O ‘FANTASPORTO – Festival Internacional de Cinema do Porto‘ arranca a sério amanhã com a sua XXX edição e decorrerá até ao dia 7 de Março, nas duas salas do Teatro Rivoli.
FantasportoSerão exibidos 401 filmes, dos quais 40 nas secções oficiais competitivas – Cinema Fantástico, Semana dos Realizadores, Curtas de Cinema Fantástico e Orient Express – a par de outras inicativas que relacionem o cinema com demais manifestações artísticas, sempre sob a orientação de Mário Dorminsky.
Apesar de o ‘Fantas’ não necessitar de mais publicidade aqui fica o link para a programação – siga – e para aderir aos fãs no Facebook – pimba.

Em memória da memorável ante-estreia da encenação de La Féria de Jesus Cristo Superstar no Rivoli não queria deixar passar este elevado momento sem ofertar à selecta clientela deste blogue algo de apropriado e inesquecível.
Aqui vos deixo o meu singelo tributo, uma montagenzita com as imagens constantes no sítio da Câmara do Porto com uma música que me pareceu adequada às personagens, à circunstância e ao mui cultural e performativo ambiente.
Rio, La Féria e Super Estares no Rivoli

ps: Como seria devido gostaria de divulgar o(s) autor(es) das fotografias, mas depois de muito procurar no sítio da Câmara do Porto não encontrei as devidas referências.

Lindo, lindo esta coisa da cultura Rio / Féria! Cenas do Rivoli ontem fotografadas por Estela Silva.
As superestares da Caras lá estiveram como figuras incontornáveis do Porto.
La Féria, Lili Caneças e Cinha Jardim na estreia de Jesus Cristo Superstar no RivoliRui Rio na estreia de Jesus Cristo Superstar no Rivoli

ps: as fotografias foram sacadas, gentilmente, do Art&manha.

A vontade de Rui Rio concessionar o Rivoli a La Féria, bem como o respectivo inviezado processo, já por aqui foi por demais debatido, neste post e numa série deles ligados à polémica.
Que aconteceu de novo de então para cá? Aconteceu que La Féria entendeu vir para os órgãos de comunicação social dizer que a manifesta onda de má vontade existente quanto ao projecto de concessão de exploração (…) resultaria num “nível de risco superior” ao previsto e que, em calhando, até não aceitaria a concessão, embora aceitasse o convite para apresentar a sua nova produção, Jesus Cristo Superstar, que estreia hoje!
Mais tarde ainda voltou ao palco mediático para dizer que encontrou o espaço tecnicamente obsoleto embora houvesse muitos computadores nos escritórios, tendo sido obrigado a investir um milhão de euros em equipamento de som e luz, importado de Londres! Para quem ainda não aceitou a concessão investir 1.000.000,00€ é coisa de um autêntico mecenas!!! Qual encenador ou criador, o homem é um verdadeiro mecenas da cidade! Medalha de ouro, impõe-se ou cidadão honorário e benemérito!!!
Neste contexto o seu protector Rui Rio, através de uma coisa chamada Comissão Liquidatária de Gestão do Rivoli criou a figura de Criador Convidado, quiçá inspirado, precisamente, no título da encenação.
E assim somos chegados à estreia da peça de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice encenada por La Féria que ontem vem avisar que afinal a sua decisão sobre se aceita ou não a concessão do Rivoli dependerá do êxito do espectáculo “Jesus Cristo Superstar”, que estreia amanhã à noite no Porto. “Eu não posso arriscar a ter fiascos. As empresas privadas vivem sempre desta angústia. Tenho 122 salários para pagar no final de cada mês”, sublinhou, ontem, o encenador em conferência de Imprensa. Deixou claro que só assumirá a gestão do teatro municipal, se o público aderir ao musical, que funcionará como um “teste”. (via Jornal de Notícias).
Eu não tenho dúvidas sobre o sucesso desta encenação de La Féria, nem muito menos o Criador Convidado, mas confesso o nojo que me assola quando ouço e vejo estas tricas de marquetingue barato! Não há pachorra!
O Criador Convidado terá sucesso, Rui Rio evitará despesa, o Porto ficará culturalmente mais pobre, não por permitir que La Féria lá apresente as suas produções, mas por o fazer em concessão exclusiva!
Entretanto, via Ana C. tomo conhecimento de que está programado um protesto silencioso junto ao Rivoli, mas para mais pormenores o melhor é ler no Art&manha.
Bon voyage messieurs Rio e La Féria!

A Cristina Vieira no Contra Capa pegou no assunto que atrás abordei da cultura e sua gestão aludindo que, por considerar que a cultura é elitista se deveria enveredar pela progressividade de níveis de complexidade na programação e, coincidentemente com uma educação para a arte também progressiva.
Eu compreendo o que a Cristina pretende dizer e aceito que se se optar, exclusivamente, por programações de fruição mais complexa o carácter elitista adensar-se-á. Apesar de o assunto ser demasiadamente vasto e de difícil solução transcrevo para aqui o comentário que deixei no seu blogue embora só seja compreensível se antes lerem o seu texto.

1 – não há cultura elitista – cultura é cultura, é tudo o que nos deixaram;
2 – por deficiente educação o legado cultural cuja fruição requer bagagem prévia foi sendo “apropriado” por cada vez menos pessoas que formaram um grupo restricto e, por outro lado, esse mesmo grupo foi-se fechando e reivindicando a “sabedoria” de fruir só para eles (aqueles a que tu bem inseres na “elite” que referes;
3 – a única forma que encontro para devolver da sua fruição a todos é ela ser objecto de estudo na escola, desde tenra idade, onde as artes não sejam vistas como um apêndice, mas como imprescindíveis para a formação da identidade, tal como a língua e a matemática;
4 – como em qualquer outra área para lá das artes, devemos dar às crianças os clássicos originais, uma vez que elas não são burras e têm uma capacidade de assimilação muito superior a um adulta (como sabes melhor do que eu, a capacidade de assimilação ou de aprendizagem, se preferires, é das poucas coisas que vamos perdendo desde o dia em que nascemos);
5 – qualquer clássico original será sempre melhor do que um sucedâneo do mesmo, uma vez que tudo está datado e a criança deve enquadrar cada obra no seu tempo, para perceber a nossa evolução bem como para compreender, mais tarde, manifestações mais vanguardistas; começar por estas é que seria (e tem sido) um erro de palmatória;
6 – entretanto, para os adultos que não beneficiaram de uma educação deste tipo e que têm direito à fruição artística, pode-se perfeitamente (penso eu) encaminhá-los para manifestações menos complexas, embora sem ceder ao facilitismo e à falta de qualidade;
7 – tudo tem a ver com educação e com gestão cultural e, neste último particular aspecto, com uma gestão criteriosa do investimento e da receita em especial no que concerne aos equipamentos culturais – defendo que, sem nunca ceder na qualidade, deve-se incluir na programação manifestações artísticas mais comerciais de modo a que a receita de bilheteira consiga financiar outros projectos essenciais, mas fora do circuito comercial.

Esta última questão levar-nos-ia à mentalidade vigente (que escrevi noutro sítio) do divórcio entre os actores culturais e os “contabilistas” que saem das nossas escolas de economia. Enquanto não resolvermos esta tendência secular, enquanto os “contabilistas” não forem gestores para olhares para a cultura como um bem a investir e os actores culturais não admitirem que têm um produto para comercializar e rentabilizar, será muito difícil chegarmos a bom porto.

Para lá da questão do “insuspeito”? processo, a decisão de concessionar a um produtor que, apesar de produzir bem e do agrado das gentes, não programa para além de si próprio, é demasiadamente pobre!
O problema da cultura, estimada Cristina Santos, não se revela em torno de conceitos esteriotipados, se de massas se de local, se elevada ou menos, mas sim na total incapacidade (dos actores culturais, dos poderes locais, dos poderes nacionais) em encontrarem forma de a gerir! Falar de gestão às pessoas que repetem ad nauseum que a cultura não é para dar dinheiro é apresentar-lhes o diabo feito gente; para os senhores economistas de “economês”? (cuja escola portuguesa produziu em douta abundância sem nunca terem passado pelo mercado de trabalho ou gerido uma empresa privada) falar-lhes de cultura é o mesmo que falar em subsídio-dependência! Para esta “missa”?, francamente, já não tenho pachorra – se as pessoas só conseguem ver a preto e branco o melhor é procurarem um oftalmologista que as ajude e, caso o problema revele não ser dessa área, talvez uma sessões de psicanálise possam ajudar.
As produções que o Sr. La Feria tem apresentado com grande qualidade, no género, repito, são o paradigma da itinerância e não da residência. Quem investe o montante que investe e produz com a qualidade que patenteia, deveriam todos os teatros de rede abrir as suas portas e negociar com ele a bilheteira. Ora é precisamente esta visão que falta aos nossos políticos nacionais e regionais que deambulam pela estafada discussão entre mais ou menos Estado!

Não há gestores culturais em Portugal! Ninguém pensa que há produções que podem dar rendimento de bilheteira para apoiar outras que são necessárias a uma programação variada e de qualidade.
Pelo facto de os poderes instituídos não colocarem gestores à frente dos equipamentos culturais em detrimento de directores artísticos ou programadores sem objectivos de rentabilidade dá no que deu no Rivoli, no que se está a dar no Teatro Aveirense e no que se dará, previsão minha para meu desencanto, nas restantes salas deste país!
A cultura deve e tem de ser gerida! A cultura deve e tem de ser gerida como se de um portfólio de bens transaccionáveis se tratasse, e trata! Esse é o erro de concessionar o Rivoli com base em 4 produções anuais, seja ao Sr. La Féria ou a qualquer outro produtor!

Exemplos…, o melhor, que me ocorre assim de repente até é do Porto! Depois da desastrosa gestão que a Porto 2001 colocou na Casa da Música, depois da não menos desastrosa gestão que o Dr. Rui Rio colocou no mesmo projecto, apareceu finalmente um gestor, Alves Monteiro, pela mão de Artur Santos Silva, que em 8 meses conseguiu o que parecia impossível – saber como estava o projecto, apurar o seu custo real, impor um prazo de concretização, estudar e propor a mais adequada forma de gestão (fundação) e nomear um director artístico para trabalhar na sua dependência, com Pedro Burmester como seu assistente pessoal! (link)
Definitivamente quando gestores e actores culturais virem que ganham mais aliados do que de costas voltadas poderá ser que os nossos políticos mudem, porque para eles o importante são as vitórias imediatas e mediáticas.

Devia à Cristina Vieira e ao Rui Rebelo uma posição sobre a troca de opiniões que deixaram nesta entrada. A Cristina ia exasperando com a demora, mas entendi esperar pela confirmação oficial(?) da concessão do Rivoli à Bastidores/Produções La Feria.
Confesso que valeu a pena esperar não pelo anúncio público do Presidente da Câmara antes de o apresentar à assembleia municipal, mas pelas reacções. Um espanto!
Uns calaram-se, vergados, talvez por considerarem que, pelo facto de La Feria ser uma garantia de bilheteira, será uma gloriosa vitória política de Rui Rio, enquanto outros, os do regabofe, toca a deitar abaixo La Feria por ser o diabo feito gente.
Rapidamente, porque nisto de posts não convém gastar muita tinta, La Feria merece-me a consideração que devo a quem faz, e com qualidade (não é pouco, não) e adianto que não tenho dúvida de que o produtor/encenador ancalçará êxitos de bilheteira nem dificuldade em admitir uma vitória “política” de Rui Rio.
Certo estou é de que, num momento em que se fala tanto em promiscuidade, em compadrios, em tráfico de influências, abrir um concurso de concessão para o Rivoli onde se exige que o concessionado produza quatro grandes produções anuais para a sala grande e mais quatro para a sala é, no mínimo, muito, mas muitíssimo insuspeito…
Certo estou que uma sala de espectáculos como a do Rivoli apresentar na sala principal 4 espectáculos num ano é ridículo! Imagine-se o que para aí não se diria quanta folha de jornal não se gastaria se a Casa da Música, o CCB, Serralves, S. Luiz, para só citar alguns, fizessem 4 produções/ano! Cairia ao Carmo e a Trindade!
Certo estou de que esta vitória da politiquinha é uma derrota pesada para a cultura e um grave precedente para a gestão das cerca de 70 salas de espectáculo em Portugal, pois permite que as pessoas continuem a não querer saber que a formação de públicos não passa por estes equipamentos, mas pela escola, onde o ensino artístico continua a ser considerado como enriquecimento extra-curricular no 1º ciclo!
O negócio da cultura depende da sua compra, i.e., da vontade de a fruir, e após tantos anos a esbanjar dinheiro na oferta sem qualquer resultado (para mim, peço desculpa se firo alguém, existe um evidente excesso de eventos culturais em Portugal) ainda não aprenderam ou não querem saber que (vou repetir alguém) será através da fruição dos clássicos, da literatura, do teatro, das artes plásticas, da música desde tenra idade, que poderemos almejar a que daqui a uns 20 anos haja público interessado em manifestações culturais, clássicas e experimentais, e que as sustente.
Bem pode argumentar a Cristina que demora e que no entretanto o La Feria chama gente ao teatro. Bem pode ser…, o que não há é dinheiro para tudo nem a “palhaçada” prevista para a sala pequena colmata esta tontice!
4 produções/ano no Rivoli é uma ousadia que só uma pessoa invulgar poderá atingir! Não é o meu caso…, nem me habituo a comer de tudo e a calar, mesmo quando me esfregam nas ventas concursos, como direi, “enfeitiçados”…, talvez!

é o que parece, mas nem comento! O João Paulo Sousa e o Tiago Bartolomeu Costa já se encarregaram e bem do assunto!

Ler E o anel de ruby pelo Besugo no Blogame Mucho.

A 26 de Julho saudei Isabel Pires de Lima pelo facto de, para lá de saber se a gestão é pública ou privada, afiançar a garantia der um Serviço Público para o Rivoli, em declarações à RR.
No entanto, como escrevi, não sei onde está definido o que isso de Serviço Público de Teatros Municipais.
Ontem renovou as suas intenções e ofereceu-se para mediadora entre a Câmara do Porto e os manifestantes, mas o problema é que, 2 meses volvidos, todos continuamos sem saber o que é isso de serviço público!
Esta coisa de serviço público tem, no audiovisual, servido os maiores disparates, sendo de temer que, a não estar concretamente definido em que consiste, a Ministra continue a falar de nada, mesmo revelando bom senso e vontade de encontrar uma solução digna, uma vez que para Rui Rio esta medida mais não representa que o produto de uma vendeta encapotada contra Isabel Alves Costa, não sendo de esperar que os manifestantes presentes consigam contribuir para um desenlace feliz.
O economês fala hoje mais alto escondendo-se sempre no politicamente correcto. Este género de acções obriga a que falemos a mesma linguagem e utilizemos os mesmos métodos para o combater – bastará comparar a relação custo/benefício de muitas das medidas do ditador democraticamente eleito como, por exemplo, a pista de automóveis da Boavista ou o património da zona classificada pela Unesco.
A continuar assim, Rui Rio sairá, mais uma vez, com uma vitória pessoal numa contenda onde ninguém sairá a ganhar – Câmara, produtores e artistas e, principalmente, o público.