Arruinado o ensino básico e complementar especializado de música (ver texto anterior) vem já aí mais um estudo encomendado para o ensino superior – veja-se!
Reacções?
As conclusões, que no artigo são resumidas escapam a dizer o mais óbvio e, talvez, o mais importante: o nosso país tem uma classe política que, na sua generalidade, não consegue mais que ver nas artes um adorno (Carlos Semedo)
Estudos estes que se têm revelado apartados das verdadeiras práticas do que é a força da criação artística. Em ideias estas que (…) a permitirmos serem postas em prática, irão efectivamente destruir por completo toda a capacidade de se pensar, de se sentir, de se intuir e de se viver em valores de Ética e Estética. (Alice Valente)
Estudos e mais estudos de entendidos em estudos e não em artes.. de criar e de bem artes ensinar!
Tags: Cultura, Educação, Educação Artística, Ensino Artístico, Ensino Superior de Música, Gestão Cultural






















Caro Carlos Araújo Alves,
Estive esta tarde na apresentação deste estudo e penso que não tem nada a ver com o funesto relatório para o ensino secundário. As questões levantadas são muito pertinentes e as recomendações podem ser muito interessantes se tomadas como linhas orientadoras globais.
A notícia do Público é, infelizmente, muito pobre e tendenciosa na análise do documento. Dou apenas um exemplo: a frase transcrita pelo Público sobre a qualidade dos professores tem um contexto totalmente diferente daquilo que aparenta na sua descontextualização. O relatório alerta para a necessidade de encontrar outros modelos de aferição da qualidade de docentes, afim de tornar as carreiras do ensino superior artístico mais adequadas para o tipo de formação característica de um artista. A recomendação a este respeito é, por exemplo, a de criar novos modelos de doutoramento orientados para a prática ou assentes em compilações de trabalhos já publicados, para mecanismos de avaliação de qualidade mais baseados em “peer esteem thorough exibitions or performances” do que em documentação formal tradicionalmente associadas aos doutoramentos, e ainda a criação de um associação de professores do ensino superior artístico. Traduzindo, o que o relatório diz neste ponto é que há profissionais aptos para o ensino especializado a nível superior mas que esses profissionais têm dificuldades em serem enquadrados em mecanismos de progressão de carreira que não têm em consideração o seu percurso tipo.
Infelizmente fica de fora deste documento toda a problemática do financiamento, da (des)articulação dos órgãos de gestão, da falta de apoio adminstrativo e do enorme peso burocrático que recai sobre os professores, que passam mais tempo a lidar com papéis que a preparar aulas.
A questão agora é apenas o que irá fazer o MCTES com este documento. Sinceramente, creio que é um estudo que irá cair no vazio, na melhor das hipóteses, ou que, na pior, se irá fazer como o Público, retirar as frases do contexto para deturpar completamente o seu significado e usá-las para justificar qualquer ideia pré-concebida.
abraço
Pedro
Olá, estimado Pedro Sousa Silva
Acabei agora mesmo de ter acesso ao estudo Reforming Arts and
Culture Higher Education in Portugal (para quem pretender ler está no sítio do MCTES – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,mais precisamente aqui: http://www.mctes.pt/archive/doc/Final_A_C_Report.pdf
Tenho de pedir algum tempo para o ler cuidadosamente muito embora, a primeira impressão, corrobore as palavras que aqui deixa, uma vez que está organizado de forma muito semelhante aos estudos que vêm sendo elaboradaos há uns anos a esta parte pelo ‘EMU’ e pela ‘AEC’, nomeadamente o Guide to Third Cycle Studies in Higher Music Education e o Doctoral studies in the field of music – current status and latest developments, exemplos do que devem ser estudos sobre ensino artístico. Traçam um retrato da situação e apontam pistas sempre em prol do desenvolvimento da Pessoa enquanto ser culturalmente envolvido, emancipado e criativo.
Por outro lado, as pessoas envolvidas neste estudo encerram, elas próprias, uma credibilidade sustentada na longa experiência de ensinar vários domínios das artes e, fundamental, a sua prática, contrariamente ao que foi coordenado pelo Professor Doutor Domingos Fernandes para os níveis básico e secundário.
É de facto, com muita expectativa, que me deterei sobre as suas conclusões, sabendo o que o Pedro Sousa Silva já adiantou sobre o financiamento e, não posso esquecer, de que forma as suas recomendações serão tidas em conta à margem do crime cometido contra os níveis básicos e secundários pela Ministério da Educação.
Abraço e muito obrigado pelo comentário.