35 anos após o 25 de Abril é constrangedor ouvir Lasalete da Coração da Cidade, instituição particular de solidariedade social sem fins lucrativos de apoio aos sem abrigo no Porto, afirmar que Neste momento, os bens que nos são doados não chegam para conseguirmos alimentar as mais de 300 famílias que nos procuram.
No blogue do Coração da Cidade, sob o título os cravos estão vermelhos de vergonha…, Lasalete enuncia, com humildade, o que deve ser a liberdade: a liberdade é um treino diário de adestramento da vontade de viver e de disciplina interior, é um modelar constante do nosso mal formado carácter para que a liberdade se manifeste em nós e simultaneamente nos outros….
Mais adiante, descrente nos partidos e da ilusória liberdade de que falam, é com profunda tristeza e mágoa que escreve:

mas, o que mais deixa de lado o prazer da liberdade, é que constantemente os menos abastados se deixaram contagiar pela inoperância e entregaram a liberdade aos partidos, deixaram-se conduzir por querelas partidárias e não foram capazes de entender que a parte mais bela da liberdade, que é a união de esforços , estava a adoecer, porque a liberdade deve ser alimentada por um povo que sente diariamente na alma e no corpo as algemas dolorosas das migalhas que os ricos fazem escorregar das suas mãos abastadas e nuas de caridade, douradas da caridade assistencial que não sabem usar…

Deixo um vídeo da RTP para ouvirem, de viva voz, quem pelos outros faz a sua vida.


É por isto que Mandela, nos seus 90 anos, e sabendo que a democracia está de volta à África do Sul, não se esqueceu de lembrar ao seu partido antes destas últimas eleições, o ANC, que a grande prioridade é a erradicação da pobreza.
Mas Mandela é Mandela. Nunca se deixou deslumbrar pelas riquezas nem aceitou as injustiças que as democracias ocidentais proporcionam. Ele sabe. Sabe, porque por isso dedicou e entregou a sua vida.


Tags: , , , , , , , , , ,

Textos Relacionados:


Deixe um comentário

(campo obrigatório)

(campo obrigatório)