Anunciada a interrupção da edição durante o mês de Agosto para remodelação, comprarei hoje aquele que sinto ser o último número de “O Primeiro de Janeiro”, o jornal lá de casa, a de meus pais, aquele que, desde que de mim memória tenho, sempre era colocado na soleira da porta pelo jornaleiro, antes da leiteira e depois da padeira.
Nada é eterno, mas nada morre enquanto a nossa memória vida der. A morte não está ligada apenas ao desaparecimento fÃsico, mas ao apagamento da memória individual e colectiva. Assim é para mim, com as pessoas e com as coisas, sem necessidade de me socorrer de qualquer aculturação religiosa. Tudo está vivo desde que os vivos guardem memória, ou seja, atribuam relevante significância para a sua existência.
O Primeiro de Janeiro está ligado, sem dúvida alguma, à história da cidade do Porto, sendo importante, independentemente do que vier a acontecer, que as entidades competentes zelem pela conservação do seu acervo.
Arquivo de ‘Cultura’
A Companhia do Chapitô festeja hoje o seu 12.º aniversário comemorando a data com (via Anacruses) uma “versão especial” do seu espectáculo mais internacional - “O Grande Criador”, no Teatro da Trindade, à s 22:00 horas, com José Carlos Garcia, Jorge Cruz e Rui Rebelo.
Parabéns por mais um ano de sucesso de bilheteira sem ceder na qualidade das produções nem no facilitismo da ‘cultura light’.
Sobre o Acordo Ortográfico, Isabel Pires de Lima afirma que
(…) se imporia “uma revisão do Acordo que atentasse à urgente necessidade de uma descrição linguÃstica das variantes africanas do Português”, em particular nos casos de Angola e Moçambique. Deste modo, frisa, o Acordo não se limitaria a ser “o que, na prática, é, um acordo entre o Brasil e Portugal”, transformando-se num “efectivo ‘acordo’ entre pares”.
(…)
“a expansão internacional de uma lÃngua não se faz nem por facilitações ortográficas bebidas em critérios fonéticos em detrimento de critérios etimológicos nem por unificações ortográficas estabelecidas por decreto (…), mas sim pelos conteúdos que for capaz de veicular (através da literatura, da música,enfim, da cultura). (Público)
Não sendo especialista sinto uma lógica irrefutável nestes argumentos de Isabel Pires de Lima em relação ao Acordo Ortográfico…, mas também ao ambiente que se está a instalar no PS.
Arranca hoje, no Porto, e durará até 8 de Junho a XXXI edição do ‘FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica‘.
Nascido em 1977 pela mão da ‘Companhia Seiva Trupe’, o FITEI tornou-se um festival de referência mundial do teatro de lÃngua portuguesa e castelhana.
Este ano haverá 24 espectáculos produzidos por 15 companhias em vários espaços da cidade, desde o Teatro Nacional de São João, a Serralves, passando pela Casa da Música e pela Avenida dos Aliados, incluindo ao ar livre, com grupos oriundos de Portugal, Espanha e Brasil. (ver programa)
Saliente-se que a ‘Xunta de Galicia -ConsellarÃa de Cultura e Deporte’ e o ‘Instituto Galego das Artes Escênicas e Musicais’, escolheram o FITEI para a apresentação em Portugal do Plano Galego das Artes Cénicas, um documento que visa promover a difusão social, reforçar a estabilidade das empresas, fomentar a criatividade e promover a protecção exterior do sector cultural na Galiza, cruzando as dimensões social, artÃstica e económica das artes do espectáculo.
A manifestação de professores de Sábado passado mostrou, sem margem para qualquer dúvida, o descontentamento generalizado de quem ensina face à actuação do Ministério da Educação. Ninguém acalentava diversa forma de sentir (talvez só quem pretenderia formatar outras cabeças), assim como só pessoas muito mal intencionadas poderão afirmar, generalizadamente, que os professores não se interessam pela qualidade da aprendizagem dos alunos.
A dimensão desta manifestação mostrou também que o habitual conformismo dos professores à s dezenas de mudanças que têm vindo a ser operadas a partir dos vários titulares do Ministério da Educação não resistiu a um incompreensÃvel enxovalho público, sistematicamente reiterado, que a actual equipa dispensa contra esta classe profissional. No entanto, querer ler para além da forte e generalizada indignação contra o tratamento (verbal e legislativo) que este Ministério lhes vem dispensando, será sempre um exercÃcio de retórica que servirá para alimentar fanáticos, seja de sindicatos, de partidos, de lÃderes de associações de pais ou de outra equivalente Ãndole.
Tenho muito dificuldade em digerir discursos de pessoas que só querem ouvir falar de povo em momentos eleitorais e que o desdenhem em todas as outras ocasiões. Será de bom-senso tirar ilações tanto de resultados eleitorais como de manifestações - são bons momentos para auscultar o voz dos cidadãos, sem a intermediação de comentaristas nem colunistas do género “educadores da classe operária”, vocação que parece pupular um pouco por todo o lado.
Tem José Sócrates razão quando afirma que esta manifestação não pode colocar em causa o Programa do Governo (documento PDF), mas a verdade é que também não foi essa a sua intenção. Contudo, poderá ser um bom momento para fazer um exercÃcio de avaliação interna do seu cumprimento, ver o que já se conseguiu fazer, o que está em vias de prossecução, o que não foi ainda de todo feito e eventuais erros de perspectiva e implementação que o possam colocar em causa.
Bom-senso é preciso e pessoas acostumadas a ele recorrer e é nesse contexto que deixo duas transcrições do Programa do Governo em relação à educação e à cultura:
A opção polÃtica do Governo é, tendo plena consciência da educação como factor insubstituÃvel de democracia e desenvolvimento, pôr em prática polÃticas que consigam obter avanços claros e sustentados, na organização e gestão dos recursos educativos, na qualidade das aprendizagens e na oferta de várias oportunidades a todos os cidadãos para melhorarem os seus nÃveis e perfis de formação. (pag.42)
(…)
A polÃtica cultural para o perÃodo 2005-2009 orientar-se-á por três finalidades essenciais. A primeira é retirar o sector da cultura da asfixia financeira em que três anos de governação à direita o colocaram. A segunda é retomar o impulso polÃtico para o desenvolvimento do tecido cultural português. A terceira é conseguir um equilÃbrio dinâmico entre a defesa e valorização do património cultural, o apoio à criação artÃstica, a estruturação do território com equipamentos e redes culturais, a aposta na educação artÃstica e na formação dos públicos e a promoção internacional da cultura portuguesa. (pag. 54)

A propósito desta imagem que recebi por email lembrei-me do ‘Fan Ike’ da Sandra Vanessa!
Ler na Ãntegra o desgosto ou a mui justa indignação do Henrique Silveira face ao alheamento ou desprezo da nossa suposta “intelligentia” face aos eventos musicais e, acrescento eu, à educação artÃstica, onde a musical se inclui.
Deixo um excerto:
Portugal é um paÃs onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique à s moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.
Maurice Béjart - Bolero
intérpretes: Jorge Donn solista e The Art Of The 20th Century Ballet
Maurice Béjart - Adagietto
(…) il exige de ses interprètes une parfaite maîtrise de la danse académique et une grande faculté d’adaptation aux courants néoclassiques. (via Wikipédia)
A Associação Guilhermina Suggia e a Escola de Música do Conservatório Nacional convidam para assistir/participar na conferência com música GaudÃ, Suggia e a Música, amanhã, dia 11, pelas 19:00h, no salão nobre do Conservatório Nacional.
Serão conferencistas Teresa Cascudo e Ana Maria Férrin e os momentos musicais serão assegurados pelo organista José Carlos Araújo, por Paulo Gaio Lima em violoncelo e Paulo Pacheco no piano.
Eu não sei há quantos anos o VirgÃlio Marques, do Guilhermina Suggia, alerta para a degradação do salão do Conservatório Nacional (agora diz escola de música não sei quantas, mas eu já não tenho idade para fixar essas modernices), até que agora corre mesmo uma petição online para ver se é desta que conseguimos que o Ministério da Educação ou o IPPAR (também não sei se ainda se chama assim…) mandam proceder ao seu restauro.
Toca a assinar a Petição, se não vos for politicamente penoso, porque se trata de uma das mais belas e acusticamente adequadas salas para recitais ou música de câmara do paÃs, conforme já há mais de 3 anos aqui alertei para um texto também do VirgÃlio Marques que reponho:
Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica, com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evitar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara.
VirgÃlio Marques
Assombrado post da Alice Valente (mais um…), no Ali_se, sob o tÃtulo A inteligência e a “indústria cultural” onde aborda, com uma lógica irrepreensÃvel, a redução da arte e da cultura ao entretenimento operada pelas indústrias culturais. Um dos melhores textos sobre o assunto que alguma vez li! Sem mais!
Excerto:
E sem mais contrários e já por tão doentiamente deformados, a ter sempre de cumprir-se deveres em que dever e até quando, aqui estamos nós, prontos para as tais de ditas «lutas» no «salve-se quem puder», só, obstinada e unicamente pelas vias de uma vontade cega de se esganarmos uns aos outros, já sem desejos, sem valores e sem aspirações futuras, por cada vez mais caoticamente apartados do que é a verdadeira Cultura.
Começa amanhã a exposição 200 anos dos Melhores Relógios do Mundo, em Évora, levada a cabo pelo Museu do Relógio.
Estarão expostas algumas das mais belas e raras peças do museu como um Vacheron Constantin de 1755, um Baume & Mercier de 1830, um Jaeger le Coultre de 1833 e um Patek Philippe de 1839.
O Museu do Relógio é único do seu género em toda a PenÃnsula Ibérica (cinco em todo o Mundo!) contando já com mais de 300.000 visitantes.
A exposição estará patente na Igreja de S. Vicente entre os dias 26 e 30 de Setembro das 10:30h às 12:30h e das 14:00h às 18:00.
ad majoorem Dei gloriam, exposição de Ecoarte de Paulo Fontes, decorre na Livraria VÃcio das Letras, na Feira, mais concretamente no n.º 59 da Rua Dr. José Correia de Sá.
Segundo o autor trata-se de uma exposição de Ecoarte, já que todas as obras expostas foram construÃdas aproveitando materiais que poderiam ir parar ao lixo ou à reciclagem.
Para mais informações vejam, por favor o sÃtio de Paulo Fontes, deixando aqui um poema seu que ilustra o que sente e motiva para o acto criativo.
Para a humanidade cega que caminha em direcção ao precipÃcio…
Recolham lixo ou arte, a minha arte é feita de lixo,
Do nosso lixo faço a minha arte…
A luz que atravessa telas, objectos, tinta….
Flúi da natureza que há em mim, selvagem…
Da selva que criámos e que devora a natureza e os seus recursos.
A IX edição de Palavras Andarilhas promovido pela Biblioteca Municipal de Beja e pela Associação de Defesa do Património de Beja arranca já no próximo dia 17 e decorrerá até 22 de Setembro.
O Palavras Andarilhas é um Encontro/Festival de Contadores de histórias ou, como a organização gosta de designar, um Encontro de Aprendizes do Contar.
Este ano abrem-se outras portas de Beja - a Praça da República, a Igreja da Misericórdia e A Casa - e mais eventos:
- Festival da Narração Oral;
- Estafeta de Contos;
- Feira do Livro e da Leitura;
- Oficinas (oficinas de narração e oficinas sobre mediação leitora);
- Momentos Musicais.
O programa completo pode ser descarregado a partir do sÃtio da Câmara de Beja (LINK directo).
O Museu do Relógio em Serpa acaba de lançar o Museu Azul, mais um modelo de edição limitada de 50 relógios pelo preço de 295,00€. Trata-se de um relógio mecânico, seguindo a tradição da casa, de corda manual, seguindo a tradição da casa, caixa de aço de 42 mm, mecanismo à vista na face posterior e pulseira em pele genuÃna.
O Museu do Relógio tem uma colecção única em Portugal, tendo patentes 1.700 peças, todas mecânicas, datadas a partir do séc. XVII, contando com vários exemplares de bolso, pulso, sala, entre outros. Uma das salas de exibição é dedicada ao relógio de origem nacional, onde temporariamente decorrem exposições temáticas.
Ah sim, não esquecer que o Museu tem uma Oficina de Restauro de relógios mecânicos contando com vários Mestres-Relojoeiros e hoje…, lá vou buscar o meu Omega Speedmaster que deixar para limpar e afinar.
Quase diria que, apesar de muitos outros interesses turÃsticos, o Museu do Relógio, per si, é um belÃssimo motivo para visitar Serpa, mas se não o puder nos tempos mais próximos, vale a pena tornar-se amigo do Museu bastando inscrever-se no seu site para receber a sua newsletter.
Num texto deslumbrado a Alice Valente insurge-se, e bem, contra esta moda de que a educação cultural deve ser uma actividade lúdica, de lazer, extra-curricular pois ora que não, embutida num qualquer boião de enriquecimento, que se para enriquecer fosse, não seria nem lúdica, nem de lazer nem extra-curricular. É que esta moda do entretenimento pelo entretenimento ainda levará a que a Vida e a Pessoa sejam elas próprias extra-qualquer coisa, ou ainda, talvez, mais do tipo supranumerário ou descartável!
Deixo um excerto:
Têm razão estes distraÃdos institucionalistas, que ousam usar indiscriminadamente o nosso paÃs e pessoas em repugnáveis metodologias de um exemplo num uso fruto de estares indesejáveis a serem seguidos e a contribuÃrem para que a EDUCAÇÃO e a CULTURA sejam tidas, como apêndices e apartes num descambar de uma não dignificação e num total empobrecimento do Ser. E nestes poderes de autoritárias e ousadas modas levianas, pretendem comodamente isentarem-se de culpa em suas tão ignóbeis e enriquecidas vias e formas de vidas, em que para alguns é possÃvel esta diversão a matar talentos e capacidades de um paÃs ocupado por estes legados em seus respectivos lugares hierarquizáveis sem quererem ainda assim, carregar suas devidas responsabilidades.
O lÃder do CDS-PP, Paulo Portas, anunciou hoje que o partido vai apresentar quarta-feira na Assembleia da República um projecto de resolução que pretende instituir exames nacionais nos 4º, 6º e 9º anos. (via Público)
Pois, eu também não sou fã de Paulo Portas, mas por isso mesmo é que mais incomodado fico quando constato que, em todo o espectro partidário, é o único a ter algum discernimento. Sobre este assunto já em Outubro passado escrevi, indo até mais longe do que o CDS agora propõe.
O Plano de Negócios é o tÃtulo que José Manuel Fonseca escolheu para ilustrar, com o seu humor tão corrosivo quão assertivo no A Infelicidade ao Alcance de Todos, em que é que o Ministério da Educação está a transformar o Ensino.
Um texto para ler (na Ãntegra), reflectir e agir. Ganda texto, meu!!!
Deixo alguns excertos:
Parece que nos encaminhamos para a “empresarializaçãoâ€? das escolas públicas.(…)
Supõe-se que, apesar desta descoberta sociológica do fascinante mundo empresarial, os professores, quem sabe alguns deles ao menos, continuem a ter como missão ensinar os alunos.(…)
Tudo isto me parece bastante legÃtimo e lógico. Pelo menos numa sociedade em que a preparação das crianças para a vida passe a enquadrar a preparação para os actos de consumo. Poderemos finalmente reduzirmo-nos ao momento de consumo. Sem passado e sem futuro.
Citando o cineasta alemão Wim Wenders, numa sua recente declaração, a realidade é que ninguém ama um paÃs pela sua economia, por mais forte e estável que ela seja, mas pela sua Cultura! Isabel Pires de Lima no discurso de inauguração do Museu Colecção Berardo (lido no ALI_SE entre outros excertos)
Pois é, senhora Ministra, mas os contabilistas e os agiotas que mandam na economia não querem saber disso para nada e, enquanto os empresários não virem que a cultura como um investimento de futuro, pouco ou nada poderemos almejar para lá dos gritos que de nossa alma conseguirmos fazer rugir!
O presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, António Gomes Pinho, defendeu hoje a extinção do Ministério da Cultura e a sua substituição por uma secretaria de Estado, autonomizando as instituições actualmente dependentes da tutela.
(…)
“Teria outro significado: iria promover a libertação de um conjunto vastÃssimo de instituições da tutela do Estado”, acrescentou.
(…)
Com “as poupanças resultantes da extinção do Ministério da Cultura”, o administrador de Serralves defende a constituição de um fundo — gerido profissionalmente — e que contratualizaria as funções culturais definidas como prioritárias, a longo prazo, com as várias instituições. (via Público)
De repente, como que por artes mágicas, apareceu primeiro o Dr. Rui Rio e agora o Dr. António Gomes de Pinho a defender que o mal da cultura é a existência de Ministério dedicado e que a sua passagem a Secretaria de Estado tudo resolveria!
É muito mau que pessoas com tanta responsabilidade saiam a terreiro a defender que uma mera cosmética administrativa - a passagem de Ministério a Secretaria de Estado - resolve os problemas de que padece a cultura em Portugal! Dá a ideia de que ouviram umas coisas aqui e outras ali e colam-nas sem nexo!
Por outro lado, pasme-se, não advoga e muito menos reivindica que o Estado deva, antes de mais, estabelecer uma polÃtica e modelos de gestão cultural assumidos, transversais e transparentes.
Inusitado é, para mais, não apelar ao investimento privado e sustentar que o importante é que o Estado constitua um fundo para financiar várias instituições, prioritárias no seu entender, e no entender de cada governo que em sorte nos calhe, ou seja, continuar com a subsÃdio-dependência, mas só para alguns, os eleitos de cada governo! Nada há de mais perigoso neste momento do que deixar ao critério dos aparelhos partidários a distribuição de fundos sejam eles para a cultura, educação ou outra qualquer área!
Estimado Dr. A. Gomes de Pinho, o que o senhor defendeu só viria favorecer o que neste momento é o cancro do sistema - o financiamento do Estado ser feito a bel-prazer dos governantes, sem uma missão, objectivos nem modelos de gestão e de controlo definidos e transparentes!
Volto ao que venho defendendo na tese Educação em Cultura, o estabelecimento de uma polÃtica cultural do Estado orientada para as escolas, que terá de ser, forçosamente, transversal a várias tutelas dispersas por vários Ministérios, i.e., uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual tenham uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, obrigando a uma reformulação profunda na constituição dos governos para que tal seja possÃvel.
Passo a citar (link):
Sem esquecer a essência da escola – ensinar – o que está hoje em causa, em especial nos primeiros anos de escolaridade, diria até aos 16 anos, é dotar as crianças e adolescentes de uma vivência multidisciplinar integrada o mais abrangente possÃvel, onde o habitat digital seja natural, permitindo-lhes adquirir uma consciência crÃtica que propicie a construção de identidades, com fundamentos éticos e morais, capazes de participar e interagir criativamente na construção deste novo mundo – a passividade na sociedade digital conduz, inevitavelmente, a fracturas na coesão social.
Neste contexto, as soluções não poderão continuar a ser um exclusivo do Ministério da Educação! A questão é educativa, é certo, mas antes do mais, é cultural, de gestão cultural, mais precisamente (polÃtica cultural se se preferir), onde a interdisciplinaridade será obrigatória, envolvendo, profissionais de educação, sim, mas sociólogos, antropólogos, psicólogos, artistas, especialistas de audiovisual e media digital e, necessariamente, de gestores capazes de traçar objectivos precisos e objectivamente quantificáveis e avaliáveis.
O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre as coroas de Portugal e de Castela, e que definia a partilha do Novo Mundo entre os dois reinos, e cujo original português se encontra no Arquivo Geral das �ndias, em Sevilha, estando o castelhano na Torre do Tombo, foi um dos inscritos no registo Memória do Mundo da Unesco, representando Portugal e Espanha.
Portugal está ainda representado com o Corpo Cronológico – uma colecção que reúne mais de 80 mil documentos em papel e pergaminho datados dos séculos XV e XVI, existente na Torre do Tombo, em Lisboa. (tÃtulo e notÃcia do Público)
Porra, tivemos sorte pelo facto da UNESCo não colocar estas maravilhas a votos!
A vontade de Rui Rio concessionar o Rivoli a La Féria, bem como o respectivo inviezado processo, já por aqui foi por demais debatido, neste post e numa série deles ligados à polémica.
Que aconteceu de novo de então para cá? Aconteceu que La Féria entendeu vir para os órgãos de comunicação social dizer que a manifesta onda de má vontade existente quanto ao projecto de concessão de exploração (…) resultaria num “nÃvel de risco superior” ao previsto e que, em calhando, até não aceitaria a concessão, embora aceitasse o convite para apresentar a sua nova produção, Jesus Cristo Superstar, que estreia hoje!
Mais tarde ainda voltou ao palco mediático para dizer que encontrou o espaço tecnicamente obsoleto embora houvesse muitos computadores nos escritórios, tendo sido obrigado a investir um milhão de euros em equipamento de som e luz, importado de Londres! Para quem ainda não aceitou a concessão investir 1.000.000,00€ é coisa de um autêntico mecenas!!! Qual encenador ou criador, o homem é um verdadeiro mecenas da cidade! Medalha de ouro, impõe-se ou cidadão honorário e benemérito!!!
Neste contexto o seu protector Rui Rio, através de uma coisa chamada Comissão Liquidatária de Gestão do Rivoli criou a figura de Criador Convidado, quiçá inspirado, precisamente, no tÃtulo da encenação.
E assim somos chegados à estreia da peça de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice encenada por La Féria que ontem vem avisar que afinal a sua decisão sobre se aceita ou não a concessão do Rivoli dependerá do êxito do espectáculo “Jesus Cristo Superstar”, que estreia amanhã à noite no Porto. “Eu não posso arriscar a ter fiascos. As empresas privadas vivem sempre desta angústia. Tenho 122 salários para pagar no final de cada mês”, sublinhou, ontem, o encenador em conferência de Imprensa. Deixou claro que só assumirá a gestão do teatro municipal, se o público aderir ao musical, que funcionará como um “teste”. (via Jornal de NotÃcias).
Eu não tenho dúvidas sobre o sucesso desta encenação de La Féria, nem muito menos o Criador Convidado, mas confesso o nojo que me assola quando ouço e vejo estas tricas de marquetingue barato! Não há pachorra!
O Criador Convidado terá sucesso, Rui Rio evitará despesa, o Porto ficará culturalmente mais pobre, não por permitir que La Féria lá apresente as suas produções, mas por o fazer em concessão exclusiva!
Entretanto, via Ana C. tomo conhecimento de que está programado um protesto silencioso junto ao Rivoli, mas para mais pormenores o melhor é ler no Art&manha.
Bon voyage messieurs Rio e La Féria!
O prémio, que tem o nome do ensaÃsta Eduardo Lourenço - mentor e presidente honorário do Centro de Estudos Ibéricos (CEI) - destina-se a distinguir personalidades ou instituições de lÃngua portuguesa ou espanhola “que tenham sido protagonistas de uma intervenção relevante e inovadora no âmbito da cooperação e no domÃnio das identidades, das culturas e das comunidades ibéricas”.
António Avelãs Nunes anunciou que o júri atribuiu a distinção a Maria João Pires, por unanimidade, “pela personalidade de humanista que a pianista tem sabido imprimir à sua obra”, contribuindo para “a difusão da cultura musical”.
António Avelãs Nunes considerou também a pianista uma “grande personalidade da cultura ibérica e mundial”.
Maria João Pires teve “a preocupação em inserir nesta zona raiana uma das apostas
fortes da vida dela”, afirmou Avelãs Nunes, referindo-se ao Centro para o Estudo das Artes de Belgais (Castelo Branco), um projecto fundado pela pianista. (retirado do Público)
Eu gostaria de acrescentar que este merecidÃssima distinção premeia também, ou particularmente, o trabalho, empenho e amor que Maria João Pires dedicou a Belgais.
Ler e reler o texto do Dragão sobre o “progresso” e a “modernização”. Deixo um pequeno excerto:
(…) em que consiste realmente essa tal “modernização que canta”? Bem, tudo indica que consiste, fisicamente, em acantonar a população num imenso subúrbio (excepto, naturalmente, a nomenklatura jet-seita reinante, mais a sua insaciável corte de serviçais e bobos de serviço); e, psicologicamente, em terraplenar toda a cultura, justiça ou tradição (ou mera hipótese de qualquer uma delas) a uma pardacenta - e sórdida - mentalidade suburbana.
Ainda a propósito do concerto de Lang Lang escreve a Teresa Cascudo assim:
A diversão é uma das marcas da cultura do nosso tempo, tal como a mistura de nobreza e vulgaridade e a incapacidade de seguir uma ideia (musical) durante mais de, digamos, 5 segundos…
Desenquadrei o texto do contexto, mas mesmo noutro contexto, que enorme texto, Teresa!
No próximo Sábado, dia 2 de Junho, o Incomunidade promove mais um Filó-Café dedicado ao tema A Beleza, no Clube Literário do Porto, na Rua Nova da Alfândega, n.º 22, no Porto, pelas 17:30h.
O Alberto Augusto Miranda tem concretizado um trabalho notável na realização e difusão destes muito interessantes encontros culturais através do blogue Incomunidade.
As inscrições estão ainda abertas (inscrições para o email: incomunidade@gmail.com) , embora haja já bastantes participantes para a iniciativa que conta com a apresentação do livro de Rogério Carola, A Beleza da tua Alma faz-me Tremer:
Alberto Augusto Miranda (porto, teatro), Alexandre Teixeira Mendes (porto, pensamento), Alice Valente (lisboa, artes), Amilcar Mendes (porto, poesia), Ana Marta Fortuna (Porto, teatro), António Pedro Ribeiro (braga, poesia), Artur Alonso Novelhe (ourense, poesia), Belém Andrade (Compostela, poesia), Carlos Lourenço (sto antonio dos cavaleiros, performance), Conceição Paulino (porto, poesia), Concha Rousia (Xinzo de Lima, poesia), Henrique Dória (porto, pensamento), Hugo Veloso (rio tinto, performance), Isabel Rosas (matosinhos, poesia), Jorge Taxa (porto, pensamento), José Manuel Barbosa (braga, poesia), Pedro Estorninho (lisboa, teatro), Peter Jensen Silva (braga, música), Rogério Carrola (tortosendo, poesia), Salviano Ferreira (oliveira do douro, poesia).
ps: fotografia de Sabine Leve
Dia Internacional dos Museus 2007
O Dia Internacional dos Museus deste ano vai ser um fartote lá para os lados do IPMuseus! Ele é conferências, ele é concertos, ele é revistas, ele é exposições, ele é debates, ele é ateliers, ele é oficinas, ele é jogos e acções lúdicas, ele é contos, ele é concursos, ele é dança, ele é desfiles e passeios, ele é tudo iniciativas à borliù num show próprio de um paÃs rico como o nosso! (30 páginas em PDF de iniciativas)
É evidente que mentes mesquinhas como a minha prefeririam pegar neste dinheirito dos contribuintes gasto num só dia e anunciar a recuperação de mais um museu, sei lá…, o de Beja, por exemplo, que nem ar condicionado nem tão pouco ventilação tem!
Mas isto é mesmo só de pessoas mesquinhas que não valorizam os shows mediáticos nem se preocupam com votos futuros, só com os Museus e com as pessoas, as que os frequentam e as que deveriam ser incentivadas desde tenra idade a frequentar!
Evolução e poluição mental
A propósito deste post a Alice Valente deixou um comentário que transcrevo, onde aborda alguns espartilhos mentais que jazem desde oitocentos no conceito de evolução.
«EVOLUIR!
É isso mesmo, evoluir! E evoluÃmos para um qualquer forma de estarmos todos bem, será sempre, sempre nesse sentido.
E não se confunda evolução natural com progresso.
É que progredir poderá ser no mau sentido e até anti-natural, quando associado à competitividade no tirar (roubar e matar) a ocupar o espaço dos outros e mesmo assim, a evolução continuará também aà a reagir e com toda a certeza irá igualmente corrigir essa progressiva forma de mal se estar. E isso não há dúvidas! Temos muitos exemplos para olhar na História da Humanidade…
É que a evolução acontece, porque existe uma ordem-natural e evolutiva das coisas, dos seres! E por seres que somos com Sentir e Pensar precisamos da Educação e da Cultura para nos sociabilizarmos a estarmos bem uns com os outros. Os outros seres também evoluem, mas esses sem necessidade de Educação e Cultura e todos até sabemos porquê.
Mas há uma certeza que me acalma, é que toda a ciência, os cientistas e a cienticidade já vão presentemente assumindo, que a evolução não contempla a obrigação, o obrigatório e a competitividade, a evolução assiste-nos sim mas pelo que é singular e único. Isto é, a evolução é como que uma perfeita e musicada sintonia universal e que comunica com todos os corpos no que é o Ser em sua Natureza. Se nos conciliarmos com este estar evolutivo de sermos, com certeza que a Educação e a Cultura terão um papel crucial para que a aprendizagem se efectue harmoniosamente, mas de uma forma intuitiva e evolutiva, mas sempre apartado de qualquer conceito formatado em lutas hostis das rivalidades competitivas que só geram sofrimento, doença e destruição.»
Transcrevo uma resposta a um excelente desafio que o Rui Rebelo me lançou neste post.
Não posso garantir que Mega Ferreira tenha por objectivo ser Ministro da Cultura, estimado Rui! O que escrevi é que só consigo entender a razão dos shows mediáticos de que tem sido protagonista se for essa a sua pretensão.
Trata-se de uma dedução e não de uma certeza! Certeza só o próprio poderá ter.
Sobre as trapalhadas do Ministério da Cultura, Rui, tento acompanhar dentro do possÃvel, denunciando sempre o que não me parece bem e apoiando o que de bem foi feito mas, não fugindo à sua questão, não sei se há mais trapalhadas da Ministra do que entre esses tais agentes culturais de Lisboa que aponta!
Não ouso generalizar o que entendemos por agentes culturais porque dentro deste conceito incluo uma grande maioria de gente capaz, Ãntegra e empreendedora, mas se olhar para aqueles que detêm certos poderzitos clientelares muito espartilhados, ò Rui, estamos conversados! Que dizer da programação do Centro Cultural de Belém e dos que estão a girar em torno de Mega Ferreira, do projecto Estado do Mundo da Gulbenkian, da programação deste trimestre da Casa da Música, de algumas iniciativas da Culturgest (algumas, note, porque considero, de uma forma global, a programação exemplar)? Sente-se ou não uma rede estabelecida no mainstream de se apoiarem uns nos outros em projectos de qualidade e interesse, no mÃnimo, muito duvidosos e muito menos proveitosos?
Torno a ressalvar, estimado Rui, que estes são uma minoria e que em Lisboa acontecem eventos de muita qualidade e interesse mas, infelizmente, esses são os que menos se conseguem fazer ouvir, talvez, precisamente, pela sua integridade intelectual.
Regressando à s trapalhadas, Rui, será que não estaremos de acordo que as do Ministério da Cultura estão muito longe do número e da gravidade das que têm acontecido e estão para acontecer no Ministério da Educação, como por exemplo a liquidação que preparam do ensino artÃstico, público e privado, em Portugal?
É pela conjugação de todas estas constatações, Rui, que estou absolutamente de acordo consigo no que concerne à existência de um Ministério para gerir a Cultura, só que não considero solução a sua transformação numa Secretaria de Estado - nada mudaria, seria uma mera alteração administrativa!
A tese que venho defendendo e insistindo sob o tÃtulo Educação em Cultura aponta, como sabe, para uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual têm uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, tese que, até ao momento, nada conheço que a osbte, que demonstre a sua inviabilidade nem que mostre não ser este o melhor caminho a trilhar.
Abraço e muito obrigado, estimado Rui Rebelo, por me obrigar a reflectir.
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