Em tempos que se avizinham muito negros para o ensino artístico em Portugal, deixo um excerto de um texto de Fanny Abramovich sobre o que é o Teatro na Educação, retirado do sítio da WOOZ.
Mistério! Dúvida! Inquietação! Afinal de contas, o que é esta matéria nova, repentinamente incluída na programação escolar, com o nome mutável de teatro, artes cênicas, improvisação teatral, expressão dramática?(…)
O “mistério” está na visão estereotipada de que teatro na educação é espetáculo. É claro que nenhum professor sente-se em condições de dirigir uma peça. Se não é montar algo, é, ludicamente, possibilitar que os alunos se expressem, fazer com que eles inventem a sua “história” e encontrem a melhor forma de mostrá-la a seus amigos (não precisa de platéia especial). Onde? Na descoberta do próprio espaço que a escola oferece (não precisa de nenhum palco). Sem material? Claro, com o material que os alunos descobrem na própria escola, nas imediações, trazem de casa. Quando? Sempre, porque toda atividade que é um jogo não tem data prévia para acontecer. E eu, o que faço? Olho o jogo espontâneo e o enriqueço, possibilitando outras alternativas, sem me preocupar em dar o meu enfoque. Pouco misterioso, não é? É só olhar as crianças na hora do recreio, na rua, para ver que elas estão sempre “brincando de teatro”. (…)
Deixo uma sugestão e recomendação: revisitemos os clássicos, aprendamos com eles, divulguêmo-los porque eles, per si, demonstram, qual mágico espelho, a abjecção que os políticos deste governo preparam relativamente ao ensino artístico em Portugal.
As artes são tão necessárias para a educação e formação da identidade da Pessoa como as demais áreas do saber e do sentir, sendo que não será com enriquecimentos curriculares opcionais que algo se conseguirá, mas com a sua integração curricular.
A Tragédia de Júlio César – W. Shakespeare
uma co-produção São Luiz- Tetro Municipal / Teatro da Cornucópia
sinopse:
A Roma antiga do século I a.c. reinventada por Shakespeare. A vida política nas mãos de heróis de tragédia que são grandes como gigantes e humanos como nós.
A tragédia de Shakespeare fala de tirania, da cegueira do povo, das sangrentas lutas pelo poder, de vida privada e responsabilidade pública, de paz e de guerra, fala de política e da imensa tensão entre política e moral. Com estas peripécias de uma Roma antiga fantasiada pelo princípio do século XVII, devolve aos espectadores de hoje os jogos políticos de sempre, mas desenha uma visão do Homem e do poder político com valores que o nosso tempo já esqueceu.
Ficha artística:
Tradução: José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenário e Figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm dAssumpção
Música original: Vasco Mendonça
Interpretação: André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa,
Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto,
Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil,
Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e
Vítor de Andrade
Músicos: Gonçalo Marques (trompete), Marco Santos (percussão), Nuno Costa
(guitarra)
Há dias a Alice escreveu um texto que tinha o propósito de demonstrar a clivagem entre o valor da arte e o preço do dinheiro, sob o título Apreçar a Vida.
A questão é pertinente não por considerar que a arte não tem preço, mas porque incide sobre o equilíbrio e o rumo que o dinheiro emprestou à vida. É que tudo tem preço, tudo nós apreçamos consoante o valor que sentimos, valor esse que se traduz no que estamos dispostos a dar em troca por determinado bem.
A troca, a partilha, foi talvez um dos primeiros elos sociais que tornou o humano um ser social – troca por troca, troca por por solidariedade, troca por amor, troca por necessidade, troca porque é na partilha que todos nos trocamos. Até um dia…
Um dia em que precisamos de representar o que precisamos e não temos um bem disponível para o valor da troca – a moeda – que de mão em mão, de alforge em alforge, se tornou um dos mais belos símbolos da partilha, da construção do homem social. Até um dia…
Um dia em que a moeda emprestou a sua significância prima de instrumento de partilha e de troca através de quem iniciou o seu armazenamento, a sua acumulação, o monopólio da sua cunhagem, a voracidade de ao instrumento atribuir um valor intrínseco, exterior à partilha e instrumento de poder.
A moeda, o dinheiro passou a ter um valor, de instrumento travestiu-se em objecto e em diverso instrumento, de poder, não de partilha, uma independência de significância que a afastou da troca, do Ser social.
A moeda continua a correr em desvario de bolso em bolso, agora sem estar nem passar pelo bolso, mas partilha já não significa nem medida de apreço já ilustra.
O dinheiro tem um preço que do apreço nada significa, perdeu-se no seu prórprio preço, desgarrada do valor do apreço.
O apreço daqueles que pretendem que este mundo continue a partilhar continua inalterável, mas carecemos de um instrumento cuja significância volte a ser o amor com que se partilha um valor que se sente, ou seja, pegando nas palavras da T-Regina, pagarmos o preço do apreço, enlaçadas nos laços dos afectos, sem tectos nos regaços (…)
São estas duas mulheres que estão a definir (termo generalista mas provocatório) os modelos de programação de dois espaços numa cidade de tribos urbanas
A ler e reler o que o Tiago Bartolomeu Costa escreveu sobre Sasha Waltz.

Ära peida oma pilku – vaata mulle otsa
Há dias assim…, há dias que, por desconhecido sortilégio, a arte mostra-nos o que já olhamos e não vimos…, e não sentimos…
Via Rui Rebelo do Anacruses tomei conhecimento que Medeia de Eurípedes está em cena no Chapitô de Quinta a Domingo, pelas 22:00h, até 25 de Fevereiro, encenada por John Mowat, numa co-produção entre a Companhia Chapitô e a Companhia de Paulo Ribeiro, que tenta uma recriação onde a interpretação do texto e da dança se fundam harmoniosamente numa intervenção performativa.

intérpretes:
Leonor Keil
Jorge Cruz
José Carlos Garcia
Marta Cerqueira

O Lisboa Ballet Contemporâneo produz um espectáculo, a propósito do seu 2º aniversário, no Domingo, dia 1 de Outubro, às 21:30h.
Parabéns à instituição e, em especial, ao seu director artístico – Benvindo Fonseca.
ps: clique na imagem para a ampliar.

O título, conferido a personalidades que se destacam no panorama cultural internacional, foi entregue ontem pelo cônsul-geral de França no Porto, Philippe Barbry, durante uma cerimónia no Rivoli Teatro Municipal do Porto.
E pronto, mais um dos nossos expoentes máximos na área das artes, da cultura e da sociedade que aviltamos e desprezamos, em vida e alguns mesmo depois de mortos, sendo reconhecidos e até acolhidos noutras paragens bem menos comezinhas!
Uma lista de cabeça?
Camilo, António Fragoso, Vianna da Motta, Guilhermina Suggia, António Fragoso, Luís de Freitas Branco, Vieira da Silva, João de Freitas Branco, Lopes-Graça, Aristides de Sousa Mendes, Jorge de Sena, Bento de Jesus Caraça, Rui Luís Gomes, Jorge Peixinho, Maria Manuela Araújo, Maria João Pires, Óscar Lopes, Sequeira Costa, Ângelo de Sousa…, de cor, mesmo de cor, ao correr do teclado!
« (…) interditar à psicanálise a intromissão onde nada tem a dizer: no poético (obra de arte), no simbólico, na antropologia (primitiva)» no ALI_SE.
Após várias insistências parece que a Alice Valente aderiu, finalmente, à comunidade blogosférica com o ALI_SE.
Apesar de dar os primeiros passos neste meio editorial não hesito em recomendar sabendo a mais-valia que acrescenta como pessoa, como pintora, fotógrafa e poetisa.
Força Alice e, não tenho dúvida, com uma assertiva vontade de fazer, fazer bem e bem feito.
Estimado A.A. (resposta a comentário)
É fácil, com frases feitas, é demasiadamente fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi, livre de defuntas ideologias como as de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, em estudo já realizado, que o Estado gastará menos, controlará melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto despendeu em 2005 o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, no programa de Arte em Rede, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de audiovisual, sente-se, veja o resultado, e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertada e avulsamente como tem sido.
nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?
1 – será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?
2 – será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?
Não são precisos mais exemplos, pois não? Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos, sim, de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, são também dispensáveis discursos de esquerdas e de direitas, necessitamos, isso sim, de gente com bom senso e coragem.





















