Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Economia e Finanças’

Os arautos do absolutamente livre funcionamento dos mercados, os neo-liberiais de hoje, que não liberais à moda antiga como gosta, justamente, Francisco José Viegas de se demarcar, uma vez que estes aprenderam com Keynes após a depressão de 29, desaparecem sempre em momentos de crise económica e/ou financeira, ousando mesmo demandar dos Estados obrigações que em tempos de abastança recusam, chegando mesmo ao ponto de quase defenderem a abolição do seu papel de regulador. (ver notícia do Público que anuncia que o FMI pede intervenção pública mais radical no mercado)
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O desemprego continua a ser a maior preocupação que devemos ter e que deve merecer a nossa mais cuidada atenção
(…)
O desemprego deve ser um objectivo nacional
(…)
tentar minorá-la o mais depressa possível
Teixeira dos Santos ao Público

Também estou muito preocupado e solidário com a pungente preocupação de Teixeira dos Santos - olha-se para o Orçamento de Estado para 2008 e logo ao mais leigo à vista ressalta essa preocupação, esse objectivo nacional, a tentativa de minorar o mais depressa possível…

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Santos Ferreira, esteve reunido na semana passada com o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para o informar de que discordava da proposta de fusão do Banco Comercial Português (BCP) com o Banco Português de Investimento (BPI). (via Público)

A Caixa Geral de Depósitos começa a ser assunto sério! Vetou a OPA da SONAE.com sobre a PT; sobre a OPA do BCP sobre o BPI nada disse; agora pronuncia-se publicamente contra a fusão do BCP com o BPI!
Estranho, tanto mais por não se compreender qual a diferença, para o banco do Estado, entre o resultado de uma OPA bem sucedida do BCP sobre o BPI ou a fusão dos dois bancos. Isto, supondo, é claro, que a CGD não está a defender, e muito menos a representar, interesses privados, coisa que nem pela cabeça me passa, bem entendido!

“Inaceitável é a atitude de resignação perante o mau desempenho da economia portuguesa”.
Entrando nos aspectos directos da evolução da economia, Cavaco Silva defendeu que o país não se podia conformar perante “uma retoma mínima”?, como a que se verifica em Portugal. “Precisamos de regressar à convergência real com os parceiros europeus”?. (via Público)

Este não é o Prof.º Cavaco Silva que conhecíamos. O que terá mudado? A meu ver nada, a não ser o papel de Presidente da República ser diverso do de Primeiro-Ministro ou, talvez, convém não esquecer, que ele gosta de sublinhar que enquanto foi Primeiro-Ministro a nossa economia convergia com a CEE.
Sem esquecer que nesses idos tempos chovia dinheiro de uma Europa só a 15, dinheiro esse que não foi aplicado na modernização de Portugal para além da rede viária, nem que Cavaco Silva sempre foi muito conservador no enfoque da contenção das despesas em detrimento do investimento, convém salientar que esta sua indignação, nas funções que ora ocupa, é sinónimo de coragem e de boa pressão sobre o governo.

Ler eu cá confeçu do Piotr Kropotkine no Anarca Constipado.

insustentável e inaceitável é o crescimento económico assente na destruição social. (Cavaco Silva citado no Diário de Notícias)

Nem mais! Então destruição social sem crescimento nem saberia como adjectivar!

Dívida à banca em título de notícia no Público.
Eu sei (quem não sabe?) que a banca é, toda ela, muito bem gerida, mas sem este factor e se pagasse os impostos devidos como qualquer outra empresa, acho que os tais lucros nem sequer reflectiriam este maná!!!

Quase dois séculos, 2 séculos de política e políticos a defender o capital e sua livre circulação, como condição prima para o aparecimento de uma larga classe média, sustentáculo das nossas democracias representativas e da democracia!
Mas esse mal parido filho emancipou-se, dos progenitores não mais quer saber, porque descobriu que o meio em que melhor se dá e reproduz não é neste modelo ocidental, mas sim o do autoritarismo de um capitalismo que explora sem piedade a mão-de-obra.

A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)

O capital já não é sinónimo de empreendimento, de desenvolvimento, ele próprio de meio em objecto se tornou, assexuado, capaz de se reproduzir por si próprio. As democracias ocidentais (as mães) tornaram-se descartáveis e apenas delas se servirá enquanto elas conseguirem ter capacidade de intervir apenas e só enquanto consumidoras de bens produzidos sob o estigma da exploração humana.

Pour la première fois, la Chine a dépassé les États-Unis comme fournisseur de l’Union européenne en 2006. (…) Ses ventes ont atteint 191,5 milliards d’euros, devant celles des États-Unis qui n’ont représenté que 176,2 milliards. Les produits informatiques, la hi-fi et les télécoms ont été les trois premiers secteurs d’exportation chinoise devant l’électroménager et les vêtements. (…) Conséquence, le déficit commercial de l’UE vis-à-vis de la Chine s’est encore alourdi de 20 % l’année dernière pour atteindre 128,2 milliards. La Chine est ainsi le pays vis-à-vis duquel l’Europe affiche le plus fort déficit, loin devant celui de la Russie (65 milliards). (…) Cette dégradation du commerce extérieur de l’Union européenne ne semble pas sur le point d’être enrayée. En janvier, le déficit commercial de l’UE a atteint 26,2 milliards d’euros contre 9,4 milliards en décembre. (Le Figaro)

É um novo paradigma, uma emancipação não esplanada nas melhores sebentas ou manuais académicos, alheio a eles, alheio à liberdade, à mão invisível e adverso à liberdade - ele molda-se e dá-se bem na ditadura, seu novo e mais que adequado habitat.
Aqui há tempos falei da falta de negócio e do fim da liberdade; agora escrevo sobre o ocaso da União Europeia, uma congregação de burocratas idealistas que querem à força evoluir para uma união política quando a económica não conseguiram sedimentar!
O Banco Central Europeu, esse baluarte último, preocupa-se só, e apenas, com a atracção do capital agiota que com deferência acolhe e, sem o obrigar a empreender, lhe garante mais-valias fiduciárias inimagináveis em fundos de investimento sem rosto, que tudo vendem e compram e alienam com o maior desprezo pela sua fixação e pelo desenvolvimento do Homem.

Tal como Henrique Granadeiro prognosticou a Telefonica está muito aflita após o núcleo de accionistas financeiros da PT afirmar em uníssono que ela deveria tirar as consequências de não votar com eles!
Já tirou e prova disso é o anúncio da compra da Endemol publicado no Guardian:

Spanish telecoms group Telefonica finally launched the £2bn sale of Big Brother producer Endemol today.
The formal announcement, which had been hotly anticipated for many weeks, is set to trigger a fiercely contested auction between the likes of Endemol co-founder John de Mol and recently departed chief operating officer Tom Barnicoat.
Telefonica has hired Lehman Brothers to advise on the process, which could see it sell part or all of its 75% shareholding.

É voz corrente nos media que o Estado, ao optar pela abstenção na assembleia dos accionistas, tomou uma posição imparcial com o intuito de não interferir no mercado.
Ora posição mais cínica não se poderia imaginar como se o governo não conhecesse de antemão a posição dos accionistas privados e a da Caixa Geral de Depósitos não tenha influenciado!
Acreditará o governo nesta nova administração sustentada num grupo de accionistas desligados de qualquer vestígio de experiência empresarial que não a financeira e know how específico, agora que estão em rota de colisão com a Telefónica?
A esta questão só José Sócrates poderá responder!
O que eu não tenho dúvidas é que o único empresário português digno desse nome foi mais uma vez travado não pelo mercado, mas pelo Estado, tal como anteriormente acontecera com o Totta, com o Pinto & Sotto Mayor, com o BPA nos governos de Cavaco Silva, instituições que, pelo acaso da coincidência, estou seguríssimo, foram absorvidas por empresários estrangeiros.
Porque insiste Belmiro de Azevedo em investir em Portugal se Portugal tem inveja e medo dele?
Esta é uma questão que só mesmo Belmiro de Azevedo poderá responder.

Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações!
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)!
Preocupados?
Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada!
O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia!
É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque…
Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico!

A convite do NERBE/AEBAL Medina Carreira esteve em Beja a dissertar sobre «Perspectivas de Desenvolvimento para Portugal na Próxima Década» tendo, a propósito focado vários aspectos das teses que vem defendendo sobre as razões do nosso atraso.
«o Estado não existe “para dar respostas aos empresários, mas sim, para lhes dar condições de trabalho” e que devem ser “os empresários a traçar o seu próprio caminho“. Considerou ainda que “a saída para Portugal está no aumento da competitividade e na produção para exportação“» (Rádio Voz da Planície)
Medina Carreira, diga-se, nunca nos atirou com o chavão do “menos Estado” porque sabe e defende a necessidade de um Estado forte a proporcionar oportunidades, a regular o mercado e fiscalizá-lo. Medina Carreira sabe que o nosso hipotético futuro passa necessariamente pelo empreendimento e trabalho de todos, nomeadamente, do empresário e acrescenta, desta vez (ou pelo menos eu não conhecia a sua posição sobre o assunto) que «o país deve apostar na educação pois “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“»! (Rádio Voz da Planície)
Sábias palavras, em especial o impacto da frase - “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“!
Diagnóstico perfeito e assertivo! Que falta então se conhecemos os obstáculos e como os ultrapassar?
Francamente acho que não falta, há até excesso! Excesso de Professores Doutores embutidos nas Universidades a debitar uma ou duas teses por ano publicadas nas mais prestigiadas publicações de cada área, economistas especialistas em Finanças Públicas e gestores de nomeação pública que, para além de nunca terem posto o pé numa empresa privada nem fazerem a mínima ideia de como é que o mercado, de facto, funciona, nunca empresários ousaram ser!
Porquê? Ora, exactamente porque sabem que, apesar de os diagnósticos e as soluções serem fruto de demorada e difícil investigação, não é o dinheiro deles que corre nem têm o gume da banca encostado ao pescoço.
Ser empresário, como defende o Prof. Medina Carreira e muitos outros especialistas nesta matéria, implica não ter nenhum ordenado, uma pensão ou várias acumuladas, subsídio ou probenda do Estado e arriscar o que é seu! E quem arrisca a sua vida e da família pretende assegurar o menor risco possível - seja em termos de retorno seja na rapidez do “break even point”!
Assim sendo, volto à vaca fria, a de saber qual será o louco que hipotecará o seu capital em Portugal ou na União Europeia sabendo que noutras paragens terá uma moeda muito mais barata, uma mão-de-obra incomparavelmente mais mais em conta e que não coloca problemas laborais e, para mais, um “know how” bem superior?
Por muitas voltas que os Senhores Professores dêem, ser empresário, como os senhores muito bem ensinam nos muitos assentos das muitas universidades, é estar no local e momento certos para agarrar as oportunidades e estas, definitivamente, enquanto os tecnocratas do Banco Central Europeu teimarem em manter o preço do euro disparatadamente elevado, não estão na União Europeia!
Daí que os empresários há muito que já traçaram o seu caminho! Os empresário, repito, não os investidores à conta dom Estado!
O problema poderá parecer que será de falta de empresários mas, a montante, temos causa bem mais profunda e condicionante - a falta de oportunidades de negócio!
Aparecem elas e, estimados Senhores Professores, empresários não faltarão, como nunca faltaram onde há negócio!

Ah, mas consideram sapientemente, Vossas Mercês, que este género de empresas não são viáveis, não correspondem aos padrões de produtividade em voga, são economicamente obsoletas, não têm espaço num Portugal moderno e europeu, pois bem, abram-se falências, mandem-se umas centenas de milhar para o fundo de desemprego, onde sempre poderão ganhar ficticiamente em sequentes e inconsequentes cursecos promovidos pela instituição enquanto permanecem isentos de contribuir para a Segurança Social, pagos na totalidade pelo bolso do contribuinte, enquanto que os que esforçadamente investiram e mantiveram alguns postos de trabalho, assegurando sem ser a expensas do Estado o sustento das respectivas famílias, não poderão usufruir do subsídio de desemprego pelo repugnante soberba de terem sido sócios-gerentes!

Tenham juízo! Caiam na realidade e não se deixem formatar pelos néscios ensinamentos que vos impingem nos banquinhos das faculdades

Venham para cá, arrisquem a ser empresários, arrisquem a dar trabalho aos outros e verão, sim, disso não tenho a mínima dúvida, que anda para aí muita gentalha manga d’alpaca a querer-vos colocar o rótulo de ladrões.
Venham, venham para ver como a mudança de assento vos dará outra perspectiva. Venham, estudem e analisem menos e venham produzir, mesmo que “improdutivamente” como vos querem formatar!

1 - Mais de metade das empresas não paga IRC, foi o que se soube e é verdadeiro.
2 - Verdadeiro é também que quase 60% das empresas portuguesas são micro-empresas maioritariamente de comércio a retalho.
3 - Dessas micro-empresas, 80 % não tem mais de 5 funcionários.
4 - Mais de 50% dessas facturam menos de 500.000,00€.
5 - Contas feitas antes de impostos, isto é, facturação menos pagamento a fornecedores, água, luz e telefone, pagamento a funcionários, Segurança Social, entrega do IIVA recebido, deslocações, assistência pós-venda e demais despesas.

Por isso, meus senhores de fato cinzento, funcionários seguros de grandes instituições, excelsos professores associados e catedráticos, analistas, bloguistas e comentadoristas, façam contas e constatarão que perante o acima enunciado, se conseguirmos trazer para casa 300 contecos, depois de pagar Segurança Social e IRS, é um mês de sucesso e isso depois de adiantar do nosso, aquilo a que vocências chamam investimento, e por isso vão chamar ladrão ao caralho!

Basta! Enxerguem-se!

Neste post da Praça da República, Nikonman reproduz a sua crónica de hoje na Rádio Pax. Lê atentamente a incongruência entre os preços e os rendimentos entre Portugal e outros europeus, mas, hélas, faz uma descoberta à custa dessa leitura:
os comerciantes, aqueles que conseguem praticar promoções de 30, 40 e 50%, são os ganhadores destes tempos de depressão!
Esses energúmenos devem estar é podre de ricos e é bem feito que tenham levado com o IVA e o PEC em cima que é para aprenderem!
Razão tem a Sra. Ministra!
Num só ano encerraram mais de 4 centenas de estabelecimentos de comércio a retalho, só em Beja prevê-se que este ano cerca de 50% encerre até ao Natal, mas não é por efeito da crise, é porque vão gozar as centenas de milhares que meteram ao bolso!!!
De certezinha absoluta, ò Nikonman, com esta não contava eu!