Dez 222011
Em tempos de comunicação galopante, tudo é feito para nos cortar o sopro. Querem fazer de cada um entre nós gente que apenas tem de escutar sinais, gente obediente e dócil, executores, falantes monossilábicos. Perfeitas criaturas domadas para comprar, rir e chorar ou bater palmas; cortam-nos o sopro para tentarem sujeitar-nos a fórmulas, slogans – e que nos tornemos animais bem domados para executar palavras vazias, desencarnadas, formatadas, ou telégrafos que transmitem os sinais recebidos. Para que a carne obscura e impura da linguagem seja banida para dar lugar a uma língua asséptica.
José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular
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2 Responses to “José Augusto Mourão – comunicação ofiosa e social dita”
Comments (2)

Bom Natal!
Muito obrigado, Miguel Loureiro e para si e os seus os votos de um Feliz Natal.