Jan 192010
 

Incomoda-me, sim, o despudor da exploração mediática do sofrimento humano; da pronta chegada dos abutres da putrefacção humana, enquanto a da ajuda humanitária se preparava. Incomoda-me, sim, o espectáculo da dança do número de vítimas, mas em especial a ausência da necessidade de procurar reportar motivos, mesmo que ténues, de esperança. Incomoda-me, sim…
Mas ontem, no meio desse exultar da morte, comovi-me, não pelo que via, mas por ouvir a quantidade de países onde instituições e voluntários rumaram ao Haiti para ajudar. Vi ontem uma equipa de protecção civil de Miami a resgatar pessoas com vida dos escombros ao fim de 5 dias e rejubilarem por isso, por salvar uma, uma e cada vida, e cada um.
O mundo poderia ser assim. E seria. Seria se os interesses que dominam o mundo não se sobrepusessem à natural fraternidade e solidariedade humana.
E é também no meio deste género de atitudes que me lembro de Maria de Lurdes Pintasilgo! E de Kofi Annan!
Sim, se nós quiséssemos poderíamos ser mais humanos, ser mais daquilo de que a natureza nos fez, mais fraternos. Ser mais como os outros demais bichos, fraternos, afinal.

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  3 Responses to “Haiti – do despudor e da comoção”

Comments (3)
  1. Sim…é triste demais…é inacreditável o sofrimento dos nossos irmãos…
    Mas agora creio Deus uniu o mundo todo, todas as atenções estão viradas para o Haiti…acho que foi o caminho que Deus encontrou para chamar a nossa atenção para eles, como se Deus estivesse dizendo:

    ” Meus filhos, já é hora, seus irmãos esperam há muito tempo!”

    E lá estamos nós…e com a ajuda de Deus poderá ser erguida uma Nova Nação.

    Abraço.
    Meire

  2. Gostei muito do artigo. Falou tudo, realmente.
    Parabéns pelo blog.
    Sucesso.

  3. Muito obrigado pelos comentários