O descrédito que os políticos filiados em partidos e independentes na dependência dos mesmos atingiu não é novidade para quem insiste na ética associada à política. No entanto, os jornalistas, em geral (uma vez que haverá sempre excepções, tal como nos políticos), parecem teimar em trilhar o mesmo caminho – o da falta de rigor, do desrespeito pela verdade e o da manipulação dos cidadãos através de descontextualizações grosseiras de declarações prestadas.
Há poucos dias, a propósito das estimativas do Banco de Portugal, os títulos das notícias, invariavelmente, cuspiam qualquer coisa do género “Cavaco Silva – as previsões não podiam ser mais negativas”.
É verdade que Cavaco Silva proferiu tal afirmação, mas também acrescentou, na mesma declaração, que “dificilmente poderiam ser melhores” uma vez que “nós dependemos muito dos mercados internacionais e as exportações caíram 14 por cento”. Ainda no mesmo contexto adiantou que “o que pode surpreender um pouco” é a “queda tão acentuada que se verificou no investimento, de 15 por cento”.
Lidas assim as declarações de Cavaco Silva, tal qual as proferiu, o seu sentido contraria o que os media tentaram grosseiramente transmitir através dos seus títulos.
É triste ver como, de forma tão soez, o jornalismo português se vai descredibilizando sem o menor respeito pela verdade e pela ética profissional, e logo num momento que atacam vorazmente a falta de ética na justiça e no política!
Espelho meu…
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