No único país que referendou o Tratado de Lisboa, engendrado pelos elitistas de uma Europa politicamente unida (que não existe como se estamos a assistir nesta sua absoluta incapacidade de responder às indignações de quem sofre na carne a inviabilidade do prover o seu sustento), os cidadãos disseram NÃO, sendo que a maioria nem sequer foi votar, provavelmente, porque não saberia do que trata o Tratado.
Todos os governantes desta União Europeia que se furtaram a ouvir os cidadãos não se envergonham com isto (são superiores a estas minudências), mas ainda assim parece-me que seria curial pedir pedir responsabilidade a quem prejudicou imenso a imagem de de Lisboa e de Portugal - a colagem do nome de Lisboa e de Portugal a este fracasso, onde a palavra ‘NÃO’ esteve sempre ligada a Lisboa e a Portugal, terá gerado, naturalmente, danos incalculáveis na imagem do país.
Arquivo: ‘Democracia’ Category
Ao escolher este dia para promulgar o Tratado de Lisboa (link), Cavaco Silva faz coincidir, para memória futura, a coincidência de duas efemérides relativas à União Europeia a 9 de Maio - o Dia da Europa e o fim da Europa dos cidadãos.
A ausência de plebiscito ao Tratado de Lisboa coloca um ponto final na ideia original de uma Europa dos Cidadãos. Inicia-se um novo ciclo assente no princípio de que há uns iluminados, uma meia-dúzia de elitistas, que impõe aos cidadãos o que considera ser melhor para eles sem os consultar nem sequer querer ouvir.

Volta-se a página, sabendo de antemão uma coisa - a (re)construção da União Europeia passará a ser tarefa dos poderes estabelecidos a cada momento.
Via Público o “Jornal de Angola” atira-se a Bob Geldof chamando-lhe “comediante de quinta categoria” .
Mais adiante, seguindo a mesma fonte, o mesmo jornal afirma, disparando também em direcção do BES:
Se um dia alguém o contratar para uma conferência no Hotel Alvalade, em Luanda, o músico vai chamar criminosos aos seus próprios governantes, descendentes de piratas e negreiros e que ainda hoje vivem na opulência à custa dos povos de África ou da Ásia. É tudo uma questão de dinheiro. Mas em Angola ninguém compra farsantes.
Nada de especial, tudo dentro da normalidade, ontem José Eduardo Agualusa, hoje Bob Geldof.
Se a conferência fosse em Angola e convidassem Kofi Anan, se calhar, ouviriam o mesmo, mas mais cortesmente, sim, mais adamado.
O Estado deve ser claro na definição das grandes linhas estratégicas e das políticas estruturais e saber que umas e outras só serão mobilizadoras dos cidadãos se estes delas se sentirem co-proprietários, condóminos e parceiros, se estes forem estimulados na sua auto-estima e na sua capacidade própria de vencer as dificuldades. (Jorge Sampaio via Expresso)
A vida assim é outra coisa! Saber que há gente que sabe quais são os meus interesses, os dos outros e os de todos em conjunto dá-me uma segurança…, uma tranquilidade…uma paz de espírito…
Para mim, o importante é o interesse nacional e interesse nacional aconselha a que o Tratado de Lisboa seja aprovado por 27 Estados membros (Cavaco Silva no Público)
Adoro a Europa que não conheço!
José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética - aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?
(…) o vice-presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE, o deputado finlandês Kimmo Kilunen, considerou que as eleições tinham decorrido de forma “normal” à excepção de algumas “particularidades nacionais”, como os resultados obtidos na Chechénia, onde o partido Rússia Unida obteve 99% dos votos.
(Jornal de Notícias)
Hoje, depois de ontem Bush e Merkel terem torcido o nariz:
Na nossa opinião, estas eleições não corresponderam a muito dos critérios eleitorais que são assumidos na Europa; por isso, não podemos considerá-las livres.
Joran Lennmarker, presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE (Jornal de Notícias)
Ele há dias…
Os países ocidentais rapidamente etiquetaram Hugo Chávez de populista, comunista, ditador e pelo mesmo caminho, embora com a ‘nuance? de democracia autoritária ou ditadura light se vai catalogando Putin. No entanto, não se livrando Hugo Chávez da tentativa de, através do seu grupo parlamentar, tentar alterar a Constituição da Venezuela para uma versão programática, a verdade é que não teve medo de levar essa alteração a sufrágio popular e, apesar de sair derrotado, assume cumprir o resultado da vontade expressa.
Na Rússia o partido que apoia Putin obtém uma esmagadora maioria nas eleições livres de ontem para a Duma (câmara baixa), sabendo (para já) que não poderá voltar a concorrer por limite de mandatos.
Por cá, pela União Europeia, nós, os que pomposamente assumimos e reclamamos a supremacia da nossa democracia em contraponto com o resto do mundo, não somos capazes de levar a sufrágio o Tratado Reformador, ou de Lisboa, assim como travámos o processo de referendo da Constituição Europeia de Giscard d’Estaing, assim como Maastricht não foi sufragado.
Democratas? Democracia? Tenham vergonha! Tenhamos vergonha dos nossos dirigentes e bem-pensantes que se sentem superiores à vontade popular, pois é nela, e só nela, que reside a substância da democracia e não em gabinetes de um escol de iluminados!
Chávez é populista e demagogo. Será! Putin é um homem que não abdica de uma Rússia forte a seu modo. Será! Mas nenhum deles se absteve de sufragar as suas vontades junto da população, escudando-se de que o povo não entende o que eles querem, e respeitar o seu veredicto!
A Democracia alicerça-se, constrói-se e sedimenta-se na participação activa dos cidadãos, i.e., próximo deles, e não em exercícios palacianos que deles se afasta, promovendo o alheamento e o desinteresse que culminam, como é óbvio, em abstenções penalizadoras da própria democracia, regime que tanto apregoamos e, em muitos casos, pelas armas, aos outros exigimos.
Lembrando a “posição tradicional da União Europeia, que continua a reconhecer a política de uma só China”, defendendo uma solução “pacífica e de diálogo” para o conflito no estreito de Taiwan, o presidente em exercício da União Europeia afirmou que “o referendo pode alterar de forma negativa o status quo” na região. (via Diário de Notícias)
Ética? Qual ética qual carapuça! Isto é estratégia pura - estar de bem com a China e, claro, não esquecer, apoiar, nos bastidores, a existência de Taiwan para continuarmos a comprar componentes baratos.
Viva a democracia pragmática, viva o cinismo pragmático, viva toda esta tão, mas tão pragmática gente!
O mundo é vosso, creiam! Creiam e não temam! Mas só vosso!
Já atrás tinha dado notícia da rejeição de 4 dos 5 recursos entregues no Supremo Tribunal do Paquistão contra a reeleição de Musharraf, de forma indirecta, pelo Parlamento.
Hoje chega a notícia de que o quinto e último recurso foi igualmente rejeitado pelo mesmo Tribunal, cuja composição Musharraf refez a seu favor durante o estado de emergência que decretou.
O silêncio das democracias ocidentais mantém-se como sinal claro de conivência com o feroz regime ditatorial de Musharraf que chegou ao poder, recorde-se, há 8 anos através de um golpe de Estado!
Vergonhoso!
Muito justamente, fomos lestos a etiquetar Hugo Chávez como promitente ditador, especialmente após ter conseguido que o Parlamento da Venezuela, eleito por sufrágio universal, aprovasse uma revisão constitucional que, entre outras mudanças, deixa de limitar o número de mandatos presidenciais.
No entanto, Musharraf, eleito indirectamente pelo Parlamento do Paquistão a 6 de Outubro, decreta o estado de emergência a 3 de Novembro, manda os seus aviões lançar bombas sobre a população à pala do terrorismo, demite os juízes do Supremo Tribunal e nomeia outros, tribunal esse que indefere 5 dos 6 recursos contra a validade da eleição presidencial, parece continuar a beneficiar de uma complacência, conivência passiva até, por omissão de firma condenação, destas democracias nossas ocidentais e das pessoas em geral.
Estas atitudes não alicerçadas em princípios éticos e morais que deveriam ser inalienáveis, mas em interesses económicos muito particulares e pontuais, conduzem à crescente descredibilização de todo o Ocidente, nomeadamente daquilo que mais caro nos é e apregoamos aos quatro ventos: a democracia, a liberdade individual e o respeito integral pelos direitos humanos.
Vital Moreira criticou sexta-feira à noite o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, por defender que o novo tratado europeu devia ser ratificado através de uma «consulta popular», considerando que isso «não tem sentido democrático» (via Diário Digital)
Acho naturalíssimo que para Vital Moreira uma consulta popular não faça sentido democrático. Afinal, o que separa Jorge Sampaio de Vital Moreita é toda uma vida, uma vida inteira dedicada à luta por uma vivência democrática e participada.
Incentivado pelo Luís Novaes Tito (link) e pegando numa imagem sacada no Contra Capa (link) da Cristina Vieira associo-me à corrente Free Burma, colocando um post neste dia dedicado ao pedido de libertação de Burna (Birmânia) da cruel violência que ditadura militar, com o silêncio da China, impõe aos cidadãos.
Há limites para tudo - devia haver - nesta palhaçada desta democracia “mediática”. Mais “merdiática” que mediática em que políticos, jornalistas e comentadores estão muito bem uns para os outros.
João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos.
Democracia merdiática? Ora, nem mais!!!
Polícia norte-americana imobiliza jovem com choque eléctrico quando, pacificamente, colocava questões a John Kerry numa conferência de imprensa.
Segue vídeo da Sic Notícias sem mais comentários.
Sob o título Sinais dos Contratempos o Dragão, sempre com uma escrita irrepreensível, desfia sobre o despudor e arrogância dos políticos no rescaldo destas eleições de Lisboa. Deixo excerto:
Seja como for, quem se abstém apenas descomparece à urna, não deixa de existir. O não-votante, por muito que custe ao regime e os comensais deste teimem em tratá-lo como tal, não se transforma automaticamente num fantasma, num nada ostracizado para um limpo periódico. Fantasmagórica, efabulástica e espectral tem vindo a tornar-se, isso sim, ao longo das cleptodiceias, a paródia eleiçoeira. Com uma única e fatal constante: os espectros vão aparecendo cada vez mais gordos e as afluências cada vez mais magras. Já não falta tudo, se é que ainda falta alguma coisa, para que aqueles atinjam o ponto de balão e estas o nível mínimo de clientela.
Há quem nos queira convencer que afinal a crescente abstenção em toda a Europa (excluindo as últimas eleições em França) não é fruto do distanciamento dos políticos dos cidadãos até porque, dizem, vejam estas eleições de Lisboa onde até havia independentes e tudo…
Independentes? Primeiro não sei o que isso possa ser, nem independentes nem isentos, será alguma doença genética nova que torna as pessoas amorfas? Depois, mesmo desses independentes a que se referem (não ter filiação partidária), também não vi nenhum nestes eleições. Dissidentes, sim, mas também políticos de longa data, muito datados…
O que se impõe é que apareçam políticos que façam Política, que se acerquem dos cidadãos e que com eles resolvam os seus problemas em vez de esbanjarem os dinheiros públicos em campanhas eleitorais de propaganda enganosa de circunstância cujo único objectivo é o show mediático!
Não precisamos de independentes nem de isentos, porque também não precisamos de eunucos; precisamos sim, como de pão para o boca, de gente séria na política, gente interessada em chamar os cidadãos à participação activa e que antes dos interesses do Estado ou da União Europeia (que cada vez menos se percebe que sejam diferentes e até contraditórios dos das pessoas) coloquem os desses mesmos cidadãos, os que têm problemas para resolver e que eles querem que os elejam.
Não, caro Daniel Oliveira, António Costa vence as eleições de Lisboa com apenas menos 17.115 votos expressos que Carrilho. O apenas até que está correcto…
A facilidade com que os profissionais da política e os media associados insistem em escamotear a abstenção é hoje patético. Vital Moreira, em jeito de quem terá sido apanhado desprevenido, pede ajuda para explicar o fenómeno, enquanto Medeiros Ferreira afirma que A abstenção é uma vergonha para os lisboetas e seus candidatos.
Uma vergonha para os lisboetas?
Despudor é continuar a purgar os resultados eleitorais do valor da abstenção, isso sim!
Dizer que António Costa ganhou com 29,6% quando, na verdade, vai ser Presidente da Câmara da Lisboa através da vontade expressa de apenas 11% dos eleitores de Lisboa, mais concretamente, 57907 votos em 524248 possíveis, é anedótico, embora o mesmo suceda com os outros candidatos e em outras quaisquer eleições!
Para cúmulo desta legal vergonha os candidatos das listas vão assumir mandatos para os quais ninguém os mandatou! Se em questão estavam 17 mandatos e se 64% dos eleitores não mostraram vontade de eleger qualquer um deles (uns abstiveram-se, outros votaram em branco e outros nulamente), apenas 6 candidatos foram mandatados e apenas esses deveriam exercê-los.
É esta verdade que se quer escamotear, seja nestas eleições seja noutras e de outra carácter, seja neste país e por essa Europa fora, que desprestigia cada vez mais os políticos e a política, uma vez que, das duas uma, ou os candidatos não serviam ou os eleitores não quiseram cuidar da democracia representativa. Ora em qualquer destes casos convém que os eleitores e os políticos tenham consciência clara de que a sua atitude poderá muito bem representar, a curto prazo, o fim da democracia representativa, o menos mau dos sistemas, como sói dizer-se!
Manter a camuflagem da abstenção, dos votos brancos e nulos é a mesma coisa que dizer a um moribundo que ele está a melhorar…
Mais grave ainda do que este despudor foram as declarações da generalidade dos candidatos que, ao saudarem apenas os que foram votar, tentaram colocar-se (ou sentem-se mesmo) numa posição de superioridade moral sobre quem não foi e, por outro lado, alguns ainda assumiram entusiasticamente vitórias, quando, de facto, todos perderam, uma vez que juntos (nem sei ao certo quantos eram) somaram apenas 36% de votos expressos. Isto é de uma arrogância anti-democrática inconcebível!
Adenda: O CAP fez as contas certas seguindo o método d’Hont e dá 4 mandatos sufragados.
Porque será que as Eleições Legislativas para a Região Autónoma da Madeira não beneficiaram desta freima mediática que mesmo sem querer assistimos em torno destas Eleições Autárquicas da cidade de Lisboa?
Francamente não sei, mas também não estou habilitado a saber, são coisas de políticos para jornalistas e de jornalistas para políticos, coisas de democracia, dizem, mas em boa verdade vos digo, depois do debate que espreitei, não tenho a mínima dúvida de que o Dr. Alberto João Jardim é bem mais divertido que eles todos juntos e se o negócio é mesmo de entretenimento, não se hesite, contratem-se os melhores!
PS considera normais nomeações em sub-região de saúde tendo em conta os resultados eleitorais (deputado do PS na Assembleia da República, via Público)
Tendo em conta os resultados eleitorais? Tendo em conta os resultados de 2005, temos o seguinte:
abstenção+votos brancos+votos nulos - 38%;
Partido Socialista - 29%,
ou seja, o PS obteve a maioria dos votos dos cidadãos eleitores e muito menos absoluta (tal como com outros partidos anteriormente, diga-se).
Seguindo o raciocínio do tal deputado, de que as nomeações não devem atender não à competência, mas à fidelidade dos resultados eleitorais, só os cidadãos que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo é que deveriam ser nomeados!
A publicação de resultados eleitorais baseada só em votos expressos é uma infame camuflagem da vontade dos cidadãos porque a abstenção é também uma forma de se expressarem e, a meu (já há atrás se foi escrevendo sobre o papel da abstenção) será o principal motivo do descrédito cada vez mais profundo do sistema partidário e, em última análise, da democracia ocidental!
Para além deste facto, é de salientar que até a vergonha em assumir esta podre partidocracia ocidental parece ter desaparecido!
Dia do trabalhador, sim, eu sei mas, preciso, o 1 de Maio de 1974 em Portugal.
Depois do 25 de Abril anterior, aquando do golpe militar para acabar com a guerra ultramarina e derrubar a ditadura, seguiu-se uma semana que muito poucos terão o privilégio de viver - a ingenuidade de um punhado de militares vitoriosos e a espontânea adesão popular de norte a sul do país.
Nessa semana o povo e os militares desmantelaram, sem sangue, a estrutura policial da ditadura, resgatando os presos políticos, acolhendo os exilados, destruindo os edifícios da Pide/DGS, perseguindo e denunciando (por vezes injustamente) os seus funcionários e informadores, desenvolvendo e consolidando uma livre aliança que culminou com a presença de milhões de pessoas na celebração do 1 de Maio.
A beleza de Abril, consubstanciada na espontaneidade do Povo e do MFA, durou uma semana, cujo auge se atingiu no 1 de Maio. A partir daqui as estruturas partidárias já montadas e outras que se foram formando, arregimentaram militares e pessoas que se deixaram, mais uma vez ingenuamente, acantonar sob a égide de ideologias paradisíacas e de religiões tuteladas e tutelares, que estavam ao serviço de interesses internacionais poderosos e bem prosaicos.
Foi uma semana, uma semana em que houve Povo, onde este livremente se exprimiu e os militares acolheram - uma semana que, apesar de irrepetível, recordo com alegria e sonho, também na minha própria e muda ingenuidade, que um dia, talvez, até poderia ser possível!
Sempre me interroguei por que razão os media gastam dezenas de horas a dar a palavra e a entrevistar políticos!?
Sei e tenho um enorme respeito por todos os que se baterem contra a ditadura, alguns com graves prejuízos familiares e até físicos, mas não esqueço que o 25 de Abril foi uma revolta de militares que queriam e conseguiram pôr termo à guerra do ultramar.
Sem estes homens, que demonstraram grande coragem, a democracia não teria chegado tão cedo, nem aos democratas teria sido entregue o poder político!
Neste dia a minha homenagem vai sempre e só para o MFA - Movimento das Forças Armadas.
Abstenção - 15% em França
Não sendo especialista em análises nem densos comentários políticos, tenho para mim que esta tão parca abstenção é a resposta dos franceses, acima do demais, contra o perigo do nazismo, do racismo e da xenofobia que eles tinham permitido nas últimas eleições com a passagem de Le Pen à segunda volta.
Afinal, mesmo com os conhecidos problemas de uma imigração descontrolada, da guetização dos imigrantes, do crescimento da violência de grupos de excluídos e marginais, o valor da democracia europeia falou mais alto.
Se isto for verdade, estou muito satisfeito. Afinal, nestes novos tempos, os partidos do mainstream já não mobilizam ninguém, mas o espectro do horrendo passado nazi europeu fez tocar a rebate.
A educação pode ter tido um papel preponderante num país que coloca a História num plano muito elevado. A educação não pode ser só tecnologia e matemáticas! Nós precisamos de ir sendo feitos de tudo, também da língua, das humanidades, das artes, não só para sermos produtivos mas, mais precisamente, para sermos, em plenitude.
A prática da pena de morte no Iraque cresceu rapidamente desde que voltou a ser introduzida em 2004, o que levou o país a ter actualmente a quarta maior taxa de execuções do mundo, indicou hoje a Amnistia Internacional. (via Diário Digital)
Dá-me ideia que, em calhando, os senhores da Amnistia Internacional não percebem nada de democracia! Então eles não sabem que foi o tirano ditador Saddam, que aboliu a pena de morte e que foi a democracia que voltou a instaurá-la?
A conselho de quem, isso agora é que não sei…
O Capital - esse filho ingrato
Quase dois séculos, 2 séculos de política e políticos a defender o capital e sua livre circulação, como condição prima para o aparecimento de uma larga classe média, sustentáculo das nossas democracias representativas e da democracia!
Mas esse mal parido filho emancipou-se, dos progenitores não mais quer saber, porque descobriu que o meio em que melhor se dá e reproduz não é neste modelo ocidental, mas sim o do autoritarismo de um capitalismo que explora sem piedade a mão-de-obra.
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O capital já não é sinónimo de empreendimento, de desenvolvimento, ele próprio de meio em objecto se tornou, assexuado, capaz de se reproduzir por si próprio. As democracias ocidentais (as mães) tornaram-se descartáveis e apenas delas se servirá enquanto elas conseguirem ter capacidade de intervir apenas e só enquanto consumidoras de bens produzidos sob o estigma da exploração humana.
Pour la première fois, la Chine a dépassé les États-Unis comme fournisseur de l’Union européenne en 2006. (…) Ses ventes ont atteint 191,5 milliards d’euros, devant celles des États-Unis qui n’ont représenté que 176,2 milliards. Les produits informatiques, la hi-fi et les télécoms ont été les trois premiers secteurs d’exportation chinoise devant l’électroménager et les vêtements. (…) Conséquence, le déficit commercial de l’UE vis-à-vis de la Chine s’est encore alourdi de 20 % l’année dernière pour atteindre 128,2 milliards. La Chine est ainsi le pays vis-à-vis duquel l’Europe affiche le plus fort déficit, loin devant celui de la Russie (65 milliards). (…) Cette dégradation du commerce extérieur de l’Union européenne ne semble pas sur le point d’être enrayée. En janvier, le déficit commercial de l’UE a atteint 26,2 milliards d’euros contre 9,4 milliards en décembre. (Le Figaro)
É um novo paradigma, uma emancipação não esplanada nas melhores sebentas ou manuais académicos, alheio a eles, alheio à liberdade, à mão invisível e adverso à liberdade - ele molda-se e dá-se bem na ditadura, seu novo e mais que adequado habitat.
Aqui há tempos falei da falta de negócio e do fim da liberdade; agora escrevo sobre o ocaso da União Europeia, uma congregação de burocratas idealistas que querem à força evoluir para uma união política quando a económica não conseguiram sedimentar!
O Banco Central Europeu, esse baluarte último, preocupa-se só, e apenas, com a atracção do capital agiota que com deferência acolhe e, sem o obrigar a empreender, lhe garante mais-valias fiduciárias inimagináveis em fundos de investimento sem rosto, que tudo vendem e compram e alienam com o maior desprezo pela sua fixação e pelo desenvolvimento do Homem.
O João Miranda, no seu estilo folgazão, goza com a promoção da igualdade na educação.
«Esta ideia da esquerda de usar a educação para promover a igualdade não é lá muito brilhante. O sucesso educativo depende da educação prévia em casa, da inteligência, da dedicação ao trabalho. Tudo factores desigualmente distribuídos pela população.»
Eu também me apeteceria gozar não fora a certeza de que o problema não é de direita nem de esquerda, mas de estupidez - a desigualdade nunca será minorada através de uma política de igualdade, uma vez que ao tratar igualmente o que é desigual favorecer-se-á, invariavelmente, os mais fortes.
O paradoxo das democracias ocidentais foi, ao ter inscrito o princípio da igualdade nas suas Constituições, na burguesa presunção de que a classe média expandir-se-ia, foi cavando cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
O António Costa Amaral contrapõe com o que designa por sistema justo de “redistribuição”, mas dá-me ideia de que esta igualdade burguesa, sustentada pelo princípio da mutualidade, deveria ser substituída pelo princípio da solidariedade, i.e., os que têm contribuírem para os que não tiveram possibilidade de ter, de forma a promover a igualdade.
Agora se é a direita ou a esquerda que prefere o princípio da solidariedade ao da mutualidade é assunto que, de todo, não sei, nem me importa muito saber!
Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações!
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)!
Preocupados?
Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada!
O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia!
É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque…
Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico!
1 - na Europa, a “democracia representativa? está entregue a um sistema partidário onde tudo se decide em nome de todos;
2 - Sondados 50.000 cidadãos em 68 países, apenas 13% (6.500) acredita no sistema vigente, enquanto 65% (32.500) não acredita de todo (ver notícia);
3 – em Portugal, apenas 1,82% dos cidadãos têm filiação partidária.
Vamos, vamos lá a votar para continuar a entregar os nossos destinos à pandilha dos aparelhinhos que condicionam o nosso pensamento, acção, enfim, o exercício da nossa cidadania!
Bora lá, pessoal, coitaditos, eles precisam!
Porque é que a ideia do voto branco do Saramago incomoda tanta gente, da direita à esquerda?
Ciente da crescente abstenção, provocada pela incapacidade deste sistema representativo que atribui aos partidos, em regime de exclusividade, a responsabilidade de mobilizar os cidadãos e que por tal o ónus dessa abstenção sobre eles recai, não encontrei resposta que não fosse o medo. O medo de para si próprios assumirem que o “seu reino? vai nu!







