Alexandre BurmesterAlexandre Burmester apresentou no ‘A Baixa do Porto’ um ‘Mapa Sensorial do Porto’ concebido pelo próprio no sentido de melhor perceber a cidade no que ao seu planeamento urbanístico concerne. Texto de leitura integral obrigatória para quem pretender conhecer o pensamento do arquitecto, embora deixe aqui, atrevidamente, pela sua relevância criativa, um breve excerto:

Perceber é conhecer através dos sentidos. Perceber o espaço em que vivemos faz-nos compreender a melhor forma de nele intervir. Qualquer espaço contém uma percepção que é única para cada um de nós. Uma cidade, como espaço público, poderá ter uma percepção colectiva. O Mapa Sensorial que apresento corresponde à minha visão da cidade, mas sustenta-se numa leitura de comportamento colectivo espacial, que se traduz pela importância e valorização do comportamento da população, e de onde resulta a forma como a usamos e vivemos.

Criação Artística - encontro promovido por Alice Valente no Centro Nacional de CulturaEnquadrado na exposição do seu projecto ‘CORPOtraçoCORPO‘, a decorrer no Centro Nacional de Cultura até 11 de Dezembro, Alice Valente promove um encontro sob o tema “Criação Artística”, no próximo dia 27, às 15 horas.
De entre os seus convidados a participar estarão presentes:
- Guilherme D’ Oliveira Martins – Presidente do Centro Nacional de Cultura;

- Annabela Rita – Presidente do CLEPUL – Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa;

- José Pedro Fernandes – Professor de Estética e Cultura Visual;

- Alfredo Oliveira – Eng. e Investigador em Física e Cosmologia;

- José Rodrigues dos Santos – Antropólogo e Investigador no CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, Universidade de Évora;

- Amílcar Vasques-Dias – Compositor e Professor na Universidade de Évora;

- Alice Valente Alves – Autora de projectos da Imagem – Poesia, Pintura e Fotografia – no âmbito da Criação Artística;

e o autor deste blogue.

Para mais informações ver, por favor, o sítio da Alice Valente.

Via Alice Valente, no Ali_se, tomei conhecimento da ‘OKUPAÇÃO DO CORETO’ do Jardim da Estrela que ocorrerá amanhã, Sábado, durante 8 horas, entre as 16:00 e as 24:00h, por artes e letras.
Espera-se de tudo. Vejam os okupantes:

OKUPAÇÃO do CORETO - participantes

A trama é de tal desaforo que os okupantes não hesitaram em colocar página no Facebook com programa e tudo, apelando a que os incautos apareçam para assistir e participar em tamanha folia!

OKUPAÇÃO do CORETO do Jardim da Estrela
Vão lá espreitar!

Pina Bausch, expoente máximo da criatividade na dança pós-moderna (com toda a controvérsia que esta etiqueta revele), é bem conhecida e reconhecida entre nós, em especial depois da EXPO 98, mas foi nos anos 70, depois de assumir a direcção artística da ‘Wuppertal Opera Ballet’, que iniciou um caminho particular, próprio, nomeadamente em 1975, através de uma coreografia da ‘Sagração da Primavera’ de Igor Stravinsky. Reparem no excerto…

O rumo que Pina Bausch procurou e seguiu resume-se na citação retirada Stanford Presidential Lectures in the Humanities and Arts:

For her the individual’s experience is the critical component and is expressed in bodily terms, thus creating a new type of body language. By doing this, the role of the body is redefined from one in which it disappears into the function of creation and is objectified, as is typical in ballet and most dance, to one in which it becomes the subject of the performance. Each dancer’s body tells its own story based on what it has experienced.

No excerto do vídeo coreografia da ‘Sagração da Primavera’ comprova já esse tendência, tendo Pina Bausch fundando a trama emocional em torno da própria experiência individual de cada bailarino. Partindo da celebração da fertilidade de Stravinsky, leva os bailarinos a dançar até à exaustão em acto de ’sacrifício de morte’ para que, tal como no reino animal, as fêmeas pudessem escolher qual o ‘escolhido’, ou melhor, qual o que ‘tem melhores genes para acasalar’.
É neste contexto, na expressão emocional individual de cada bailarino, que a sua afirmação de que as minhas peças desenvolvem-se de dentro para fora ganha todo o sentido.

Pina Bausch – Não estou interessada em como as pessoas se movem, mas o que as move.

Pina Bausch

Rui Horta (via DN)- Se hoje estamos com uma linguagem de dança emancipada, com um discurso de autor e uma teatralidade em perfeita unidade com o corpo devemos à Pina Bausch.

Valter Hugo MaeValter Hugo Mãe é o convidado de hoje da 2ª sessão dos encontros DERIVAS – PARA QUE SERVEM A ARTE E O CONHECIMENTO EM GERAL?! que decorrerá às 21:30h no Centro de Estudos Regianos, em Vila do Conde, no âmbito do programa de actividades pedagógicas da Circular Derivas Artísticas.
Concebido e orientado por Magda Henriques o DERIVAS ARTÍSTICAS | PROGRAMA DE ACTIVIDADES PEDAGÓGICAS acredita

na capacidade transformadora da arte e na possibilidade desta, como afirma George Steiner, “comprometer a nossa humanidade, tornar-nos menos capazes de seguir o nosso caminho como se nada fosse”, revela-se necessário que a experiência da arte possa representar uma opção, daí a necessidade de criar meios que permitam essa aproximação e que constituam essa experiência como uma possibilidade de escolha. “Derivas Artísticas” tem, assim, como um dos seus objectivos prioritários criar e disponibilizar instrumentos que concorram para o exercício da escolha.

Há dias o Rui Curado Silva insurgia-se, muito acertadamente, com desconhecimento do método científico. Seguindo as suas palavras, cito:

(…) o desconhecimento do método científico é assustador, as recentes discussões na blogosfera sobre ciência revelam uma ignorância profunda do assunto. E o pior é quando este desconhecimento vem da parte de cientistas (das ciências sociais e humanas às ciências exactas).

Não deixei de corroborar esta sua impressão nos comentários do Klepsydra, uma vez que em nome da ciência e do método científico, se têm produzido os mais hilariantes estudos, nomeadamente no domínio das ciências sociais e humanas que melhor domino. Então estudos ‘encomendados’ por governos principescamente remunerados estamos, de facto, prenhos.
Crencas Religioes e Poderes - dos Individuos as SociabilidadesMas pretendia cruzar, precisamente a assertividade do Rui com o texto da Alice Valente Alves, Crenças e poder – do dever em não devir, fruto de uma comunicação produzida na ‘11.ª Mesa-Redonda De Primavera – Crenças, Religiões E Poderes‘ da FLUP, cujas comunicações foram reunida em livro a apresentar hoje no Porto, na Livraria Leitura ao Centro Comercial Cidade do Porto, pelas 18:30h, sob o título CRENÇAS, RELIGIÕES E PODERES – dos Indivíduos às Sociabilidades, em especial, quando afirma, também com toda a propriedade:

É comum à tradição da Filosofia que sempre por demasiado associada ao teológico e ao científico, comodamente fechar os olhos e deixar-se tornar irredutível ao sensível e ao conceptual. E apesar da Filosofia se ter associado nas suas formalidades mais à Ciência do que à Artes é depois e sempre nas Artes que encontra a Razão e a Verdade fundamental para justificar a existência do Devir. (ler texto na íntegra em formato pdf)

Aparentemente parecem dois excertos contraditórios. Aparentemente… É que o que em em nome da ciência se tem produzido, como científico, e claro, incontestável por com o científico se adornar. Então no que à percepção e expressão artísticas concerne é de uma pungente redução positivista que enclausura as artes num positivismo analítico incapaz de compreender (é disso que a ciência deve tratar – compreender) o acto criativo e a forma como a criatividade se emancipa de uma identidade (ou cultura, se preferirem) pessoal, colectiva e sempre em (re)construção.
No fundo, tanto o Rui Curado e Silva como a Alice Valente Alves, por caminhos diferentes, indignam-se pelo mesmo motivo – o cientismo, um constructo pseudo-científico que nos invade e pretende amordaçar, ao impor verdades absolutas e incontáveis.

Itinerario do Sal - Miguel AzguimeItinerário do Sal‘, criação em formato de Teatro Electroacústico / Ópera Hypermedia de Miguel Azguime que, conforme referi, ganhou o Prémio ‘Music Theatre Now’ na categoria ‘Other Forms Beyond Opera’, incluída num concurso destinado a novas óperas e música para teatro, será hoje, às 21:30h, apresentada no Auditório Phillippe Friedman – Instituto Franco-Português.

Um performer/autor em palco talha ao vivo novos trilhos na música electrónica; o som, a luz, as imagens e o movimento como que desenhados, pintados ou esculpidos, desafiam de forma poderosa, intensa e emocionante as convenções e os limites entre Música, Teatro e Ópera. (transcrito de Miso Music)

Esta Ópera Multimedia tem já um DVD disponível que pode ser adquirido online directamente no sítio da Miso Music, onde poderão consultar o libreto, uma galeria de fotografias, uma demo do vídeo e textos musicológicos que vale a pena consultar.

Ficha técnica:
Miguel Azguime – composição, textos e performance
Paula Azguime – desenho de som, electrónica em tempo real, encenação e realização vídeo
Perseu Mandillo – realização vídeo e vídeo em tempo real
André Bartetzki – programação vídeo

Miguel AzguimeMiguel Azguime ganha Prémio ‘Music Theatre Now‘ com a sua obra ‘Itinerário do Sal’, estreada em Abril de 2006 sob a direcção de Paula Azguime, atribuído pela ‘Musiktheaterkomitee des Internationalen Theaterinstituts (ITI)’ na categoria ‘Other Forms Beyond Opera’, incluída num concurso destinado a novas óperas e música para teatro. (ver notícia do Público)
Mantendo a secular tradição portuguesa em relação aos seus criadores e artistas, o reconhecimento do trabalho de Miguel Azguime vem de além-fronteiras, pese embora o extenso e profícuo trabalho que tem desenvolvimento em prol da música electroacústica, seja como compositor, como fundador, mentor e membro do Miso Ensemble, do ‘Festival Música Viva’, da ‘Orquestra de Altifalantes’ e do sítio Miso Music Portugal, onde poderá encontrar as notícias mais actualizadas sobre música contemporânea, mormente a electroacústica, músicos portugueses que a interpretam, cursos, encontros seminários, enfim, tudo o que à temática diz respeito.
A obra premiada, o ‘Itinerário do Sal’, estará em digressão pela Hungria, Polónia e Alemanha durante o mês de Dezembro, esperando-se, como é óbvio, que as instituições com responsabilidade sobre a programação cultural, públicas e privadas, promovam a sua execução nas várias salas deste país.

Já por diversas vezes divulguei o projecto Música nos Hospitais promovido pela Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade – APMHIS em parceria com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (link). Vejam a reacção das crianças nesta reportagem da SIC no Hospital de Santo António e

comprem, vá lá, comprem um cachecol para financiar o projecto.

Transcrevo email da APMHIS:

A Modalfa e a RTP, através do concurso Operação Triunfo, associaram esforços e decidiram apoiar a Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade – APMHIS, lançando um produto cujas receitas revertem para a Música nos Hospitais, permitindo assim que a sua acção se possa estender a mais instituições
(neste momento estamos no Hospital Garcia de Orta- Almada e no Hospital Geral de Santo António-Porto – serviços de pediatria, na Maternidade Júlio Diniz-Porto – serviços de maternidade e obstetrícia, no Hospital Nossa Senhora do Rosário-Barreiro e Hospital de São Bernardo-Setúbal – nos serviços de hospital de dia oncológico adultos, na Santa Casa da Misericórdia de Almada e no Lar Mansão de Marvila-Lisboa – lares de idosos e no Lar de Santa Catarina-Casa Pia-Lisboa – residência de crianças e jovens).

O produto consiste num cachecol (muito giro, com várias combinações de cores), produzido pela Modalfa, que foi lançado pelo programa Operação Triunfo e que tem vindo a ser promovido pelos concorrentes. Pode-se encontrar em várias lojas por todo o país, custa 4,95€ revertendo 2€ por peça para a Música nos Hospitais.

Deixamos aqui o nosso convite para que se associem a esta iniciativa e que, aproveitando o frio que parece ter-se instalado, adquiram o cachecol, para uso próprio para oferta, …, sabendo que estão a unir esforços para que o nosso trabalho possa chegar a mais pessoas.