Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Artes Performativas’

Em memória da memorável ante-estreia da encenação de La Féria de Jesus Cristo Superstar no Rivoli não queria deixar passar este elevado momento sem ofertar à selecta clientela deste blogue algo de apropriado e inesquecível.
Aqui vos deixo o meu singelo tributo, uma montagenzita com as imagens constantes no sítio da Câmara do Porto com uma música que me pareceu adequada às personagens, à circunstância e ao mui cultural e performativo ambiente.

ps: Como seria devido gostaria de divulgar o(s) autor(es) das fotografias, mas depois de muito procurar no sítio da Câmara do Porto não encontrei as devidas referências.

São estas duas mulheres que estão a definir (termo generalista mas provocatório) os modelos de programação de dois espaços numa cidade de tribos urbanas

A ler e reler o que o Tiago Bartolomeu Costa escreveu sobre Sasha Waltz.

Aí está o n.º 2 da Obscena - Revista de Artes Performativas! É seguir o link para imagem para ler e bem-haja a quem continua a teimar em editar este oásis! Para assinar basta ir so site e inscrever-se no email.

Obscena - revista de artes performativas

Sasha Waltz & Guests

Imperdível, mas só para quem já tem bilhete, Sasha Waltz & Guests apresenta hoje a sua coreografia de Dido & Aeneas.
Sacha Waltz apresenta uma coreografia baseada na conhecida ópera de Henry Purcell, partindo da sua linguagem natural, a dança, faz uma ponte, diria, uma simbiose com a palavra e o canto, numa atitude criativa bem contemporânea, mas respeitadora da tradição de exigência e técnica europeias.

Aí está a Obscena - Revista de Artes Performativas, para já em formato PDF, editada pelo Tiago Bartolomeu Costa.

Obscena - revista de artes performativas

Vamos ler, vamos ver ao que vem, mas registo com muito agrado o que é dito no seu editorial:

(…)
Muitos queixam-se da falta de debate público mas contribuem para esse marasmo com inércia e silêncio. O trabalho de muitos criadores acusa falta de memória e muitos críticos demitem-se de o denunciar.
Alguns criadores reclamam, em conversas meio circunstanciais, uma crítica mais exigente, mas esperam que esta não “se vire”? contra eles. (…)

Felicidades para o arrojado projecto. Existia a lacuna, existe gente que fala da sua necessidade, vamos ver até onde chegará o desejo de a ler!

ps: para assinar deve ir ao sítio da revista.

Obscena

O Tiago Bartolomeu Costa anunciou o lançamento (talvez para o final de Janeiro) da 1ª revista online em formato pdf sobre artes performativas, onde haverá informação, análise e crítica.
A revista será gratuita, mas será prudente inscrever-me-nos desde já na maillinglist no seu site próprio.

Arte Pública

arte pública

apresenta:

Eric Satie

Gymnopédies

Gnosiennes

Franz Liszt

Consolação

POEMAS de

David-Mourão Ferreira, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa

CANÇÃO PORTUGUESA

José Luís Tinoco, Ary dos Santos, Fernando Tordo, Jerónimo Bragança, Nóbrega e Sousa

___________________________________________________________________

piano Angelo Martino voz Isabel Moreira baixo José Manhita diseurs Luís Proença, Gisela Cañamero, Paulo Duarte vídeo Rafael Del Rio som Luís Beco luz Ivan Castro produção Raul Bule

Beja

Pousada de S. Francisco

22 Dezembro 22.00h

entrada livre

Hoje, às 21.30h, na Sala do Capítulo da Pousada de S. Francisco, em Beja, o Arte Pública - Artes Performativas de Beja apresenta a sua mais recente intervenção performativa, The Sonata’s Project, homenageando Mozart, a propósito dos 250 anos passados desde o seu nascimento.

«The Sonata’s Project aborda e cruza universos sonoros e musicais, aparentemente distintos entre si, tais como a musica clássica e a improvisação jazzística.» Gisela Cañamero

ficha técnica:

piano: Angelo Martino
voz: Gi Cañamero

em cena na Sala Estúdio do Teatro Pax Julia, em Beja, desde ontem e até dia 20, sempre às 22:00h.

«… uma performance que nos prepara para o exercício do ouvido, e, através deste sentido, da percepção e/ou necessidade da transcêndencia do universo meramente material e físico - explorando, no entanto, a fisicalidade do corpo: um corpo que, simultaneamente, encerra e é transmutador de imagens, linguagens, crenças e ideias.»
(texto de Gisela Camañero)

ficha técnica:

espaço cénico: Gisela Camañero;
performers: Gi Camañero e Francesca Bertozzi;
Piano: Angelo Martino;
Música: Liszt, sonata em si menor;
Vídeo/Imagem: Rafael del Rio;
Vídeo/Edição: Marco Manaia;
Sonoplastia: Luís Beco;
Luminotecnia: Ivan Castro;
produção: Arte Pública - artes performativas de Beja

Estreia hoje e estará em cena nos dias 27 a 29 e 31 “Madalena J“, uma produção do Arte Pública no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja. (clicar imagem para aceder ao programa e ficha técnica completa).

Posts e posts sobre nós, os bloguistas, sobre a alegria que sentimos em conviver na Biblioteca Municipal de Beja, mas nem uma palavra sobre a “performance” de Gisela Cañamero, “Camões é um poeta rap”, uma produção do Arte Pública.
Pois, nem uma palavrinha, muitas palmas na ocasião, muito rap em grupo, mas nada!
É natural, estávamos embriagados connosco mesmo e com o Barca Velha (talvez com a autora do livro, a tal “melhor jornalista do mundo”), mas tratou-se de um momento que senti não ter deixado ninguém indiferente e uma prova de que é possível levar a arte aos mais jovens através de plataformas de difusão mais apelativas ou mais consentâneas com a sua idade.
É um espectáculo pelo qual tenho um carinho especial e vocês? Atrevam-se lá a dizer o que acharam e sentiram.

A reboque da nossa amiga de Ao Sul, recomendo uma ida à Casa da Cultura, hoje pelas 21,30, para assistir a

“Autos da Revolução” de Lobo Autunes pelo “CENDREV“.

ps: imagem gentilmente roubada daqui.

No próximo dia 27 Paulo Ribeiro trás à Casa da Cultura de Beja o seu Projecto Transatlântico, no âmbito das programções Bejarte, promovidas pela divisão sócio-cultural da Câmara de Beja. Um espectáculo a não perder.

Do seu site, http://www.pauloribeiro.com/, retiro e transcrevo:

«A Companhia Paulo Ribeiro tem sido ao longo destes anos de existência um ponto de encontro e de partilha para vários artistas de muitos lugares. Esta opção tem sido essencial para enriquecer as obras que têm sido criadas. É como se, quanto mais forem as geografias, maior é o sentimento.

Este projeto Viseu – Recife vem no seguimento lógico deste processo; por um lado aproximar culturas que se dizem irmãs porque veiculadas pela mesma língua, por outro lado juntar os ingredientes de maior eficácia para qualquer criação que é o cosmopolitismo das sensibilidades.

É ainda importante referir que o mentor deste projeto é um cidadão do mundo a residir no Brasil tendo sido também um dos intérpretes que mais marcou as criações da Companhia Paulo Ribeiro. Peter Michael Dietz, é portanto o interlocutor ideal para este desafio de um só mar, mas de muitas águas

Paulo Ribeiro.

«7 solos for 11 scenes… falling through

Esta é uma viagem às imagens de um paraíso…
Não é o que você imagina…
Densidade, humidade, claustrofobia…
Intensidade… vida o tempo inteiro…

A crença de que Ele está chegando… está muito perto…
Tão perto que sentimos a Sua presença…
O desejo é a actividade diária… a dança, uma linguagem…

A praia sempre próxima, como os corpos nus…
Mas eles não estão tão nus…
A individualidade não é uma realidade, é um sonho, uma ilusão…

É um conto de fadas…
É tropical !!!!!! É arte?! É…
»

Peter Michael Dietz

Ficha Técnica:

Criação e coreografia PETER MICHAEL DIETZ
Música DJDOLORES
Participação especial FERNANDO CATATAU (guitarra); THOMAS ROHER (sax e rabeca); BACTÉRIA (piano)
Figurino e cenografia RENATA PINHEIRO
Figurino 2 ARTIGOS DA GRIFFE DEMÔNIOS ME MORDO
Assistência de Figurino INGRID MATA
Cabelo e Maquiagem FERNANDO COSTA
Máscara FERNANDO PERES
Desenho de luz NUNO MEIRA
Assessoria de comunicação ANDRÉ ROSEMBERG
Esculturas (material gráfico) RENATA PINHEIRO
Intérpretes Fernanda Lisboa, Leonor Keil, Marta Cerqueira, Marta Silva, Félix Lozano, João Lima e Rodrigo Melo
Co-produção COMPANHIA PAULO RIBEIRO (Portugal), CENTRO DE FORMAÇÃO E PESQUISA DAS ARTES CÊNICAS TEATRO APOLO HERMILO (Brasil)
Produção executiva COMPANHIA PAULO RIBEIRO (Portugal) e LUMINA CINE (Brasil)
Direcção de Produção Albino Moura (Portugal) e Adriana Faria (Brasil)
Assistentes de produção Amélia Cunha e Alessandra Leão
Duração 80 minutos
agradecimentos Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Dr. Jorge Sampaio, Chefe de Gabinete do Presidente da República Portuguesa Dr. Gonçalo Couceiro, António Mendes e Wilemara Barros

ps: para saber do que vai acontecendo no Baixo Alentejo veja em CARTAZ.

Inspirado pelo texto de Francisco José Viegas, sob o título O Medo do Brilho no Aviz, onde, com um discernimento escorreito, aborda a questão da contemporaneidade dos clássicos, do seu brilho intrínseco, a propósito da crítica de Eduardo Prado Coelho à nova encenação de Ricardo Pais de “Hamlet”, cuja leitura integral recomendo, dei comigo a pensar sobre as “novas” tendências dos grupos de teatro em Portugal.
É cada vez mais raro encontrarmos nos palcos portugueses as obras da dramaturgia clássica, aquelas que fizeram o teatro ser teatro ou, quando se representam estão envoltas numa nublosa encenação que tenta, através de artifícios tecnológicos e/ou técnicas de encenação anacrónicas, introduzir (penso eu?) traços contemporâneos que, a meu ver, mais não fazem que descontextualizar o brilho do texto (nas palavras de FJV) sem nada acrescentar de substancial.
Parece existir e fazer escola que ser contemporâneo obriga a uma “criatividade” deslumbrada onde os artifícios do cenicamente inesperado e, por vezes chocante, são objecto em si mesmo e não instrumentos à disposição do encenador para realçar a(s) mensagem(s) no texto contida. Ou seja, parece-me que os profissionais do teatro têm sido mais influenciados pela estética cinematográfica de matiz hollywoodesca, onde o sucesso é medido pela quantidade de efeitos especiais, concepções laboratoriais e computurizadas do tratamento da imagem e do som, relegando para o domínio do desprezível o argumento e arte de representação. Não é por acaso que o filme que mais óscares recebeu, incluindo o de melhor filme do ano transacto, não tenha conseguido nenhumas estatueta no que concerne ao argumento, actores principais ou secundários! Julgo mesmo ter sido a primeira vez que tal ocorreu na história dos premiados de Hollywood. Ou seja, a estética da produção, em vez de se confinar ao seu primo objecto, o de realçar e contextualizar o texto, passou ela própria a ser o espectáculo, dispensando o texto e consequentemente a necessidade da sua efectiva representação.

Este movimento colocado à ideia de desconstrução e à tendência de contra-cultura pós-modernista poderá conseguir, a espaços, momentos de criatividade brilhantes, mas parece incapaz, por medo ou opção, de nos revelar o esplendor do texto dramaturgico, da palavra, do verbo, do enredo.
São como preferem hoje designar-se profissionais de artes performativas em vez de grupos de teatro, o que se explica pela paranóia da busca patológica de uma criatividade a todo o preço que a maior parte das vezes nos surge feita de colagens sem nexo, ou muito pobres de conteúdo quando comparadas com os clássicos, onde os efeitos da sonoplastia e do multimedia ocupam o lugar central, numa estética que se afirma pelas sensações visuais e sonoras imediatas e perenes, não procurando despertar no público o interesse de uma teia argumentativo/figurativa de um texto.
Este movimento, que ainda faz escola em Portugal e parece querer permanecer ainda por uns tempos, está para o teatro como o experimentalismo de Pierre Henry, a “música concreta”, esteve para a música clássica - um período meramente experimental que nada acrescentou, datado e enterrado como uma breve experiência, exactamente, afinal, o que se tinha proposto e até como o Free para o Jazz. Marcaram uma época, profundamente, é certo, mas nada acrescentaram ao já realizado nem escola deixaram.
O rigor pelo texto regressou à música dita erudita, mesmo à contemporânea, onde os compositores são cada vez mais exigentes na escrita e na representação da sua criação, enquanto que no Jazz já desde Charlie Parker que não conhecíamos um movimento tão profundo de regresso às raízes, com o intuito de busca da inspiração prima para se refundar, recriar e reconstruir como manifestação cultural afro-americana.
Excluindo casos pontuais como o da Cornucópia, onde sabemos que pelas mãos de Luís Miguel Cintra a vivência do texto permanece no cerne do desenvolvimento criativo, parece que a generalidade dos grupos optou por uma paranóia criativista purgada da substância que substancia o próprio teatro.
Mas não nos alarmemos, o experimentalismo como objecto, à semelhança do que aconteceu nas demais artes, será breve e datado, ficando para a história exactamente enquanto tal - um movimento experimental breve e não consequente.