Mai 212012
 

Tal como a extensa resma de economistas do pensamento único, com assento de comentadores mediáticos, Cavaco Silva sabia onde o acordo com a tróika nos levaria quando o apoiou e até contribuiu para que ele se precipitasse, permitindo que fosse negociado e assinado por um governo de gestão, com o acordo de partidos de uma Assembleia da República demissionária.
Cavaco SilvaSabia, sim, como todos sabíamos, da impossibilidade de cumprir semelhante acordo sem atirar com os cidadãos para a miséria, seja através da sobrecarga de impostos, da chantagem dos bancos sobre as famílias em dificuldades, seja através do galopante desemprego!
Vir agora rejubilar-se pelo facto de o G8 ter obrigado a falar-se de crescimento e mostrar-se consternado com o “flagelo” do desemprego, é recurso de retórica, palavras vãs e cínicas se não vetar o novo Código de Trabalho, que o PSD, o CDS e o PS, unidos, permitiram que se aprovasse, o qual, todos sabemos, nada acrescentar para o crescimento da riqueza, mas promover mais desemprego e em proporções absolutamente catastróficas!
Seja consequente com as suas palavras Senhor Presidente, mande para apreciação do Tribunal Constitucional e, se este não detectar insconstitucionalidade, use o seu veto político, porque, enquanto o Parlamento é uma amálgama de gente de ninguém conhece, o Presidente da República é eleito directamente e responde diante de todos os cidadãos.

  2 Responses to “Cavaco Silva – das palavras aos actos”

Comments (2)
  1. Carlos,
    os teus apelos directos ao Presidente da República (este não é o primeiro) e, em particular este último, lembraram-me uma coisa que eu como cidadão deveria saber: o Presidente da República é eleito por voto directo e nominal.
    Moralmente nada disto é bom… Não é só a questão das palavras e dos actos: é a questão de saber se se anda ou não a reboque de um poder externo. Sim, que para isso nem de representantes precisávamos.

    • Tens toda a razão, Armando, na questão que colocas, a de saber se os órgãos de poder em Portugal andam ou não a reboque do poder externo, pois se andarem não precisamos de representantes cá.
      No entanto, sabes, eu já não questiono, e não é de agora, mas insisto em cumprir um papel idêntico ao dos eleitos, o de faz de conta!
      Por isso apelo, sim, mas é um faz de conta…
      Abraço e obrigado pelo comentário.