A entrevista de ontem na SIC a Medina Carreira por Mário Crespo parece ter despertado nos media e na blogosfera um impacto só compreensível para quem não acompanhe o seu pensamento. Medina Carreira nada adiantou de novo ao que já em Julho de 2006 denunciava no NERBE, em Beja (“Medina Carreira no NERBE – falta de empresários ou de negócios?”):
(…) o Estado não existe “para dar respostas aos empresários, mas sim, para lhes dar condições de trabalho” e que devem ser “os empresários a traçar o seu próprio caminho“. Considerou ainda que “a saída para Portugal está no aumento da competitividade e na produção para exportação“ e, por outro lado, “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“!
A sua ideia sobre o que são os partidos também não é nova, já a tinha expresso na SIC Notícias em entrevista a José Gomes Ferreira em 1 de Julho de 2008, onde também aí reafirmou considerar um erro a tentativa de incrementar o crescimento através do estímulo da procura interna porque, em sua opinião, apenas endividava ainda mais Portugal e os portugueses. A solução que preconiza é a aposta nas exportações, ontem mais uma vez explicitada, na produção de bens que interessem mercados externos a preço competitivo.
Subscrevendo eu, na globalidade, o quadro que Medina Carreira expõe sobre a situação de Portugal, tão cruel quanto verdadeiro, não posso deixar de duvidar da consistência da sua proposta de solução – a do incremento das exportações.
Exportar o quê se não há indústria? Exportar o quê se nos anos 80 e 90 desistimos da nossa capacidade produtiva a favor de uma adesão à União Europeia que nos inundava com ilusórios milhares de milhões? O gráfico que Medina Carreira mostrou ontem, montado a partir de um estudo de Silva Lopes, mostra bem que, apesar da entrada desses milhões nos anos 90, dos quais ninguém sabe ao certo onde foram parar para além do alcatrão, que foi nessa mesma década que a inversão do ritmo de crescimento surge.
Por outro lado, não podemos esquecer que o neoliberalismo instalado nos anos 80 pela mão de Reagan e Tatcher, vendeu-nos a ideia de que a Europa e os EUA deveriam orientar a sua economia para os serviços, o comércio e o turismo. Esse embuste, que durou até agora, foi responsável pela deslocação de toda a produção de riqueza palpável (entenda-se, produção de bens alimentares e industriais essenciais) para os países de mão-de-obra barata, seja Taiwan, China, Índia ou América Latina, deixando-nos entregues à indústria bancária e seguradora que riqueza não produzam a não ser através da usura e do jogo bolsista.
Acontece que o capital de investimento conheceu e deu-se (e tem-se dado) muito melhor com regimes autoritários, onde existem Estados intervencionistas que acolhem e só defendem o interesse desse mesmo capital. As democracias ocidentais, que erigiram a liberdade de circulação do capital como sustentáculo da democracia, virão este virar-lhe costas na primeira oportunidade (ver textos: “O Capital – esse filho ingrato” e “A falta de negócio e o fim da liberdade”)
O que restou à União Europeia e aos EUA? A institucionalização da agiotagem, da usura, do jogo da bolsa, tudo com o mínimo de regulação possível, disfarçado pela “mão invisível” dos neoliberais comno se de uma mão de Deus se tratasse!
Tudo isto funcionaria, mesmo sem riqueza produzir, enquanto a nossa capacidade de consumir se mantivesse – as classes médias da Europa e dos EUA gastavam o necessário para que os respectivos bancos centrais abusassem de taxas elevadíssimas com o intuito de captar o capital granjeado na exploração da mão-de-obra barata. (ver textos: “Banco Central Europeu – um caso de autofagia anunciada” e “Zona Euro – uma bem organizada central de agiotagem”)
Por isso eu perguntaria ao Professor Medina Carreira que poderemos nós produzir para exportar se toda a força produtiva, mesmo a de capital americano e europeu, está instalada noutros países e de lá não pretende sair? Como poderemos competir no preço diante de semelhante desigualdade? Que poderemos exportar (nós, Europa e EUA) se somos nós os ainda únicos com capacidade de consumo?
Sim, estou plenamente de acordo com a análise de Medina Carreira e com a denúncia crua donde e até onde nos conduziram (ou deixaram-se conduzir) os nossos políticos, mas o que não vislumbro é como será que captaremos investimento produtivo que impulsione as exportações! Bem gostaria de ouvir o desenvolvimento prático dessa sua solução.
adenda: sobre este assunto ver texto de Carlos José Teixeira com a mesma data.
Tags: Banco Central Europeu, Crise Financeira, Depressão, Economia e Finanças, estados unidos, Governance, Mário Crespo, Medina Carreira, União Europeia






















Concordo plenamente com o seu comentário, contudo…
acho que o que realmente interessa no discurso de M. Carreira são todas as bases – ” (…) as soluções nascem na base, nascem com a educação, com exigência, com rigor e disciplina (…) ” – que fazem um país crescer. Que por sua vez levam à criação de todas as infraestruturas que o país precisa para que o «investimento produtivo impulsione as exportações!».
Este país está de rastos…completamente. Um bom começo era o governo ao contrário das suas avaliações a professores e a tribunais, avaliarem o seu próprio governo.
Mas, caro André Sousa, pedindo desculpa se não fui claro, estou em perfeita sintonia com o quadro que Medina Carreira faz de Portugal e consigo no que à educação respeita.
No entanto, é preciso não esquecermos que países que não permitiram o laxismo na educação e não é por isso que deixem de estar em situação idêntica à nossa. Diria, por isso, que sem uma boa formação cultural não conseguiremos sair do buraco em que nos meteram, mas só isso não chega.
Em relação à posição de Medina Carreira para a saída que antevê para esta marasmo (e para o que ainda há-de vir), o incremento das exportações, gostaria de o ouvir, com muito mais detalhe, em que áreas podemos ainda produzir para exportar e para quem.
Muito obrigado pelo comentário.
Excelente texto Carlos!
Acho extremamente importante o empreendimento e o empreendedorismo, agora essa coisada muito em moda e na boca de toda a gente do tal conceito de competitivo ou da competitividade, não me agrada nada, ou seja não gosto mesmo nada e exactamente porque tem mas é servido para justificar os erros e mais erros que as economias e as políticas têm andado para aí a cometer a torto e a direito, e sem dó nem piedade. Chega de competitividades ou jogadas em falsos conceitos. É que a vida, o ser-se exemplar ou o melhor, ou o negócio e trabalho realizado com toda a dignidade, não passa pelo competir, essa ideia é quanto a mim completamente errada. E digo mais, que o competitivo leva à tal de «rotação produtiva da ignorância».
E depois a solução de Medina Carreira e como referes muito bem, não vai lá com as tais (de competitividades e) exportações, essa capacidade está completamente esgotada e porque viciada ou pervertida em si mesmo. Existem outras soluções e que terão de ter a ver prioritariamente com o ambiente e que diz respeito ao humanismo, assentes em valores de ética e de estética e que teremos de pôr na mesa enquanto antes, a começarmos a trabalhar já, já.
Obrigado pelas tuas palavras, Alice, mas permite que detenha sobre essa tal “competitividade” que te atormenta.
Nada tenho contra a competitividade, bem pelo contrário considero-a essencial para nos incentivar a sermos melhores. O Ser Humano compreende, quase sempre, melhor por comparação e vermos o que os outros são capazes é a melhor forma de nos incentivar a aprender para melhorarmos.
O que acabo de te descrever de forma muito básica é o que entendo que é competitividade e a razão porque a considero fundamental para o desenvolvimento da Pessoa. É evidente que a reboque desse conceito são poderá sempre surgir quem dele se sirva para fins muito pouco salutares. Poderá e surge, só que não será da competitividade a culpa, antes da má-formação ética das pessoas.
Quanto à teoria de Medina Carreira de que poderemos inverter a tendência para a pobreza através do incremento das exportações, nada, teoricamente, tenho a contrapor. Parece-me é que o mundo que virá não será mais o mesmo, será outro, desconhecido, regido por uma ordem e regras que ninguém se atreve ainda a enunciar e, por tal, a minha questão: produzir o quê e para quem.
Beijinho e obrigado pelo comentário.
Estou completamente de acordo com a análise de Medina Carreira, se bem que entenda nelas alguma tendência para o óbvio. Naturalmente que numa economia de mercado, a via para o equilíbrio de um país como o nosso passa pela balança de pagamentos. Mas, como digo, nada contra, antes pelo contrário.
Já quanto à realização concreta desse desejo, partilho as dúvidas expostas. Que exportações?
No entanto, até considero existir potencial, já comprovado, na realização industrial. Tecnologias, por exemplo, parecem ser uma aptidão nossa, haja quem invista com segurança – está provado que uma filial implantada num país está sujeita aos caprichos da casa mãe, receba os subsídios que receber do país de acolhimento. Outros produtos, que me parecem óbvios, são os relacionados com a terra. Num rectângulo de 800X300 como é o nosso, assistimos a uma diversidade única de produção relacionada com a natureza. Criar condições para essa produção, ambientalmente sustentada, e passar para a exportação do que poderemos considerar produtos de luxo – de muito maior luxo do que os indianos, mexicanos, nórdicos, etc. – para um mercado exigente e pagador. Mas isto são apenas sugestões em o mínimo estudo, pelo que acho que já escrevi demais sobre o assunto.
Quanto ao resto, de acordo com a transformação da economia europeia e americana numa autêntica usura e hotelaria à beira mar. Mas vou mais longe: o problema é que me parece não se ter produzido absolutamente nada de tangível.
A “mão invisível” neoliberal em nada se parece com a de Smith, por um simples motivo: Smith aplicava essa mão ao mercado de produtos e serviços, em coisas que se vêem. A “mão invisível” neoliberal deixou-se levar pela simples especulação, fazendo com que muita gente conseguisse enriquecer sem fazer absolutamente nada, apenas jogando a sorte na bolsa e em transacções bancárias e para-bancárias. Claro que tinha que dar no que deu. (Mas agora nós sabemos tudo, não é?)
Por fim, uma pequena palavra
em relação à tua conversa com a Alice, no capítulo da educação.
A mudança desejável ao nível social e económico deve ser iniciada ainda nos bancos da escola. Lamentavelmente, o objectivo do percurso académico parece culminar numa única coisa, na entrevista de emprego. Tal é sintomático da apatia estudantil que continua, depois, nas bancadas da Assembleia da República, nas gestões das organizações, enfim, vida fora. Criamos “zombies” que vivem apenas para a carreira e para o cartão de crédito. Se me permites o abuso, deixo link para algo acerca disso, http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/feb/19/student-politics-sit-ins-gaza, tratado por mim lá no estaminé.
Como digo no resumo desse meu tratamento, «É urgente fazer com que os estudantes regressem à participação activa na sociedade, como o fizeram em tempos, talvez agora de uma outra forma, partilhando valores diferentes. Para tal, torna-se necessário que os professores, eles também, saiam do marasmo a que estão votados, presos pelos critérios de manutenção do emprego e de ascensão de carreira, e que se tornem livres de discutir a vida com os seus alunos.
Talvez assim, um dia, surja uma nova cidadania, muito melhor do que esta que nós, os pais e educadores, partilhamos num estado de bovinidade.»
Mais do que nunca, é necessária educação e cultura para que possamos ultrapassar esta crise da melhor forma: tratando os outros como iguais, em liberdade e com justiça.
Grato pelo apontamento,
um abraço,
CJT
Estimado Carlos J. Teixeira
Antes de mais obrigado pela qualidade que o seu comentário emprestou ao texto acima, mas por muito sucinto que pretenda ser, a resposta daria para um sem número de novos posts. Mas, vamos tentar, por partes…
1 – a análise de Medina Carreira é óbvia. Não, infelizmente, não é, nem para o poder, nem para os políticos e muito menos para a generalidade dos cidadãos. É desconhecida e até se tenta que não se divulgue. É óbvio para si e para mim e para mais uma centena de pessoas que realmente se interessam, com seriedade, pelos problemas que afectam as pessoas.
2 – O Carlos J. Teixeira aponta e bem que há potencial para produzir riqueza para exportação, mas era precisamente isso que foi adiantando que Medina Carreira não desenvolveu. Que pensará o Professor sobre os Estados financiarem bancos falidos como erário público? Que privilegiará ele em termos de financiamento no período que se avizinha – financiar empresas de sectores que considera viáveis ou guardar o pouco que há para combater a pobreza que se já vê? Ou os dois em conjunto? Não sei o que pensa Medina Carreira, no concreto, sobre isto e muito gostaria de o ouvir.
Quanto ao que o Carlos J. Teixeira adianta, pois claro que o potencial existe, embora eu exclua a instalação de filiais estrangeiras que irão embora na primeira oportunidade. Mas potencial na lavoura, nas pescas, no montado, nos lacticínios, na agricultura biológica, na energia eólica e solar (um bom exemplo do trabalho deste governo)… Pois seria, seria que se não estivéssemos tolhidos com quotas de produção pela União Europeia e pela vergonha humanitária que é o financiamento da OCDE aos países ricos para manterem os preços agrícolas artificialmente elevados!
Repare, se os Açores produzirem produtos lácteos acima da sua quota levamos com uma multa daquelas, impedindo-nos de aumentar a capacidade de produção para exportar para fora da União Europeia! Isto é ridículo, mas é assim! E é assim com as pescas, é assim com a criação e exportação de porco preto barranquenho, é assim com a produção de tomate, é assim com a produção que queijos de Norte a Sul e, permita a insistência, mesmo que os queiramos exportar para países onde a fome mata, bem longe da União Europeia.
E sabe por que será assim? Claro que sabe, é que a tal “mão invisível” quer vender transgénicos em detrimento dos produtos naturais, ou biológicos como hoje se prefere dizer.
A questão não é de potencial, isso nós temos, a questão é a de saber o que os “donos do mundo” nos deixam ou não fazer! A questão não é económica, antes de defesa de interesses desumanos que continuam a enriquecer alarvemente quem os distribui!
3 – a questão que coloca da “mão invisível” de Adam Smith é, como diz, uma panaceia, porque o próprio, no mesmo livro, mais adiante, mostra bem onde essa “mão invisível” nos poderia conduzir – à clivagem cada vez mais acentuada entre poucos muito ricos e muitos muito pobres e ao enfraquecimento das Nações! Está lá, é só ler. Mas como bem escreveu, os neoliberais de nada lhes interessa a “mão invisível” a não na parte que lhes interessa que é a do lucro a qualquer preço.
Por outro lado, há a questão de enquadrar o pensamento de Smith no seu tempo – o dos utopistas que, exceptuando poucos, partiam da premissa de que praticar o “bem”
fazia parte essência de Homem, contrapondo à doutrina tomista que já vinha do século XII de que o Homem é por essência maldoso. Sabemos hoje, ou pelo menos eu tenho-o por certo, de que todos somos capazes de praticar o bem e o mal, estando em cada um nós, individualmente, a responsabilidade da nossa conduta e comportamentos em relação aos outros e à humanidade e, assim sendo, a atenção, a denúncia e a ética de vida obriga-nos a tentar, jogando mão de todos os nossos recursos (dentro de um Humanismo, é evidente), levar o bem onde o mal foi implantado.
4 – E chegamos assim à importância da cultura e da educação que o Carlos J. Teixeira evidenciou, na formação de identidades culturais conscientes dos recursos e das injustiças do nosso mundo e, sem abdicar da individualidade a que cada um tem direito de fruir, construirmos para o bem de todos, sem excepção – o que eu gosto de chamar uma “Educação em Cultura”.
Mas dará para acreditar que alguém dos poderes deste mundo se interessa por esse género de educação? Está à vista de todos, o próprio Carlos J. Teixeira o disse – a filosofia da educação está hoje, sem remissão ou pudor, centrada numa visão funcional da sociedade neoliberal – não se incute o gosto de aprender, antes a obrigação de através dela se vir a ocupar um lugar neste viciado processo económico. E quem não o conseguir, ou melhor, quem não conseguir ser no mundo ocidental um consumidor desenfreado é um marginal, votado à mais ostracizante e desumana exclusão social!
5 – Para conseguirmos a massa necessária para que a esmagadora maioria das pessoas que vivem no mundo ocidental se detenham para pensar neste problema será necessária, e urgentíssima, a chamada interior para uma cidadania activa e perseverante, baseada numa ética de vida, que consiga motivar alguns, poucos que sejam, para a desumanidade que construímos, e sem esmorecer mesmo quando a morte nos surpreender, pois a morte é própria dos seres e os princípios do pensamento e, prova-se já hoje, que são também geneticamente transmitidos.
Em resumo, estimado Carlos J. Teixeira, já viu a dimensão da empreitada que terá de se digladiar bravamente contra quem mais maus princípios incute às crianças? Os media, não as escolas e já nem sequer os pais, os media são já nos Estados Unidos responsáveis por mais de 70% dos princípios que as crianças e adolescentes aprendem como verdadeiros!
Hercúlia tarefa, mas não nos devemos deixar esmorecer diante das dificuldades, antes fazer delas a nossa força, e cada um à sua maneira, com respeito pela individualidade de cada qual.
Mais uma vez muito obrigado pelo seu comentário.
Abraço
Caro Carlos, eu é que agradeço a resposta.
Vir aqui lê-la é, mais ainda do que ler o post sobre o assunto que a origina, um prazer, e permita-me que o diga, uma aula.
Por falar em aulas, posso começar por dizer que houve uma, mais precisamente de Gestão das Organizações, em que fui forçado a discutir com o professor essa diferença de visão entre Smith e outros. Curiosamente, baseei a minha argumentação nos mesmos termos que a acima descrita. Lamentavelmente, porque se trata de um professor do ensino superior, o homem não quis considerar essa argumentação, optando por considerar que Smith, em vez de estar presente na actualidade, é dela o principal mentor. São pontos de vista, é certo, mas foram precisamente esses pontos de vista que fizeram do mundo o que ele está hoje.
Não creio que a análise de Carreira seja assim tão pouco óbvia para a maioria dos cidadãos. Trata-se, isso sim, de uma questão de acesso a ela, por entre a miríade de detritos informativos com que somos obrigados a conviver. Talvez disso seja sintomático o estado cultural doa jovens norte-americanos que refere, que não hesito pensar em tudo semelhante ao da maioria do mundo. Panis et circencis, meu caro.
As condições existentes relativas à limitação de produção, impostas pela UE, são aparentemente incontornáveis. E são-no por um único motivo, pelo gasto inconsequente de uma dívida que se avoluma e que alguém tem que pagar. A aposta, durante décadas, no cimento e no asfalto, embora parcialmente necessária, concedo, é na sua maioria inútil. Exemplifico dizendo que sou um viajante de automóvel muito assíduo e vejo “novas autoestradas” vazias, de cada vez que lá passo. Vejo estruturas pretensamente sociais sem nada que se pareça minimamente com sociedade no seu interior.
Estamos, assim, reféns de uma política de despesismo eleitoralista que vem a absorver empréstimos que, em vez de serem utilizados em favor da economia, foram-no em favor de estruturas “potencialmente dinamizadoras”.
E agora, como refere, teremos ainda que arcar com a dívida acumulada pelos especuladores que, meio legal, meio ilegalmente, estão garantidos quanto ao seu futuro.
O problema está no facto de ser extremamente difícil uma ruptura com o estado económico-financeiro do país, pelo menos no que à sua dependência da UE concerne.
Estou com o Francisco, ter uma opinião do género é ser antieuropeista, seja lá isso o que for.
Mas isso passa-se unicamente com países como o nosso. Naturalmente, a capacidade negocial mede-se na directa proporção que o país tem nos negócios internacionais. O que quer dizer que nós, como o cão que tenta morder a cauda, havemos de correr atrás dela sem saír do sítio. E, se a apanharmos, aleijámo-nos…
Por fim, uma nota para a Educação em Cultura que refere: é uma das minhas principais preocupações. Lamentavelmente, sou apenas um estudante (muito tardio) e, para ser sincero, aos 42 anos de idade estava, altura em que entrei para o ensino superior, ainda convencido que este seria um local de produção de Conhecimento. Digo lamentavelmente pois quer-me parecer que ser estudante em Portugal é, antes de mais, uma espécie de autismo. Assisto a uma iliteracia que vem dos bancos da primária, tanto por parte dos alunos como dos professores – tenha lá paciência, há-de concordar comigo -, que acaba nessa tal apatia que referi.
Uma coisa posso dizer: seria muito difícil um Maio de 68…
Muito obrigado pela resposta… e desculpas por mais uma seca…
abraço,
CJT
Mais uma vez, Carlos J. Teixeira, o meu agradecimento pela qualidade dos seus comentários e, claro, pelas boas palavras.
Abraço
Tens toda a razão na questão que colocas ao Medina. De facto, abdicámos completamente da nossa indústria, desbaratámos a nossa agricultura e o pouco vigor do nosso sector pesqueiro só pode envergonhar um país que se congratula por ter uma das ZEE marítimas maiores da Europa.
É o que temos.
Um abraço,
francisco Nunes
Pois é Francisco, mas como é evidente, atiram-nos logo com o rótulo de anti-europeístas quando dizemos estas verdades.
Os rótulos é sempre o caminho mais fácil, mas o facto de eu ter gosto em ser europeu, não será por isso que deixarei de criticar quem conduziu tal mal a nossa adesão, as negociações posteriores a troco de enxurradas de dinheiro e muito menos quem acha que o Tratado de Lisboa não deve ser referendado, pois só os elites pelo poder iluminadas o compreendem!
Abraço e obrigado pelo comentário.