, quando afirma, também com toda a propriedade:

É comum à tradição da Filosofia que sempre por demasiado associada ao teológico e ao científico, comodamente fechar os olhos e deixar-se tornar irredutível ao sensível e ao conceptual. E apesar da Filosofia se ter associado nas suas formalidades mais à Ciência do que à Artes é depois e sempre nas Artes que encontra a Razão e a Verdade fundamental para justificar a existência do Devir. (ler texto na íntegra em formato pdf)

Aparentemente parecem dois excertos contraditórios. Aparentemente… É que o que em em nome da ciência se tem produzido, como científico, e claro, incontestável por com o científico se adornar. Então no que à percepção e expressão artísticas concerne é de uma pungente redução positivista que enclausura as artes num positivismo analítico incapaz de compreender (é disso que a ciência deve tratar – compreender) o acto criativo e a forma como a criatividade se emancipa de uma identidade (ou cultura, se preferirem) pessoal, colectiva e sempre em (re)construção.
No fundo, tanto o Rui Curado e Silva como a Alice Valente Alves, por caminhos diferentes, indignam-se pelo mesmo motivo – o cientismo, um constructo pseudo-científico que nos invade e pretende amordaçar, ao impor verdades absolutas e incontáveis.

Joe BerardoHá falta de assunto, mas não de coisas do dia-a-dia para resolver, sendo talvez por isso que a notícia do salvamento de Joe Berardo pela banca me enterneceu:

Ao que o Expresso apurou, o investidor (…) conseguiu não só prolongar o prazo dos empréstimos como congelar o pagamento de juros por mais quatro ou cinco anos. (…)
Não terão, no entanto, ficado por aqui as vantagens acolhidas pelo mais mediático investidor do mercado português. Berardo entregou como garantia 75% da Colecção Berardo…

Entregou 75% da colecção da qual recebe renda do Estado e congela-se o pagamento de juros por 4 ou 5 anos? E tudo com o aval do Estado ao BCP?

Joe, Berardo, pá, não esmoreças! Se te disserem que não és o maior não acredites, pá!

Entretanto o pessoal que apenas tem crédito à habitação a banca trata de desvalorizar as suas habitações…

Segundo o Público os bancos desvalorizaram as habitações em cerca de 6% só no último trimestre de 2008 seguindo fonte do INE. Desenganem-se aqueles que pensam que o fenómeno é restricto a Portgal., porque nos EUA a desvalorização média foi 18,2% nas 20 maiores cidades dos Estados Unidos em Novembro de 2008, em relação ao mesmo mês de 2007, segundo o Jornal de Negócios.
Ninguém sabe em que se baseiam essas avaliações (ninguém sabe nem ninguém nunca soube uma vez que a existência das empresas avaliadoras depende quase exclusivamente da banca), mas sabemos que não havendo mercado, i.e., não há mercado porque praticamente não se vendem nem compram habitações, a banca pretende compensar a descida das taxas de juro com esta hilariante desvalorização.
Poder-se-ia pensar que seria para se proteger de emprestar com mais segurança, mas o que é evidente, como os pedidos de empréstimos para compra de habitação desceram drasticamente, a banca mais não pretende do que financiar-se entre os clientes que têm empréstimos contraídos.
Ora, se mercado não há, estas desvalorizações parecem próprias de uma cartelização sem tréguas para os endividados que, por ausência de regulação, obrigam-os financiar os bancos de duas formas – através dos avales que o Estado concedeu com o dinheiro dos contribuintes e através da artimanha da desvalorização das habitações!
Os Estados estão preocupados em segurar a falência da banca com dinheiros públicos, mas será, muito provavelmente, ela que conseguirá arrastar a economia europeia e norte-americana para um abismo de dimensões incalculáveis!

Companhia Chapito - Agora Eu Era

A Companhia do Chapitô apresenta no Porto, no Teatro Campo Alegre, Agora Eu Era, um espectáculo visual e musical destinado a escolas, famílias e crianças maiores de quatro anos, entre 29 de Janeiro e 01 de Fevereiro, dentro do seu programa de itinerância.
Encenada por Rui Rebelo (o nosso amigo do Anacruses), a representação contará com os actores Leonor Cabral e Patrícia Adão Marques e o músico de cena João Madeira.
As sessões destinadas a grupos escolares e ao público em geral, ocorrem às 10:30 e 15:00, nos dias 29 e 30, e às 16:00, nos dias 31 de Janeiro e 01 de Fevereiro.

Mesquita MachadoMesquita Machado, depois de o Sporting de Braga ter sido roubado pelas equipas de arbitragem nos dois últimos jogos com o Benfica e com o Porto, disse o que tinha a dizer, que o Braga tinha sido roubado.
Como parece ser possível roubar, mas não dizer que se foi roubado, Mesquita Machado mandou a Federação Portuguesa de Futebol às malvas. E com toda a razão!

SocratesPoderá ser estranho (ou nada estranho) que o caso ‘Freeport’ tenha surgido agora envolvendo José Sócrates com toda a pujança mas, em boa verdade, de que interessará isso? O que importa, jurídica e politicamente, é que ele está aí e Sócrates não se livrará de ir ‘pagando’, junto da opinião pública, por ele, assanhados que os media estão, fragilizando a governação de Portugal.
A Sócrates não basta defender-se (o que até nem tem feito da melhor forma, diga-se): Não lhe basta dizer que não nada a ver com o assunto; que não foi influenciado por ninguém; que não recebeu nem deu a receber nada em troca pela decisão do então Ministério do Ambiente. Não basta dizer que o Ministério do Ambiente nada decidiu para além de matéria ambiental, mas sim o Conselho de Ministros; que pretende celeridade na justiça (que não vai haver, porque é impossível concluir investigações e, eventualmente, constituir réus ou arguidos e julgá-los durante 2008).
Sócrates terá de tomar a iniciativa muito rapidamente para impedir que os media prossigam com um desgaste contínuo da sua imagem e, francamente, só encontro uma solução – a apresentação de uma moção de confiança sem condicionar os deputados do PS a disciplina de voto, vendo se os restantes partidos têm, ou não, a coragem de votar contra ou se, ajuizadamente, se absterão.
É que uma coisa é ser-se da oposição; outra, bem diferente, será permitir que se condene um Primeiro-Ministro na praça pública, por pressão mediática, antes de as instituições jurídicas competentes se pronunciarem.
A responsabilidade política de termos um Primeiro-ministro enfraquecido ou, bem pelo contrário, reinvestido de legitimidade política, nestes tempos difíceis que vivemos e os mais constrangedores que se advinham a breve prazo, seria assim distribuída por todos (e por cada um) os deputados da nação e não por esboços de defesas desajeitadas lançadas nos mesmos media que acossam Sócrates.
Preocupo-me com José Sócrates? Desenganem-se! Preocupo-me com Portugal governado por um Primeiro-Ministro fragilizado em plena depressão de todo o mundo ocidental.

O plenário da Assembleia da República acaba de evitar o fim do modelo de avaliação de professores (que de origem já pouco tem) da actual equipa do Ministério da Educação por 116 votos a favor e 113 contra.
O medo no PS foi muito nestes últimos dias, chamando todos os deputados a votar e obrigando à disciplina de voto partidária. Venceu a teimosia e o PS e perdeu o bom-senso e o sistema educativo.
Saliento a honradez de Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e de Matilde Sousa Franco, os quais fizeram prevalecer a sua liberdade de pensamento sobre a disciplina de voto imposta pelo PS. Contrariamente, Odete João e João Bernardo, votaram ao lado do PS, vindo depois com uma declaração de voto…, não curando de saber que nestes casos uma pessoa declara-se através do voto! Enfim…

Valter LemosO Sr. Secretário de Estado Valter Lemos anunciou hoje que em Fevereiro será lançado pela Agência Nacional para a Qualificação o programa de avaliação externa das escolas e cursos profissionais.
Agora? Avaliar as escolas? Não deveria ter sido bem antes de mudar a avaliação dos alunos? Antes do Estatuto da Carreira Docente? Não deveria ter sido antes de mudar o método de avaliação dos professores? Antes da mudança da autonomia e dos órgãos de gestão da escola? Não quererá isto dizer que tudo quanto fizeram até ao momento foi sem conhecimento de causa?
Agencia Nacional para a QualificaçaoAvaliação pela Agência Nacional para a Qualificação? Quem são e o que sabem sobre educação, ensino e gestão escolar e, já agora, gestão Cultural?
Quando terminarão os dislates desta equipa do Ministério da Educação?

É a primeira vez que escrevo sobre Barack Obama. Escrevo, agora, porque

Barack Obama

precisei de ver para crer!
Martin Luther KingNão para crer que poderia ser presidente dos Estados Unidos, até porque não ouso acalentar esperanças para além daquelas que um norte-americano íntegro me pode proporcionar, mas para ver concretizado o sonho de um dos maiores Homens do Século X – Martin Luther King Jr.
I have a dream, sim Martin, tiveste o sonho de que seria possível conseguir a igualdade de direitos para os afro-americanos de forma pacífica e harmoniosa nos EEUU e não através de actos que não deixariam de disseminar o ódio como preconizava Malcom X.
Malcom X pretendia a igualdade tal como tu, Martin, mas o seu caminho não seria o da paz e de uma sociedade harmonizada, talvez porque não acreditou ser possível.
Sim, eu sonhei, sim! A vitória de Obama é, antes de mais a vitória não dos interesses ou dos poderes, mas a vitória dos cidadãos norte-americanos de paz que acreditaram no sonho.
I have a dream, disse Martin, ao qual Obama, 40 anos depois, respondeu Yes, we can, we can make it possible!