Em momento de Páscoa cumprem-se os 250 anos da morte de Häendel coincidindo com a visita de José Sócrates ao Conservatório do Porto onde afirmou que o ensino da música precisa de um grande investimento. Ao longo dos últimos anos demos o nosso melhor para que o ensino da música se democratizasse, por assim dizer.
Pena que o Francisco José Viegas se tenha antecipado à ideia de um texto que tinha na cabeça para hoje. Pena? Pena, não, porque no seu artigo está lá praticamente tudo. Tudo o que de mal este governo tem feito ao ensino especializado de música.
Democratização do ensino!? Por assim dizer!? Que diacho de chavão se socorreram, este da “democratização”, para que, sob o seu manto, se tenha destruído o culto da memória, a formação das identidades pessoais e a qualidade das aprendizagens!
Sim, eu sei, eu sei que mais lá para o final do ano, mais perto das apoteoses eleitorais, nos virão dizer que o governo conseguiu, de um ano para o outro, aumentar de 17 mil e tal para 25 mil e tal (47% mais coisa menos coisa), o número de inscritos nas escolas de ensino especializado de música.
E é verdade. Não mentirão. Não mentirão porque não dirão que arrasaram com a exigência dos programas e planos de estudos, com os sistemas de avaliação próprios dessa aprendizagem e que, apesar de abrir as portas destas escolas a mais estudantes, destruíram a possibilidade de manter a qualidade das aprendizagens que as distinguia! Porque era um ensino ‘elitista’, diziam doutos agregados catedráticos que lavraram relatório profícuo que comprovava esse hediondo ‘anti-democrático elitismo’!
De parabéns está toda a gente que colaborou e ganhou a vidinha com este embuste (mais um na educação).
A perder ficaram poucos – apenas os que querem e poderiam aprender! Sempre os mesmos, aliás, quando se arremessa co os esbustes da ‘democratização’ e do ‘elitismo’ no que à educação diz respeito.
Mas era a propósito de Häendel…, pois, e porque ainda em Páscoa estamos, ‘Hallelujah’, da sua Oratória ‘The Messiah’, HWV 56 de 1741, sugerida pelo Francisco José Viegas, interpretado em concerto por alunos de liceus de França e Alemanha, em 2005.
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Lumière pourrissante. L’obscurité n’en serait pas pire. Diz alguém de quem gosto.
Mas pior que o topete do primeiro e a da sua dama é o sono dos súbditos. A esses é que é preciso falar.
Lumière pourrissante, l’obscurité ne serait pas la pire
condition. (René Char, se não estou em erro em “Les Apparitions dédaignées”)
O sono dos súbditos, Eboriígene! Ah, poética frase que bem ilustra o ‘deixar andar’, o ‘deixar fazer’, o nada fazer mesmo quando mal se diz, muito própria da lusa sina, do fado. Parece que temos saudade sempre do futuro…
Mas é mesmo para esses que devemos teimar em fazer-nos ouvir e fazer com queiram ouvir e fazer que façam, por e para si.
Muito obrigado pelo comentário.