Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Artes’

Museu do Relogio - Guimaraes 1143O Museu do Relógio, em Serpa, coloca hoje à venda a sua 14ª criação em edição limitada e numerada (apenas 143 exemplares) - Guimarães 1143:

- caixa canelada em aço de 41mm;
- Mecânico Corda Manual;
- Mecanismo à vista;
- Vidros de Safira;
- Garantia personalizada.

Veja no site do Museu do Relógio como encomendar por email, pagar por transferência bancária e receber o artefacto em mão.

Workshop de Interpretação de Fotografia - imagem de Alice Valente Decorrerá hoje no Auditório da Parada da Universidade da Beira Interior um muito interessante workshop de interpretação de fotografia, organizado Núcleo de Alunos de Filosofia da UBI (SEXTO EMPIRICO), com a participação de Alice Valente Alves e o Frederico Lopes.
Para mais informações ver post da Alice Valente no Ali_se onde encontrarão todos os pormenores.

Alice Valente - CORPOtraçoCORPO na AMIarteÉ já no próximo dia 19 de Março que se inaugura a exposição «CORPOtraçoCORPO - a pintura e a poesia» de Alice Valente (blogue Ali_se) na galeria AMIArte no Porto, sob o patrocínio do Centro Nacional de Cultura, do e-cultura e da AMI, que decorrerá até 19 de Abril.

A inauguração ocorrerá às 18:00h com a presença de Fernando Nobre, presidente da Fundação AMI, e Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura, contando com intervenções de José Pedro Fernandes, Alberto Augusto Miranda e Dina Resende. (ver programa completo)

Esta exposição contará com 18 das 54 obras em díptico dos 6 traços (cores) do projecto “CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura” anteriormente apresentadas.

Sobre a exposição e o projecto «CORPOtraçoCORPO - pintura e poesia», endereço para um texto da própria Alice Valente e um outro de Alberto Pimenta, embora sinta necessidade de transcrever o “resumo” de uma conferência proferida pela Alice por ocasião da 9ª Mesa-redonda da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO (ver em formato PDF), cuja leitura integral recomendo vivamente:

É o corpo com o pensamento e a alma que define a representação da nossa existência sem qualquer oposição na incontestável interpretação do incorpóreo e que racionalmente não podemos reconhecer nem testemunhar. O corpo define-se pela sua fisiologia, que o mantém vivo e activo, no entanto o corpo está dependente da anima.
Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tão-somente o resultado do pensamento…
De certa forma deveríamos admitir que o Homem em seu aperfeiçoamento civilizacional se tornaria mais cerebral e menos substrato físico, mais pensamento do que corpóreo, mais inteligência do que esperteza, mais intelectual do que simples dependência da sua fisiologia… Pois mas não está a acontecer esta evolução na maior parte da Humanidade, está assim com uma maior tendência para um aproveitamento fugaz do dia a dia do que para a evolução das ideias, está assim, a abandonar o pensamento numa consciente negligência do corpo.

Jackon PollockAntes de qualquer consideração sobre a estreia da ópera Das Märchen de Emmanuel Nunes, sossegue quem me possa ler, porque não será ainda desta vez que ousarei aventurar-me pelo caminho do imediatismo crítico. Primeiro porque não possuo a necessária bagagem para o ser, por outro lado, a arte moderna impõe (-me) uma necessária distanciação temporal que permita viajar pelos caminhos da incerteza da reflexão. Três citações, antes de mais, sobre o modernismo do qual Nunes é ainda filho adoptante:
A Arte não se apresenta pelo que é óbvio. Arte vai para além das fronteiras de tudo o que é óbvio. Por sua vez, tudo o que é óbvio jamais está inserido no que é Arte e por isso, esta só conseguir assomar-se nas margens das impositivas regras e amarras do que lhe é óbvio.(…)
E uma obra de arte estima-se enquanto arte se o óbvio não se verificar. A partir do momento em que o óbvio transpareça numa obra de arte, imediatamente a peça que tida de obra deixará de o ser e reduz-se assim a uma qualquer situação de não-comunicação
.
[Alice Valente em Ali_se (link)]

O modernismo ganha toda a sua amplitude com o abalar do espaço da representação clássica (…). Os artistas não param de destruir as formas e sintaxes instituídas, insurgem-se violentamente contra a ordem oficial e o academismo: o ódio à tradição e raiva de renovação total.
O modernismo não se contenta com produzir variações estilísticas e temas inéditos, quer romper a continuidade que nos liga ao passado, instituir obras absolutamente novas.
O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).
Como falar acerca de obras cujas construções insólitas, abstractas ou deslocadas, dissonantes ou minimais, que provocam o escândalo, confundem a evidência da comunicação, desordenam a ordem reconhecível da continuidade espaço-temporal e levam por isso o espectador a receber menos emocionalmente a obra do que a interrogá-la de modo crítico?

[Lipovetsky]


Toda a arte moderna, devido às suas preocupações experimentais, baseia-se no efeito de distanciação e provoca espanto, suspeição ou recusa, interrogação sobre as finalidades da obra e da própria arte!

[Brecht]

Presente o citado, é com alguma perplexidade que leio as críticas a Das Märchen, sem aguardarem, prudentemente, em si, pelas interrogações que o que viram e ouviram poderá suscitar, uma vez que a arte moderna (não ainda a pós-moderna) não está construída para nos tocar sensitiva-emocionalmente, embora o possa fazer, mas sim para questionar e reflectir! Que crítica é esta que tem uma ânsia de dizer antes de deixar a obra exalar todo o intrincado simbólico de referências e interrogações?
Ultrapassa-me, de todo, este imediatismo, esta social necessidade de no dia seguinte ter de ter, porque é de bom tom ter, que dizer, qual comentador desportivo, seja para dizer bem ou nem por isso ou mais ou menos!
Constato, contudo, duas ideias constantes, não ingénuas, em quase todas as leituras que corri - a desertificação da sala após o intervalo e a referência ao facto de a encomenda ter sido efectuada por Pinamonti (anterior director do S. Carlos). As neblosas, sim, fantasmas erguidos quais penadas almas, sobre certas colegiadas “bem-pensantes” cabeças pairam! Ah, Pereira Leal, o que a tua anunciada aposentação anda por Lisboa a arrebatar de enredos em putativas consciências!

Qual é o mais duro dos críticos? O amador malogrado.
[Goethe]

De meu deixo uma nota: o S. Carlos não está (nunca esteve) talhado para as “aventuras” da modernidade. Esses “devaneios” há muito estão comprometidos com a Gulbenkian e seu público específico.

Festival Temps d'Image

O Festival de Cinema, Temps d’Images, que decorre até 15 de Dezembro, realizado em conjunto com a Cinemateca Portuguesa, regressa quatro anos depois da sua primeira edição o cinema à volta de cinco artes, cinco artes à volta do cinema, para evocar as relações desta arte com as outras artes.
Em 2007 é sob o ângulo da coreografia que esta programação será abordada sem recorrer ao tipo de comédia musical, a fim de melhor dar a ver como a coreografia pode estar presente no cinema sem que seja necessário tratar-se de um filme de dança.
O que se procura mostrar é uma coreografia cinematográfica que joga com o movimento (ou a imobilidade) dos corpos, com os ritmos, as deslocações no espaço (quer se trate de um quarto, de uma cidade ou de grandes espaços abertos…), o seu abrandamento ou aceleração ou ainda a coreografia da própria câmara.
Estarão presentes nas sessões para animar um diálogo entre todos os participantes e os espectadores, e também com realizadores e coreógrafos portugueses, Jean-André Fieschi (realizador, crítico de cinema), Cyril Neyrat, Hervé Aubron, Stéphane Delorme, Cyril Beghin (críticos nos Cahiers du Cinéma, Vertígo etc.), Ricardo Matos Cabo (programador de cinema).
Esta programação é coordenada por Pierre-Marie Goulet e Teresa Garcia em conjunto com João Bénard da Costa e a Cinemateca Portuguesa, com a colaboração de Cyril Neyrat, Ricardo Matos Cabo e Stefani de Loppinot.
Programação oficial:

Temps d'Image - programacao

CINANIMA 2007Inicia hoje, prolongando-se até Domingo, a 31.ª edição do CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho (link), um dos mais conceituados festivais de cinema de animação europeus, parceiro do Cartoon d’Or, organizado pela Cooperativa Cultural Nascente em parceria com a Câmara de Espinho.
A concurso estão mais de 800 candidatos divididos pelas categorias:
A - Curtas Metragens (até 15 minutos);
B - Médias Metragens (mais de 15 minutos e até 50 minutos);
C - Longas Metragens (mais de 50 minutos);
D - Primeiro Filme ou Filme de Fim de Estudos;
E - Séries ou Filmes de Animação para Televisão.

A edição deste ano oferece ainda a possibilidade de frequentar 2 workshops: um sobre ILUSTRAÇÃO - “Expressão & Criatividade”, orientado pelo professor e ilustrador João Caetano; outro sobre ANIMAÇÃO “Animação com Flash”, orientado pelo professor Nuno Cardoso.

ps: para mais detalhes consulte o programa

A Associação Guilhermina Suggia e a Escola de Música do Conservatório Nacional convidam para assistir/participar na conferência com música Gaudí, Suggia e a Música, amanhã, dia 11, pelas 19:00h, no salão nobre do Conservatório Nacional.
Serão conferencistas Teresa Cascudo e Ana Maria Férrin e os momentos musicais serão assegurados pelo organista José Carlos Araújo, por Paulo Gaio Lima em violoncelo e Paulo Pacheco no piano.

Assombrado post da Alice Valente (mais um…), no Ali_se, sob o título A inteligência e a “indústria cultural” onde aborda, com uma lógica irrepreensível, a redução da arte e da cultura ao entretenimento operada pelas indústrias culturais. Um dos melhores textos sobre o assunto que alguma vez li! Sem mais!
Excerto:
E sem mais contrários e já por tão doentiamente deformados, a ter sempre de cumprir-se deveres em que dever e até quando, aqui estamos nós, prontos para as tais de ditas «lutas» no «salve-se quem puder», só, obstinada e unicamente pelas vias de uma vontade cega de se esganarmos uns aos outros, já sem desejos, sem valores e sem aspirações futuras, por cada vez mais caoticamente apartados do que é a verdadeira Cultura.

Paulo Fontesad majoorem Dei gloriam, exposição de Ecoarte de Paulo Fontes, decorre na Livraria Vício das Letras, na Feira, mais concretamente no n.º 59 da Rua Dr. José Correia de Sá.

Segundo o autor trata-se de uma exposição de Ecoarte, já que todas as obras expostas foram construídas aproveitando materiais que poderiam ir parar ao lixo ou à reciclagem.
Para mais informações vejam, por favor o sítio de Paulo Fontes, deixando aqui um poema seu que ilustra o que sente e motiva para o acto criativo.

Para a humanidade cega que caminha em direcção ao precipício…
Recolham lixo ou arte, a minha arte é feita de lixo,
Do nosso lixo faço a minha arte…
A luz que atravessa telas, objectos, tinta….
Flúi da natureza que há em mim, selvagem…
Da selva que criámos e que devora a natureza e os seus recursos.

Em tempos que se avizinham muito negros para o ensino artístico em Portugal, deixo um excerto de um texto de Fanny Abramovich sobre o que é o Teatro na Educação, retirado do sítio da WOOZ.

Mistério! Dúvida! Inquietação! Afinal de contas, o que é esta matéria nova, repentinamente incluída na programação escolar, com o nome mutável de teatro, artes cênicas, improvisação teatral, expressão dramática?(…)
O “mistério” está na visão estereotipada de que teatro na educação é espetáculo. É claro que nenhum professor sente-se em condições de dirigir uma peça. Se não é montar algo, é, ludicamente, possibilitar que os alunos se expressem, fazer com que eles inventem a sua “história” e encontrem a melhor forma de mostrá-la a seus amigos (não precisa de platéia especial). Onde? Na descoberta do próprio espaço que a escola oferece (não precisa de nenhum palco). Sem material? Claro, com o material que os alunos descobrem na própria escola, nas imediações, trazem de casa. Quando? Sempre, porque toda atividade que é um jogo não tem data prévia para acontecer. E eu, o que faço? Olho o jogo espontâneo e o enriqueço, possibilitando outras alternativas, sem me preocupar em dar o meu enfoque. Pouco misterioso, não é? É só olhar as crianças na hora do recreio, na rua, para ver que elas estão sempre “brincando de teatro”. (…)

Shakespeare - a tragedia de Julio CesarDeixo uma sugestão e recomendação: revisitemos os clássicos, aprendamos com eles, divulguêmo-los porque eles, per si, demonstram, qual mágico espelho, a abjecção que os políticos deste governo preparam relativamente ao ensino artístico em Portugal.
As artes são tão necessárias para a educação e formação da identidade da Pessoa como as demais áreas do saber e do sentir, sendo que não será com enriquecimentos curriculares opcionais que algo se conseguirá, mas com a sua integração curricular.

A Tragédia de Júlio César - W. Shakespeare
uma co-produção São Luiz- Tetro Municipal / Teatro da Cornucópia

sinopse:
A Roma antiga do século I a.c. reinventada por Shakespeare. A vida política nas mãos de heróis de tragédia que são grandes como gigantes e humanos como nós.
A tragédia de Shakespeare fala de tirania, da cegueira do povo, das sangrentas lutas pelo poder, de vida privada e responsabilidade pública, de paz e de guerra, fala de política e da imensa tensão entre política e moral. Com estas peripécias de uma Roma antiga fantasiada pelo princípio do século XVII, devolve aos espectadores de hoje os jogos políticos de sempre, mas desenha uma visão do Homem e do poder político com valores que o nosso tempo já esqueceu.

Ficha artística:
Tradução: José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenário e Figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm dAssumpção
Música original: Vasco Mendonça
Interpretação: André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa,
Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto,
Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil,
Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e
Vítor de Andrade
Músicos: Gonçalo Marques (trompete), Marco Santos (percussão), Nuno Costa
(guitarra)

Há dias a Alice escreveu um texto que tinha o propósito de demonstrar a clivagem entre o valor da arte e o preço do dinheiro, sob o título Apreçar a Vida.
A questão é pertinente não por considerar que a arte não tem preço, mas porque incide sobre o equilíbrio e o rumo que o dinheiro emprestou à vida. É que tudo tem preço, tudo nós apreçamos consoante o valor que sentimos, valor esse que se traduz no que estamos dispostos a dar em troca por determinado bem.
A troca, a partilha, foi talvez um dos primeiros elos sociais que tornou o humano um ser social - troca por troca, troca por por solidariedade, troca por amor, troca por necessidade, troca porque é na partilha que todos nos trocamos. Até um dia…
Um dia em que precisamos de representar o que precisamos e não temos um bem disponível para o valor da troca - a moeda - que de mão em mão, de alforge em alforge, se tornou um dos mais belos símbolos da partilha, da construção do homem social. Até um dia…
Um dia em que a moeda emprestou a sua significância prima de instrumento de partilha e de troca através de quem iniciou o seu armazenamento, a sua acumulação, o monopólio da sua cunhagem, a voracidade de ao instrumento atribuir um valor intrínseco, exterior à partilha e instrumento de poder.
A moeda, o dinheiro passou a ter um valor, de instrumento travestiu-se em objecto e em diverso instrumento, de poder, não de partilha, uma independência de significância que a afastou da troca, do Ser social.
A moeda continua a correr em desvario de bolso em bolso, agora sem estar nem passar pelo bolso, mas partilha já não significa nem medida de apreço já ilustra.
O dinheiro tem um preço que do apreço nada significa, perdeu-se no seu prórprio preço, desgarrada do valor do apreço.
O apreço daqueles que pretendem que este mundo continue a partilhar continua inalterável, mas carecemos de um instrumento cuja significância volte a ser o amor com que se partilha um valor que se sente, ou seja, pegando nas palavras da T-Regina, pagarmos o preço do apreço, enlaçadas nos laços dos afectos, sem tectos nos regaços (…)

São estas duas mulheres que estão a definir (termo generalista mas provocatório) os modelos de programação de dois espaços numa cidade de tribos urbanas

A ler e reler o que o Tiago Bartolomeu Costa escreveu sobre Sasha Waltz.

Aí está o n.º 2 da Obscena - Revista de Artes Performativas! É seguir o link para imagem para ler e bem-haja a quem continua a teimar em editar este oásis! Para assinar basta ir so site e inscrever-se no email.

Obscena - revista de artes performativas

Sasha Waltz & Guests

Imperdível, mas só para quem já tem bilhete, Sasha Waltz & Guests apresenta hoje a sua coreografia de Dido & Aeneas.
Sacha Waltz apresenta uma coreografia baseada na conhecida ópera de Henry Purcell, partindo da sua linguagem natural, a dança, faz uma ponte, diria, uma simbiose com a palavra e o canto, numa atitude criativa bem contemporânea, mas respeitadora da tradição de exigência e técnica europeias.

o La Femme d’à Coté que passou ontem na 2:!

La Femme d'à Coté

Revê-lo-ei hoje, com calma, com o mesmo prazer de sempre e lembrando a cumplicidade - Fanny Ardant, Dépardieu e Truffaut!
Ah.., acho que não cansarei nunca!

Alice Valente AlvesA Alice Valente Alves habituou-nos a fundir a poesia com a ‘imagem’ na sua arte: na fotografia, na pintura e, agora, no desenho.
Uma das temáticas que mais aborda é a do acto de criar, sendo que defende (e disso está convicta) que tudo parte de uma imagem, de uma imagem que a assalta como percepção do que na vida vai sentindo.
Ora, se tudo é imagem, Alice, como é que todas crias, transformas e fundes com a poesia, a arte, não da imagem, mas a de abrir as fronteiras do paradoxo de imagens e sensações que nos outros despertarás?

As coisas passam-se em uma empresa - a Caronte & Filhos - fundada pelo velho Caronte, que começou com a barca a meter água mas acabou por investir bem as moedinhas que os mortos traziam. E quantos não chegavam às ilhas perdidas do além, navios a abarrotar (enviados daqui desta Terra por tantas causas em massa)!…
Foi lá que se encontraram personagens que vão assistir e participar em uma encenação de uma nova versão da história de Inês de Castro já não centrada em Inês mas polarizada entre D. Pedro, o seu Eunuco, D. Afonso Madeira, e Inês.
Este é o meu trailer da peça de Armando Nascimento Rosa em cena no Teatro Garcia Resende em Évora até ao próximo dia 9 de Fevereiro.
O eunuco!?? Ora essa!
Mas está lá em Fernão Lopes. Quem for ver a peça há-de ouvi-lo a ler a passagem. Mas quem não acreditar leia o passo na versão electrónica da Crónica de D. Pedro: link para Project Gutenberg.

Armando Senra Martins

Aí está a Obscena - Revista de Artes Performativas, para já em formato PDF, editada pelo Tiago Bartolomeu Costa.

Obscena - revista de artes performativas

Vamos ler, vamos ver ao que vem, mas registo com muito agrado o que é dito no seu editorial:

(…)
Muitos queixam-se da falta de debate público mas contribuem para esse marasmo com inércia e silêncio. O trabalho de muitos criadores acusa falta de memória e muitos críticos demitem-se de o denunciar.
Alguns criadores reclamam, em conversas meio circunstanciais, uma crítica mais exigente, mas esperam que esta não “se vire”? contra eles. (…)

Felicidades para o arrojado projecto. Existia a lacuna, existe gente que fala da sua necessidade, vamos ver até onde chegará o desejo de a ler!

ps: para assinar deve ir ao sítio da revista.

Via Rui Rebelo do Anacruses tomei conhecimento que Medeia de Eurípedes está em cena no Chapitô de Quinta a Domingo, pelas 22:00h, até 25 de Fevereiro, encenada por John Mowat, numa co-produção entre a Companhia Chapitô e a Companhia de Paulo Ribeiro, que tenta uma recriação onde a interpretação do texto e da dança se fundam harmoniosamente numa intervenção performativa.

Medeia-Chapitô

intérpretes:
Leonor Keil
Jorge Cruz
José Carlos Garcia
Marta Cerqueira

Cumprindo o óbvio, evitar a disseminação de pequenas Companhias de Teatro que dificilmente sobrevivem, 11 Companhias associam-se para “desenvolver a actividade artística e intervir nas questões relacionadas com o trabalho cultural vocacionado para o público infanto-juvenil” - Associação Portuguesa de Teatro para a Infância e Juventude - ATINJ. (ver Público)
A ATINJ prevê estatutariamente a adesão do novos associados, não se bloquando no grupo dos 11 fundadores.
Em várias ocasiões alertei para a necessidade de as instituições ligadas às artes performativas se associarem em projectos comuns com a finalidade de conseguirem uma maior penetração da sua divulgação e, por outro lado, congregarem os financiamentos e receitas de forma harmoniosa, evitando a disseminação dos investimentos e despesas.
É um primeiro passo, é certo, mas poderá abrir o caminho para outro tipo de associações que assegurem uma dimensão mínima para que os projectos possam ir por diante e com noutro patamar de profissionalismo.
No caso concreto, saliento também o objecto, o de focar o trabalho em prol da infância e juventude, o único caminho sério para a prossecução do desenvolvimento de novos públicos.
Parabéns à ATINJ.

Obscena

O Tiago Bartolomeu Costa anunciou o lançamento (talvez para o final de Janeiro) da 1ª revista online em formato pdf sobre artes performativas, onde haverá informação, análise e crítica.
A revista será gratuita, mas será prudente inscrever-me-nos desde já na maillinglist no seu site próprio.

Bernardo Sasseti

No S. Luiz, Bernardo Sassetti apresenta um espectáculo “multidisciplinar” a não perder, definitivamente.

será o entrevistado de hoje do Grande Plano, entre as 18 e as 19 horas, na Rádio Voz da Planície com emissão online.
Pedro Vasconcelos é fundador e director artístico do Coro de Câmara de Beja, que comemora este ano os seus 25 anos de existência, e há 22 anos responsável pela Semana de Música para o Natal de Beja.
Uma aposta audaz da Ana Elias de Freitas a não perder.

Via este post do Paulo Sempre no Filhos de um Deus menor chego a um trabalho excepcional de vídeo com texto, voz e realização de Mário Furtado.
Trata do Alentejo que o autor sente, uma homenagem a esta terra e estas gentes.
O vídeo está no Youtube mas, por uma questão de respeito, sigam o link do Paulo para o verem.

CENFREV - Um Inimigo do Povo de Henrik IbsenDa entediante repetição do mesmo na existência, se pode extrair um modelo de vida dramática (James Joyce)

Esta era para Joyce a grande lição de Henrik Ibsen (1828-1906), cujo centenário celebramos agora. Joyce escrevera uma crítica a “Quando nós os mortos despertamos” (só recentemente traduzida para português, link ). Como Joyce, muitos admiraram em Ibsen o seu rigoroso realismo (onde se denunciava a condição da mulher na sociedade, os esquemas da vida burguesa…), mas isso era esquecer o simbolismo da sua dramaturgia que fez dele, ao que dizem, o dramaturgo favorito de Freud. A este respeito convém reler a peça cujo acompanhamento musical encomendado a Edward Grieg todos temos no ouvido: Peer Gynt.

Mas para comemorar nada melhor que assistir à produção do CENDREV de Um inimigo do povo, em cena até ao próximo dia 4 de Novembro (cartaz aqui). Se pudesse anunciar como genéricos da TV, diria que trata do poder local e dos seus sólidos compadrios, mas está longe de ser apenas isso…

Armando Senra Martins

ps: é com muita alegria que coloco aqui um texto da autoria do Armando Senra Martins depois de muito insistir em obter a sua parceria nestas Ideias Soltas.

Sonny Rollins, o último dos génios vivos (do Jazz), abriu-me, aos 16 anos, para outras dimensões do sentir, inesperadas, é certo, para a altura, mas profundas e ricas, que não mais esqueci nem abandonei.
Dedico este vídeo ao Anarca juntando o pedido de incluir, na sua selecção vintage da melhor jukebox da blogosfera, um tema do meu must Sonny Rollins!

nota: este vídeo que dura 5′ data de 1963 e contém apenas a parte do solo de Sonny Rollins, tendo sido gravado e difundido por um canal de televisão a propósito do lançamento do LP “The Bridge”, o 1º da 2ª fase do músico.
Com ele estão Jim Hall na guitarra, Bob Cranshaw (seu compenheiro de sempre) no contrabaixo e Ben Riley na bateria.

Não desisto de pugnar por uma política gestão cultural global do Estado. Os princípios orientadores, as regras de apoio às artes, a tipologia dos apoios, o controlo, a avaliação dos resultados são fundamentais para se delinearem estratégias, programar temporadas e espaços de programação regular.
Sem isto nada é endendível, parecendo que todos os financiamentos são de ocasião para mais não dizer.
Sobre este assunto recomendo vivamente a leitura de O grande teatro da metrópole, pelo Tiago Bartolomeu Costa, em O Melhor Anjo, onde analisa a nova programação do Teatro Nacional D. Maria II.

Amanhã, pelas 21:30h, Cristina Brito da Cruz, Miguel Oliveira e Silva e Sérgio Azevedo juntar-se-ão para falar sobre Lopes-Graça no Auditório Conde de Ferreira, em Sesimbra.
É mais uma conversa…, dirão alguns…, entre tantos, tantos e muitos que dizem ter conhecido e convivido com o Graça, mas ouvir o Miguel que, como amigo e médico pessoal o acompanhou diariamente durante, pelo menos, os últimos 20 anos da vida do compositor, deverá ser muito interessante para conhecer o homem que estava por trás do músico, deixando aos parceiros de conversa a análise do seu legado musical.
Uma noite…? Talvez, mas para ouvir o Miguel, por favor, sem hora limite e com um caldo verde prontinho lá para as 2 ou 3 da matina!