Surpreende-nos sempre, a morte, mesmo quando já aprazada, tolhe o discernimento diante da falta de humildade em assumir o que não se sabe, porque não se compreende.
A vida, o ser e o ser-se, prepara-nos, sem remissão, genética e psicologicamente, para a continuidade, prostrando-nos, forte, mas brevemente, diante da descontinuidade da morte.
O Ser Humano foi-se construindo sobre e numa historicidade, buscando sempre causas para continuidades psicologicamente compreensíveis que mais não é que uma muleta para nos ajudar na perplexidade e no torpor das descontinuidades que a realidade nos impõe.
Tags: Pensamentos
Textos Relacionados:
2 Respostas to “A vida nunca nos prepara para a morte”
Comentários (2)






















Eu diria que a grande questão — o grande trauma — do ser humano é compreender realidades que não pode alcançar: o eterno e o infinito. Não podendo ser uma coisa nem outra, tenta sê-las criando algo que o perpetue. Pode ser obra, podem ser filhos, pode ser a crença numa vida após a morte… Pode ser tudo isso, que a questão não tem saída.
Talvez preferira considerar, caro José Couto Nogueira, que o Ser Humano vive e sobrevive a situações que não compreende nem conhece, conhece no sentido científico que corresponde ao conhecimento). Esse desconhecimento causa-lha enorme tensão interior numa sociedade que pretende auto-intitular-se de sociedade do conhecimento, aquela que tudo sabe e o que não sabe estará, em breve, ao alcance.
Ilusão, pura ilusão. Quem não viver na que advém da serenidade da nossa incapacidade de conhecer ou vive outra coisa que de vida pouco será ou, engana-se, engana-se negando a existência do que desconhece…, com um ponto final…, ou três pontos…
Obrigado pelo comentário.