Out 112011
 

Premio Jovens Musicos 2011Saudamos os 25 anos do ‘Prémio Jovens Músicos 2001, promovido pela RTP e pela Antena 2, sob a direcção artística de Luís Tinoco, num ano em que todos os portugueses tiveram a oportunidade de assistir, em directo na RTP2, aos concertos finais dos laureados com a Orquestra Gulbenkian no Auditório principal desta Fundação. Um exemplo a seguir e a louvar.

No entanto, há-os sempre até na excelência, muito se estranha que um dos vencedores tenha tido a pouca sorte de ter o seu professor como membro do júri, no caso Pedro Burmester.
Perguntar-se-á, mas não pode ocorrer tal acaso? Não é prática vulgar estes ‘acasos’ acontecerem noutros concursos em Portugal e no estrangeiro? Infelizmente, sim, é prática vulgar na maioria dos concursos realizados em instituições vocacionadas para o ensino da música, cá e no estrangeiro. Mas acontece que a RTP e, mais ainda, a Antena 2 têm uma responsabilidade acrescida, que advém do facto de se tratarem de órgãos de comunicação do Estado, subsidiados pelo Serviço Público de Audiovisual que deveriam prestar.

Nesta conformidade, se não será estranho o professor não se recusar ser membro do júri nestas circunstâncias, estranho é entidades públicas não obrigarem à sua substituição via regulamento do concurso, no sentido de, através da transparência, evitarem que estes acasos, que prejudicam todos candidatos e premiados, em suspeita de sortilégios se transformem.

Mai 152009
 

No Dia Internacional dos Museus deste ano o IMC – Instituto dos Museus e da Conservação lança, mais uma vez, um tsunami de ‘aconteces’ de carácter lúdico e cultural durante três dias (o fim-de-semana mais a 2ª feira, dia em que se comemora), sendo com profunda indignação que senti ao ler as declarações do director do IMC de que ainda não será desta vez que será inventariado, catalogado, digitalizado e disponibilizado o riquíssimo acervo fonográfico constituído ao longo de décadas pelo Antena 2 da RTP, ex-RDP, ex-Emissora Nacional.
Mário Vieira de Carvalho tinha-se empenhado para esse efeito, mas ao que agora parece e transparece é que a prioridade deslocou-se…, para o turismo.
Há quantos anos ouço falar de investir no turismo em Portugal! Invistam no nosso património cultural, nas raízes da nossa identidade, senhores do Ministério da Cultura, na sua defesa, conservação e divulgação, que os turistas logo se acercarão.

Mai 152007
 

Sobre o Ritornello da Antena 2 escrevi que baste, entre 2002 e 2003, no fórum do antigo site da estação que, de um momento para o outro, entenderem apagar!
Sobre as decisões da RDP devo dizer que tenho nada contra João Almeida, mas terei, ai isso tenho, contra quem o contratou para director da Antena 2, o Rui Pêgo, e também tenho contra quem contratou este último para director da RDP!
Agora contra o João Almeida? O moço até dá ares assim a modos de buliçoso e muito voluntarioso!

Mar 092007
 

Guilhermina SuggiaNa próxima 2ª feira, 12 de Março, às 18:30h no foyer do Teatro Nacional de S. Carlos, a Associação Guilhermina Suggia, em boa hora formada por Virgílio Marques, e a Antena 2 promovem uma conferência acerca da vida e obra da grande violoncelista portuguesa (1885-1950).
Serão conferencistas Anita Mercier, professora da Julliard School, que escreve a biografia, Guilhermina Suggia:The Life of a Cellist a editar em 2008 e Isabel Millet, escritora e filha de Isabel Cerqueira Millet, aluna e testamentária de Guilhermina Suggia, que está a escrever uma trilogia sobre a insigne violoncelista.
Paulo Gaio Lima, vencedor do Prémio Suggia no Porto em 1979, aluno de Madalena Sá e Costa, assegurará uma participação musical ao vivo.
Um programa a não perder com entrada gratuita.

Out 242004
 

RTP - Radio televisao PortuguesaSempre que há merda lá p’r’os lados da RTP vem logo uma chusma de iluminados defender o Serviço Público enquanto outra chusma desmancha-os quando lhes pergunta mas o qué essa coisa de Serviço Público.
Foi assim com o Arons, foi assim quando o Sarmento quis encerrar a 2 e é assim agora quando o Sarmento diz que quer mandar uns bitaites na linha editorial e na programação, só que desta vez o administrador que ele nomeou e que afinal provou que é possível ser bom gestor em empresa pública, lavrou em comunicado que quem manda é ele e, depreende-se, que se assim não for ele dirá ora passem muito bem e lá terá o governo de nomear a excelência do Cardoso e Cunha!
Mas afinal o que é Serviço público? Já ensaiei tentativas de definição, mas fui agora traído pela rapidez e simplicidade do Alvino (link cortado por fim de blog) que, sob outro título ‘Cãossiliador’ (não lhe levem a mal o português qu’o home é maqueiro e às vezes troca os “c’s” pelos “ss”), ilumina sobre esta matéria. Faz sentido embora não tenha dito, assim alto, nem em tom de quem quer dizer coisas, oiça (antes de dizer coisas, bem entendido)!
Atão, Serviço Público é servir! Servir quem mais precisa, dando sem aguardar retorno financeiro, mas sim retorno em educação e cultura a médio e longo prazo.
E tudo isto, desculpem lá, em tom cãossiliador, pois então!

Mai 262004
 

Em Outubro do ano passado a Direcção da Antena 2 inaugurou uma nova “filosofia” de rádio cultural, tentando atingir uma audiência mais jovem. O Director dizia, aqui:

É intenção da actual Administração da RDP dar um passo, se possível maior, para que se juntem outros ouvintes, sobretudo jovens (…)

Este lema ” a moda dos jovens”, transfigurou por completo a Antena 2 que conhecíamos, composta por um auditório escasso, é certo, mas fiel, que assegurava que a estação apresentasse um ratio de tempo de audiência por ouvinte dos mais elevados, apresentando agora programas feitos por jovens sem qualquer qualificação radiofónica (parecendo mesmo um circo de mentecaptos, por exemplo o programa “Que Música é Esta”), a par de um abuso de música aleigeirada, “musichalls”, Jazz a toda e hora e de qualquer maneira, zarzuelas, enfim de tudo passa na Antena 2, sem critério que se vislumbre. Tudo parece valer. Quando sintonizamos a A2 ficamos durante muito tempo em dúvida se será mesmo aquela estação!

As críticas não se fizeram esperar, de todos os quadrantes políticos e ideológicos cuja única preocupação era a qualidade perdida e a ausência de uma estratégia que augurasse que o auditório iria rejuvenescer. De facto, os jovens não são desprovidos de inteligência e não é pelo aligeirar da oferta que os poderemos captar. Bem pelo contrário, os jovens são muito mais irreverentes na exigência de qualidade. Não se captam jovens para a música clássica oferecendo-lhes banalidades e mesclas de clássico com ligeiro, ou “americanices” da Broadway. Os jovens que poderão sintonizar a Antena 2 são precisamente aqueles que de alguma forma estão familiarizados com ela (via família ou via ensino vocacional) e que procuram qualidade e não abastardamentos.
É preciso dizer que, apesar desta evidência, a Antena 2 mantém programas de qualidade, mas não são já os que a definem ou orientam.
Os resultados?
Estão agora à vista no final do 1º trimestre:

1 – envelhecimento da audiência – 50,2% têm mais de 55 anos e 59,5% mais de 45 (ver aqui);
2 – perda de jovens ouvintes – dos 15 aos 24 anos apenas 6,9%, enquanto dos 15 aos 17, 0% (ver aqui);
3 – auditório elitista com fuga de estudantes: 71,7% são quadros médios e superiores, não activos e domésticos enquanto estudantes se quedam pelos 8,8% (ver aqui);
4 – regressão da penetração territorial – 71,4% da audiência é de Lisboa e do Porto, contrariamente à equidade da audiência da Antena 1 e da Antena 3, ou a do mapa regional geral de audiências (ver aqui e aqui).

Em conclusão, o que o estudo da Obercom demonstra é a negação de todos os objectivos a que a Direcção da Antena 2 se propôs com a agravante do pronunciado decréscimo da qualidade que esta estação habituou o seu auditório já desde os tempos da “Emissora Nacional” do Antigo Regime. Isto é tanto mais grave porquanto a Antena 2 é dominante no tempo médio de audiência, 3,01h, suplantada apenas pelo RCP e pela RFM, o que demonstra o seu potencial no mercado publicitário e eventuais parcerias (ver aqui).

Não é preciso esperar. Esperar para quê? O desastre está comprovado e a demissão é o caminho de quem não consegue cumprir os objectivos nem tão-só manter o que existia.
Não é o objectivo que está errado – incrementar um auditório mais jovem! Errado está em perpetuar uma direcção que não tem “know-how” para o fazer, pois não é através de reduções drásticas da qualidade e cedências ao facilitismo cultural da programação que se atinge os jovens! É antes saindo dos estúdios e ir ao encontro deles!

«Outra Classe de Rádio» é o “slogan” e têm razão na outra classe, não é classificável, está descaracterizada e o seu responsável deve dar o lugar a quem saiba manter e desenvolver um tão precioso e único serviço público – a Antena 2 – a não ser que pretenda (exemplos não faltam, infelizmente) ser o seu próprio carrasco numa política de terra queimada.

Out 292003
 

Infelizmente o Fórum da Antena 2 da RDP continua, apesar de visível, em estado de coma, não permitindo novos posts nem resposta aos que lá constam. Foi anunciada a sua reabertura pela própria Antena 2 para 1 de Outubro e, francamente, julgo em muito ultrapassado o prazo que o bom senso nos aconselha nestas situações. Assim, e por aquele espaço ter sido muito importante para o meio musical português, onde muito aprendi com as trocas de impressões, acaloradas muitas vezes, é com alguma tristeza, mas com sentido de dever que anuncio aqui, para quem não saiba, que existe um outro Fórum, que surgiu como alternativa ao encerramento do da Antena 2, onde os interessados poderão ver e participar no que vai sendo dito pelos melómanos da Música Clássica. Podem aceder através deste post ou nos links “confortos? mesmo aqui ao lado, onde tive o cuidado de inscrever.

Out 282003
 

Nem de propósito!
Ontem, por acaso, fiz uma referência ao Fórum da Antena 2 da RDP, dizendo que, infelizmente, não se encontrava activo, pois foi um dos locais onde li do melhor que se escreveu sobre música clássica, enfim, do pior também…, qual não é o meu espanto quando constato que ao fim da tarde já se podia aceder, embora sem permitir novos “posts?.
Bravo!
Haja esperança!

Out 072003
 

Ontem, no “Jardim da Música”? na Antena 2, Judite Lima arriscou convidando Miguel Graça Moura para uma entrevista sobre o caos que reina para os lados da AMEC, havendo já comentários no seu forum. Tal foi o desequilíbrio emocional do convidado que Judite Lima não conseguiu conduzir a entrevista como desejaria, deixando MGM libertar a pressão emocional que atravessa. De qualquer forma, ficou um bom registo do que pensa o promitente demissionário maestro sendo de salutar ouvir as opiniões dos fundadores desavindos, em especial a Câmara de Lisboa e os Ministérios de Cultura e Educação.
A verdade é que a AMEC tem hoje 4 escolas de música de reconhecido mérito, duas excelentes orquestras e um assinalável palmarés de concertos realizados. Para todos os efeitos, a MGM se deve a constituição desta ímpar obra no panorama cultural português não podendo ser sonegado ao maestro os bons e competentes serviços prestados a Lisboa e à sua área metropolitana.
Mas o que correu mal, afinal? O que deitou tudo a perder, a crer numa primeira auditoria às contas pedida pela Câmara de Lisboa, foi o facto desta ter revelado que MGM auferiria vários vencimentos e honorários e poderá ter abusado em sumptuosas despesas alheias ao exercício das suas funções. Quem teve acesso à auditoria sabe que será muito difícil a MGM justificar algumas dessas despesas bem como aquisições de bens que não se encontravam nas instalações da associação. No entanto, até ao momento, MGM não foi indiciado por qualquer crime, muito menos condenado.
Mas terá sido este o verdadeiro motivo da queda em desgraça do maestro? Não o foi para Maria Elisa porque seria para MGM?
A questão é pessoal, vem muito detrás. Pedro Santana Lopes nunca perdoou ao seu amigo de partido o enxovalho público a que este o votou aquando dos célebres concertos para violino de Chopin! Não fora esta necessidade de vendeta pessoal e julgo que a Câmara de Lisboa nunca teria pedido uma auditoria e, mesmo que tal ocorresse, as anomalias encontradas poderiam ter sido corrigidas em local próprio e não na praça pública. Só que o ódio pessoal foi mais forte…

A reboque de Pedro Santana Lopes o s Ministérios da Cultura e da Educação anunciam a sua pretensão de afastar o maestro das suas funções de gestão, confinando-o à estante o que este não aceitou, reclamando um contrato de fundadores válido até Dezembro de 2004. As entidades atrás referidas, saliente-se, responsáveis por mais de 80% do financiamento da AMEC, convocam uma reunião entre si para revogar os estatutos, tendo sido anulada por manifesta ilegalidade ao negar a presença da totalidade dos associados.
O passo seguinte foi anunciar a falta de confiança pessoal em MGM e a pretensão de constituir uma nova direcção afastando liminarmente MGM de todo e qualquer função na associação.
O braço de ferro entre os meninos desavindos arrastam para a lama da fácil mediatização , todos os bons serviços prestados, os músicos e professores, toda a instituição. De facto a comunicação entre os associados passa a ser feita através dos órgãos sociais.
MGM não soube (não é de agora, infelizmente) sair quando sentiu que os principais financiadores lhe retiraram a confiança pessoal e tenta passar para dentro da instituição o mal estar que ele próprio ajudou a erguer.
Mas, pergunta-se, se é pública a desavença entre os meninos que fizeram os Ministérios da Cultura e da Educação para combater esta luta de garnizés sem esboçar uma tentativa que fosse para ultrapassar a questão e salvar o essencial, a AMEC? Nada, rigorosamente nada. A tudo assistiram, em tudo colaboraram, sempre seguindo o actual Presidente da Câmara de Lisboa. Desde Agosto que aderiram à posição da Câmara em não entregar o subsídio a que estatutariamente estão obrigados, deixando músicos, professores e funcionários sem vencimento desde então. Pura chantagem, ilegalidade lactente, levadas a cabo por deveria pautar o seu comportamento pelos mais exigentes padrões éticos, o Ministério da Cultura e da Educação.
Que dizer dos principais partidos portugueses, o PSD e o PS? O silêncio, total alheamento, (desinteresse, medo?), nem uma palavra sobre o folhetim Santana / Graça. Uma irresponsabilidade total do governo e da oposição.
Chegam ao ponto de, através da comunicação social anunciarem a constituição de uma nova orquestra, deixando morrer todo o trabalho realizado e bem!
A situação agravou-se de tal forma nesta última semana que a chantagem acabou por surtir efeito junto das famílias que dependiam financeiramente da AMEC – os directores mais chegados apresentam pessoalmente a sua demissão a MGM na passada 6ª feira e os músicos, em conjunto, apelam ao maestro para este sair.
Todo este folhetim tinha um final anunciado, ficando para nossa vergonha o comportamento do Estado e da Câmara Municipal de Lisboa bem como do próprio auto-imposto maestro!
E, agora, que futuro para a AMEC? Dos nomes apresentados para a direcção que pretendem ver eleita nenhum dá garantias de competência à associação. Será que pretenderão contratar um maestro, um gestor com créditos firmados na coisa da cultura e um director pedagógico a preços principescos? Não sairá esta solução mais onerosa que a anterior, mesmo que comprovados os desvios detectados nas auditorias?
Convenhamos que este género de comportamentos não abonam a dignificação dos políticos nem dos agentes culturais, não são nada promissores para a preservação e aperfeiçoamento da AMEC, não adiantando para nada o Presidente da República pugnar pelo bom nome dos políticos quando eles próprios se alheiam do seu próprio bom nome a troco de vendetas pessoais.
Muito gostaria que a coisa cultural fosse mais tratada na globosfera, como o fazem o Crítico Musical, Textos de Contracapa ou Aviz. É que este meio é promissor quando queremos ver tratados assuntos que a comunicação social institucionalizada se esquiva.