A aprovação na Assembleia da República das alterações à Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais ilustra o total desprezo dos políticos pelos cidadãos, por um lado e, por outro, representa a machadada final do já muito perene crédito dos partidos políticos, todos sem excepção, já que o único voto contra foi o de António José Seguro.
Enquanto a abstenção galopa colocando em causa a própria democracia, os partidos políticos, na opinião de João Cravinho, abrem a porta a uma entrada de dinheiro 1.250.000 euros, sem qualquer fiscalização sem qualquer contraprova.
E adianta ainda:
Mais vale dizer que está aberto o leilão à corrupção, porque é isto mesmo que se trata. É uma pouca vergonha. É uma provocação.
Relativamente às campanhas eleitorais internas Cravinho insurge-se:
Se é possível alguém ou um grupo ou vários reunirem-se, ou alguém por si só financiar uma campanha de 1 milhão, ou de 2 milhões, ou de 30 milhões de euros para conquistarem um partido chave, estão a dizer que é o poder a saque e ainda por cima barato.
Falta saber se Cavaco Silva, tão zeloso da transparência e do rigor de contas, fará ou não uso do seu direito de veto diante de semelhante atentado à democracia.
Haja alguém com bom-senso e ética já que a ‘vergonha na cara’ caiu em total desuso!
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