Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘César Viana’

Cobras e SonO COBRAS e SON tem um novo espaço na net neste endereço, donde retiramos este excerto:
É um grupo de música antiga sediado em Salamanca, composto por músicos oriundos de várias partes do mundo. A sua atenção centra-se especialmente na música ibérica anterior à perseguição e expulsão das comunidades judias e muçulmanas do território da Península.
Dirigido por César Viana o COBRAS e SON é formado por:

VOZ – Lucía Vázquez
FÁDULA – Carolina Casaseca
OUD – Pedro Ospina
PERCUSIONES – Pedro Gómez
FLAUTAS, ARPA Y DIRECCIÓN – César Viana

Hoje, dia 6, às 19 horas, os Cobras e Son, nova formação de música antiga dirigida pelo César Viana, apresenta-se no CCB.

Deixo um texto sobre o grupo, ficha técnica, programa e notas biográficas dos músicos.:Cobras e Son

COBRAS E SON é um grupo de música antiga sediado em Salamanca, composto por músicos oriundos de várias partes do mundo. A sua atenção centra-se especialmente na música ibérica anterior à perseguição e expulsão das comunidades judias e muçulmanas do território da Península.

Assim, o seu repertório é composto por música e poesia desses três povos que durante tantos séculos partilharam o espaço peninsular: cristãos, judeus e muçulmanos. É também dada uma atenção particular a alguma música tradicional de Espanha e Portugal que preserva vestígios e influências da música dessas três culturas medievais.
A expressão ‘COBRAS E SON’ era utilizada por Alfonso X, o Sábio, para designar a poesia e música das suas Cantigas de Santa Maria (cobras - versos; son - música).

COBRAS E SON:

Voz - Lucía Vázquez
Rabel - Carolina Casaseca
‘Oud - Pedro Ospina
Percussões - Pedro Gomez
Flautas, harpa e direcção - César Viana

PROGRAMA

Cantigas de Santa Maria de Alfonso X o Sábio e peças instrumentais das cortes europeias

Estrella do dia
Cantand’e en muitas guisas dev’om’ a Virgen loar
La quinte estampie royale
Razon é grand’ e dereito
Lamento di Tristano e La Rotta

O cativo (tradicional de Algezur - Algarve)

Três romances e uma canção sefarditas

Me cautivaron los moros
De Burgos partió ese rey de Salamanca
Paseábase el buen Cidi
A la Una io nací

Una estrella se perdió (tradicional de El Payo - Salamanca)

Moaxahas e outas peças da tradição árabe-Andalusa

Lamma Bada
Kadhia el Ochak
Man habbak
Adir Rahati
Musaddar Sika

Ai ó divina santa cruz (tradicional de Monsanto - Beira Baixa)

Mare de Vigo - Sete Cantigas de Amigo de Martim Codax

Ondas do mare de Vigo
Mandad’ei comigo
Mia irmana fremosa
Ai Deus, se sab’ora meu amigo
Quantas sabedes amare amigo
Eno sagrado en Vigo
Ai ondas que eu vin veere

BIOGRAFIAS

CÉSAR VIANA
Flautista, compositor e director de orquestra. Gravou numerosos CDs para editoras como EMI Classics, RCA, BMG, Philips, Strauss, etc. Composições e orquestrações suas fazem parte do repertório de instituições como Ballet Gulbenkian, Companhia Nacional de Bailado, Teatro da Trindade, etc. Foi fundador e director musical da Orquestra Sinfonia B e do grupo de música antiga Birundum. Como maestro convidado, trabalhou com orquestras como Hannover Philarmoniker, RIAS Big Band Berlin, Clássica da Madeira, Filarmonia das Beiras, Metropolitana de Lisboa, etc. Faz parte do grupo de música medieval Vozes Alfonsinas e, também na área da música antiga, tem colaborado com músicos como Nuno Torka Miranda, Mika Suikhonen, Cristiano Holtz, Annemieke Cantor, etc. Actualmente trabalha no doutoramento em musicologia na Universidade Nova de Lisboa. Além da flauta de bisel, dedica-se também à flauta dos índios americanos e ao shakuhachi (flauta japonesa)

LUCíA VÁZQUEZ
Nasce en Vigo, onde realiza estudos básicos de piano e violoncelo. Muda-se para Salamanca para estudar canto profissionalmente. O seu interesse pela música antiga leva-a a iniciar estudos de viola da gamba e a realizar diversos cursos na Academia de Música Antiga com profesores como Itziar Atutxa, Vittorio Ghielmi (Viola da gamba), Richard Levitt, D. Mason, Pepe Hernandez y Lambert Climent (Canto). Participa como solista na ópera Dido e Eneias de Purcell no papel de Second Witch e Second Woman (Teatro Liceo de Salamanca, 2003-2004). Colabora também com a Choralakademie de Mainz (Requiem de Berlioz - 2004) e é convidada como solista pelo Coro de Salamanca La Stigia (obras de Tomás Luís de Victoria para voz e alaúde). Participa na homenagem a Gabriel y Galán “Delanti usté mesmo” organizada pela Casa de Las Conchas, cantando música tradicional. Como gambista, acompaña o Coro La Stigia no Festival de Música Antigua “Eloy Zapico” (Asturias). Actualmente estuda Canto no Conservatorio Superior de Música de Salamanca e termina estudos de Magisterio na Facultad de Educación de Ávila.

CAROLINA CASASECA DORADO
Inicia os seus estudos musicais em Béhar, sendo natural de Salamanca, e continua a sua formação no Conservatório Profissional de Música desta cidade, na especialidade de violino.
Entre 1994 e 2001 estuda com Manuel Villvendas, Jennifer Moreau e Patricio Gutierrez. Recebe numerosos cursos de formação pedagógica na Universidade de Alcalá de Henares (Sheila Nelson, Mimi Zweig…), Vitoria, Santander e Londres (Colourstrings)
Além do violino, dedica-se também aos instrumentos de corda medievais, nomeadamente o rabel.
Desde 1998 desenvolve a sua actividade de professora na Escuela de Música Gombau e desde 2002 na Escuela Municipal de Música e Danza, ambas na sua cidade natal.

PEDRO ALEJANDRO OSPINA SANDOVAL
Nasceu en Tuluá, Colômbia. Foi aluno de bandola e composição do compositor e intérprete colombiano Héctor Cedeño.
Fez estudos de guitarra na Universidad del Cauca, Colômbia. Como compositor, inspira-se na música tradicional do seu país.
Possui uma grande experiência como concertista, arranjador, compositor e fez parte de vários grupos musicais.
Ultimamente, tem-se dedicado ao estudo do alaúde magrebino, interessando-se particularmente pelo repertório medieval ibérico.

PEDRO GOMEZ
É natural de Valladolid e diplomou-se no Real Conservatorio Superior de Atocha.
Durante quatro anos estudou guitarra flamenca com Oscar Herrero.
Dedicou-se também ao estudo das percussões, tendo dedicado especial atenção ao cajón, à darbuka e a diversos tipos de pandeiros,
É professor da Escola Municipal de Música de León, onde ensina Guitarra clássica e flamenca e é o responsável pelo Ateliê de Percussão.
Apresenta-se regularmente em concertos quer como percussionista quer como guitarrista.

Nos comentários a este post sob o título “40 anos de Ensino Artístico Integrado” deparei-me com algumas correcções pertinentes ao que tinha escrito da parte de César Viana e de Paulo Bastos e uma dúvida da Isabel quanto ao custo do ensino artístico em regime articulado.
Lembro que um dos motivos que me levou a escrever sobre este assunto foi o facto de poder o Ministério da Educação apostar na divulgação desta modalidade para alargar a base de formação dos estudantes do ensino básico e complementar, cumprindo, com reduzidos custos, a sua intenção de aumentar as horas lectivas e de permanência nas escolas.
Agradeci as precisões do César Viana e do Paulo Bastos no que se refere à minha omissão do Curso de Dança da Escola de Música do Conservatório Nacional e da Escola de Música Calouste Gulbenkian de Braga, deixando a promessa de esclarecer a dúvida da Isabel que transcrevo:

«mas Carlos, o articulado aqui por Lisboa não é gratuito (tirando nas escolas públicas, conservatório e gregoriano).»

De facto, Isabel, assim é - o ensino artístico em regime articulado não é gratuito na esmagadora maioria das escolas privadas e cooperativas deste país (não só em Lisboa), por um lado e, por outro, o seu preço tem uma variação incompreensível, havendo casos em que é igual ao do regime supletivo.
Na altura deixei um link para a portaria que regulamenta o seu funcionamento que é omissa quanto a esta matéria, pois a GRATUITIDADE DO ENSINO ARTÍSTICO EM REGIME INTEGRADO E ARTICULADO encontra-se num despacho de 1998, assinado por Marçal Grilo, mais concretamente o Despacho n.º 9922/98 (2ª série), publicado na II SÉRIE do Diário da República de 12-6-1998, do qual, infelizmente não enocntrei acesso na net.
Perante esta impossibilidade transcreverei o que é relevante para o que estamos a falar:

«No âmbito do ensino artístico, recononhece-se que:

a) Existe uma diversidade de escolas particulares e cooperativas com envolvimento pedagógico e dinâmicas distintas que ministram o ensino artístico especialçizazado;
(…)
c) Devem ser garantidos aos alunos que frequentam este ensino em regime integrado ou articulado, as mesmas condições de frequência do ensino público.
(…)

1 - O apoio financeiro do Estado às entidades proprietárias dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo que ministram o ensino especializado de dança e de música é expresso sob forma de contratos de patrocínio a celebrar com essas entidades.
2 - Na celebração desses contratos de patrocínio as referências a considerar para cálculo do apoio financeiro a prestar são as seguintes:
a) Em relação aos alunos que frequetam os cursos em regime integrado e articulado, 100% dos custos de funcionamento;
(…)
3 - As escolas devem deduzir às anuidades dos alunos as importâncias correspondentes aos valores da comparticipação atribuída a cada curso e regime de matrícula.
(…)
»

nota: o texto realçado é de minha iniciativa.

Será que este Despacho deixa margem para alguma dúvida como sustentam muitas escolas, levando-as a cobrar o indevido, uma vez que o Estado financia-as a 100% para o efeito e exige que se deduzam aos alunos os valores comparticipados?
Julgo que não. Cobrar aos alunos do ensino artístico de música ou dança matriculados em regime articulado é ilegal e, apesar de deixar opinião mais avalisada para os tribunais, ilícita.
Se esses 100% de comparticipação que este Despacho enuncia são ou não suficientes, ou melhor, se correspondem, de facto, a 100%, isso é outra questão à qual os alunos e pais são alheios! Posso-vos dizer que não é suficiente nem real esses 100%, mas terão de ser as escolas particulares e cooperativas a entenderem-se com o Ministério da Educação e não resolver o problema através da oneração ilícita dos estudantes.
Em caso de dúvida ou desacordo, podem morder à vontade - é do debate que nasce o entendimento, ou não!

É exactamente por termos já em andamento esta modalidade de ensino que entendo que, se a intenção do Ministério da Educação é alargar a permanência dos alunos nas escolas, tem aqui uma solução pronta e muito menos onerosa do que estar a inventar quaisquer outras à pressa!