Um monte de sarilhos foi a ‘profecia’ de ontem de D. José Policarpo em relação a um casamento com muçulmanos. A Conferência episcopal aparece agora a dizer que se trata de um “justo conselho de realismo” e não “discriminação ou menosprezo” pelo islamismo.
Mas o nosso D. José não se ficou por aqui! Considerou ainda “muito difícil” o diálogo com os muçulmanos em Portugal, observando que o diálogo serve para a comunidade muçulmana demarcar os seus espaços num país maioritariamente católico, isto neste país de brandos costumes, onde parece não haver nenhum problema de convivência inter-religioso, para lá das benesses que a Igreja Católica ainda goza do Estado, como por exemplo, as fiscais!
Notáveis, estas declarações do Cardeal Patriarca no Casino da Figueira da Foz, ano e meio depois de definir o que seria uma sexualidade normal! Notáveis, edificantes e propiciadoras para o tal diálogo, mesmo ciente da falta de liberdade das mulheres e desigualdade de tratamento em países de maioria islâmica.
Mas uma coisa é estarmos cientes dessa realidade; outra bem diferente é um Cardeal Patriarca meter-se por esses caminhos tão mediaticamente perversos como inconsequentes e, diga-se, muito pouco cristãos.


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13 Respostas to “D. José Policarpo desaconselha casamento com muçulmanos”

Comentários (13)
  1. Florinda Viegas diz:

    eu que até sou admiradora do D.José quando ouvi de manhã pela rádio fiquei chocada com tal prevenção.
    Um autêntico disparate. Muitas são as ideias não há dúvida disso, mas uma certeza está na falta de conhecimento, de comunicação , intolerância e não sei que mais…

    • Infelizmente, Florinda, o nosso D. José Policarpo já não me consegue chocar! Como é que o senhor dá palpites sobre casamentos se nunca foi casado nem amancebado (que eu saiba)? Por que razão ele prevê essa fonte de sarilhos no casamento com um muçulmano e não vê sarilho algum num casamento entre católicos quando os impede de usar preservativo, condenando-os a uma taxa de probabilidade de cerca de 17% de contrair HIV?
      Não, Florinda, o senhor já não me choca.
      Obrigado pelo comentário.

  2. ali_se diz:

    Quando ouvi a notícia ou o tal aconselhamento nas próprias palavras desse senhor D. José, num tom tal que denotava efectivamente um muito mau gosto e num jeito autoritário e maldoso que até me arrepiei. Pois, pensa-se que com uma qualquer moralidade imposta e vigente, se consegue domesticar as pessoas, mas a vida não é assim e isso não se faz, é desumano! É que os valores morais não podem sobrepor-se aos valores éticos e estéticos, estes estão em primeiro lugar para que a vida se efective com toda a beleza, dignidade e respeito.

    Um grande abraço Carlos e até sempre
    Alice

    • O mau gosto nem discuto, Alice, estamos a ficar já tão habituados…, mas a falta de sensatez, a valoração de práticas culturais, de religiões, de sociedades é algo que um Cardeal deveria abster-se de se exprimir publicamente.
      Obrigado pelo comentário.

  3. Maria diz:

    Também ouvi o comentário de D.POlicarpo……… e contrariamente a si, estou em comunhão com ele.
    Falo com base na minha experiência de 6 anos de casamento com 1 muçulmano! E digo-vos que é difícil! Não só nos costumes mas também nas mentalidades. Eles podem estar cá,no Ocidente, e aparentemente aculturados mas na realidade eles preservam tudo o que trazem da sua religião.

    • Mas, estimada Maria, e para o muçulmano não será também difícil a adaptação a comportamentos sociais e culturas nas e para as quais não foi educado?
      Eu sei que em muitos países de maioria muçulmana as mulheres não têm liberdade nem direito de igualdade, mas ninguém me obriga a casar com uma muçulmana!
      Por outro lado, repare que, no fundo, D. José Policarpo coloca acima da mensagem de Jesus, o amor, de vicissitudes de natureza sócio-cultural.
      Se o amor entre duas pessoas não é suficiente para culturalmente se respeitarem mutuamente, então não casem. Mas se ultrapassar?

      Muito obrigado pelo comentário.

  4. jpt diz:

    ó CAA desculpar-me-á mas V. aqui está a discutir a pertinência (e até a legitimidade) de declarações. E declara V. “…valoração de práticas culturais, de religiões, de sociedades é algo que um Cardeal deveria abster-se de se exprimir publicamente” – eu sei que V. não é cardeal e como tal terá menos responsabilidades institucionais do que o nosso alvo naquilo que refere. Mas diga-me lá: a) de que é que o (um) cardeal pode falar? não pode valorar práticas culturais? não pode valorar religiões? não pode valorar sociedades?
    ´[já agora, pode V.? posso eu, que passei a blogovida a fazê-lo?] Quer-se dizer, um chefe de igreja não pode opinar [e doutrinar, dado que é o seu papel inserido na liberdade de culto] sobre religião, práticas e valores sociais?
    Mas isto tem alguma lógica?

    E insistindo, qual duracell. Então um padre não pode opinar sobre o casamento, sobre o matrimónio – essa que é uma das suas fundamentais funções no seio da sociedade [já agora essa faz-me lembrar a do Louçã a dizer ao Portas que não podia opinar sobre a questão do aborto porque não tinha filhos]?

    V. pode concordar ou não com o conteúdo, tom, oportunidade e etc do que o homem disse mas acho que no post se espalhou, e bem.

    cumprimentos

    • @jpt,

      segundo o comentário de jpt (http://www.ma-schamba.com/) há um juízo sobre o que pode comentar um cardeal, mais, há uma maior responsabilidade institucional na pessoa do Cardeal do que no próprio espaço de que o CAA é responsável pela sua própria opinião. E o CAA refere-se a uma instituição com imensas responsabilidades (que nunca cumpre por óbvias razões) ao qual alguém com a maior autoridade interna possível diz o mais perfeito dos disparates que vai em completo sentido contrário à doutrina que deveria pregar. Pelos vistos tudo o que diz o cardeal, mesmo o mais energúmeno dos comentários é uma espécie de ordem “sexta”. Numa hora em que as religiões deviam tentar uma aproximação mais frontal dos seus dogmas evidentes, e por um certo prisma o estão a fazer, o cabelo na sopa não será o melhor caminho.
      E, digamos, não será perninente perguntar a quem nunca foi casado qual a sua autoridade sobre o seu total desconhecimento do casamento? É como jogar poker sem nunca ter visto um baralho de cartas!

      • @ricardo serrano,

        Sim, Ricardo, mas é verdade que todos nós temos tendência a opinar sobre tudo mesmo sobre o que nunca experimentamos nem conhecemos em profundidade. O que está em causa não é a liberdade de expressão da pessoa José Policarpo, mas o facto de ser um alto representante da igreja católica, tão-só isso.
        Abraço e obrigado pelo comentário.

    • @jpt,

      Estimado JPT

      nota prévia: tenho saudades do Ma-Schamba activo!

      Sobre o assunto, JPT, discuto, sim a pertinência, mais ainda a legitimidade, sem colocar em causa, dê-me essa confiança, a liberdade individual da pessoa José Policarpo.
      Em causa está a pertinência pelo facto de um alto representante da igrela católica e do Vaticano dever ter a noção das repercussões do que diz e faz no que concerne às directivas e políticas assumidas pela sua hierarquia, nomeadamente as insctitas no Concílio Vaticano II, bem como na pregação do diálogo inter-religioso que priviligia o respeito mútuo entre todos os credos; em causa coloco também a legitimidade que poderá ter um alto representante da igreja católica para se pronunciar sobre igualdade entre homens e mulheres e direitos humanos, em geral, quando, apesar do recente pedido de desculopas de Bento XVI, o Vaticano não ter denunciado e entregue às autoridades as centenas de pedófilos que molestaram milhares de crianças por todo o mundo, em especial nis EEUU. Pedrir desculpas será pouco, não lhe parece?
      Por último, deixe-me esclarecer que estou, no geral, em acordo com as palavras de José Policarpo sobre a tratamento que alguns países de mairia muçulmana dispensam às mulheres, muito embora não se possa generalizar a todo o mundo islâmico e muito menos a casamentos com muçulmanos em países ocidentais, onde existe liberdade religiosa, igualdade perente a lei entre mulheres e homens e o direito ao divórcio, que nem D. José Policarpo nem a igreja católica reconhecem.
      No que concerna à valoração de práticas culturais de origem religiosa não creio que deva ser profícuo um alto representante da igreja católica pronunciar-se da forma como o fez D. José Policarpo, na medida em que, quando se tem telhados de vidro, é de todo prudente uma maior contenção em declarações públicas, em especial quando existem problemas como o da homossexualidade, do uso de preservativo, do reconhecimento do divórcio, etc., muito mal tratados e ainda menos resolvidos.

      Por outro lado, JPT, apesar de defender a liberdade individual e de expressão de cada indivíduo e apesar de ter recebido uma educação católica, de ser cristão, de ser casado pela igreja, tenho uma dificuldade pessoal (reconheço sem a minha fraqueza) em aceitar a obrigação de frequência de cursos de preparação para o casamento a que a igreja obriga todos nubentes, ministrados por sacerdotes impedidos (com sua aceitação prévia, é certo) de contrair matrimónio. É uma dificuldade minha, eu sei, para mais quando por aqui opininamos sobre tudo, mas que diacho, JPT, fazê-mo-lo em nome individual, no gozo pleno da nossa liberdade de expressão, desvinculados (eu, pelo menos) de qualquer hierarquia institucional seja ela de natureza política ou religiosa.

      Quanto ao espalhar-me, estimado JPT, não estou ciente, mas se tal aconteceu não foi a primeira vez e não será, com toda a certeza, a última, mas, deixe-me repetir, isto é um blogue pessoal.

      Abraço e obrigado pelo contraditório.

  5. jpt diz:

    Pois estamos em posições bem diversas: eu não só sou ateu como nem baptizado sou. Não me acho anti-clerical e tenho tido um quase nenhum contacto com a Igreja. Sobre estas declarações que vi na TV acho-as em muito mau tom (frágil, criticável, desprendido, um erro do Cardeal – perdoar-me-á a referencia a sítio outro mas estive no blog Dois Dedos de Conversa a conversar (2 dedos) sobre o assunto, neste sentido). E também, claro, acho que um Cardeal tem responsabilidades institucionais (e doutrinárias) que em muito nos ultrapassam, daí o lamento pelo errro de tom

    Agora acho que um cardeal, exactamente por o ser, tem todo o direito de opinar valorativamente sobre práticas, religiões e até, matrimónios. Caramba, se um homem da Igreja não faz isso o que poderá fazer? Benzer apenas? E aqui não é da liberdade individual, é mesmo da liberdade de culto. Poder-se-á dizer que não deverá ser intolerante (honestamente acho que não deve ser mas é achar exógeno, a Igreja é dos seus crentes e eu não o sou – é como a questão das mulheres sacerdotes: se sou crente que devo eu opinar, não é meu assunto). Mas afirmar que o que o homem disse é intolerante é um manifesto exagero

    Quanto ao “espalhar”. Pois não há-de ter sido a primeira nem será a última vez. Também é essa a piada disto…
    cumprimentos

    • Estimado JPT

      Direito de opinar valorativamente sobre práticas, religiões e até, matrimónios claro que tem. Ele e todos nós. Mas o que me parece ridículo é, no caso de um Cardeal, o exercício de superioridade moral da igreja católica, especialmente em relação ao casamento!
      Imagine a situação, JPT, em que um muçulmano converteu-se ao catolicismo e casou com uma católica na igreja mas, passado uns tempos e apesar de continuar a pensar que é católico e cumprir os respectivos ritos, a mulher pretende o divórcio alegando que o marido a obriga a práticas culturais a que não está habituado, nem para elas foi educada, nem são respeitadoras da sua liberdade e igualdade.
      O que lhe poderá dizer o nosso D. José Policarpo? Pois é menina, tens razão, mas aguenta porque o que Deus uniu só ele pode separar! Divórcio nem pensar porque ele é católico, baptizado e cumpre os nossos rituais. Se porventura ele se tivesse convertido novamente ao Islão, então sim, poderia a senhora pedir a anulação do casamento!

      Já viu o ridículo em que, facilmente, nosso D. José Policarpo cairia?

      Abraço e obrigado pelo contraditório.

  6. Raio diz:

    … Valha-nos o facto de que vozes de Burro não chegam ao Céu …
    Bem que a comunidade muçulmana deveria convidar D José Policarpo a meter-se de cú para o ar … ah! … não para rezar.

    Saudações Bloguisticas
    Raio

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