Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘AMEC’

Já por diversas vezes divulguei o projecto Música nos Hospitais promovido pela Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade - APMHIS em parceria com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (link). Vejam a reacção das crianças nesta reportagem da SIC no Hospital de Santo António e

comprem, vá lá, comprem um cachecol para financiar o projecto.

Transcrevo email da APMHIS:

A Modalfa e a RTP, através do concurso Operação Triunfo, associaram esforços e decidiram apoiar a Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade - APMHIS, lançando um produto cujas receitas revertem para a Música nos Hospitais, permitindo assim que a sua acção se possa estender a mais instituições
(neste momento estamos no Hospital Garcia de Orta- Almada e no Hospital Geral de Santo António-Porto - serviços de pediatria, na Maternidade Júlio Diniz-Porto - serviços de maternidade e obstetrícia, no Hospital Nossa Senhora do Rosário-Barreiro e Hospital de São Bernardo-Setúbal - nos serviços de hospital de dia oncológico adultos, na Santa Casa da Misericórdia de Almada e no Lar Mansão de Marvila-Lisboa - lares de idosos e no Lar de Santa Catarina-Casa Pia-Lisboa - residência de crianças e jovens).

O produto consiste num cachecol (muito giro, com várias combinações de cores), produzido pela Modalfa, que foi lançado pelo programa Operação Triunfo e que tem vindo a ser promovido pelos concorrentes. Pode-se encontrar em várias lojas por todo o país, custa 4,95€ revertendo 2€ por peça para a Música nos Hospitais.

Deixamos aqui o nosso convite para que se associem a esta iniciativa e que, aproveitando o frio que parece ter-se instalado, adquiram o cachecol, para uso próprio para oferta, …, sabendo que estão a unir esforços para que o nosso trabalho possa chegar a mais pessoas.

Musica nos HospitaisO 3º curso de especialização em Músicos nos Hospitais, promovodo pela Associação Música nos Hosptitais (link) em parceria com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (link), abre este ano uma segunda fase de inscrições dedicada a candidatos da região Norte, que se prolonga até ao próximo dia 3 de Novembro.

O curso, reconhecido pela Universidade Marc Bloch de Estrasburgo, obriga a um fim-de-semana por mês de aulas em Lisboa, a 2 estágios semanais em lares e hospitais na zona Norte (um numa instituição de idosos e outro num serviço de pediatria).

Para mais informações visite o site da Associação Música nos Hospitais onde brochuras com mais informações e a ficha de inscrição case esteja interessado em inscrever-se.

Em Junho passado alertei para o facto de Gabriela Canavilhas ter apresentado a sua demissão da AMEC - Associação Música – Educação e Cultura e da Orquestra Metropolitana de Lisboa, com efeito a partir de 1 de Setembro, adiantando o Público que a gestora afirmou que cabe agora ao Estado, representado na associação por vários ministérios e organismos, encontrar uma nova equipa directiva e dotá-la dos meios indispensáveis para salvaguardar e dar continuidade à obra da AMEC.
Através do Expresso chega agora a notícia de que o Conselho Superior de Promotores e a Assembleia Geral deverá reconduzir Gabriela Canavilhas no cargo.

Gabriela Canavilhas, presidente demissionária da AMEC (Associação de Música, Educação e Cultura) deve ser reconduzida no cargo, como ficou expresso nas reuniões de hoje do Conselho Superior de Promotores e da Assembleia-geral, afirmou à Lusa fonte oficial.
“Foi a vontade expressa de todos os fundadores de que a actual presidente demissionária, Gabriela Canavilhas, seja reconduzida e se mantenha à frente da AMEC”, disse.
Segundo a mesma fonte, “foi consensual, entre os fundadores, de que é uma obrigação de todos contribuírem financeiramente para repor a verba retirada pelo Ministério Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, ainda em este ano, e nos anos seguintes”.
Os fundadores foram também consensuais no sentido “de que é necessário proceder a um aumento financeiro anual significativo, durante quatro anos (de 2007 a 2010), para pagamento das dívidas que a actual direcção herdou em 2004″ da gestão do maestro Miguel Graça Moura.

De todo este processo realço o facto de os Promotores, em especial a nova Presidência da Câmara de Lisboa, unirem-se em torno do essencial - assumir as dívidas antigas da AMEC e suprir a verba que o Ministério da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior deixou de contribuir.
No entanto, por omissão de informação, fica por esclarecer se terá sido desta vez que os promotores públicos fixaram uma missão e objectivos particulares no que às prioridades e critérios de gestão da AMEC dizem respeito.

ps: textos relacionados por ordem cronológica inversa.

Gabriela Canavilhas anunciou hoje (ontem) a sua demissão do cargo de presidente da Academia de Educação, Música e Cultura (AMEC), que tutela, entre outros organismos, a Orquestra Metropolitana de Lisboa. A demissão tem efeito a partir de 1 de Setembro. (notícia Público)

Excelente timming, diria mais, timming excelente!

ps: textos relacionados por ordem cronológica inversa.

Não tenho dúvida de que a extinção do “Ballet Gulbenkian” é uma perda sem retorno para a dança e a cultura portuguesa.
Como disse o Henrique Silveira, O “Ballet Gulbenkian” já não era da Fundação nem sequer português - era património mundial e um orgulho nacional.
Permito-me, contudo, reflectir um pouco sobre modelos de gestão culturais e de gestão de dinheiros públicos no que à cultura diz respeito.
Será, no entanto, que a Fundação poderá abster-se de se regular pelas tendências de gestão cultural hoje em voga, muito mais rentáveis e, em muitos casos, não menos eficazes?
Estou de acordo quando o Henrique afirma «Longe estão os dias de Azeredo Perdigão, longe está a elegância e a qualidade do homem que fez da instituição o verdadeiro ministério da cultura de Portugal» mas, apesar da excelência da referida Companhia e do facto de ser, em boa verdade, a única escola de ballet em Portugal, o que a Fundação gasta com a sua manutenção é muito menos rentável do que apoiar diversos projectos na área, dentro e fora de portas, ou organizar espectáculos - o seu nome e imagem obtêm uma implantação exponencial face à aposta numa companhia residente.
É que longe vão os dias de Azeredo Perdição, os dias e os tempos, havendo que modernizar a gestão da Fundação para que daqui por uns anos possamos ainda contar com ela para apoiar a cultura portuguesa.
Note-se que digo isto com mágoa, entenda-se, mas trata-se de uma empresa privada, no caso com a figura jurídica de fundação, não lhe cabendo o papel que desempenhou, é certo, de ministério da cultura, mas sim de apoio aos projectos que considerará mais interessantes para o desenvolvimento da sua missão.
«Este país tem umaministra da cultura que não comenta nem dá a sua opinião sobre a extinção do Ballet Gulbenkian», diz o Henrique. Pois não, não comenta nem deve interferir na esfera do privado, podendo, apenas, lamentar a perda.
O que eu questiono é por que razão o Estado nunca apoiou a Fundação Gulbenkian, nomeadamente, a sua Orquestra e o seu Ballet?
De facto, o que agora aconteceu ao Ballet poderá rapidamente acontecer à Orquestra, uma vez que não se justifica que o Estado continue sem privilegiar a Gulbenkian como parceira preferencial nos domínios da Cultura e da Ciência, em vez de andar a esbanjar, só em Lisboa, dinheiros públicos com uma Companhia de Ópera, residentemente fixa e fixada, uma Sinfónica agregada à Ópera que pouco toca e não se desloca e uma Orquestra Metropolitana de que ninguém compreende a sua razão de existir, pulverizada que está de estrangeiros, negando a sua missão prima de ser uma via de profissionalização para os alunos da Escola Superior de Música que está na base do projecto AMEC!
Algo me diz que, não havendo dinheiro para isto tudo, o Estado deveria, há muito tempo, aliar-se a quem sabe fazer, a Gulbenkian, e abster-se de manter projectos que revelam indícios muito duvidosos na divulgação da música, do ballet e da ópera.
É tempo de poupar onde está muito mal gasto e aplicar os parcos recursos em quem tem provas dadas de que sabe fazer.
Quem sabe se, deste nodo, não seria possível Portugal manter a Companhia de Bailado e a Orquestra, apoiadas pelo Estado e pela Gulbenkian e outros privados, não deixando o ónus da manutenção, exclusivamente, para a Fundação?

ps: os bailarinos do Ballet Gulbenkian abriram um blogue (clique)

Com a conivência de músicos e estudantes da AMEC a Câmara Municipal de Lisboa deita a perder os esforços de Pedro Roseta para a resolução do folhetim “Metropolitana”?!
Na pretérita 6ª feira o Ministério da Cultura promoveu uma reunião entre todos os promotores da AMEC, com a excepção do fundador Miguel Graça Moura, por motivos óbvios, conseguindo um fulcral unânime consenso, a saber:
1 – Destituição de Miguel Graça Moura de todas as suas funções por motivo de evidente ausência de condições para as exercer;
2 – Marcação de uma Assembleia Geral para 4 de Novembro para destituir o maestro e nomear uma nova direcção;
3 – promover as reuniões necessárias entre todos os promotores para preparação da referida Assembleia Geral.
Após este notável consenso conseguido com muita perspicácia por Pedro Roseta a Câmara de Lisboa, na primeira reunião preparatória, ocorrida logo na passada 2ª feira, tenta unilateralmente impor uma lista para a nova direcção, lista essa que tinha sido já vetada em anterior Assembleia Geral, tendo previamente enviado a todos os promotores o percurso profissional de cada elemento.
Naturalmente, perante a ausência de tentativa de consertação entre todos, as restantes Câmaras promotoras recusaram liminarmente esta inusitada tentativa da Câmara de Lisboa, vetando novamente a referida lista.
Desde o início que tenho manifestado que não seria Miguel Graça Moura o único óbice aos intentos de Pedro Santana Lopes, pois arredado que será, visto que, registe-se, nenhum dos promotores voltou atrás com o compromisso anterior, a Câmara Municipal continua, ilegalmente, sem entregar à AMEC as verbas consignadas nos estatutos, exercendo desta forma chantagem continuada sobre os músicos, funcionários e professores da Instituição. Conforme o que previra, à Câmara de Lisboa não basta afastar MGM, sempre indicado como obstáculo, quer mais, o quê, não sabemos, talvez percebamos um total e mais uma vez despótico poder sobre a AMEC. Permanecerá o sistema, o déspota mudará de rosto e de nome.
Esta vergonhosa chantagem leva representantes de músicos e alunos a manifestarem-se com o menor respeito pela lei, desde encerrar a instituição, passando pelo sequestro do maestro, pela atribuição pública de culpas e insultos aos promotores que não aceitaram a imposição da Câmara de Lisboa, podendo inviabilizar qualquer esforço do Ministro da Cultura em angariar uma solução para o essencial que o próprio tão bem definiu, preservar o projecto!
Ou me engano redondamente, ou mesmo que a Câmara queira manter a AMEC, parece seguro que pretenderá alterar o projecto, os estatutos e quiçá que mais.
Ora, convém relembrar que quem se interessa pela AMEC se está borrifando nos promotores, nas partidarices que os possam envolver, nos abusos do maestro, o que queremos é que não se arruíne o que de muito bem foi e está erguido com o pretexto de ter sido conseguido por MGM. O que importa é que este não tem condições para prosseguir e, em conformidade e atendendo aos precedentes, é imperioso estudar profundamente um modelo adequado de gestão do empreendimento, antes de atirar nomes em listas, sem qualquer pudor, de músicos que merecem o maior respeito como Gabriela Canavilhas e Jean Marc Burffin que certamente não terão nada a haver com a situação criada e muito menos com os joguetes do candidato a candidato à Presidência da República. Haja bom senso, dê a cara quem deve dar e usem da máxima parcimónia antes de lançarem para a praça pública nomes de pessoas respeitáveis.
A verdade é que a Câmara de Lisboa boicotou o excelente trabalho de Pedro Roseta e agora não descortinamos uma saída digna para a situação criada, repito, não só por MGM, mas principalmente pela Câmara de Lisboa.
A agonia da AMEC parece não ter fim, os partidos políticos continuam sem nada dizer sobre este folhetim, antes os preocupam outras novelas, e os órgãos de comunicação social, das duas uma, ou estão coniventes com as ilegalidades e chantagens cometidas, ou andam distraídos, não investigam este problema e, a espaços, limitam-se a reproduzir as versões de quem tem mais poder ou seja mais ruidoso.
Para que não restem dúvidas, a Câmara de Lisboa, nomeadamente na pessoa do seu Presidente, é agora a única responsável pela manutenção da anormalidade que se vive na AMEC e parece interessada, tal qual o maestro, em dizer que ou manda sozinha ou o projecto acaba. Tal como atrás escrevi, não há muitas diferenças, nem houve, entre os meninos desavindos!
Pede-se, é o mais que se poderá fazer, que Pedro Roseta e a sua equipa não esmoreçam na tentativa de salvar o projecto Metropolitana.

E eu? Perguntava recorrentemente e bem o Crítico pelo Ministro da Cultura em todo este vergonhoso folhetim da AMEC, mais a mais constatando a qualidade, ponderação e discrição da sua actuação na resolução de libreto anterior, o da Casa da Música, conforme tive ocasião de aplaudir uns posts atrás.
Aí está, não clamou, não vociferou, não deu alimento à tonta comunicação social, antes dentro da maior discrição chama a si a primeira tentativa séria de resolução do assunto, juntando no seu ministério representantes de todos os fundadores, exceptuando Miguel Graça Moura, e a maioria dos patrocinadores da Amec.
Defendendo que no momento actual o objectivo é “preservar a instituição e o seu projecto”?, anuncia um entendimento entre os presentes, o da destituição de Miguel Graça Moura e a eleição de uma nova direcção a ocorrer em Assembleia Geral agendada para 4 de Novembro.
Num momento em que todos os envolvidos pareciam ter perdido o bom senso, onde se cometeram as mais grosseiras ilegalidades, onde unilateralmente se congelou o rendimento de mais de uma centena de famílias, dava a ideia de que os principais responsáveis pelo caos artificialmente criado, insisto, a Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do seu Presidente, coadjuvado pela sua Vereadora da Cultura, e Miguel Graça Moura, pareciam determinados a não ceder nem perante o desmoronamento total da AMEC, surge o único interveniente em que poderíamos depositar alguma esperança tanto pela condução do processo da Casa da Música como por sabermos ser um humanista genuinamente preocupado com a coisa da cultura nas suas vertentes, educação e manifestação.
A concretizar-se a anunciada solução cumpre, não dar parabéns, mas congratularmo-nos por ainda podermos contar com pessoas com a dimensão social e humana que demonstra Pedro Roseta na condução dos nossos destinos, colocando os reais interesses do homem como o totem de toda e qualquer intervenção ideológica ou política.
Nesta referida reunião todos acordaram na necessidade de escolher uma nova direcção, ou seja, como muito bem disse Pedro Roseta, “preservar a instituição e o seu projecto”? para além de Graça Moura. Atente-se nas palavras do Ministro, em especial, no que concerne na preservação do projecto.
É que, se parece ser inquestionável a saída de MGM, é necessário proteger e incrementar o que de bem feito ele deixa e não, sob a capa de os ainda não provados ilícitos, se tentar inventar, recriar ou mesmo escamotear um projecto que iniciou e funciona muito bem e é exemplo do que de bem feito se pode fazer no nosso país.
Daí que, apesar de terem já surgido alguns possíveis nomes para uma futura direcção sobre os quais não me pronuncio em particular, é essencial que na nova direcção possamos encontrar gestores de competência firme e adequada à prossecução do projecto, que se sintam à vontade numa gestão global e não sectorial, capazes de abordar com à vontade a excepcional projecção que a AMEC beneficia aquém e além fronteiras. Nesta perspectiva tenho bastante receio de uma direcção contabilística, uma direcção de orquestra e de uma direcção artística / pedagógica em plano hierárquico paritário, sem uma superior coordenação de gestão global que assegure a unidade, pois está mais que descrito e comprovado ser um modelo que esbarra em vãs tentativas de valorar os respectivos sectores em detrimento de uma visão geral do projecto.
Repiso o caso da Casa da Música e relembro o bom senso do convite a Alves Monteiro, um gestor com créditos comprovados, para assegurar a unidade de gestão. Deste óptimo gestor não se houve falar nem o vemos semanalmente nos Telejornais, ouvimos, sim, falar da Casa da Música e do seu projecto.
Registe-se em abono da verdade o mau serviço prestado pela generalidade dos órgãos de comunicação social em todo este processo RTP, SIC, TVI, Público, sendo exemplo culminante a notícia publicada na última página do “Expresso”? de ontem, iniciando-se da seguinte forma:

“A NOVELA envolvendo Miguel Graça Moura e a Orquestra Metropolitana de Lisboa chegou ontem ao fim. (…)”?.A Câmara de Lisboa, nomeadamente o seu Presidente, foi sempre afastado deste enredo, querendo fazer crer ao leitor menos informado que o problema se resumiu a uma contenda entre o maestro e os músicos! Nada de mais falso, sendo muito estranho que este prestigiado semanário tivesse sempre protegido o nome de Pedro Santana Lopes deste processo e calado perante as óbvias ilegalidades cometidas pelos fundadores em prejuízo dos funcionários e prestadores de serviços da AMEC.
Revele o Ministro da Cultura a sagacidade capaz para junto dos demais fundadores e promotores defender este modelo de gestão, exactamente o mesmo que tão bem e com tão bons resultados implementou na Casa da Música.
Resta desejar, os votos de força e confiança a este Ministro que poderá ter acordado tardiamente (desconhecemos se terá sofrido pressões de sentido contrário), mas até agora foi o único que chamou a si a responsabilidade de sensatamente colocar um ponto final ao folhetim dos meninos embirrentos e de querer levar o projecto da AMEC a bom porto.

Será que já alguém saberá quais são os “termos”??
Segundo parece já não há correntes nas portas, os alunos já vão às aulas, os professores já podem ensinar e os músicos não sei, talvez continuem parados – Miguel Graça Moura parece não frequentar as instalações da AMEC e o maestro da Orquestra Académica, Jean-Marc Burfin, parece continuar doente.
Atrás dissertei sobre o cancelamento do concerto inserido no Festival de Orgão pela Metropolitana, sobre o diz que se disse e aproveito agora para reproduzir um comunicado da recente comissão de músicos, datado de 4 de Outubro, que parece aclarar um pouco melhor o que vem sendo dito. Aqui vai:

COMUNICADO DA COMISSÃO DE MÚSICOS DA ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA

Face aos acontecimentos ocorridos hoje (4 de Outubro pelas 20h00) durante um ensaio ocorrido na Sé de Lisboa com vista à preparação do Concerto de encerramento do Festival Internacional de Órgão de Lisboa a realizar no dia 6 de Outubro, a Comissão de Músicos da OML deseja comunicar o seguinte:

1 – Na passada quinta – feira o Maestro assumiu o compromisso com a Comissão de Músicos da Orquestra que, no dia em que recebesse a comunicação oficial da saída dos membros fundadores da AMEC, ele apresentaria imediatamente a sua demissão.

2 – No dia seguinte essa comunicação foi recebida na AMEC via fax às 17h00 e às 19h00 foi entregue em mão ao próprio Maestro.

3 – Embora o Maestro não tenha cumprido a sua palavra de se demitir imediatamente no dia em que recebesse a citada carta, a Orquestra, em reunião, decidiu por unanimidade conceder-lhe uma última oportunidade de apresentar oficialmente, por escrito, a sua demissão até segunda – feira, dia 6 de Outubro, pelas 12h00. Contudo, os músicos garantiram a realização do concerto do dia 6 de Outubro, caso o Maestro cumprisse finalmente a sua palavra.

4 – Como já é do conhecimento público, o Maestro anunciou a sua intenção de sair durante uma entrevista concedida hoje ao canal SIC Notícias no Jornal das Sete.

5 – Cerca das 20h00, no início do ensaio programado, o Maestro dirigiu-se à Orquestra numa tentativa deliberada de pressão, visto que se encontravam também presentes pessoas estranhas à Orquestra, nomeadamente cerca de 100 coralistas pertencentes aos coros do Instituto Gregoriano de Lisboa e Lisboa Cantat, bem como o Presidente da Juventude Musical Portuguesa.
Neste contexto, o Maestro afirmou e passamos a citar:
saio só nos meus termos, no dia que eu entender e quando me for conveniente?. De seguida, interpelou a Orquestra no sentido de saber se os músicos estavam dispostos a realizar o concerto. A Comissão dos Músicos presente reiterou a vontade de tocar, cabendo ao Maestro tomar a decisão de o dirigir ou não.
Neste enquadramento e face à falta de tomada de decisão do maestro, o Presidente da JMP decidiu cancelar o concerto bem como comunicar publicamente o facto no concerto a realizar na Igreja se S. Vicente de Fora pelas 21h30.

A COMISSÃO DE MÚSICOS DA OML
Lisboa 4 de Outubro de 2003

Ora, pelo que aqui é dito, afinal a responsabilidade pelo cancelamento do concerto é do Presidente da Juventude Musical Portuguesa. Nem mais, nem dos músicos nem do maestro! Pelo que não foi dito, alguém com responsabilidade no evento, disse, disse, com certeza, que não estaria para aturar aquelas questiúnculas!
Depois deste comunicado já se fecharam portas, já se voltaram a abrir, mas no essencial tudo como dantes apesar de algumas Câmaras associadas, as tais que sustentam MGM, terem afiançado que adiantariam a sua parte do financiamento até ao final do corrente ano.
Permanece, ininteligivelmente, o silêncio ensurdecedor dos promotores, Câmara Municipal de Lisboa, Ministérios da Cultura e da Educação e, afinal, dos tais termos em que nos poderemos ver livres de MGM. Disse este que aguardará pela próxima Assembleia Geral, mas para quê? Para anunciar os tais termos ou para pôr termo ao desmoronamento da AMEC?
Relembro, só há duas soluções, ou despedimento com justa causa ou negociação com Miguel Graça Moura. De que continuam à espera os promotores, da declaração de falência da AMEC? Se tal vier a acontecer ninguém duvidará sobre quem recairá a responsabilidade – a Câmara Municipal de Lisboa e todos os Ministérios e Direcções Gerais do actual Governo que fazem parte dos promotores, sem isentar o absurdo silêncio dos partidos da oposição, nomeadamente o Partido Socialista.

Enfim, de esperanças não se sofre, só no parto e este é momento de alegria!
Certo é que ontem nem José Pacheco Pereira na SIC nem Marcelo Rebelo de Sousa na TVI pegaram na Metropolitana. Nem uma palavra! Ambos se detiveram largamente sobre os ex-ministros e, evidentemente, o zénite, o aclamado caso do regresso do ainda indiciado Dr. Paulo Pedroso.
E assim aconteceu e assim continuará a Metropolitana em processo de poder deixar de acontecer!

E eu?, pergunta recorrentemente o Crítico em legenda a um retrato do Ministro da Cultura! Não terá nada mais para dizer sobre a Metropolitana? Terá receio de se envolver? Não considerará relevante o caos instalado? Nada disto, estou certo. O que acontece é que o que acontece é inverosímil que aconteça num país em que culturalmente pouco acontece e por intestinas vaidades se destrói o que acontece!
O que se permite que aconteça na AMEC é ininteligível, num Estado de Direito!
Tinha prometido a mim mesmo não regressar a este folhetim de faca e alguidar, mas despejam-se, reportagens manipuladoras sem qualquer comentário crítico, dá-se a palavra a estudantes, ex-directores, põe-se no ar reacções fabulosas de Miguel Graça Moura e, tal como o Henrique Silveira, “e eu”??, sim, onde está a pressão dos editores da informação dos canais de televisão junto dos apelidados fundadores e financiadores maioritários que unilateralmente romperam o contrato de fundadores ao negarem os seus financiamentos à AMEC de forma ilegal e desumana ao sonegarem indirectamente as remunerações à totalidade dos músicos, dos funcionários e professores? Ainda não vi nenhum canal de televisão, estranhamente menos ainda os do Estado, tentar ouvir de viva voz Pedro Santana Lopes, Pedro Roseta e David Justino, afinal os primeiros responsáveis pela situação criada? A capital importância da manutenção e prossecução do projecto Metropolitana exige que os responsáveis pelos orgãos de informação para além de mandarem efectuar investigação séria aos seus colaboradores se inibam de, em manipulador mediatismo, passar nos jornais prime time alunos enraivecidos a fechar a cadeados a instituição, a vociferarem, através do presidente da recém formada associação de estudantes que foram 12 anos de prepotência e abusos de poder, músicos e ex-directores a denunciarem hipotéticas ilegalidades como os recibos outrora verdes, os ganhos do maestro e este, em total desnorte, dizendo que agora é que não sai mesmo, e pronto!Fora de horas li um excelente artigo na última (espero não chorar aqui mais esta perda) Grande Reportagem, em Agosto, de onde, entre outras ideias que não partilho, uma subscrevo e transcrevo:

A máquina da democracia resulta da combinação da separação dos poderes, com o primado da lei e os mecanismos de representação, e todos estes mecanismos necessitam de um tempo e de um espaço que a virtualidade do real perturba, primeiro, e depois nega. Precisa de tempo lento e não do falso tempo real dos directos?, precisa de lugares discretos para construir decisões ponderadas, e não da absoluta transparência?, precisa de atenção cívica e não da distração do circo permanente, precisa de escrutínio diferido e não imediato, para poder prosseguir políticas impopulares.

Atrás, no mesmo artigo, tinha escrito:

A demagogia nas sociedades industriais avançadas assenta nos meios de comunicação social de massas modernos. Dentro desses meios ela é tanto mais eficaz (e tanto mais reproduzida) quanto mais esses meios assentem na manipulação dos nossos sentidos “mais convincentes”?: a visão em particular.

Quase me apetece mais nada dizer, calar-me sob a verdade negada e aviltada neste caso Metropolitana. Pacheco Pereira, noutro contexto certamente, escreve sem deixar espaço a interrogações, acrescentos, ou sequer recticências!
Mas gostaria de ilustrar a ponderação, o bom senso e o propósito destas palavras, recordando o caso Pedro Burmester / Rui Rio. De facto, tal como agora Santana Lopes, Rui Rio retira a confiança pessoal a Pedro Burmester e vice-versa. Que aconteceu? Rio e o seu ex-administrador ainda tentam influenciar os órgãos de comunicação social, mas prontamente Pedro Roseta toma as rédeas à crise e remete-se a um prudente silêncio até à sua resolução, e que resolução! À frente da administração da Casa da Música coloca um dos nossos melhores gestores portugueses, com provas indeléveis de competência, este apresenta um enquadramento legal que permita que Pedro Burmester permaneça a prestar bons serviços ao projecto na área da sua competência e Rui Rio ainda pôde regozijar-se pelo pianista não ser mais administrador. Confesso que perante o descalabro gerado na altura tive muitas dúvidas quanto ao futuro da Casa da Música, surpreendendo-me o Ministro da Cultura com a serenidade, ponderação e qualidade da sua acção!
E agora, “e eu”?, como pergunta e bem o Henrique Silveira, onde está este Ministro?

Este arrastado folhetim não é grotesco só pelo que tem sido dito, mas essencialmente pelo que não é dito e pela ausência de quem devia estar e não está, repito, a Câmara de Lisboa na pessoa do seu Presidente, o Ministro da Cultura e o da Educação! Não, não é grotesco, é grosseiro, tosco melhor dizendo, principalmente ininteligível!
Auditorias revelaram comportamentos mais que suspeitos por parte de Graça Moura tendo-se apresentado uma queixa à Procuradoria Geral da República e outra ao Tribunal de contas.
Nestes dias o diz que disse avoluma-se, 70 mil contos por ano, ai que estamos há 12 anos a recibos verdes e os estudantes, coitados, alvos das mais vis prepotências! Mas, só agora é que os músicos deixam de tocar pelo facto de permanecerem ilegalmente como prestadores de serviços? E no futuro, o que será que os principais financiadores prometeram a estas pessoas, integração no quadro? É que não existe em Portugal enquadramento legal na legislação laboral para estes profissionais pois também eles não cuidaram suficientemente de o promover. Em boa verdade uma orquestra para manter os seus níveis de qualidade não deve, à semelhança de congéneres estrangeiras, celebrar contratos sem termo ou no mínimo exigir regularmente provas aos músicos perante reconhecido júri, sendo que um não apto dá direito a despedir com justa causa. Mas, com esta ilegalidade de manutenção de prestadores de serviços bem como com outra também anunciada de que a AMEC só tem contabilidade organizada desde 1998 não pactuaram estes fundadores e financiadores estatais até há muito pouco tempo? Professores também como prestadores de serviços? Como é possível se a concessão e manutenção do paralelismo pedagógico por parte do Ministério da Educação exige professores legalmente contratados sendo as escolas de ensino artístico obrigadas anualmente a depositar na Direcção Regional de Educação a que pertencem os respectivos contratos? Mais uma parceria na ilegalidade? E os estudantes, sim, essas vítimas de abusos como afirmou o representante da associação de estudantes, foram obrigados a permanecer na escola, não puderam optar por outra, não conseguiram avisar os novos colegas para não se inscreverem, já que o número de alunos da AMEC triplicou em quatro anos? O timing destas revelações é muito suspeito e a serem verdade tornam a Câmara de Lisboa e os Ministérios da Educação e o da Cultura coniventes em várias e recorrentes ilegalidades.
Aos órgãos e representantes do Estado eleitos é por maioria de razão exigível decisões ponderadas pautadas pelo primado da lei de que nos fala Pacheco Pereira. Mas não, cometem-se ilegalidades, atropelam-se os inalienáveis direitos de rendimento de vários prestadores de serviços, atira-se tudo para a virtualidade do tempo real da comunicação social, sôfrega de recambolescos escândalos pessoais e particulares, sem nunca colocar acima dos protagonistas, Pedro Santana Lopes e Miguel Graça Moura, a essência, o ímpar projecto da AMEC.
A questão, o verdadeiro problema é de uma simplicidade confrangedora e as soluções aparentes. Apresentadas as queixas a quem de direito, se se instala uma quebra de confiança entre os fundadores e principais financiadores, que até são públicos, das duas uma: ou pareceres jurídicos sustentam o despedimento por justa causa arriscando o despedimento de MGM imediato ou tal não sustentam e, então sim, como parece que o visado não se envergonha e sai, no tal recato necessário, negoceia-se uma saída anunciando-se o mútuo acordo. Por mais voltas que se dê só existem estas duas soluções.
Assim parecendo, porque não foram observadas? Por que razão se aira com tudo para a comunicação social, todo este lavar de roupa suja dos meninos, denegrindo a instituição? Será que os Ministros da Cultura e da Educação se encontram superiormente impedidos de actuar para não prejudicar um putativo candidato a candidato à Presidência da República do PSD? E o silêncio do PS, estará a oposição conivente com o desmoronar da AMEC a reboque destas vendetas pessoais? Do PC sabemos que as suas Câmaras continuam a apoiar MGM…, a vida dá cada volta…!
E os comentaristas, sim, de José Pacheco Pereira, ainda nem uma linha ou palavra, sendo estranho pois é como sabemos um interessado pela coisa da cultura; Pedro Santana Lopes em silêncio, compreensível, é parte principal do problema; Marcelo Rebelo de Sousa é que não se entende não aproveitar este folhetim para alfinetar o candidato a candidato, ou engano-me mesmo e a entrevista concedida ontem a MGM no decorrer do telejornal da TVI era preparatória à intervenção de hoje de MRS. A seguir…
Aguardo, muito sinceramente, que este inusitado processo seja mesmo provocado pela desavença dos meninos e que seja mesmo boato, ruído, que há o propósito de derrubar a AMEC, alienar as suas instalações à Associação Industrial que terá manifestado interesse e constituir uma nova orquestra, esta sim, para executar os famosos concertos para violino…

da vendeta, da ilegalidade e da chantagem

A Antena 2 volta a prestar serviço público, coisa escassa, hoje no “Acordar a 2″. Peço desculpa por não recordar os nomes dos animadores do programa, mas interessa é que convidaram e deram a palavra a quem, nos meio das desavenças das comadres, mais tem sofrido, refiro-me aos músicos e aos estudantes, através de Rui Mira pela comissão de músicos e António Jorge pela associação de estudantes.
Ficamos então a saber que o auto-anunciado promitente demissionário MGM dirige por ora as instalações da AMEC enquanto os músicos se recusam a tocar, os estudantes a aprender e os professores a ensinar. Triste sina a deste homem…! Eu sei, eu sei que raramente os divórcios são desejados por ambos, mas que diabo, quando já não temos a consorte de que serve insistir na união legal? Pois é, está nos livros, os filhos é que sofrem! É o caso, pelas palavras dos entrevistados, a AMEC desmorona-se pela mão do progenitor. Novidade, novidade também não é, estamos cansados de ver, se não fores minha não serás de mais ninguém!
Ficámos também a saber o que já sabíamos, que a esmagadora maioria dos músicos não pertence ao quadro, são prestadores de serviços e que, por este facto, dois deles foram sumariamente dispensados pelo maestro logo após a manifestação de desacordo às posições assumidas pelo déspota.
Por dedução, aferimos que os fundadores e principais financiadores, a Câmara de Lisboa e os Ministérios da Cultura e Educação, pactuaram com a ilegalidade do modelo de prestação de serviços durante mais de 10 anos, tantos os que conta a AMEC.
Questionámo-nos qual a razão que terá levado a estas nobres e públicas posições dos músicos e estudantes, constituídos recentemente em comissão e associação e a resposta surgiu sem demora: em reunião havida entre estas recentes estruturas e a senhora vereadora da cultura da Câmara de Lisboa foi-lhes, por esta, afiançado que não receberiam os honorários enquanto MGM permanecesse na instituição e que se não agissem no sentido de o obrigar a sair a Câmara constituiria nova orquestra com outros músicos.
Do que mais me agrada neste país é ver recorrentemente aliadas a coragem e a nobreza da carácter, emociona-me profundamente…

Mas há mais, embora em diferentes versões, os entrevistados afiançam que o maestro telefonou a vários músicos para assegurar o concerto no Festival de Órgão enquanto MGM afirma que a senhora D. Gabriela Canavilhas telefonou a outros tantos a incentivar o boicote do referido concerto!
Quem? A Sra. D. Gabriela Canavilhas? Não, só um momento…, não, não pertence aos quadros da AMEC nem é lá prestadora de serviços. Mas…, então? Não, deve tê-lo feito na qualidade de promitente futura directora anunciada pela Câmara de Lisboa, pelo Ministério da Cultura e o da Educação!
Como é que é que isto é possível? Vendetas de moleques, ilegalidades várias, chantagens oriundas do Poder Autárquico e do Governo, ingerências de proclamados promitentes futuros directores e um coveiro que quer o nado morto!
E prosseguimos, prosseguimos com o Governo calado, a oposição muda e os cidadãos cegos.
No meio desta profícua novela talvez razão tenha o Crítico que, parodiando, promete escrever um livro sobre o assunto! Que Deus lhe dê muitos anos de vida para conseguir o necessário tempo para levar a empreitada a bom porto.
Amanhã será dia de Gabriela Canavilhas conduzir o “Acordar a 2″ onde talvez possamos ser mais e melhor elucidados. Quem sabe se o próprio Presidente da Câmara de Lisboa não será convidado?

Ontem, no “Jardim da Música� na Antena 2, Judite Lima arriscou convidando Miguel Graça Moura para uma entrevista sobre o caos que reina para os lados da AMEC, havendo já comentários no seu forum. Tal foi o desequilíbrio emocional do convidado que Judite Lima não conseguiu conduzir a entrevista como desejaria, deixando MGM libertar a pressão emocional que atravessa. De qualquer forma, ficou um bom registo do que pensa o promitente demissionário maestro sendo de salutar ouvir as opiniões dos fundadores desavindos, em especial a Câmara de Lisboa e os Ministérios de Cultura e Educação.
A verdade é que a AMEC tem hoje 4 escolas de música de reconhecido mérito, duas excelentes orquestras e um assinalável palmarés de concertos realizados. Para todos os efeitos, a MGM se deve a constituição desta ímpar obra no panorama cultural português não podendo ser sonegado ao maestro os bons e competentes serviços prestados a Lisboa e à sua área metropolitana.
Mas o que correu mal, afinal? O que deitou tudo a perder, a crer numa primeira auditoria às contas pedida pela Câmara de Lisboa, foi o facto desta ter revelado que MGM auferiria vários vencimentos e honorários e poderá ter abusado em sumptuosas despesas alheias ao exercício das suas funções. Quem teve acesso à auditoria sabe que será muito difícil a MGM justificar algumas dessas despesas bem como aquisições de bens que não se encontravam nas instalações da associação. No entanto, até ao momento, MGM não foi indiciado por qualquer crime, muito menos condenado.
Mas terá sido este o verdadeiro motivo da queda em desgraça do maestro? Não o foi para Maria Elisa porque seria para MGM?
A questão é pessoal, vem muito detrás. Pedro Santana Lopes nunca perdoou ao seu amigo de partido o enxovalho público a que este o votou aquando dos célebres concertos para violino de Chopin! Não fora esta necessidade de vendeta pessoal e julgo que a Câmara de Lisboa nunca teria pedido uma auditoria e, mesmo que tal ocorresse, as anomalias encontradas poderiam ter sido corrigidas em local próprio e não na praça pública. Só que o ódio pessoal foi mais forte…

A reboque de Pedro Santana Lopes o s Ministérios da Cultura e da Educação anunciam a sua pretensão de afastar o maestro das suas funções de gestão, confinando-o à estante o que este não aceitou, reclamando um contrato de fundadores válido até Dezembro de 2004. As entidades atrás referidas, saliente-se, responsáveis por mais de 80% do financiamento da AMEC, convocam uma reunião entre si para revogar os estatutos, tendo sido anulada por manifesta ilegalidade ao negar a presença da totalidade dos associados.
O passo seguinte foi anunciar a falta de confiança pessoal em MGM e a pretensão de constituir uma nova direcção afastando liminarmente MGM de todo e qualquer função na associação.
O braço de ferro entre os meninos desavindos arrastam para a lama da fácil mediatização , todos os bons serviços prestados, os músicos e professores, toda a instituição. De facto a comunicação entre os associados passa a ser feita através dos órgãos sociais.
MGM não soube (não é de agora, infelizmente) sair quando sentiu que os principais financiadores lhe retiraram a confiança pessoal e tenta passar para dentro da instituição o mal estar que ele próprio ajudou a erguer.
Mas, pergunta-se, se é pública a desavença entre os meninos que fizeram os Ministérios da Cultura e da Educação para combater esta luta de garnizés sem esboçar uma tentativa que fosse para ultrapassar a questão e salvar o essencial, a AMEC? Nada, rigorosamente nada. A tudo assistiram, em tudo colaboraram, sempre seguindo o actual Presidente da Câmara de Lisboa. Desde Agosto que aderiram à posição da Câmara em não entregar o subsídio a que estatutariamente estão obrigados, deixando músicos, professores e funcionários sem vencimento desde então. Pura chantagem, ilegalidade lactente, levadas a cabo por deveria pautar o seu comportamento pelos mais exigentes padrões éticos, o Ministério da Cultura e da Educação.
Que dizer dos principais partidos portugueses, o PSD e o PS? O silêncio, total alheamento, (desinteresse, medo?), nem uma palavra sobre o folhetim Santana / Graça. Uma irresponsabilidade total do governo e da oposição.
Chegam ao ponto de, através da comunicação social anunciarem a constituição de uma nova orquestra, deixando morrer todo o trabalho realizado e bem!
A situação agravou-se de tal forma nesta última semana que a chantagem acabou por surtir efeito junto das famílias que dependiam financeiramente da AMEC - os directores mais chegados apresentam pessoalmente a sua demissão a MGM na passada 6ª feira e os músicos, em conjunto, apelam ao maestro para este sair.
Todo este folhetim tinha um final anunciado, ficando para nossa vergonha o comportamento do Estado e da Câmara Municipal de Lisboa bem como do próprio auto-imposto maestro!
E, agora, que futuro para a AMEC? Dos nomes apresentados para a direcção que pretendem ver eleita nenhum dá garantias de competência à associação. Será que pretenderão contratar um maestro, um gestor com créditos firmados na coisa da cultura e um director pedagógico a preços principescos? Não sairá esta solução mais onerosa que a anterior, mesmo que comprovados os desvios detectados nas auditorias?
Convenhamos que este género de comportamentos não abonam a dignificação dos políticos nem dos agentes culturais, não são nada promissores para a preservação e aperfeiçoamento da AMEC, não adiantando para nada o Presidente da República pugnar pelo bom nome dos políticos quando eles próprios se alheiam do seu próprio bom nome a troco de vendetas pessoais.
Muito gostaria que a coisa cultural fosse mais tratada na globosfera, como o fazem o Crítico Musical, Textos de Contracapa ou Aviz. É que este meio é promissor quando queremos ver tratados assuntos que a comunicação social institucionalizada se esquiva.