Os títulos dos media são muitos e variados sobre a mensagem que Cavaco Silva deixou hoje aos desempregados do Distrito de Braga:
deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar.
Parece pouco? Pois a mim parece-me muito. Muito mais do que esperaria de Cavaco Silva ou de qualquer outro político ou economista – a humildade de reconhecer que não sabe, não tem solução, mas que está ao lado deles.
Estou surpreendido? Mais do que isso. Estou rendido!
O que mais me tem incomodado neste início de depressão é a facilidade com que políticos e especialistas ou especialistas políticos apontam causas, afirmam conhecer a dimensão, têm previsões e curandeiras soluções, seja através do anúncio de medidas para combater o que chamam de “crise”, sejam as chuvas críticas sobre medidas tomadas e o anúncio de que deveriam ser, antes, outras.
A única verdade que retirei, ou melhor, confirmei é a do logro, de cientificidade investido, que os economistas incorriam, sem pudor, ao fazerem futurologia através do tratamento estatístico das continuidades. Denunciaram os planos quinquenais de Estaline sem curar de reconhecer que o que os distanciava deles não era a intenção, mas tão-só o prazo.
Das descontinuidades a ferramenta estatística de nada serve para ajudar a compreender. De rigorosamente nada.
Ao dizer o que disse hoje, Cavaco Silva deu uma lição de humildade a todos aqueles que ainda tempo não tiveram para olhar para o cosmos e reconhecer que o conhecimento humano não representará mais do que um grão de areia diante da magnitude do que ainda não compreendemos, e que será da assunção dessa humildade que as interrogações nos sobressaltam que surge a motivação para busca da compreensão, do conhecimento científico.
“Chapeau”, Presidente Cavaco Silva, mas…
não sabendo, pois não é obrigado a saber o que se não conhece, não permita que a nossa ignorância se constitua em motivo para não exigir muita prudência na sustentação de entidades bancárias, com e sem produtos tóxicos, uma vez que deverão os Estados preparar-se para assegurar, na medida do possível, os que mais irão sofrer com o que ainda estará para vir. E isso sem pensar em neoliberalismos nem socialismos, mas sim nas pessoas.
Tags: Cavaco Silva, Ciência, Conhecimento, Desemprego, Economia, Governance, Política, Reflexões






















Muito obrigado pela referência, estimado Carlos José Teixeira.
Abraço