Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Educação em Cultura’

Ainda continuo por perceber para quem são exames e para quê são os exames.” Albino Almeida, presidente da CONFAP

««os exames “fazem bem à saúde e são uma forma de [os estudantes] entenderem que a vida é uma competição (…)” (…)»
«o que “estraga” é a pressão a que os jovens são submetidos, não tanto pelos exames, mas pelos pais e professores que “exorbitam o tipo de consequências que vão ter (…)” Eduardo Sá, psicólogo, psicoterapeuta e psicanalista, doutorado em Psicologia clínica pela Universidade de Coimbra.

Associações de pais que querem assento na gestão de escolas para promover o facilitismo e psicólogos e psiquiatras, ou cientistas da educação como hoje se diz, que justificam a existência de exames porque fazem bem à saúde, mal-grado (para o psicólogo) a ‘maldade’ de alguns pais e professores prezarem que filhos e alunos se desenvolvam intelectualmente, eis a quem os Ministérios da Educação têm entregue os destinos de uma Educação que deveria ter a promoção do acesso à cultura e à formação de identidade próprias o principal factor de inclusão social.
Inclusão pelo facilitismo através do sucesso da passagem ‘administrativa’ camuflada, não é mais do que promover uma sociedade de pares de cultural mediocridade.

O presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, António Gomes Pinho, defendeu hoje a extinção do Ministério da Cultura e a sua substituição por uma secretaria de Estado, autonomizando as instituições actualmente dependentes da tutela.
(…)
“Teria outro significado: iria promover a libertação de um conjunto vastíssimo de instituições da tutela do Estado”, acrescentou.
(…)
Com “as poupanças resultantes da extinção do Ministério da Cultura”, o administrador de Serralves defende a constituição de um fundo — gerido profissionalmente — e que contratualizaria as funções culturais definidas como prioritárias, a longo prazo, com as várias instituições. (via Público)

De repente, como que por artes mágicas, apareceu primeiro o Dr. Rui Rio e agora o Dr. António Gomes de Pinho a defender que o mal da cultura é a existência de Ministério dedicado e que a sua passagem a Secretaria de Estado tudo resolveria!
É muito mau que pessoas com tanta responsabilidade saiam a terreiro a defender que uma mera cosmética administrativa - a passagem de Ministério a Secretaria de Estado - resolve os problemas de que padece a cultura em Portugal! Dá a ideia de que ouviram umas coisas aqui e outras ali e colam-nas sem nexo!
Por outro lado, pasme-se, não advoga e muito menos reivindica que o Estado deva, antes de mais, estabelecer uma política e modelos de gestão cultural assumidos, transversais e transparentes.
Inusitado é, para mais, não apelar ao investimento privado e sustentar que o importante é que o Estado constitua um fundo para financiar várias instituições, prioritárias no seu entender, e no entender de cada governo que em sorte nos calhe, ou seja, continuar com a subsídio-dependência, mas só para alguns, os eleitos de cada governo! Nada há de mais perigoso neste momento do que deixar ao critério dos aparelhos partidários a distribuição de fundos sejam eles para a cultura, educação ou outra qualquer área!
Estimado Dr. A. Gomes de Pinho, o que o senhor defendeu só viria favorecer o que neste momento é o cancro do sistema - o financiamento do Estado ser feito a bel-prazer dos governantes, sem uma missão, objectivos nem modelos de gestão e de controlo definidos e transparentes!
Volto ao que venho defendendo na tese Educação em Cultura, o estabelecimento de uma política cultural do Estado orientada para as escolas, que terá de ser, forçosamente, transversal a várias tutelas dispersas por vários Ministérios, i.e., uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual tenham uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, obrigando a uma reformulação profunda na constituição dos governos para que tal seja possível.
Passo a citar (link):

Sem esquecer a essência da escola – ensinar – o que está hoje em causa, em especial nos primeiros anos de escolaridade, diria até aos 16 anos, é dotar as crianças e adolescentes de uma vivência multidisciplinar integrada o mais abrangente possível, onde o habitat digital seja natural, permitindo-lhes adquirir uma consciência crítica que propicie a construção de identidades, com fundamentos éticos e morais, capazes de participar e interagir criativamente na construção deste novo mundo – a passividade na sociedade digital conduz, inevitavelmente, a fracturas na coesão social.
Neste contexto, as soluções não poderão continuar a ser um exclusivo do Ministério da Educação! A questão é educativa, é certo, mas antes do mais, é cultural, de gestão cultural, mais precisamente (política cultural se se preferir), onde a interdisciplinaridade será obrigatória, envolvendo, profissionais de educação, sim, mas sociólogos, antropólogos, psicólogos, artistas, especialistas de audiovisual e media digital e, necessariamente, de gestores capazes de traçar objectivos precisos e objectivamente quantificáveis e avaliáveis
.

Enquanto não nos livrarmos destas pessoas do eduquês, que pensam que as crianças são burras e à pala disso elaboram as mais rebuscadas teses de mestrados, doutoramentos e quejandos, a Educação no 1º Ciclo, nomeadamente a artística, estará entregue, tal como aconteceu já este ano, conforme há um ano alertei, a pessoas sem habilitações adequadas nem experiência, contratadas à peça e remuneradas à hora!
A Educação Artística para esta gente continua a ser um apêndice lúdico, esquecendo, ou não sabendo, que a expressão artística é mais antiga que a matemática, a física ou a escrita e não pode ser encarada como uma actividade de lazer! Deve, como saber e conhecimento fundamental para a construção da narrativa pessoal de cada aluno, ou se preferirem, como instrumento basilar para a formação da(s) identidade(s), estar a par e conjugada com os demais saberes! (link)
São pessoas como a sra. Prof.ª Dr.ª Lucília Salgado da Escola Superior de Educação de Coimbra, a qual apresentou uma comunicação sob o título Emergência de conhecimento a partir de práticas: apresentação do Estudo sobre o Enriquecimento Curricular em escolas apoiadas pela ESEC, inserida no encontro promovido pela ESEC, Aprender em Tempo de Lazer: o Enriquecimento Curricular que, ao não compreenderem tal necessidade, amputam as crianças de uma parte substancial dos instrumentos necessários ao seu desenvolvimento. Defendeu a senhora:
As actividades de enriquecimento curricular dos alunos do 1º ciclo devem ser realizadas em perspectiva lúdica e não como mais horas de aulas (…)
(…)
O problema são os tempos de lazer das crianças. Têm 25 horas de aulas por semana, mais dez horas de aulas de enriquecimento curricular, mais trabalhos de casa.
(…)
Lucília Salgado defendeu uma pedagogia “próxima do brincar, actividade em que a criança aprende imensas coisas”, que tem por base a teoria do lazer: descansar, divertir e desenvolver.
(…)
A criança deve aprender de forma lúdica. Não deve ser carregada com mais trabalhos escolares formais, mas ter uma aprendizagem através de actividades culturais.
(excertos retirados do Público)

Isto só pode ser brincadeira! Continuo, francamente, sem perceber para que servem estas Escolas Superiores de Educação, em especial, no que à educação artística diz respeito e que cada vez cativam menos alunos para os seus politécnicos cursos!

É a estes especialistas, sejam os das Escolas Superiores de Educação sejam os das Ciências da Educação que o Ministério da Educação se agarra para, paulatinamente, ir empobrecendo a educação das crianças e adolescentes e desmotivando (não tenho a mínima dúvida) os bons professores! Esta é a lógica do Professor Único, assunto sobre o qual também escrevi (aqui e aqui) muito do agrado do Sr. Secretário de Estado Valter Lemos!
Num momento em que sobre tudo e todos recaem suspeições, seria prudente que o Governo evitasse de alguma forma que se possa pensar que há estudos encomendados à medida dos interesses do Ministério da Educação!

Neste post no Indústrias Culturais o Rogério Santos relata as participações dos conferencistas no Colóquio sobre Televisão e Crianças que ocorreu na Universidade Católica por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais. Estupefacto (ver adenda), leio o que Sara Pereira, investigadora da Universidade do Minho com ensaios publicados que muito prezo, e o que Quintino-Aires, presidente do IPAF - Instituto de Psicologia Aplicada e Formação, disseram:

(…) os educadores são a família e os pedagogos (escola, professores), não devendo competir esse papel à televisão. Sara Pereira

(…) nada na televisão influencia uma criança se o que ela vê não se relaciona com um adulto (o mediador, como Sara Pereira se referiu). Quintino Aires argumenta que, para se formar uma opinião ou ter uma reacção, é preciso construir um símbolo do que se vê. Para ele, vive-se no século XXI com demasiados medos quando se fala da construção da criança. Quintino-Aires

Conhece-se e sabem com toda a certeza estes conferencistas, até porque até têm estudos publicados que o referem, que a televisão é hoje quem mais valores consegue transmitir às crianças e adolescentes (cerca de 70% na Catalunha e 74% na Califórnia), positivos e negativos, é certo, mas todos eles importantes para a formação da sua identidade, não necessitando de qualquer adulto mediador para serem assimilados, desde que sejam aceites pelo grupo - os colegas de referência.
E é, a meu ver, nesta conformidade que se deve reequacionar o mainstream de considerar que à televisão não compete educar uma vez que o faz, mesmo que não seja essa a pretensão dos editores, e de forma anárquica por desregulada estar!
Hoje, atendendo ao facto de a televisão ser o mais poderoso meio de comunicação junto das crianças e adolescentes, dever-se-ia equacionar que papel poderia o audiovisual desempenhar na Educação e na Formação de Identidades de forma articulada, até curricular com as escolas, e que sentido faz, neste enquadramento, continuar a insistir numa definição de Serviço Público de Audiovisual que é omissa quanto à sua responsabilidade educativa.

adenda: o que aqui escrevi deve ser analisado em consonância com as clarificações que Rogério Santos deixou na caixa de comentários.

Muito concreta, sucinta e assertiva a reflexão de Magna Ferreira que demonstra o profundo desconhecimento da realidade por parte dos autores do relatório sobre a avaliação do Ensino Artístico no Para lá das Paredes. Deixo um excerto, mas aconselho vivamente a leitura integral:

«(…) os próprios autores do documento agora sujeito a discussão pública, não assumem o seu relatório como conclusivo, pelo que nenhuma iniciativa legislativa poderá ser promovida validamente por invocação das intuições que aí se plasmam.
Pelo contrário, antes de qualquer iniciativa legislativa, urge antes uma discussão pública efectiva de todos os actores do ensino artístico nacional, sem descuidar a participação activa do Ministério da Cultura, dos representantes do Ensino Superior – das Artes em particular - e, no contexto possível, da sociedade Portuguesa e da sua administração. Não podemos isolar a avaliação e disparar argumentos sem que contextualize e se faça a interacção entre os diversos responsáveis e agentes educacionais e culturais do país (…)»

Dia Internacional dos Museus O Dia Internacional dos Museus deste ano vai ser um fartote lá para os lados do IPMuseus! Ele é conferências, ele é concertos, ele é revistas, ele é exposições, ele é debates, ele é ateliers, ele é oficinas, ele é jogos e acções lúdicas, ele é contos, ele é concursos, ele é dança, ele é desfiles e passeios, ele é tudo iniciativas à borliù num show próprio de um país rico como o nosso! (30 páginas em PDF de iniciativas)
É evidente que mentes mesquinhas como a minha prefeririam pegar neste dinheirito dos contribuintes gasto num só dia e anunciar a recuperação de mais um museu, sei lá…, o de Beja, por exemplo, que nem ar condicionado nem tão pouco ventilação tem!
Mas isto é mesmo só de pessoas mesquinhas que não valorizam os shows mediáticos nem se preocupam com votos futuros, só com os Museus e com as pessoas, as que os frequentam e as que deveriam ser incentivadas desde tenra idade a frequentar!

A propósito deste post a Alice Valente deixou um comentário que transcrevo, onde aborda alguns espartilhos mentais que jazem desde oitocentos no conceito de evolução.

«EVOLUIR!
É isso mesmo, evoluir! E evoluímos para um qualquer forma de estarmos todos bem, será sempre, sempre nesse sentido.
E não se confunda evolução natural com progresso.
É que progredir poderá ser no mau sentido e até anti-natural, quando associado à competitividade no tirar (roubar e matar) a ocupar o espaço dos outros e mesmo assim, a evolução continuará também aí a reagir e com toda a certeza irá igualmente corrigir essa progressiva forma de mal se estar. E isso não há dúvidas! Temos muitos exemplos para olhar na História da Humanidade…
É que a evolução acontece, porque existe uma ordem-natural e evolutiva das coisas, dos seres! E por seres que somos com Sentir e Pensar precisamos da Educação e da Cultura para nos sociabilizarmos a estarmos bem uns com os outros. Os outros seres também evoluem, mas esses sem necessidade de Educação e Cultura e todos até sabemos porquê.
Mas há uma certeza que me acalma, é que toda a ciência, os cientistas e a cienticidade já vão presentemente assumindo, que a evolução não contempla a obrigação, o obrigatório e a competitividade, a evolução assiste-nos sim mas pelo que é singular e único. Isto é, a evolução é como que uma perfeita e musicada sintonia universal e que comunica com todos os corpos no que é o Ser em sua Natureza. Se nos conciliarmos com este estar evolutivo de sermos, com certeza que a Educação e a Cultura terão um papel crucial para que a aprendizagem se efectue harmoniosamente, mas de uma forma intuitiva e evolutiva, mas sempre apartado de qualquer conceito formatado em lutas hostis das rivalidades competitivas que só geram sofrimento, doença e destruição.»

Alice Valente

Parece que a imperiosa necessidade do ensino artístico não consegue, definitivamente, mobilizar as pessoas para defender a sua inclusão generalizada na educação, que artística deveria também ser e não embrulhada numa confusão chamada de enriquecimento curricular.
Sinto-me cansado de bater no ceguinho (desajustada expressão porque até um cego consegue ver), farto de Ministros e Secretários de Estado que pretendem varrer o pouco que há, entristecido com artistas e agentes culturais que apenas pensam nos subsídios estatais para dar espectáculos, mesmo que público não tenham; enjoado com programadores que vão despejando o que lhes dá na real gana, com maior ou menor qualidade, sem cuidarem do fundamental - o investimento na educação artística (a par dos demais saberes, é claro) é o único caminho seguro para a formação de novos públicos, uma vez que um público conhecedor é o retorno garantido para que cada vez mais espectáculos possam acontecer.
O conhecimento não faz com que as pessoas sejam melhores que outras nem as torna mais felizes! Trata-se de uma questão de Ser, de sermos mais plenos.
Para quem ainda não assimilou a premência da educação artística em contexto curricular desde a infância deixo um vídeo de Bobby McFerrin, captado em Leipzig, sem necessidade de comentários nem legendas! Para quem quiser continuar a não querer entender ou a fazer ouvidos de mercador, olhem, foda-se!

Bobby McFerrin e Público - Bach-Gounod, Avé Maria

ps: Este texto foi inspirado num comentário que a Alice Valente deixou num post atrás, num email que a Filipa Taipina me enviou onde estava o vídeo, os quais alicerçam a tese que venho defendendo Educação em Cultura.
Muito obrigado às duas pela inspiração, desobrigando-as, claro, do f*** que me saiu.

Não sendo especialista em análises nem densos comentários políticos, tenho para mim que esta tão parca abstenção é a resposta dos franceses, acima do demais, contra o perigo do nazismo, do racismo e da xenofobia que eles tinham permitido nas últimas eleições com a passagem de Le Pen à segunda volta.
Afinal, mesmo com os conhecidos problemas de uma imigração descontrolada, da guetização dos imigrantes, do crescimento da violência de grupos de excluídos e marginais, o valor da democracia europeia falou mais alto.
Se isto for verdade, estou muito satisfeito. Afinal, nestes novos tempos, os partidos do mainstream já não mobilizam ninguém, mas o espectro do horrendo passado nazi europeu fez tocar a rebate.
A educação pode ter tido um papel preponderante num país que coloca a História num plano muito elevado. A educação não pode ser só tecnologia e matemáticas! Nós precisamos de ir sendo feitos de tudo, também da língua, das humanidades, das artes, não só para sermos produtivos mas, mais precisamente, para sermos, em plenitude.

Qual é o modelo que defende em termos de gestão das escolas?

Estamos ainda a trabalhar na proposta. Temos que trabalhar com os conselhos executivos e com a Associação Nacional de Municípios. Mas aquilo que me parece crítico no actual modelo de gestão é a abertura da escola ao exterior. A gestão quotidiana da escola tem dois eixos críticos. Em primeiro lugar, a escola deve permitir uma efectiva participação das comunidades educativas locais, ou seja, de associações de pais, de instituições de proximidade, das autarquias. O segundo eixo é o funcionamento dos órgãos intermédios de gestão. O estatuto vem ajudar a tornar mais efectivo o trabalho desses órgãos. Mas esse facto deve ter consequências no diploma de gestão e autonomia, com uma responsabilização diferente destes órgãos e com a designação dos seus responsáveis de modo diferente. (entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues a Ensino Magazine em Fevereiro de 2007)

Sra Ministra, estas suas palavras não fazem sentido algum nem alcance têm enquanto não enraizar os alicerces organizacionais do sistema educativo conforme escrevi, nomeadamente ao que à gestão escolar diz respeito e que reafirmo:

1 – responsabilizar civilmente os pais pela educação dos seus filhos através do Código Civil, dentro do âmbito dos deveres da paternidade e com penas aplicáveis;

2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;

3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;

4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.

Basta de palavras avulsas sobre revisões de estatutos de carreira docente, sobre tlebs sim, tlebs não, sobre educação artística como opção de ‘enriquecimento curricular’, de Educação para a saúde obrigatória!
Basta minha senhora!
Tudo quanto possa dizer ou fazer sem estes prévios passos não passa de demagogia, nem em nada melhora a qualidade do ensino prestado!

O Governo manifestamente encravou em matéria de política educativa e um dos sinais é a gestão das escolas, onde não há evolução no modelo”, disse o dirigente democrata-cristão, que defende um modelo de “escolas capazes de desenvolver o seu próprio projecto educativo e a sua autonomia (Ribeiro e Castro via Público)

Às vezes fico com a impressão de que os blogues servem para alguma coisa. Mas é muito pouco às vezes…

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defendeu hoje no Parlamento que as provas globais do 9º ano são dispensáveis porque não têm efeitos práticos na avaliação dos alunos, mas escusou-se a adiantar se estas serão substituídas por exames nacionais. (Público)

Há já uns dias que circulava a informação, há tantos quantos a outra que a Sra. Ministra se recusou a responder - o fim dos exames nacionais do 3º ciclo, o 9º ano.
Finou-se aquela réstia de esperança que alimentava, Sra. Ministra da Educação, a de que no fundo a senhora tinha boas intenções. A Senhora vergou-se, por completo, à pressão do sucesso escolar, ou melhor dizendo, do facilitismo que implica que haja passagens para a estatística sem o equivalente conhecimento.
A Senhora encetou reformas quando, muito antes delas, deveria ter começado por aquilo a que chamei de alicerces - a reorganização administrativa e de gestão do sistema educativo.
Das duas uma, ou a senhora andou a enganar o país desde o início, ou terá sido pressionada para abdicar do que inicialmente almejava!
Seja qual for a hipótese verdadeira só lhe resta uma saída honrosa - a demissão!

Contrariando a tendência que se constata em quase toda a Europa, excluindo França donde teimamos decalcar, o governo ensaia na comunicação social a ideia de prolongar o professor único até ao 6º ano.

«Segundo Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, o que se quer evitar é que, do quarto para o quinto ano, os alunos passem de um professor para dez, amenizando a transição curricular das crianças, algo que tem sido uma das críticas mais frequentes feitas por outros sistemas educativos europeus ao sistema português.» (Público)

Amenizar a transição curricular das crianças é um objectivo salutar mas, enquanto na Europa se caminha para, desde o 1º ano, os alunos terem professores por disciplina e horário semanal fixo para cada uma (bastaria o Sr Secretário de Estado ir ao Colégio Alemão, por exemplo), por cá a via é cortar ao n.º de professores, implicando uma redução assustadora da qualidade do ensino prestado, já que a especialização individual e o trabalho de equipa são um caminho sem retorno no que ao conhecimento diz respeito.
Francamente, acho que esta ideia cairá por ela própria sob pena de regredirmos dezenas de anos, mas espero que os sindicatos, em vez de se porem aos berros contra a redução de professores que a medida implica, abordem o assunto pelo lado da preservação e incremento da qualidade do ensino nas escolas, desde o 1º ano!
Esta ideia é das tais que nem a um guarda-livros lembraria!

A Cristina Vieira no Contra Capa pegou no assunto que atrás abordei da cultura e sua gestão aludindo que, por considerar que a cultura é elitista se deveria enveredar pela progressividade de níveis de complexidade na programação e, coincidentemente com uma educação para a arte também progressiva.
Eu compreendo o que a Cristina pretende dizer e aceito que se se optar, exclusivamente, por programações de fruição mais complexa o carácter elitista adensar-se-á. Apesar de o assunto ser demasiadamente vasto e de difícil solução transcrevo para aqui o comentário que deixei no seu blogue embora só seja compreensível se antes lerem o seu texto.

1 - não há cultura elitista - cultura é cultura, é tudo o que nos deixaram;
2 - por deficiente educação o legado cultural cuja fruição requer bagagem prévia foi sendo “apropriado” por cada vez menos pessoas que formaram um grupo restricto e, por outro lado, esse mesmo grupo foi-se fechando e reivindicando a “sabedoria” de fruir só para eles (aqueles a que tu bem inseres na “elite” que referes;
3 - a única forma que encontro para devolver da sua fruição a todos é ela ser objecto de estudo na escola, desde tenra idade, onde as artes não sejam vistas como um apêndice, mas como imprescindíveis para a formação da identidade, tal como a língua e a matemática;
4 - como em qualquer outra área para lá das artes, devemos dar às crianças os clássicos originais, uma vez que elas não são burras e têm uma capacidade de assimilação muito superior a um adulta (como sabes melhor do que eu, a capacidade de assimilação ou de aprendizagem, se preferires, é das poucas coisas que vamos perdendo desde o dia em que nascemos);
5 - qualquer clássico original será sempre melhor do que um sucedâneo do mesmo, uma vez que tudo está datado e a criança deve enquadrar cada obra no seu tempo, para perceber a nossa evolução bem como para compreender, mais tarde, manifestações mais vanguardistas; começar por estas é que seria (e tem sido) um erro de palmatória;
6 - entretanto, para os adultos que não beneficiaram de uma educação deste tipo e que têm direito à fruição artística, pode-se perfeitamente (penso eu) encaminhá-los para manifestações menos complexas, embora sem ceder ao facilitismo e à falta de qualidade;
7 - tudo tem a ver com educação e com gestão cultural e, neste último particular aspecto, com uma gestão criteriosa do investimento e da receita em especial no que concerne aos equipamentos culturais - defendo que, sem nunca ceder na qualidade, deve-se incluir na programação manifestações artísticas mais comerciais de modo a que a receita de bilheteira consiga financiar outros projectos essenciais, mas fora do circuito comercial.

Esta última questão levar-nos-ia à mentalidade vigente (que escrevi noutro sítio) do divórcio entre os actores culturais e os “contabilistas” que saem das nossas escolas de economia. Enquanto não resolvermos esta tendência secular, enquanto os “contabilistas” não forem gestores para olhares para a cultura como um bem a investir e os actores culturais não admitirem que têm um produto para comercializar e rentabilizar, será muito difícil chegarmos a bom porto.

É a pergunta que mais me têm feito nos últimos tempos apesar de eu já ter assumido posição por diversas vezes, nomeadamente aqui. No entanto, e porque os clássicos são sempre bons conselheiros, deixo um excerto datado de 1947 :

«(…)
Quanto à cultura, uma espécie de educação do berço que na esfera social confere brilho à educação, mantém e completa a instrução académica. Esta educação do berço é justamente importante na esfera do gosto e é essencial ao criador, que deve incansàvelmente educar o seu gosto ou correr o risco de perder a sua perspicácia. O nosso espírito, assim como o nosso corpo, requer um exercício contínuo. Fica atrofiado se não o cultivarmos.
É a cultura que traz à luz o valor completo do gosto e lhe dá a oportunidade de provar o seu valor simplesmente pela sua aplicação. O artista impõe uma cultura sobre si próprio e termina por impô-la aos outros. É desta maneira que se estabelece a tradição.
A tradição é completamente diferente do hábito, mesmo dum hábito excelente, porquanto o hábito é, por definição, uma aquisição inconsciente e tende a tornar-se mecânico, ao passo que a tradição resulta duma aceitação consciente e deliberada. Uma tradição verdadeira não é a relíquia dum passado irremediavelmente desaparecido; é uma força viva que anima e nos informa do presente.
(…)
Longe de implicar a repetição daquilo que foi, a tradição pressupõe a realidade daquilo que tolera. Surge-nos como uma herança, um legado que se recebe com a condição de o fazer frutificar, antes de o passar para os nossos filhos.
(…)
Sinto uma espécie de terror quando, ao começar a trabalhar, me encontro perante a infinitude de imagens que me surge, e compreendo que tudo me é permitido. Mas, se tudo me é permitido, seja o melhor ou o pior, se nada me oferece resistência, então o meu esforço não tem sentido e não existe nada em que me possa apoiar; consequentemente, toda a tentativa me aparece como fútil.
A função do criador define-se na necessidade de depurar, pela tradição, os elementos que recebe da imaginação, pois a actividade humana tem de impor limites a si própria. Quanto mais a arte é controlada, limitada, trabalhada, mais livre ela é.
(…)»

Igor Stravinsky, “A Poética da Música”, Harvard University Press, 1947, trad. port. de Maria Helena Garcia, Dom Quixote, 1971

Hoje, em 2006, sabemos que a educação que então se dava em casa foi transferida para a escola e, assim sendo, sem substimar a responsabilidade prima dos pais na educação dos filhos, a escola só pode ser o que deveria ser quando as tutelas hoje disseminadas pelos ministérios da educação, da cultura e do audiovisual trabalharem sob a mesma missão e objectivos - a aprendizagem das crianças e dos jovens.
A Escola, não os ministérios, nem os gabinetes de estudos, nem as comissões de não sei quê, deve ser o habitat o mais abrangente possível do que somos (a cultura) não para educar ou ensinar, mas para aprender e, neste contexto, nenhuma área deve ser escamoteada, desde a matemática e do português, sim, mas sem relegar para segundo plano as humanidades e as artes - a música e teatro, a dança ou as artes plásticas.

Não há forma de entenderem que o desenvolvimento técnico, científico, artístico, passa por uma Educação em Cultura. É a cultura, aqui no sentido conhecer o património material e imaterial, condição essencial de assimilação de quem é o Homem em todas as suas dimensões, que deve servir de base a toda e qualquer forma, sistema, ou quadro dito “educativo”.
Agora o Ministério da Educação atira-nos com mais uma flashada: «Temos de inscrever o ensino experimental como actividade obrigatória no ensino básico e o caminho, para além de alguns projectos e iniciativas, passa pelo programa de formação contínua, dando continuidade à formação inicial do professor e permitindo valorizar as suas competências» (Maria de Lurdes Rodrigues ao Público), enquanto o Ensino Artístico ficou englobado, gloriamente para aquela gente, numa coisita chamada de Enriquecimento Curricular!
Bem eu disse que este pomposo conceito de enriquecimento curricular na escola me provoca urticária aguda!
É o regresso à Renascença, ao Iluminismo, talvez, mas com poucas, muito escassas luzes!

Ontem no “Diga lá Excelência”, Marçal Grilo mostrou estar em sintonia com a Ministra da Educação, em especial no que concerne à revisão do estatuto da carreira docente e à autonomia das escolas, o que não é para admirar já que mantém-se coerente com o que sempre defendeu.
No entanto, Marçal Grilo sabe que não há reforma de gabinete que resulte se ela for feita contra os seus executores, os professores, no caso. Sabe e defendeu mais uma vez a Ministra aduzindo a deficiente comunicação…Ao Domingo à noite a coisa ainda vai, mas à 2ª feira, dasss meu, não há pachorra. Nem para o Dr. Marçal Grilo nem para a Sra. Ministra!
Como é que estes senhores, com os quais até simpatizo, acham possível a autonomia das escolas enquanto não alterarem a sua forma de gestão? Como é que estes senhores, bem intencionados, repito, acreditam que a avaliação dos professores vai funcionar se irão ser avaliados pelos colegas que elegeram e irão eleger?
Estará tudo doido varrido ou será mesmo que ainda estarão toldados pelo “bom selvagem” de Rousseau?
Entre S. Tomás e Rousseau, o homem é intrinsecamente mau ou intrinsecamente bom, vai um mundo de acasos onde o bem e o mal, o bom e o mau, se mesclam em ininterruptas reacções aos mais diversos estímulos e, portanto, não há sistema que funcione se não houver condições objectivas para que ele seja implementado, controlado e avaliado.

Eu gostaria de ter ouvido que antes de qualquer genial reforma educativa haveria que implementar 4 condições essenciais para que, sejam elas quais foram, poderem ser aplicadas e avaliadas:

1 – os pais devem ser civilmente responsáveis pela educação dos seus filhos, devendo este dever estar no Código Civil formalmente inscrito no conceito de paternidade e com penas aplicáveis;

2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;

3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;

4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.

Depois desta merda implementada então, porra, façam lá as geniais reformas vindas da cadeia de comando, pois já existirão condições locais para que elas possam ser implementadas e quem as poderá executar – professores, pais e alunos.

Não há pachorra! Comecem o edifício pelos alicerces!!!

Estimado A.A. (resposta a comentário)

É fácil, com frases feitas, é demasiadamente fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi, livre de defuntas ideologias como as de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, em estudo já realizado, que o Estado gastará menos, controlará melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto despendeu em 2005 o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, no programa de Arte em Rede, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de audiovisual, sente-se, veja o resultado, e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertada e avulsamente como tem sido.

nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?

1 - será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?

2 - será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?

Não são precisos mais exemplos, pois não? Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos, sim, de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, são também dispensáveis discursos de esquerdas e de direitas, necessitamos, isso sim, de gente com bom senso e coragem.

No A Arte da Fuga o Adolfo Mesquita Nunes e o António Costa Amaral colocam duas questões pertinentes:

1- «No seguimento do que escreveu,

No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias [culturais?] Lisboa/Porto e o resto do país

Desafio a responder à pergunta “Porquê?”. Porque é que se entende que uma visão centralizadora e paga com o dinheiro de todos nós é melhor do que aquilo que a sociedade é capaz de produzir espontaneamente?»;

2 - que papel deve o Estado representar na cultura?

1 - Exactamente porque entendo que o Estado deve, progressivamente, desvincular-se da tentação de tutelar a criação artística e centrar-se na sua vocação - a de regulador e de incentivador da fruição das artes.
Só que regular é estar atento e intervir quando o mercado provoca distorções, como por exemplo, a assimetria Lisboa/Porto e o resto do país
Incentivar a formação de novos públicos não é gastar milhares de milhões de euros, como aconteceu nos últimos 30 anos, em programas de subsídios aos criadores e às salas de espectáculos sem qualquer resultado (o público decresceu assustadoramente).

1 e 2 - Defendo, sinceramente, que o Estado, no seu papel de incentivador da fruição das artes, deve centrar os seus esforços na escola, proporcionando o ensino artístico curricular, como o faz noutras áreas do conhecimento.
Nesta perspectiva, consideraria muito positivo que o Estado desse trabalho (não subsídios) aos criadores através de encomendas que enriquecessem, de forma integrada, esses planos curriculares, seja ao nível de produções audiovisuais, teatrais, literárias, musicais, plásticas ou multidisciplinares.
Ensinar e criar um habitat cultural na escola é o melhor, mais eficaz e mais produtivo meio de, simultaneamente, educar, formar novos públicos, dar trabalho aos artistas e esquivar-se da subsídio-dependência.
Só que para isto, como tenho defendido, é necessária uma política de Gestão Cultural do Estado integrada e transversal a várias tutelas.

O Adolfo Mesquita Nunes na Arte da Fuga entendeu que as novas orientações do Ministério da Cultura não «pretendem liberalizar o sistema, tornando-o mais ágil e independente, mas tão só pretende racionalizar os custos na atribuição de subsídios. Uma vez mais, o que determina a reforma é a necessidade de poupar dinheiro e não tanto a de tentar uma via alternativa de desenvolvimento.»
Mas, estimado AMN, o que é que impede um artista de criar em total liberdade e colocar no mercado o seu trabalho dentro do mais rigoroso conceito liberal?
Nada! Rigorosamente, nada! Faça-o e não dê contas ao Estado!
No entanto, se se candidatar e for contemplado com um subsídio do Estado para criar é porque está disposto a cumprir as regras do mandante - cumprir com o que lhe foi pedido!
Trata-se de um contrato comercial, para todos os efeitos, obrigando, como tal, a que as partes cumpram o estipulado.
O que andou (e anda) muito mal há muitos anos é o Estado não controlar o que subsidia, não saber porque é que o faz, não avaliar a relação custos/benefícios e não obrigar os subsidiados a rigorosos métodos de gestão e prestação de contas!

Passo a reproduzir o comentário que deixei na caixa do Arte da Fuga.

Estimados
Estou do lado dos que consideram que ao Estado não compete balizar a liberdade dos criadores. Mas o Estado não impede que os artistas criem na maior das liberdades!
O problema é que os criadores querem criar à conta do Estado e sem prestar contas!
Esta é que é a questão!
No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias Lisboa/Porto e o resto do país, sendo que, para cumprir estes desígnios, não me incomoda nada que o Estado encomende trabalho específico a artistas de variadas artes e ofícios, desde que estipule o que pretende, controle os processos e avalie e premeie os resultados - na perspectiva do lucro (porque não?) e do benefício.
Que está esgotado o modelo de um ministério dito da cultura para distribuir subsídios a troco de não se sabe bem o quê, parece pacífico, mas o salto a dar, que incomoda muita gente, é o de articular transversalmente as tutelas da Cultura, da Educação e do Audiovisual numa política de Gestão Cultural única, agilizada e ao serviço dos contribuintes.
Neste sentido, não me parece que não querer pactuar com espectáculos que ficam ao Estado a 300 euros por assistente (ressalvando excepções sempre necessárias) e exigir o controlo da gestão dos projectos subsidiados seja motivo para acusar alguém de apenas ter uma visão economicista ou de querer reduzir a despesa!
Ouve-se há muito tempo dizer que a cultura não é para dar lucro, mas permitam-me duas perguntas:
- há algum artista que não pretenda vender o seu trabalho?
- e se o quer vender porque será que acha que o Estado tem obrigação de comprá-lo?

Sobre o documento de intenções, apresentado hoje no CCB, relativo ao novo Regime de Apoio às Artes pela Ministra da Cultura e Secretário de Estado, retive algumas ideias:

1 - Nas candidaturas de apoio à programação de cine-teatros, serão privilegiadas as candidaturas que visem a captação e formação de novos públicos, contemplem uma dimensão educativa e impliquem o acolhimento de uma entidade de criação em regime de residência permanente ou temporária não inferior a três meses por ano;

2 - promover a fixação de entidades de criação artística no interior do país;

3 - promover a internacionalização das artes e dos artistas portugueses e contribuir para o aprofundamento da cooperação artística internacional;

4 - ligar as artes ao emprego jovem, ao meio escolar, às ciências, ao turismo, à inclusão social, solidariedade social, ambiente e ordenamento do território, bem como a o desenvolvimento regional;

5 - proporcionar maior sustentabilidade das entidades apoiadas pelo Ministério da Cultura através do Instituto das Artes;

6 -acompanhar melhor o processo de apoio e reforçar a responsabilização das entidades apoiadas.

Ou seja, para quem andou apenas a despejar espectáculos (bons ou maus, muitos ou poucos) sem estabelecer uma missão, objectivos precisos, nem providenciou uma gestão que proporcionasse uma maior sustentabilidade, obriga a que venha agora o papá Estado fazer o que quem de direito deveria, atempadamente, ter feito e não fez!!!
Mas é evidente que o que recentemente escrevi aqui e aqui não passou de uns meros devaneios…

O texto que escrevi a propósito do 1º aniversário do PAX Julia foi alvo de algumas interpretações que me parecem completamente descontextualizadas. Por isso transfiro para post um texto que lá coloquei a propósito de um comentário do Nikonman, que vai muito mais além de uma resposta. Passo a transcrever.

O respeito que me merecem todas as pessoas impede-me, precisamente, de individualizar o assunto que tratei (recordo mais uma vez, gestão, no caso, cultural).
Mais adianto que, muito seguramente, apresentar alguns espectáculos, nas condições existentes, terá sido quase um milagre e que a maioria das pessoas que trabalham no PAX JULIA deverão ter tido muitos e muitos dias em que pouco dormiram ou comeram.
Exactamente por isso enderecei os parabéns, sinceros, a todos os envolvidos - Câmara, funcionários e prestadores de serviços.
Por outro lado, não falei dos espectáculos apresentados, nem da sua qualidade nem da sua quantidade, pois a programação deve ser, do meu ponto de vista, o reflexo de uma missão e objectivos previamente delineados, os quais desconheço.
Por último, quando afirmei que existia «equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção», está perfeitamente implícito (sem individualizar a questão) o desajustamento funcional! Termos uma pessoa mais do que qualificada para executar determinado tipo de funções a fazer outras é mais um caso de ausência de gestão, para não dizer de má fé.
Se quiserem pegar nas minhas palavras para entender um insulto, façam-no, estão no seu direito, mas não foi isso que escrevi nem foi essa (quem me conhece, sabe) a minha intenção.
A minha intenção é clara (peço o favor de lerem com atenção, com mente aberta e sem emprenharem pelos ouvidos) - trabalhar para que daqui a uns tempos não tenhamos de constituir movimentos, manifestações e abaixo-assinados para que o PAX JULIA possa continuar a desenvolver um papel relevante para o Distrito de Beja.

Quanto a uma empresa municipal para «evitar que a veleidade privada se exiba e fique municipalmente controlada» não sei que dizer, (aliás já escrevi bastas vezes sobre o assunto aqui no Ideias Soltas muito antes do PAX JULIA abrir), mas não sei de que tenha mais receio, se das veleidades privadas se das públicas.
Há muito a pensar antes de dar esse passo:

1 - tem Beja uma dimensão crítica que permita o desenvolvimento do projecto em condições de progressivo auto-financiamento?
2 - se tem quais as prioridades que deve privilegiar?
3 - se não tem o que deve fazer?
3.1 - dar prioridade à formação de públicos?
3.2 - investir mais no Serviço Educativo ou manter o investimento quase exclusivo na oferta de espectáculos?
3.3 - envolver na sua gestão a parceria com outras Câmaras do Baixo Alentejo?
3.4 - envolver na sua gestão a parceria com entidades privadas?
4 - que responsabilidade deve ter na promoção dos artistas e instituições culturais da região?
4.1 - há conhecimento dos valores que cá residem?
4.2 - depois de os conhecer e seriar, têm valor para actuar no PAX JULIA?
4.3 - deve e pode o PAX Julia promover os valores regionais pelo país afora, aproveitando a estrutura de rede em que está inserido e, se sim, qual a percentagem do orçamento que deve ser afecto a esse objectivo?
5 - que papel deve desempenhar a iniciativa privada no Pax Julia?
6 - se se considerar que deve desempenhar, que objectivos traçar e de que forma a implementar?
6.1 - entregar o espaço à iniciativa privada?
6.2 - manter o estado actual e decidir pontualmente?
6.3 - constituir mais uma estrutura camarária que defina universalmente quais os critérios, condições e meios de controlo para a sua prossecução?
6.4 - definir a missão, objectivos e formato e entregar contratualmente a gestão a uma entidade privada que o faça, a quem se possa assacar responsabilidades?
7 - obtidas as respostas às questões anteriores, qual a equipa de gestão mais adequada e qual o perfil de cada elemento?
8 - elaborar o plano, onde está, entre outras coisas, incluído um modelo de programação, para cumprir a missão e objectivos traçados.

As respostas a estas e outras questões deverão ser prévias a qualquer decisão, pois sem elas, sem se estabelecer, com rigor, o que se pretende, como se avalia e quais as formas de controlo, tudo poderá não passar de iniciativas meramente especulativas.

Completa-se hoje, dia 17, 1 ano desde que o Pax Julia reabriu as suas portas.
O Pax Julia é um recinto cultural de programação regular (utilizando a designação do Programa Operacional de Cultura (POC) que pagou a sua reconstrução e sustentou, em grande parte, a sua programação, até agora, pois termina precisamente este ano de 2006), incluído no contexto de Arte em Rede do Ministério da Cultura, juntamente com outros 62 recintos.
Não sei se será hora de balanço pois a sua gestão não é diferenciada, estando a ser gerido directamente pela Câmara Municipal de Beja, através de uma equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção), a qual, entre muitas outras responsabilidades, tem a seu cargo a gestão deste espaço.
Já seria muito bom sabermos qual a missão, objectivos e metas particulares a que o Pax Julia se propôs inicialmente, por um lado e, por outro, a sua concretização bem como saber se cumpriu as metas impostas pelo POC que o sustenta.
Não pretendendo ser pessimista - aliás o modelo de gestão (ou a sua falta) do Pax Julia é idêntica ao da maioria dos recintos apoiados - sempre adianto que muito me preocupa saber que o Ministério da Cultura financia actualmente o grosso da manutenção e programação de 74 recintos culturais (incluíndo os nacionais) e que, concluído que está o Programa Operacional de Cultura, como é que eles sobreviverão.
Vivemos num país onde está na moda dizer que queremos menos Estado e simultaneamente exigir mais do Estado, ou seja, uma prática oposta ao discurso, mas a verdade é que, em tempo de balanço, o que os directores destes espaços invariavelmente lançam é a quantidade de espectáculos exibidos e, por vezes, a taxa de ocupação das salas, sem curar de tocar no pomo da questão: o que é que fizeram no sentido do auto-financiamento destes preciosos espaços, de forma a assegurar o seu futuro?
Convenhamos que (nem será necessário recorrer ao bom senso, basta à honestidade intelectual) o Estado não pode sustentar 74 espaços de programação regular! Porquê? Primeiro porque esta política inviabiliza a empresarialização da cultura (o aparecimento de empreendedores, de produtores e agentes culturais - condição essencial para a constituição de uma indústria cultural) e, em segundo lugar, porque o Estado não tem mesmo capacidade financeira para o fazer (as prioridades e o orçamento estão muito longe deste desiderato).
Regressando ao POC e lendo um dos seus principais objectivos,

«(…) estruturadas sob a forma de circuitos de programação, co-produção e divulgação das artes do espectáculo e visuais, demonstrando que com o projecto se obtêm efectivamente ganhos de eficiência que contribuam para as condições de sustentabilidade dos recintos culturais envolvidos e para a melhoria da oferta cultural nas regiões mais desfavorecidas do território nacional.»

facilmente e sem grandes contas constatamos que, tirando honrosas excepções de Câmaras que entregaram a gestão destes espaços a pessoas ou entidades externas com conhecimento e a quem possam ser assacadas responsabilidades, não se vislumbram quaisquer iniciativas conducentes à sustentabilidade! Mais grave, ainda, é saber que os detentores dos espaços pensam mesmo que o Estado tem obrigação de, per si, os sustentar!
Não sou pessimista, mas estou muito preocupado com o futuro destes espaços, preocupação essa que já vem desde a aventura de os restaurar e/ou construir (basta correr o que por aqui escrevi sobre gestão cultural e sobre o Pax Julia).
Muito mais penoso do que não ter é ter de encerrar o que com muita dificuldade e com dinheiros públicos se ergueu, por manifesto desinteresse pelas mais básicas regras de gestão!
Apesar das minhas preocupações, endereço à Câmara Municipal, aos seus funcionários que, entre outras responsabilidades, têm a de fazer com que o Pax Julia funcione, bem como à equipa de prestadores de serviços (em especial técnicos) que faz com que possa acontecer, os meus parabéns e o desejo, muito sincero, de este dia seja o primeiro de muitos aniversários do PAX JULIA.
Hoje, às 21:30h, poderemos assistir a:

ficha técnica:

Direcção: Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum
Director Assistente: Eduardo Wotzik
Adaptação: Leonor Xavier
Guarda-roupa: José António Tenente
Desenho de Luz: Marinel Matos
Intérpretes: Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique

Mesmo correndo o risco de, por esquecimento, poder ser injusto, quero agradecer à Gisela Cañamero, à Catarina, ao Anarca Constipado, ao Francisco Nunes, ao Orlando Braga, à Guida Alves, ao Paulo Querido, à Teresa Cascudo, ao Luís Tata, ao The Old Man, à Ana Mello, ao João Norte, à Jacky, ao José Vieira, à Rosana Garcia, ao Leonel Vicente, ao Raúl, ao Tiago Bartolomeu Costa, ao César Viana, ao Paulo Bastos, bem com a todos que por correio electrónico manifestaram o seu apoio e, muito particlarmente, à Filipa Taipina e ao Rogéro Santos, cuja presença activa em muito enriqueceu as ideias que pretendi passar…

À parte, porque convém realçar estas atitudes, agradeço à Alice Valente, promotora financeiramente desinteressada do evento, que acreditou no “meu sonho” e na necessidade de o divulgar.
Um bem haja a todos.

Eu peço desculpa, mas acho que aquela Sandra Vanessa não tem qualquer problema. Nem ela nem as amigas. Elas sentem-se na maior!
E, assim sendo, também os professores não têm.
Mas nós, nós que lemos aquela ficção, temos! Não gostamos do que lemos. Alguns acharão que ela estará perdida; outros que se trata de uma minoria.
É que o problema que ali existe é nosso, é cultural, se preferirmos, geracional - as Sandras Vanessas, ou Manuelas, Isabéis, Nunos ou Gonçalos vivem num tempo e num habitat que nos recusamos a assumir que existe e é tão real como o nosso. Nós, os “cotas” desta sociedade, marginalizamos estes jovens e nada fazemos para nos aproximarmos do seu habitat - o habitat cultural da nova sociedade digital global.
Se cada um de nós assim procede (retirando sempre as honrosas excepções), como poderemos assacar à escola e aos professores responsabilidades?
O desfazamento cultural entre o habitat de aprendizagem e o de ensino impedem que a comunicação flua e seja profícua, tendo graves consequências ao nível dos resultados finais!
De nada adianta culpabilizar individual ou sectorialmente os agentes educativos, pessoas e instituições, e muito menos defendermo-nos com “a inevitável consequência da escolaridade obrigatória”, se nós, enquanto pais, cidadãos, ministros, secretários de estado, professores, não nos disponibilizarmos a aproximar deste novo habitat cultural, de modo a que ele se possa reflectir no sistema de ensino e, naturalmente, na escola.
Só assim nos será possível comunicar, ensinar, transmitir valores aos nossos adolescentes, de forma a que consigam atingir o tão almejado sucesso escolar e, especialmente, prepara-los para encontrarem a sua identidade neste aldeia global, embora multi-linguística e multi-cultural.

ps: gostaria de agradecer a todos quanto participaram na entrada anterior com comentários que só enriqueceram o lá deixei escrito.

Nasci e vivo em Corroios com os meus pais que trabalham em Lisboa.
Olhem tou podre. Ontem a prof de historia chamou-me mal educada só pq lhe disse que n deitava fora a chiclet que tinha acadabo de por a boca!!! Mas que e que ela quer??? Então eu não posso ouvila e ver aqueles slaides manhosos dumas fotografias muito velhas que um tal Fan Ike tirou a mais de 400 anos?? A cota é passada!!
Bem n intereça ela que se enxa de pulgas q n tou p/ aturala. O resto do dia até que foi bué de fixe. No fim das aulas fomos ao Fórum Almada ver os chavalos. havia lá um que era podre…. depois vim para casa para ripar mais uns tops para o meu mp3 e quando abri o msn já la estavam as minhas amigas. Foi giro porque apareceu uma anónima que n concegui-mos saber quem era, mas tivemos a falar sobre o que iria acontecer hoje nos Morangos com Açúcar e e claro que todas estávamos de aquordo que aquilo que aqule chavalo fez a namorada n se faz. Comigo dava-lhe corda e depois mandava-o andar.
Bué de giro foi o link que a tal anónima nos mandou com música dos Da Wheasel que devia ser de um museu bué de bom!!! Tinha lá muitos quadros nas paredes e n querem saber que um deles ela igual ao da fotografia manhosa que a cota de historia mostrou na aula?!!!
Afinal o nome dele é Van Eyck e nasceu na Flandres que é como se chamava antigamente a Holanda e foi um dos melhores pintores do sec. XV. o gajo era bué de bom. Pintou quadros com gente bué de gira com roupas bem fixes. Eram de mais as cores da roupa de antigamente.
Um dia se existe mesmo aquele museu quero la ir velo!!! E bem melhor que aturar aqueles cotas todos da escola!!! DDD!!!
Bom agora xau, vou ver os Morangos com Açúcar!

Boa, aconteceu mesmo aquilo que tinha-mos dito!!! O chavalo foi envergonhado!!!
Quando os meus pais chegarão a noite n disse nada sobre a cota mas mostrei-lhes o link da tal anónima. O meu pai disse que era giro mas que n tinha tempo para aquilo e perguntou-me se eu tinha estudado p/ o teste.
Fogo, so pensam nisso os cotas. La fui para o quarto ler alguma coisa so p/ eles se calarem. E que agora anda toda gente a falar de educação, todos contra os profs e as escolas. Mas que e que queriam fazer com aqueles cotas todos a falarem de coisas sem interesse e so se calam se a gente adormecer mesmo?!!!!

Bem ou mal ficcionado deixo algumas interrogações:

1 - há algum problema com a Sandra Vanessa?
2 - se há, os professores são responsáveis por ele?
3 - se há, em que é que revisão da carreira docente contribui para o resolver?
4 - se há, o problema será de educação, de cultura, de gestão cultural, social ou de tudo um pouco?

Tinha prometido que hoje escreveria sobre a revisão da carreira docente, mas saiu-me isto…

Há poucos meses atrás as Ministras da Educação e da Cultura anunciaram que aos professores com horário zero ou não totalmente preenchido poderia ser incumbida a tarefa de acompanhar alunos aos museus mais próximos das escolas.
Nem há três meses, a Ministra da Educação, com o apoio da Ministra da Cultura, anunciou a necessidade de alargar ao ensino artístico o plano curricular das escolas de ensino regular, iniciando, disse, talvez, através da modalidade de “oficinas” temáticas.
Esta semana, depois de escalpelizado o insucesso, educativo e económico, das escolas profissionais, a Ministra da Educação anuncia a integração do ensino profissional nas escolas regulares.
Foram três medidas sobre as quais muito pouco se ouviu falar e menos ainda debater, que demonstram uma orientação e uma vontade específicas de tornar a escola como o palco único e polivalente, de uma educação global.
Poderão parecer pequenos nadas, poder-se-ia ir mais longe, dirão alguns, mas é destes, aparentemente, pequenos passos e não de “amplas e profundas reformas” que o ENSINO necessita, em especial, de uma gestão partilhada e concertada entre os Ministérios da Cultura e da Educação, onde se consigam conjugar esforços e potenciar uma multicolor, embora integrada, paleta de soluções.
Se há coisa que gosto no trabalho destas duas senhoras é a vontade de fazer, a determinação em executar e, muito mais importante ainda, o não ter medo de errar. Só não erra quem não faz e, desde que o bom senso impere, o que parece ser o caso, os erros servem para aprender e serem corrigidos.

afirmou Guilherme d’Oliveira Martins, na qualidade de Presidente do Centro Nacional de Cultura, ontem, no seminário “Cultura, factor de criação de riqueza”, promovido pela Fundação Oriente, em Lisboa. (JN de hoje)
Concluiu, dizendo que «quando se fala da realidade cultural se deve ter em conta:

1 - A diversidade cultural é um factor central mas não pode ser confundido com excepções culturais.

2 - A política cultural não pode ser confundida com política de subsídios. Há que apostar em parcerias.

3 - O desenvolvimento económico e social tem que se basear na abertura, na aprendizagem, na responsabilidade e na avaliação.

4- A necessidade de cada vez mais articular um Estado regulador e incentivado com uma sociedade civil activa.

5- Ligar cada vez mais a articulação cultural ao forte investimento na educação e na formação.»

O problema está correctamente diagnosticado, mas subsídios e parcerias poderão não ser bastantes como receita. É na educação que tudo se joga, na escola! É lá que se deve ensinar (o termo educação tem-se prestado à prossecução dos mais variados dislates, entre os quais sobressai o de não ensinar) e ter à disposição recursos, curriculares e logísticos das mais variadas áreas, de forma a que os alunos acedam às mais diversas formas de manifestações culturais e ao desenvolvimento da análise crítica, como armas indispensáveis de descodificação do imenso arsenal de informação que lhes é continuamente despejado, com o objectivo de conseguirem formar a uma identidade própria capaz de compreender e interagir no mundo global em vivem.
A escola para o futuro não vingará sem a integração da educação artística e sem a presença constante do audiovisual, seja ele televisivo, radiofónico ou digital, como principal ferramenta de aprendizagem.