O Capital - esse filho ingrato
Quase dois séculos, 2 séculos de política e políticos a defender o capital e sua livre circulação, como condição prima para o aparecimento de uma larga classe média, sustentáculo das nossas democracias representativas e da democracia!
Mas esse mal parido filho emancipou-se, dos progenitores não mais quer saber, porque descobriu que o meio em que melhor se dá e reproduz não é neste modelo ocidental, mas sim o do autoritarismo de um capitalismo que explora sem piedade a mão-de-obra.
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O capital já não é sinónimo de empreendimento, de desenvolvimento, ele próprio de meio em objecto se tornou, assexuado, capaz de se reproduzir por si próprio. As democracias ocidentais (as mães) tornaram-se descartáveis e apenas delas se servirá enquanto elas conseguirem ter capacidade de intervir apenas e só enquanto consumidoras de bens produzidos sob o estigma da exploração humana.
Pour la première fois, la Chine a dépassé les États-Unis comme fournisseur de l’Union européenne en 2006. (…) Ses ventes ont atteint 191,5 milliards d’euros, devant celles des États-Unis qui n’ont représenté que 176,2 milliards. Les produits informatiques, la hi-fi et les télécoms ont été les trois premiers secteurs d’exportation chinoise devant l’électroménager et les vêtements. (…) Conséquence, le déficit commercial de l’UE vis-à-vis de la Chine s’est encore alourdi de 20 % l’année dernière pour atteindre 128,2 milliards. La Chine est ainsi le pays vis-à-vis duquel l’Europe affiche le plus fort déficit, loin devant celui de la Russie (65 milliards). (…) Cette dégradation du commerce extérieur de l’Union européenne ne semble pas sur le point d’être enrayée. En janvier, le déficit commercial de l’UE a atteint 26,2 milliards d’euros contre 9,4 milliards en décembre. (Le Figaro)
É um novo paradigma, uma emancipação não esplanada nas melhores sebentas ou manuais académicos, alheio a eles, alheio à liberdade, à mão invisível e adverso à liberdade - ele molda-se e dá-se bem na ditadura, seu novo e mais que adequado habitat.
Aqui há tempos falei da falta de negócio e do fim da liberdade; agora escrevo sobre o ocaso da União Europeia, uma congregação de burocratas idealistas que querem à força evoluir para uma união política quando a económica não conseguiram sedimentar!
O Banco Central Europeu, esse baluarte último, preocupa-se só, e apenas, com a atracção do capital agiota que com deferência acolhe e, sem o obrigar a empreender, lhe garante mais-valias fiduciárias inimagináveis em fundos de investimento sem rosto, que tudo vendem e compram e alienam com o maior desprezo pela sua fixação e pelo desenvolvimento do Homem.







