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Arquivo da Categoria ‘Cultura’

Maria João Pires renuncia nacionalidade portuguesa – VERGONHA

Maria João Pires renunciou à nacionalidade portuguesa optando, unicamente, pela brasileira. Aparece um pouco por todo o lado que o motivo se prenderá com o tratamento indevido deste governo com o projecto Belgais, mas acontece que Maria João Pires (notas biográficas) acompanhou, muito de perto, toda a tramóia que foi o processo destruição do sistema de ensino artístico especializado em Portugal, iniciado com o Relatório Avaliação Ensino Artístico da responsabilidade do Professor Doutor Domingos Fernandes e que culminou na semana passada com a Portaria n.º 691/2009 que colocou um ponto final na qualidade, exigência e bons resultados do sistema de ensino especializado da música e da dança em Portugal.
Maria Joao PiresTenho vergonha…
Tenho vergonha deste país quando me lembro de como Vianna da Motta, Luís de Freitas Branco, Bernardo Moreira de Sá, Hélia Abranches Soveral, Maria Manuela Araújo e muitos outros foram tratados em Portugal, em nada diferente do tratamento dispensado a Maria João Pires e, muito recentemente, ao sistema de ensino especializado de música, que deles herdamos e obrigação tínhamos de preservar e desenvolver.
À bolina de conceitos que nada dizem, como ‘ensino elitista’, ‘ensino focado nos alunos’ e sei lá que mais, somos agora chegados à integração do sistema de ensino artístico especializado no ensino genérico, sem cuidar de conhecer e reconhecer as suas especificidades, num caldo que promove uma discriminação negativa (beneficia quem não trabalha nem quer aprender) e a exclusão do ensino público (ou do financiado, se preferirem) dos alunos que trabalham, querem avançar e que são capazes de o fazer!
Se o Professor Domingos Fernandes o iniciou o processo e aceitou presidir ao ‘Grupo de Trabalho para a Reestruturação do Ensino Artístico’ junto da ANQ, hoje, seja por manifestaram acordo, por se alhearem, seja por se terem remetido ao silêncio, são também responsáveis por esta hecatombe os conselhos directivos das escolas públicas de ensino artístico especializado bem como as direcções executivas das particulares e cooperativas que, em conjunto, formam o sistema de ensino artístico especializado em Portugal.

Parabéns aos senhores professores e doutores promotores da mediocridade!

adenda: o Ministério da Trabalho decretou o arresto dos bens de Belgais, nomeadamente os pianos, onde funciona o projecto de ensino artístico de Maria João Pires, hoje dirigido pela sua filha. (via Público)

Pina Bausch

Pina Bausch – Não estou interessada em como as pessoas se movem, mas o que as move.

Pina Bausch

Rui Horta (via DN)- Se hoje estamos com uma linguagem de dança emancipada, com um discurso de autor e uma teatralidade em perfeita unidade com o corpo devemos à Pina Bausch.

João Bénard da Costa

Joao Benard da Costa

Cinemateca Portuguesa

António Pinto Ribeiro – o José e a cultura de Miranda

José António Pinto Ribeiro, o actual Ministro da Cultura, brindou a cultura, a identidade, das gentes de Miranda do Douro, com especial elevação:

Tal como nas histórias do Astérix, onde “há uns loucos gauleses que viviam numa aldeia” e resistiam à invasão dos romanos cá “também há uns loucos portugueses que vivem em Miranda do Douro e falam outra língua”. (via Expresso)

Tão adequadas e tão cultas e tão distintas palavras foram proferidas na inauguração de dois museus de Arte Sacra em Trás-os-Montes, projecto que não recorreu a qualquer financiamento do Ministério da Cultura nem de qualquer outra instituição estatal.
António Pinto Ribeiro, o nosso José da Cultura, não foi parco ao agradecer às parcerias locais, nomeadamente às Câmaras Municipais, que ergueram o projecto:

A prova de que não precisam de apoio é que aqui estão feitas (via JN)

Entretanto, D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, dizia ontem sobre a ‘Crise Económica’:

A crise económica é, acima de tudo, uma crise ética, de valores, que reflecte uma grande injustiça social. (…). As crises da humanidade devem-se à falta de respeito pelos Direitos do Homem. É fundamental acreditar no Homem para haver Paz (via Correio da Manhã)

E assim vai o mundo… Uma crise económica? De ética e valores? De modos, sim, também, de modos de estar e de tratar os outros…

Dia Internacional dos Museus – acervo fonográfico

No Dia Internacional dos Museus deste ano o IMC – Instituto dos Museus e da Conservação lança, mais uma vez, um tsunami de ‘aconteces’ de carácter lúdico e cultural durante três dias (o fim-de-semana mais a 2ª feira, dia em que se comemora), sendo com profunda indignação que senti ao ler as declarações do director do IMC de que ainda não será desta vez que será inventariado, catalogado, digitalizado e disponibilizado o riquíssimo acervo fonográfico constituído ao longo de décadas pelo Antena 2 da RTP, ex-RDP, ex-Emissora Nacional.
Mário Vieira de Carvalho tinha-se empenhado para esse efeito, mas ao que agora parece e transparece é que a prioridade deslocou-se…, para o turismo.
Há quantos anos ouço falar de investir no turismo em Portugal! Invistam no nosso património cultural, nas raízes da nossa identidade, senhores do Ministério da Cultura, na sua defesa, conservação e divulgação, que os turistas logo se acercarão.

Guimarães – Capital Europeia da Cultura 2012

Guimarães foi hoje, com enorme satisfação pessoal, designada para Capital Europeia da Cultura em 2012, cidade classificada pela UNESCO ‘Património Cultural da Humanidade’ em 2006.

Castelo de Guimaraes

Proposta a candidatura pela ex-Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, António Magalhães, Presidente da Câmara da cidade, anunciou que o projecto se estenderá pelo Norte de Portugal e pela Galiza, ou seja, em colaboração com todos os parceiros da Associação inter-municipal Eixo Atlântico.
Parabéns, Vimaranenses!

Joaquim Figueira Mestre

Joaquim Figueira MestrePerdemos Joaquim Figueira Mestre, o mentor da Biblioteca de Beja, Biblioteca José Saramago, o paradigma de uma biblioteca municipal, e uma das raríssimas referências culturais da Beja.
Faleceu novo, mas deixou um legado de uma vida intensa ligada aos livros e à cultura.
Joaquim Figueira Mestre era também escritor, tendo obtido o ‘Prémio de Conto Manuel da Fonseca’ no passado ano com o ‘Breviário das Almas’.
Beja tem perdido quase tudo o que construiu e foi por responsabilidade dos seus responsáveis; perder, cedo, os que mais de si dão é um sortilégio que a todos nos acabrunha, também.

Jazz em Serpa – Conservatório Regional Baixo Alentejo

Jazz em Serpa - Conservatório Regional Baixo AlentejoO Conservatório Regional do Baixo Alentejo promove um curso de Jazz em Serpa orientado pelo António Branco.
À semelhança do que já acontece em Beja, António Branco promoverá um série de sessões englobadas num curso livre de iniciação à história do jazz, intitulado Jazz de A a Z – Uma Viagem à História do Jazz.
Este curso é composto por 8 sessões, que decorrerão entre 6 de Maio e 24 de Junho, às quartas-feiras, pelas 21h30, sendo as inscrições gratuitas.


Calendário:

1ª SESSÃO | 6 de Maio
“Da Pré-História do Jazz a Nova Orleães”

2ª SESSÃO | 13 de Maio
“Os Alvores do Jazz e os Loucos Anos 20”

3ª SESSÃO | 20 de Maio
“O Swing e o Apogeu das Big-Bands”

4ª SESSÃO | 27 de Maio
“A Revolução do Be-Bop”

5ª SESSÃO | 03 de Junho
“Novos Caminhos: o Cool, o Hard-Bop e a Third Stream”

6ª SESSÃO | 10 de Junho
“Os Anos 1960: o Free Jazz e o Jazz de Fusão”

7ª SESSÃO | 17 de Junho
“O que é o Jazz, Hoje? Breves Reflexões”

8ª SESSÃO | 24 de Junho
“Um Olhar sobre o Jazz em Portugal”

António Pinto Ribeiro – o José e o Acordo Ortográfico

José António Pinto Ribeiro, o nosso Ministro da Cultura, proclamou, ontem, em Belmonte, sem tibiezas nem rebuços que o acordo ortográfico entrará em vigor este ano porque

A língua “é mais forte que o sangue”. (via JN)

Note-se, que esta declaração surge, exactamente, no dia seguinte à da santificação do ex-D. Nuno Álvares Pereira, agora São Nuno de Santa Maria.
Notável, a frontalidade e o carácter e a perseverança… e a fé!

25 de Abril – comemorar a liberdade com música

Comemorar o 25 de Abril é, antes do mais, cantar a liberdade e o fim da guerra colonial, propondo-vos este ano que o façamos com música, destacando dois concertos que me parecem muito adequados para comemorar a data: ‘Música e Revolução’ de Maria de Medeiros e a Gustavo Dudamel a dirigir a ‘Orquestra Juvenil Simón Bolívar’ interpretando a ‘Sagração da Primavera’ de Stravisnky.

Maria de MedeirosMaria de Medeiros apresenta ‘Música e Revolução’ hoje, dia 24, na Sala Suggia pelas 21:00h, na Casa da Música, interpretando canções do ‘Maio de 68′, sob e direcção musical de Stephan Sanseverino, Pascal Salmon ao piano, Edmundo Carneiro na percussão e NN em Contrabaixo. A 2ª parte deste concerto poder-se-á escutar a Sinfonia, para oito vozes e orquestra de Berio interpretada pelo Orquestra Nacional do Porto e pelo ‘Neue Vocalsolisten Stuttgart’, dirigida por Michael Zilm.

Gustavo DudamelAmanhã, no Coliseu dos Recreios, às 21:00h, no âmbito do ‘Ciclo Grandes Orquestras Mundiais‘ promovido pela Gulbenkian, Gustavo Dudamel regressa a Portugal com a Orquestra Juvenil Simón Bolívar para apresentar a Sagração da Primavera de Stravinsky.
Nunca aqui escrevi sobre este, um jovem maestro, Gustavo Dudamel, hoje com 28 anos, director musical da Orquestra Sinfónica de Gotemburgo desde 2006, um produto do ‘El Sistema‘, um programa de educação musical para os mais pobres implantado na Venezuela por José António Abreu em 1975 sob o nome, então, de ‘Acción Social para la Música’, e que produziu já centenas de excelentes músicos profissionais que alimentam as excepcionais orquestras infantis e juvenis do país, retirando-os da miséria dos bairros em que viviam e do ‘destino’ que os acorrentava.
O ‘El Sistema’ de José António Abreu foi adoptado e acarinhado por Hugo Chávez, designando-se agora por ‘Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela’.

Para que servem a arte e o conhecimento em geral? – Valter Hugo Mãe

A Educação do meu Umbigo em livro

A Educacao do meu umbigo - Paulo GuinotePaulo Guinote, autor do A Educação do meu Umbigo apresentou em livro os textos do melhor blogue sobre educação de Portugal.
Saudamos a iniciativa pela conjugação da qualidade com seriedade das reflexões e investigações de Paulo Guinote constantes no seu blogue e aconselhamos a compra a professores e sobretudo decisores políticos sobre educação, seguindo as palavras do autor em sub-título: um livro que incomoda ministros e mobiliza professores.


Dia Mundial do Livro 2009 – Jean Baudrillard

Jean Baudrillard - A Sociedade de ConsumoNão serei a pessoa mais indicada para aconselhar leituras, mas gostaria, para este Dia Mundial do Livro que se avizinha, de lembrar Jean Baudrillard, nomeadamente o seu livro “A Sociedade de Consumo”, editado entre nós pelas Edições 70.
Baudrillard, faláva-nos do “triunfo dos simulacros” neste niilismo amoral que vivemos, onde perdendo a imagem os vínculos com a sociedade, tornou-se mais real do que o real.
O simulacro é hoje a figura fundamental da sociedade da comunicação e do espectáculo, refere António Guerreiro no Expresso de 10/03/2007.

Häendel e a democratização do Ensino da Música

Em momento de Páscoa cumprem-se os 250 anos da morte de Häendel coincidindo com a visita de José Sócrates ao Conservatório do Porto onde afirmou que o ensino da música precisa de um grande investimento. Ao longo dos últimos anos demos o nosso melhor para que o ensino da música se democratizasse, por assim dizer.
Pena que o Francisco José Viegas se tenha antecipado à ideia de um texto que tinha na cabeça para hoje. Pena? Pena, não, porque no seu artigo está lá praticamente tudo. Tudo o que de mal este governo tem feito ao ensino especializado de música.
Democratização do ensino!? Por assim dizer!? Que diacho de chavão se socorreram, este da “democratização”, para que, sob o seu manto, se tenha destruído o culto da memória, a formação das identidades pessoais e a qualidade das aprendizagens!
Sim, eu sei, eu sei que mais lá para o final do ano, mais perto das apoteoses eleitorais, nos virão dizer que o governo conseguiu, de um ano para o outro, aumentar de 17 mil e tal para 25 mil e tal (47% mais coisa menos coisa), o número de inscritos nas escolas de ensino especializado de música.
E é verdade. Não mentirão. Não mentirão porque não dirão que arrasaram com a exigência dos programas e planos de estudos, com os sistemas de avaliação próprios dessa aprendizagem e que, apesar de abrir as portas destas escolas a mais estudantes, destruíram a possibilidade de manter a qualidade das aprendizagens que as distinguia! Porque era um ensino ‘elitista’, diziam doutos agregados catedráticos que lavraram relatório profícuo que comprovava esse hediondo ‘anti-democrático elitismo’!
De parabéns está toda a gente que colaborou e ganhou a vidinha com este embuste (mais um na educação).
A perder ficaram poucos – apenas os que querem e poderiam aprender! Sempre os mesmos, aliás, quando se arremessa co os esbustes da ‘democratização’ e do ‘elitismo’ no que à educação diz respeito.
Mas era a propósito de Häendel…, pois, e porque ainda em Páscoa estamos, ‘Hallelujah’, da sua Oratória ‘The Messiah’, HWV 56 de 1741, sugerida pelo Francisco José Viegas, interpretado em concerto por alunos de liceus de França e Alemanha, em 2005.

Páscoa – imitar Cristo

A ler O Mártir Inocente texto de José Augusto Mourão que nos fala da paixão a e da imitação de Cristo. Deixo dois excertos para incentiva a leitura integral:

Não podemos branquear a Paixão. Não podemos branquear a morte e a Paixão do Justo com procissões e ritos que servem o turismo e não respeitam o Acontecimento que mudou a história. Não podemos fazer da morte do Justo um absoluto, ignorando as vítimas que todos os dias são humilhadas, destruídas, aqui e ali, por toda a parte. Ter-se-á transformado a Paixão num dispositivo espectacular, à imagem da cultura catódica de hoje, indiferente à compaixão, ou que se apropria de formas degradadas da compaixão, privadas de pudor religioso e carregadas de voyeurismo?
(…)
Imitar Cristo não é adoptar um aspecto. É repetir um processo ao mesmo tempo ungir o Cristo, como Maria Madalena e ser lacerado, crucificado. O “parecer” cristão é a procura do contacto, da indicialidade, do testemunho carnal, do martírio. Não procureis outra Paixão nem outra santa Face.

Clarice Lispector na Casa Fernando Pessoa

Clarice Lispector - Casa Fernando PessoaEntre hoje e amanhã a Casa Fernando Pessoa abre-se à descoberta e divulgação de Clarice Lispector através de várias iniciativas: conferências, debates, leituras, uma peça de teatro, visionamento de filmes, a apresentação da fotobiografia de Clarice, e uma exposição/instalação dedicada à autora de Perto do Coração Selvagem.
Sob a designação de ‘Colóquio Clarice Lispector’ serão intervenientes nesta iniciativa de entrada gratuita (ver programa): Nádia Battella Gotlib, Carlos Mendes de Sousa, Clara Rowland, Francisco José Viegas, Maria Antónia Fiadeiro, Ana Paula Tavares, Patrícia Lino, Inês Pedrosa, Cristina Elias, Vasco Durão, Lauro Moreira e Lauro António.

Braga Virtual – passear pelo esplendor de Braga

Palacio da Raio - Braga VirtualAntónio Correia, com a ajuda técnica de José Pedro Correia, colocou online o Braga Virtual, com fotografias e textos seus, um sítio que pretende apresentar Braga ao mundo e ‘passear’ pelo seu esplendor patrimonial e paisagístico ao longo da sua multi-milenar história.
Segundo António Correia

Pretendeu-se fazer uma apresentação diferente de uma cidade, um passeio geográfico e o que se pode encontrar ao longo desse passeio. Por esta razão fez-se um interface com a Google Earth. Vão ser desenvolvidos alguns temas: Património em destaque, documentos históricos sobre Braga, Visitas virtuais 3D, Miradouros, Bracarenses ilustres, Itinerários e rotas, etc. A Apresentação obedece à mesma lógica: o que encontro de interesse ao “passear” nas ruas, ou onde está um determinado objecto patrimonial.

Petição – responsabilizar pais pela educação dos filhos

Em boa hora Luís Braga, presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Darque lançou a petição ‘Pela responsabilização efectiva das famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar‘.
De cruz, claro, a minha assinatura, para mais quando esta é a primeira das condições que enunciei para que se possa fazer algo na escola pela educação.

Ponte das Barcas – massacre há 200 anos

Alminhas da Ponte das Barcas - Teixeira LopesMilhares de pessoas do Porto perderam a vida ao tentar fugir para a margem de Gaia, mesmo sabendo que a Ponte das Barcas havia sido sabotada para impedir a travessia das tropas de Napoleão, comandadas por Soult, durante a 2.ª invasão francesa.
À força da baioneta os habitantes são empurrados para a morte, depois da família real e sua corte terem deixado o povo entregue ao seu destino ao fugirem para o Brasil.

ps: ver Linhas de Torres Vedras donde retirei a imagem que deixo das “Alminhas da Ponte”, escultura de Teixeira Lopes aposta na Ribeira do Porto, evocativa do massacre.

Dia Mundial do Teatro 2009 – reflexões

Comemora-se hoje mais uma Dia Mundial do Teatro com poucas, muito poucas razões para festejos. Não tenho memória de um momento tão constrangedor para a cultura em Portugal. Nem no tempo de Salazar! Inconveniente, não é, mas é isso que sinto mesmo sem vestígios de saudade desses tempos.
A SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, através dos laureados este ano, Filomena Oliveira e Miguel Real, colocam o dedo bem funda na chaga:

Hoje, encontrar um político culto, que encare a arte como uma respiração vital da sociedade, é uma raridade. A sociedade actual, na qual escrevemos, representamos e encenamos, arrancou a alma ao homem, desespiritualizou-o, fez do homem um consumidor eufórico, asfixiado em objectos que o não deixam respirar. (ver notícia)

Ressalvo o consumidor das suas palavras só porque me parece de que nem já para isso, de futuro, socialmente seremos relevantes. Excedentários, talvez, nas palavras de Viviane Forrester.
Falam de uma luta, ainda, uma luta que há uns 30 anos julgaríamos tratar-se de um anacronismo:
A luta do teatro, hoje, “é contra a mediocrização geral da sociedade e a violência dos quadros legais que servem os interesses do Estado em nítido desprezo pelo sector cultural”.
Não muitos dias o Diário de Notícias publicava uma proposta apresentada no início deste ano do actual embaixador da UNESCO Manuel Maria Carrilho para Portugal, onde denuncia:

(…) a atonia e a desorientação que têm marcado áreas tão vitais como as do livro e da leitura, do cinema e do audiovisual, em que não se vislumbram, ao nível da tutela do sector, quaisquer opções, orientações ou políticas. A política cultural tornou-se assim cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível (…).

Francisco José Viegas, entre outros dá notícia do texto de Carrilho, mas vai mais além da proposta óbvia de Carrilho, ao equacionar, muito a propósito, que papel deve assumir o Estado numa educação para a cultura, ou como tenho insistido, um Educação em Cultura e na valorização dos projectos de itinerância transversais às diversas manifestações artísticas.
Francisco José Viegas afirma, e subscrevo eu, que o texto de Carrilho é corajoso. Corajoso, sim, mas óbvio, permitam-me. É que Carrilho, apesar do diagnóstico certeiro, apela a mais do mesmo, do mesmo que outrora como ministro fez, parecendo esquecer que a UNESCO, da qual é embaixador de Portugal, parece ter desaparecido ou, pelo menos, acoitada em serviços mínimos e duvidosos!

A interrogação que hoje nos assoma será para que servirá o Estado despender largos recursos a apoiar a criação e a disponibilizar manifestações culturais de qualidade se abandonou o ensino da música, do teatro, da dança, das artes plásticas, ao retirar-lhes a possibilidade de poderem prosseguir com uma educação artística que prepare para procurar e compreender a qualidade artística?
A continuação da separação estanque entre a política cultural e a educativa é um erro crasso nestes novos tempos, uma vez que as elites de outrora, as que procuravam e frequentavam e incentivavam as manifestações artísticas recebiam uma educação precoce em casa, fosse por imitação dos pais, fosse por dedicação dos mesmos ao cultivo do espírito. Hoje esses tempos estão passados e não se antevê qualquer possibilidade de regresso, bem pelo contrário – os pais já não têm o cabedal de instrução necessário, não têm tempo para dedicar incentivar os filhos e as novas tecnologias, mormente a televisão, primeiro, e a net, hoje, são os principais canais de transmissão de valores assimilados pelas crianças e adolescentes.

A conjunção destes factores coloca-nos diante de uma realidade completamente nova que o Estado deve saber que quer, se pode e de que forma intervir, colocando, desde logo outra questão: será viável tecer uma política cultural e educativa sem associar uma política para o audiovisual? Será que, neste quadro, alguém em seu sano juízo advogará que um serviço público de audiovisual se bastará com fazer telenovelas portuguesas e com o despejar, de qualquer forma e a qualquer hora e a todas as horas, notícias e comentadores de notícias? Isso é que é serviço público de audiovisual?
Meus senhores, sem me deter sobre telenovelas, através da internet notícias temos hoje na hora e os comentadores escolhemo-los nós! Para quê pagar um serviço público de notícias que já conhecemos e comentadas sempre pelas mesmas pessoas que nem serão as que mais interessarão a cada um dos telespectadores?
Será que um serviço público de audiovisual não poderia passar por encomendar e (tele) difundir conteúdos culturalmente adequados aos currículos escolares, tanto no que concerne às artes como às demais expressões culturais, como a literatura e a história? Não será que esta seria uma medida para remunerar o trabalho de artistas, gente das letras e da cultura em geral, em vez de fomentar um a política que promova a subsídio-dependência?

Voltando um pouco atrás, quais as contribuições da UNESCO para responder a estas novas realidades, ou seja, ao advento da ’sociedade digital’? Em poucas palavras, o silêncio. Absoluto. Ignora. Continua a tratar a cultura ou como algo só revelado a uma elite bem-pensante ou, em jeitos de insanas manhas ‘democraticamente’ travestidas advogar o financiamento de toda a porcaria que se lhes apresente com a designação de ‘educação artística’! Educação Artística com pedagogia adequada para crianças burrinhas! Existem pedagogias específicas para despertar e sensibilizar as crianças para artes e para a formação de identidades cultas? Claro que sim. Mas depois desse despertar exigem-se escolas que facultem um ensino de qualidade, exigentes no ensino e na avaliação, para formar pessoas e não ‘burrinhos’!

Este embuste cultural e educativo partiu também da UNESCO e chegou a toda a Europa, com mais ou menos força, mas não se pense que o facilitismo educativo e cultural não está a assolar o conjunto da União Europeia, impedindo as novas e futuras gerações de fruir manifestações culturais de qualidade.

O Estado tem hoje, se pretender intervir na cultura, de equacionar transversalmente uma política de gestão cultural que englobe acções concertadas entre tutelas ainda estanques e inconsequentes no que à formação cultural diz respeito.

À boleia do Dia Mundial do Teatro vai este texto já muito longo, mas permitam-me a vaidade de me parafrasear do que já em 2006 defendia em ‘Perspectivas para uma nova Escola‘:

Sem esquecer a essência da escola – ensinar – o que está hoje em causa, em especial nos primeiros anos de escolaridade, diria até aos 16 anos, é dotar as crianças e adolescentes de uma vivência multidisciplinar integrada o mais abrangente possível, onde o habitat digital seja natural, permitindo-lhes adquirir uma consciência crítica que propicie a construção de identidades, com fundamentos éticos e morais, capazes de participar e interagir criativamente na construção deste novo mundo – a passividade na sociedade digital conduz, inevitavelmente, a fracturas na coesão social.
Neste contexto, as soluções não poderão continuar a ser um exclusivo do Ministério da Educação! A questão é educativa, é certo, mas antes do mais, é cultural, de gestão cultural, mais precisamente (política cultural se se preferir), onde a interdisciplinaridade será obrigatória, envolvendo, profissionais de educação, sim, mas sociólogos, antropólogos, psicólogos, artistas, especialistas de audiovisual e media digital e, necessariamente, de gestores capazes de traçar objectivos precisos e objectivamente quantificáveis e avaliáveis.

Weisman e cara vermelha - teatro da RainhaPara hoje, sim, porque tudo começou com teatro, sugeria uma ida ao Carlos Alberto para ver uma produção do ‘Teatro da Rainha‘ a apresentar Weisman e Cara Vermelha de George Tabori.

Ficha Técnica:

tradução: Carlos Borges

encenação: Fernando Mora Ramos

interpretação: Bárbara Andrez, Carlos Borges, Fernando Mora Ramos, José Carlos Faria/Octávio Teixeira

cenografia e figurinos: José Carlos Faria

música: Carlos Alberto Augusto

desenho de luz: António Anunciação, Fernando Mora Ramos

Desvirtuar a Arte – um processo sem regresso?

A Alice Valente deslumbra com mais uma das suas reflexões sobre a arte, no ALI_SE, desta vez sob o interesse e o processo, socialmente transversal e poderoso, de desvirtuar a arte, no seu texto Os Apossados da Arte a transformá-la em não-arte.
Partindo da constatação do processo de desvirtuar a arte (…) tal como o que diz respeito ao que é político e económico, já todo um público ou sociedade em geral, se habituou ou se tornou de certa forma, condescendente e compreensivo para o que se está a fazer com a arte e as artes, no serem dia após dia, completamente desvirtuadas ou transformadas em não-arte, a Alice Valente interroga-se para que servirá, então ensinar arte, escolas especializadas de ensino artístico e até faculdades para o efeito se tudo, afinal, nas cabecinhas pensadoras e dominantes do pensamento, a instituição de “obra de arte” está sujeita à moda e ao escrutínio de maioria. Chega mesmo a denunciar que existe uma animosidade categórica da arte para quem a desvirtua, a fazer arte dando-lhe uma dinâmica de não-arte.
Prossegue, denunciando também, a quem interessa este desvirtuar da arte ao afirmar e permitam tão largo excerto:

As novas e já tão generalizáveis e interessantes profissões que por aí reinam: arte-terapia, musico-terapia, cinema-terapia, pintura-terapia, drama-terapia, dança-terapia e por aí fora e depois também sei lá que tal: poesia-terapia e porque não também: escrita-terapia, enfim… e mais terapêuticas invencionices virão… de se ensinar arte através de uma qualquer curativa ou estimulante auto-ajuda (…)

Não conclui a Alice Valente sem ensaiar qual o resultado deste aviltante processo de desvirtuar a arte:

(…) no futuro, seremos todos doentes e aprendizes a precisar de uma qualquer obrigatória terapia muito bem roubada às artes, mas note-se bem: já sem artes e sem artistas.

Acrescentaria eu, já só com conferencistas, comentadores de arte e cientistas de educação de artes que arte não criam.
É evidente que não poderá haver arte sem artistas nem ensino artístico sem os mesmos, sem sentir a arte sem a viver, para sentir e compreender e tudo isto nos leva ao tema que nos é caro e que ambos abordamos ad nauseum sobre a destruição do ensino artístico, que está a ocorrer por toda a Europa, mormente em Portugal, onde o poder, através do Ministério da Educação, com a complacência do Ministério da Cultura, está a promover o desaparecimento dos últimos baluartes de ensino artístico especializado, os chamados Conservatórios de Música e de Dança, os quais obrigou a desistir da exigência que sempre os pautou, a avaliação rigorosa que sempre os distinguiu da vergonha dos sistemas de avaliação do ensino genérico.
O ensino artístico especializado, aquele que pode forma artistas e pessoas que pretendam ter acesso a uma educação que lhes permita fruir compreensivamente da arte, nomeadamente da música, está moribundo, em processo último de destruição, ou melhor, despachado por Valter Lemos no Despacho n.º 18041/2008 e, se calhar, em processo de falência a muito breve prazo.
A Alice Valente conclui, muito certeiramente, sobre o futuro (eu diria já o presente) da arte e seu ensino:

(…) o que pretenderá vir a ser ensinado pelos seus apossadores ou nos que nada sabem da prática do que são as artes e do que é Artístico mas porque cursados de um nome para esse mesmo fim, a tornarem-se como tal os eleitos para um ensino de artes a fingir e do faz-de-conta.
É que estas vias enviesadas de se usar a Arte é afinal ficarmo-nos só pelo que é a sensibilização sem vivenciar ou praticar, é isso que se pretende? Parece-me que sim!

Este texto da Alice Valente é para mim um dos melhores, se não o melhor, texto sobre os camuflados intentos do poder em relação às artes e seu ensino que me lembro de encontrar na blogosfera e fora dela. Trata-se de um texto de referência para quem sobre o assunto pretenda, seriamente, reflectir, até porque, como entre nós não há novidades que não sejam as importadas ou obrigadas pela União Europeia ou OCDE, a discussão está neste momento, dividida entre os que apelam a uma “Educação pela Arte” contrapondo-se àqueles que defendem a tradição de uma “Educação para a Arte“, defendendo os primeiros que esta última é elitista (o chavão de sempre e que serviu e serve para promover o facilitismo na educação) e que, a existir, só faz sentido para quem quiser ser artista, como se os dois conceitos de ensino não possam ser paralelos e de livre acesso!
Ora “artistas” vejo-os por todo o lado, comodamente assentados no poder, seja político, económico ou académico, ou todos juntos em intrincados interesses, insinuando, sem pudor, a falácia de que é possível propiciar e promover o desenvolvimento criativo da arte sem uma educação exigente, seja para se ser artista de qualquer arte, seja para aceder à sua compreensão e fruição.

Compositores Portugueses – catálogo na web

10, Fevereiro, 2009 Carlos Araújo Alves 2 comentários

Há um novo sítio na web – ATRIO: Compositores Portugueses – dedicado a catalogar todas as obras de compositores portugueses de música erudita de tradição europeia que pretende colocar online todas as gravações (áudio e vídeo) que encontrar, i.e., dar vida a este património musical.

Atrio - compositores Portugueses - patrimonio Musical


O projecto é arrojado e ambicioso mas, vendo o que já lá está em tão pouco tempo (obras desde os séculos XIII/XIV ao Século XXI), faz-nos acreditar que se trata da constituição de um acervo na web que abrirá a música criada por portugueses ao mundo.
Parabéns ao promotor da ideia, Edward Gonçalves Pinto e a todos os que nela colaboram, Isabel Bogalho, Tiago Gomes da Costa e Sunni Homeschandra Jagmohandas, endereçando votos de que consigam por esta via o que o Estado nunca conseguiu, exactamente porque nunca nada fez – divulgar a obra dos compositores portugueses de música erudita de tradição europeia.

Colecção Berardo financia Bancos?

José António Pinto Ribeiro acaba de anunciar na Assembleia da República que o Museu Colecção Berardo verá reduzido, este ano, o financiamento do Ministério da Cultura de 6.3000.000,00€ para 6 milhões, invocando que o museu deve apostar numa autonomia crescente e em parceria.
Não me deterei em escalpelizar se o Ministério da Cultura deve ou não financiar com 6 milhões de euros aquele museu, mas lembro, porque a gente até nem liga e é muito, mas muito distraída, que Joe Berardo entregou a 75% da colecção como garantia à CGD, ao BCP e ao BES para se salvar da falência (ver atrás).
Ora, mesmo não sendo de contas, dá-me ideia que, por esta via, a CGD, o BCP e o BES serão contemplados, este ano, com um financiamento extra do Estado – a módica quantia de 4.500.000,00€.
Se as contas estiverem mal corrijam, por favor, que eu até nem sou de contas…

Avaliação externa às Escolas pela ANQ?

Valter LemosO Sr. Secretário de Estado Valter Lemos anunciou hoje que em Fevereiro será lançado pela Agência Nacional para a Qualificação o programa de avaliação externa das escolas e cursos profissionais.
Agora? Avaliar as escolas? Não deveria ter sido bem antes de mudar a avaliação dos alunos? Antes do Estatuto da Carreira Docente? Não deveria ter sido antes de mudar o método de avaliação dos professores? Antes da mudança da autonomia e dos órgãos de gestão da escola? Não quererá isto dizer que tudo quanto fizeram até ao momento foi sem conhecimento de causa?
Agencia Nacional para a QualificaçaoAvaliação pela Agência Nacional para a Qualificação? Quem são e o que sabem sobre educação, ensino e gestão escolar e, já agora, gestão Cultural?
Quando terminarão os dislates desta equipa do Ministério da Educação?

Museu do Relógio – PORTO II em edição limitada

MUseu do Relogio - PORTO IIO Museu do Relógio apresenta o PORTO II, relógio de edição limitada a 100 unidades.

Preço: 350;00€;

Edição Numerada;

Mecânico – Corda Manual;

Caixa em Plaqué de Ouro Rosa;

Caixa Canelada 41mm;

Vidros de Safira;

Máquina à Vista.

António Pinto Ribeiro – o José sempre a inovar

Jose Antonio Pinto RibeiroJosé António Pinto Ribeiro, o nosso Ministro da Cultura, fala pouco, diz menos, mas quando ousa a gente até sente que a coisa virá do espaço sideral de tão extraordinária e inovadora!
A 7 de Janeiro, resolveu finalmente assistir ao Mercador de Veneza no Teatro Nacional de São João e aproveita para anunciar que ópera, no Porto, nem pensar em continuar a ser no Coliseu – O Estado financia a Casa da Música em 11.250 mil euros por ano e portanto é necessário que ela consiga realizar integralmente aquilo que é o seu propósito. (via Jornal de Notícias).
Realizar o propósito da Casa da Música deverá ser colocar ópera em salas sem teia nem fosso de orquestra, paradigma de inovação e, muito certamente, aglutinadora de enormes aparatos tecnológicos que nos colocarão, seguramente, muito à frente dos outros países da União Europeia, que ainda tão elementar ideia se não lhes aflorou.
INOV-ARTDeverá ser para cumprir este peregrino salto ‘tecno-inovadoracionista’ que a DGArtes apresenta o INOV-ART, programa inserido no Plano Tecnológico do governo, que se propõe proporcionar uma oportunidade de inserção profissional a jovens com qualificações ou aptidões específicas nas áreas das artes e da cultura em instituições internacionais de referência ligadas ao sector, visando abranger, anualmente, até 200 jovens, chamando eu a atenção para o facto de contemplar áreas como Cruzamentos artísticos, Gestão de Áreas Artísticas, Indústrias Criativas e Marketing e Serviços Educativos e Actividades Artísticas em Meio Educativo.
Esta tão ilustre iniciativa ocorre num país onde existem dezenas de compositores no activo, jovens e maduros com mais de 35 anos, que se vêm à nora para estrear as suas obras e, se o conseguem, nunca mais são executadas uma segunda vez e muito menos gravadas, para conhecimento nosso e para promover processos de internacionalização da nossa cultura. Mas parece não interessar (ou saber) o ministro de tais minudências e, portanto, bora lá a incentivar a inovação dos jovens enquanto o excelente trabalho produzido, embora desconhecido, que vá às malvas
A anterior Ministra foi embora depois de levar com uma petição que angariou mais de 3.000 subscrições, entre artistas de renome e críticos e comentaristas, a exigir a sua demissão, enquanto António Pinto Ribeiro, o José, parece não encontrar qualquer animosidade entre os ditos e referidos.
Talvez seja normal, mas eu, cá para mim, deverá ser mesmo pelo facto de o pouco que diz e faz parecer vir do espaço sideral, i. e., recorrendo à Wikipédia, a porção vazia do universo, onde predomina o vácuo!

AMIArte – Arte contra a Indiferença

Não tem muito tempo a galeria de exposições da AMIArte no Porto, na Rua da Lomba, entre a Igreja do Bonfim e Campanhã, mas a actividade tem tido alguma regularidade e uma qualidade muito acima da expectativa inicial.
Não é demais relembrar a relevância da acção social da AMI junto dos mais desfavorecidos, nomeadamente através dos seus “abrigos nocturnos”, dos “centros Porta Amiga ou do “apoio domiciliário”, instituição que acaba de completar 24 anos de actividade no ‘Dia Internacional do Voluntariado’ – 5 de Dezembro.
Mas é da AMIArte que vos deixo um vídeo, Arte contra a Indiferença, sobre a galeria do Porto que inicia com uma reportagem sobre a exposição CORPOtraçoCORPO da Alice Valente, onde vislumbramos Dina Resende ao piano, que interpretou algumas das peças dos “Cahiers d’Images” de Debussy (ver programa), a convite da própria Alice Valente.

Gulbenkian – encerramento da Colóquio/Letras

23, Novembro, 2008 Carlos Araújo Alves 1 comentário

Coloquio/LetrasVia Alice Valente tomo conhecimento que a Gulbenkian, através do seu administrador Marçal Grilo, encerra a Colóquio/Letras.
Deixo aqui o texto que enviei a Joana Morais Varela, onde me associo a quem se manifesta contra esta perda.

É com profundo desânimo que vejo desaparecer mais um dos estandartes do legado da Gulbenkian. Foi o serviço de música tal como Madalena Perdigão o concebeu e deixou e a ele ficaram devedores quase todos os músicos portugueses (lembrar a fabulosa programação deste último ano de Pereira Leal); foi o Ballet Gulbenkian, a marca mais valiosa da instituição além-fronteiras; agora a Colóquio/letras.
A Fundação Gulbenkian está sendo ocupada, preenchida e usada para promover ‘prestamistas’ de entretenimento e entretida educação, esvaziando os serviços e acções que a erigiram mundo afora, os quais privilegiavam a qualidade de quem sabe…, fazer, criar e pensar.

Avaliação de Professores – uma experiência positiva

Auto do Fidalgo Apreniz de D Francisco Manuel de MeloUm comentário atrás da Nilza sobre avaliação de professores, uma boa amiga de longa data, conseguiu despertar-me para a sensação de que alguns dos que ainda se dão à pachorra de ler o que para aqui extravaso poderão pensar que sou contra a avaliação de desempenho. Quem assim entende creia que não é essa a minha opinião, aliás, anteriormente e bastas vezes manifestada (ver aqui ou aqui, por exemplo). Considero a auto-avaliação e a avaliação por outrem instrumentos indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer profissão, pelo facto de permitir reflectir sobre o que se fez para interrogar e testar estratégias que permitam melhorar o desempenho de cada qual.
Não vejo que a profissão de professor encerro alguma particularidade que desvirtue esse princípio, bem pelo contrário, mas sei, estou certo, que também como em qualquer outra actividade o desempenho se avalia através da produtividade que, no caso do professor é a aprendizagem dos alunos.
Sendo a aprendizagem dos alunos o objectivo primo do professor, é através da particular inter-relação entre cada aluno e cada professor que tudo pode ser ser melhorado ou não.
É exactamente por este facto que considero o actual modelo de avaliação imposto uma autêntica aberração burocrática, muito embora como não consiga entender que a reivindicação dos professores tenha incidido na negação de qualquer sistema de avaliação e não na exigência, junto do Ministério da Educação, na implementação de um sistema de avaliação centrado na aprendizagem dos seus alunos, sem outros quesitos laterais e colaterais que em nada interferem no foco da sua profissão – fazer com que os alunos aprendem e gostem de aprender.
Por isso, trago para aqui um excerto do comentário da Nilza pela pertinência que revela em relação a aspectos positivos de uma correcta avaliação de professores.

(…) reajo, tentando mostrar um outro lado da questão do estado actual da educação, da escola, dos professores… Esta reacção não é carregada de teoria mas apenas pretende compartilhar convosco um episódio recentemente vivido a propósito de avaliação dos professores.
Um dia destes fui visitada por uma amiga professora do ensino básico e a conversa foi inevitavelmente para o “tempo que se está a perder com o processo de avaliação … as energias que isso tira para o efectivo trabalho docente com os alunos…Deixei-a desabafar e depois pedi-lhe que me falasse de tarefas concretas que têm que fazer nesse processo e aí, confesso, que a conversa me interessou bem mais… e então, começou a falar das ditas “matrizes” que agora têm que fazer sempre que dão um teste de avaliação…e foi confessando que afinal 1º fizeram (a minha amiga e os colegas que leccionam a mesma disciplina na escola) o teste e só depois a matriz… e que SÓ AÍ se aperceberam que o teste nem tinha sido muito bem construído…que havia questões que tinham sido colocadas e que didacticamente não tinham feio muito sentido e que ao discutirem as resposta esperada dos alunos até se aperceberam que eventualmente havia um conteúdo científico que não estava a ser completamente bem dado … ao discutirmos isto fomos então falando DOS alunos que fizeram o teste, dos conteúdo leccionados a ESSES alunos, das dificuldades de aprendizagem DESSES alunos e das suas eventuais causas…
As matrizes associadas aos testes não são assunto novo (lembro-me de já ter aprendido isso nos anos 70 quando na Faculdade tirava o meu curso para ser professora de Física) mas se agora os professores se sentem “obrigados” a fazer e se isso os leva a pensar mais nos seus alunos… bem-haja o processo de avaliação dos professores!!!
Sei que não se pode generalizar a partir de um caso…mas se se criticam tanto as estatísticas (estou a ser um pouco irónica!!!) porque não partilhar convosco este caso.
Um abraço para todos,
Nilza

Estatuto Social da Escola – danos incomensuráveis

Maria de Lurdes RodriguesO Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitiu-se em bloco, «saturado» com vários casos de violência no estabelecimento de ensino, como agressões entre alunos e a funcionários, professores e pais. (via Diário Digital)
Seria absoluta demagogia atribuir ao Ministério da Educação ou mesmo à pauperização da nossa sociedade culpa directa no aumento da violência escolar. No entanto, Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, os danos que causou ao estatuto social dos professores e da escola na comunidade em que se inserem, os quais têm incentivado a consubstanciação de actos de violência de pais que pela escola nunca se interessaram, demorarão muitos anos, senão décadas, a serem reparados.
Pode a Sra. Ministra da Educação mostrar as estatísticas que melhor entender sobre educação, professores avaliadores e avaliados, titulares ou não titulados, mas o que não encontrará é dados estatísticos que demonstrem que a escola consegue hoje, melhor do que antes da sua governação, ensinar os nossos miúdos, o vulgo e a serem Homens.
Os nossos filhos estão lá presos até às 17:30h em actividades de educação de treta, os professores gastam 2/3 do seu tempo a avaliar e a serem avaliados, mas tempo, forças e motivação para ensinar não creio que sobeje…
Mas também em poderá importar isto à Senhora e sua equipa? Nada, rigorosamente nada, não é passível de tratamento estatístico que interesse ao poder. Nem ao nosso nem ao da União Europeia, para o qual, afinal, todos parecem obcecados em demonstrar que são os melhores a produzir o descalabro educativo que pretendem – o das competências ou o das literacias, para o caso tanto faz.

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