Dias de Musica ElecroacusticaO Festival Dias de Música Electroacústica decorrerá, este ano, em Coimbra, nos dias 18 e 19 de Março, no Instituto Universitário Justiça e Paz, e nos dias 21 e 28 de Abril no Teatro Académico de Gil Vicente, sob a direcção artística de Jaime Reis.

O Festival é composto por 4 Workshops, Audições e Concertos comentados de música electroacústica difundida em oito altifalantes.
Para inscrições e contactos poderão utilizar o endereço:
diasdemusicaelectroacustica@gmail.com

Professor de Música do 9º ano suicida-se por não conseguir suportar mais o mau comportamento dos alunos.

Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução… apaziguadora… será o suicídio.
(texto deixado pelo professor, via TSF)

Não me sobeja hoje ânimo para voltar a escrever sobre a necessidade da lei penalizar os pais de alunos que não sabem comportar-se em escolas. Basta! Trata-se de um grave problema social, transversal a todos os grupos sociais, não exclusivo da escola.
Deixo o vídeo de um monólogo de Isabeau R, L’ Ecole, onde, embora em tom humorístico, conseguimos perceber o que aconteceu à educação dada pelos pais, à escola e aos professores nos últimos 40 anos.


Isabeau de R – L’ Ecole


Tento muita vezes segurar-me quando leio Francisco José Viegas no Origem das Espécies para não transformar este canto num rol de citações. Mas esta não resisto e aqui a deixo, não substituindo a leitura integral do texto:

O que é preciso discutir, realmente, é o que se vai ensinar na escola. E para isso é preciso questionar seriamente uma geração de burocratas das ciências pedagógicas que, durante os últimos trinta anos, torturaram professores e alunos com as suas ideias de «engenharia escolar e social», os seus manuais deficientes, as ideias feitas, as vulgaridades e erros nos manuais de Português, História ou — ah, sim — até Matemática.
Francisco José Viegas em A Origem das Espécies.

E, acrescento, eu, criar os mecanismos para que essa demanda se efective e controle.

Isabel AlçadaFui dos que fiquei surpreendido pelo facto de Isabel Alçada ter aceite o convite para Ministra da Educação deste governo. Tenho elevada consideração pelo seu trabalho, em especial em Serralves e no Plano Nacional de Leitura que acompanhei com mais atenção, e confesso não vislumbrar no seu comportamento, que publicamente me foi dado a ver, grande espaço para cedências em que não acredita, sejam elas relativas a políticas governamentais ou relativas a corporações de professores ou de pais, pese embora o tom que cultiva, e sincero parece, de pessoa compreensiva e disposta a ouvir.
Dito isto, o tom que imprimiu durante a entrevista a Judite de Sousa não surpreendeu, bem pelo contrário, foi consonante com o que atrás disse, mas não me passou em claro a sua insistência na mensagem de que temos muitos e bons especialistas em avaliação, espalhados por todo o país, que poderão ir para as escolas ‘ensinar’ os professores a avaliar.
Sem colocar em dúvida a qualidade nem a quantidade desses especialistas não posso deixar de sentir que Isabel Alçada, apesar de partir com a vontade de descomprimir e sinceramente dialogar com os actores educativos, avança já colada ao ‘lobbie’ dos cientistas da educação que nas últimas décadas têm comandado, mais ou menos veladamente, as políticas do Ministério da Educação, os tais que sempre enunciaram sucessivas profundas reformas e refundações!
A postura de Isabel Alçada é contrastante com a de Maria de Lurdes Rodrigues que tanto à força tentou que as forças perdeu, e perdeu qualquer margem para mudar a sua imagem diante da sociedade, mas é bom não esquecer que, depois de ver que à força não conseguia, a sua tentativa foi a do discurso de que os professores necessitavam de formação para avaliar. Já ninguém a ouviu, é claro, mas é afinal essa mesma premissa de que parte Isabel Alçada, premissa essa enunciada por um dos mais reconhecidos especialistas em avaliação da área das Ciências de Educação, Domingos Fernandes. Escrevia assim em Maio deste ano este especialista, em artigo na ‘SÍSIFO – Revista de Ciências da Educação‘ da Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, pags. 87 e ss, sob o título ‘Avaliação das aprendizagens em Portugal – Investigação e teoria da actividade’:
As reformas educativas têm pouco impacto nas práticas dos professores e na sua consciência profissional. Os professores não possuem uma perspectiva crítica sobre os normativos da avaliação porque, em geral, não conhecem os seus princípios estruturantes. Talvez por essa razão considerem que os novos diplomas de avaliação vieram, acima de tudo, aumentar o trabalho burocrático. (link para pag. 90)
Subentende-se por estas palavras, e ao longo de todo o artigo, que para Domingos Fernandes, amigo de Valter Lemos, coordenador do ‘Estudo de Avaliação do Ensino Artístico‘ e defensor público das políticas de educação do anterior governo no ‘Fórum Novas Fronteiras’ (ver vídeo), não era o teor das reformas que era desadequado, mas a incapacidade ou o desconhecimento dos professores a causa do insucesso da sua exequibilidade. Ora, se não me engano, foi isto mesmo que Isabel Alçada veio, com muito bons modos, dizer, adiantando até que é necessário estes especialistas ensinarem os professores a avaliarem-se, numa colagem, aparentemente nítida, aos interesses do ‘lobbie’ das Ciências da Educação.
Ressalvo, como nota final, que sou dos que acredito que a boa educação e a observação de princípios conseguem fazer muita das vezes a diferença necessária, não por crer, mas porque gostaria de quando um dia morrer ainda assim sentir.

ps: para quem não estiver para clicar nos links aqui deixo a exuberante intervenção de Domingos Fernandes no ‘Fórum Novas Fronteiras’ de apoio e defesa das políticas de Maria de Lurdes Rodrigues, Jorge Pedreira e Valter Lemos.


(…) é necessário partir da «suspensão da avaliação em curso, acabar com a divisão entre o professor titular e não-titular na carreira docente e criar um novo modelo de avaliação» Aguiar Branco à TSF em 12 de Novembro.

Nós não prevemos a suspensão, prevemos a substituição, o que eu diria que ainda é mais e melhor(…)» Pedro Duarte no Público.

Ainda assim Aguiar Branco é peremptório:
- não me sinto um líder parlamentar a prazo.

Mas estes assentos a que acedem mesmo sem votos que plebiscitem passaram a vitalícios?

Os diversos modos como a arte se manifesta e nos sensibiliza encerra dimensões, sensitivas, emocionais, compreensivas que o conhecimento científico, tal como é entendido hoje, dificilmente, per se, conseguirá conhecer e menos ainda explicar, por mais simples e naturais que sejam.
Reparem na estupefacção dos neuro-cientistas diante da simplicidade da natureza humana exibida na performance interactiva entre Bobby McFerrin e o público presente no “World Science Festival” sob o tema “Notes & Neurons: In Search of the Common Chorus”. Estupefacção que se estenderia, creio seguramente, à maioria dos teóricos das Ciências da Educação que nunca se dedicaram à criação artística nem ao seu ESPECÍFICO ensino.


Sobre o ensino artístico reproduzo outro comentário, desta vez de Alice Valente, colocado no post Ensino Superior de Artes em Portugal – estudo.

autor do texto que se segue: Alice Valente

Vivemos momentos insólitos, apesar de não muito diferentes do que sempre as artes se têm afirmado: resistentes em prol da vida e da arte de ser vida e vivida.

“Temos de aceitar!” “Temos de respeitar!” e “Temos de aceitar sempre!” o que nos ditam por quem manda, mesmo que estejam enganados! Sempre assim foi, mas agora um pouco pior!

Pois, mas nestas áreas do que é artístico, vai ser difícil impor uma ordem, uma escola, um discurso, um modelo… As artes respiram por elas próprias. Embora no caso da música e entre outras artes, haja uma necessidade de aprendizagem técnica que por sua vez se transforma por si mesmo em descoberta e estímulo ao importantíssimo desenvolvimento das capacidades intelectuais de quem as pratica. As artes na generalidade têm um espaço muito próprio (o que escrevi, aqui):
Ou seja agora e relativamente às Artes, aos Artistas e ao que é Artístico, querem usá-los e pô-los numa qualquer margem, atirando-os da borda-fora, é isso? Ou então querem vir roubar conceitos e estares a obrigarem que sejamos “coisas” ou objectos vendáveis e compráveis como se estas áreas, alguma vez se poderiam tornar mercantilizáveis ou convertidas em meras indústrias culturais, é isso? Talvez estejam enganados, é que este é um mar imenso e pode ficar bravo, assim como o mar verdadeiro que se agita em maré-alta, é imprevisível e pode ser muito perigoso, para os que pensam que tudo dominam sem respeito para com a Vida…

Não vejo que isso possa ser tido em consideração pelos responsáveis e técnicos de estudos e relatórios sobre o que possa ser a prática do Ensino das Artes.

Ainda bem que escolheram o talentoso maestro Borges Coelho e parece que aprenderam alguma coisa com o que se passou na Conferência de 2007.

(E sobre isso, escrevi isto):
(…) Não esqueçamos que a verdadeira Cultura e a verdadeira Educação são pois do domínio público…
E não esqueçamos também que para formar e desenvolver capacidades e talentos é preciso que os professores sejam talentosos!
E no dia do encerramento felizmente que foi convidado alguém ligado às Artes, o maestro José Luís Borges Coelho e que eloquentemente nas suas sublimes e sentidas palavras, fez questão de revelar relativamente à Conferência e de como tem sido tratada a Educação Artística, que o “rei vai nú”, desmascarando toda aquela palhaçada, fazendo que toda a plateia se levantasse mais do que uma vez a aplaudi-o e a mostrar que ainda é possível acreditar nas Artes e no que é Artístico, mas pelos que fazem Obra, no Saber-Fazer e não por todos aqueles que pensam que os talentos se fazem de invencionices, a dizer que basta de conversa, basta de teorizações de altíssimo gabarito, basta de declarações eloquentes destinadas a recomendar o que foi recomendado e de quererem mostrar que agora descobriram o tesouro ou a pólvora da Educação Artística, mas o Ensino do Artístico já existe e é ensinado nas Escolas de Música e não só, tem sido é muito negligenciado pelos ministérios e pelos governos. Agora temos que nos comprometer é com a erradicação da pobreza e é com essa realidade que a Educação se terá de confrontar e que ninguém deliberadamente seja posto de fora…

Mas não será que, estes nomes unicamente poderão estar a servir de isco para enganar e posteriormente, os “grandes” espertalhões das ciências da educação e os do económico-político e em seus ministérios de educação e cultura, fazerem como muito bem entenderem?

Alice Valente

Serve este post para agradecer os preciosos contributos que a Sónia Amaral, o Pedro Sousa Silva e a Alice Valente prestaram ao PENSAR o Ensino Artístico, em comentários ao texto – Ensino Superior de Artes em Portugal – estudo. A excelência do pensamento, largo e sem preconceitos tíbios ou confrangedores, que emana desses comentários excede amplamente a qualidade do texto que escrevi, recomendando, por isso, vivamente, a sua leitura integral.
De momento, depois de devidamente autorizado pelo autor, reproduzo na íntegra um dos comentários que Pedro Sousa Silva deixou.

autor do texto que se segue: Pedro Sousa Silva

Creio que no essencial estamos todos de acordo, temos talvez ângulos de vista diferentes sobre as mesmas questões, fruto das nossas vivências pessoais do sector.
Comentarei por pontos.

1. Universidade vs. Politécnicos:
Efectivamente a intenção original de distinguir tipologias diferentes nos curricula, objectivos e métodos, rapidamente, pelo menos no ensino artístico, ficou diluída pelas agendas próprias de cada departamento ou escola superior. Visto que o mercado emprega preferencialmente o artista / professor, tornou-se inevitável que as universidades e politécnicos convergissem em soluções curriculares semelhantes, embora seja um facto que os primeiros privilegiam uma formação mais ligada às ciências da educação e os segundos os aspectos mais práticos. No entanto, há no ensino da música uma característica muito particular que não podemos esquecer: os alunos não procuram as instituições mas sim os professores que lá se encontram. E isto excede qualquer questão circunstancial.

2. Qualificação:
É verdade que até recentemente as universidades eram as únicas a poder ter profissionalizações mas também até recentemente essa não era uma condição para o desenvolvimento de uma actividade lectiva ou para progressão de carreira. Recordo que quando foi necessário “profissionalizar” os professores do ensino público para que eles fossem inseridos em quadros, os politécnicos participaram no processo como formadores. No privado a situação é ligeiramente diferente pois legislação mais recente faz depender da profissionalização uma progressão na carreira. No entanto existiam soluções (muito más é certo, mas existiam) para que os licenciados dos politécnicos pudessem obter profissionalizações.
Agora, a profissionalização é uma condição indispensável para a qualificação para a docência. Universidades e politécnicos têm plenos poderes para criar ciclos de estudo profissionalizantes mas as universidades levam vantagem porque já ministravam as unidades curriculares ligadas à metodologia e didáctica que são obrigatórias nestes curricula. A inércia dos politécnicos também se justifica por uma compreensível resistência aos conteúdos correntes das ciências da educação e que são completamente desajustados à realidade do ensino artístico. Essa é, por exemplo, a minha posição pessoal quanto à abertura de 2º ciclos profissionalizantes na escola superior politécnica onde lecciono: entre ter um currículo mau e não ter nada, prefiro não ter nada.
A questão da “qualificação” (leia-se “certificação”) confunde-se com a da “competência” e aí o comentário da Sónia é de enorme relevo. Ouvimos à laia de justificação que um bom artista não é necessariamente um bom professor, o que é verdade, mas o que também é verdade é que alguém que não é artista nunca pode ser um professor de artes, por muito que os milhares de licenciados em ciências da educação desdenhem essa ideia e digam o contrário. E também é verdade que um aluno pode aprender muito com um mau professor mas não pode aprender nada com alguém que não foi capaz ele mesmo de ultrapassar as dificuldades que o esperam.
Este desfasamento entre “qualificação” e “competência” é precisamente um dos pontos para os quais alerta o relatório que motiva esta discussão, e que leva à recomendação de criar mecanismos de certificação menos baseados em critérios de produção documental (tradicionalmente associados à universidade) e mais baseados em aspectos práticos e na estima dos pares. Mas como também nota o mesmo estudo, o problema não está tanto na legislação como na mentalidade dos centros académicos.

3. Reformas:
Devo fazer um ponto prévio, eu tinha 12 anos no momento da reforma de 86 e o meu primeiro contacto com o ensino artístico deu-se quando tinha 16. Não vivi por isso toda a celeuma em torno da divisão entre Conservatórios e Escolas Superiores de Música mas quando em 96 obtive o meu primeiro emprego num conservatório público (fui professor em conservatórios públicos durante 7 anos e sou professor no ensino politécnico há outros 7) fiquei estupefacto com os traumas que ainda persistiam desse momento. Ao longo do tempo que estive no ensino secundário (na realidade nunca o deixei mas a minha ligação desde há alguns anos é residual) assisti com muita tristeza a uma série de concessões resignadas que se faziam em relação aos gabinetes técnicos que desconheciam completamente a realidade do terreno. Não critico pessoalmente os meus colegas, lembro-me de ficar chocado ao saber que o meu salário então era exactamente igual ao de colegas de reconhecidíssimo mérito artístico e pedagógico e que estavam na escola há mais de 15 anos. Mas acho também, e tenho à vontade para o dizer agora porque o disse então, que se aceitaram pactos com o diabo, que se sacrificou em demasia aspectos intrínsecos à nossa especialidade e deixou-se que fossem burocratas a dizer como é que deveríamos dar aulas. As escolas de música deveriam ser, independentemente do nível de ensino, locais de produção cultural. Mas pelo contrário, os conservatórios foram transformados em centros de ocupação de tempos livres.
É com preocupação que constato que a mesma concessão por cansaço aos ditames burocráticos começa agora a ser visível no ensino superior. O processo de Bolonha foi um bom exemplo disso e, estou em crer, daqui a não muitos anos iremos assistir a uma baixa de qualidade da produção artística dos recém-licenciados como consequência deste processo. De resto, como nota o Carlos, foram determinadas pessoas (e não as reformas ou as instituições) que provocaram um salto qualitativo na formação de músicos. Para dar um exemplo que creio não merecer contestação, alguém tem dúvidas que o grande responsável pelo alto nível dos clarinetistas que temos em Portugal se chama António Saiote?
O ponto principal é aquele sublinhado pelo Carlos: as reformas são motivadas e realizadas por pessoas que não fazem a mínima ideia do que estão a fazer, simplesmente “acham” que devia ser “assim”.
Estes ‘achadistas’ e o actual gabinete do Ministério da Educação para o ensino artístico são o mais perfeito exemplo. Mas há também responsabilidade das pessoas que estão no terreno por não serem capazes de se organizar e de articular um discurso claro e intransigente na defesa das condições indispensáveis para este sector. Quando na passada terça ouvi o fabuloso discurso do professor Borges Coelho na apresentação do nosso relatório, pensei o quanto estamos (ensino artístico) a perder por sermos incapazes de, enquanto sector, nos exprimirmos com tal clareza e assertividade.

4. Percurso formativo:
A questão levantada pelo Carlos sobre o momento para o desenvolvimento de competências psico-motoras é muito pertinente mas é talvez uma falsa questão. Isto porque essa componente, do instrumentista em particular, tem de ser desenvolvida sempre, ao longo da vida, a par com os recursos “interpretativos”. São demasiados os exemplos de músicos brilhantes que iniciaram a aprendizagem de um instrumento num momento tardio da sua vida para que se diga sem reservas “il faut”. Mas é também óbvio que se determinadas competências psico-motoras forem adquiridas precocemente, a construção de recursos interpretativos mais subtis e sofisticados será mais fácil.
A verdadeira questão está, na minha opinião, na construção de uma ética. É que, quer se queira que não, ser músico passa obrigatoriamente pela aprendizagem e exercício de rotinas de estudo quotidianas. A minha experiência de professor (que não é muito grande mas também não é pequena) mostra-me que o caso de sucesso não é a do aluno com o talento precoce (que não é mais do que uma facilidade motora e uma compreensão intuitiva de estruturas musicais básicas, como o conceito de frase) mas sim o do aluno que se habitua desde cedo a construir uma relação de intimidade com o seu instrumento que é exercida no seu quotidiano. Tocar um instrumento, qualquer que seja, é, para citar um ex-aluno meu, um desporto de alta competição localizado. Mas as mesmas pessoas que admiram no ecrã a determinação dos jovens atletas olímpicos que desde tenras idades passam muitas hora diárias a treinar aqueles movimentos, são as primeiras a acharem uma violência quando o professor de instrumento diz ser fundamental que o aluno estude 15 minutos por dia.

Pedro Sousa Silva

Decorre entre hoje e 25 de Julho o Congresso Internacional Sociologia da Música – tendências, interpelações e perspectivas, na Culturgest, organizado pelo CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova, pertencendo à comissão organizadora Mário Vieira de Carvalho e Paula Gomes Ribeiro (ambos do CESEM – Universidade Nova de Lisboa), Ângelo Martingo (Braga – Universidade do Minho) e Katrin Bicher (Humboldt-Universität, Berlin) e tendo como membros da comissão científica Mário Vieira de Carvalho e Christian Kaden (Humboldt-Universität, Berlim).
Sociology of Music LisbonO programa do Congresso pode ser consultado aqui e a lista de participantes e seus currículos aqui.

A qualidade deste género de iniciativas culturais de investigação sobre a música parece não ser objecto de curiosidade jornalística em contraponto com outras, bem menos relevantes, são, ao que parece, colocadas em agenda por motivos, certamente, políticos, aos quais a qualidade dos estudos e das investigações pouco interessa se deles não puderem servir-se para os seus comezinhos fins.

O Congresso Internacional ‘Sociologia da Música – tendências, interpelações e perspectivas’ propõe-se, cintando um excerto:

Nas últimas décadas as abordagens sociológicas da música têm vindo a desenvolver, expandir e diversificar extensivamente os seus métodos e áreas temáticas. Os campos de investigação da sociologia e da musicologia têm-se cruzado cada vez mais. O espectro interdisciplinar continua a alargar-se. Tanto as questões teórico-críticas como os estudos empíricos se abriram a novos horizontes. A Sociologia da Música desenvolveu-se num sentido integrativo, tomando em conta os contributos da História, Antropologia, Filosofia e Estética, Psicologia e Psicanálise, Economia, Teorias da Recepção, Comunicação e Sistemas, Estudos de Género, Culturais, Comparativos e da Globalização. Intensificou-se também a sua influência noutras áreas da Musicologia – por exemplo, nos Estudos de Composição e Interpretação ou na Análise Musical. A maior parte das abordagens incide actualmente sobre as práticas musicais como interacção social, o material musical e as obras musicais como sociedade codificada, o significado musical como resultado de processos sociais que ocorrem em mundos vividos em constante mudança, as trocas… (Continue a Ler no sítio do Congresso)

Para os interessados em conhecer o estudo sobre o ensino superior de artes em Portugal, sob o título Reforming Arts and Culture – Higher Education in Portugal podem aceder ao sítio da MCTES – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mais precisamente neste link.

Reforming Arts and Culture - Higher Education in PortugalConvém também conhecer quem ontem deu a cara por este estudo porque é também por este meio que aferimos quem é quem e ao que vem. Podem ver neste link, embora eu faça questão de os deixar aqui:
Autores: Abrar Hasan (França, coordenador), Bruce Brown (Reino Unido), Peter Eversmann (Holanda), Francesco Zurlo (Itália) e Ulrike Blumenreich (Alemanha).
Participantes: Henrique Cayatte (design), Joana Vasconcelos (artes plásticas), Álvaro Barbosa (artes digitais), Rui Vieira Nery (música), Eugénia Vasques (teatro), João Mário Grilo (cinema), Né Barros (dança), João Mota (design), Leonel Moura (artes plásticas), José Luis Borges Coelho (música), Nuno Almeida (dança), Rudolfo Quintas (artes digitais), João Queiroz (pintura), Heitor Alvelos (design), Virgílio Folhadela (Fundação de Serralves) e
Nuno Azevedo (Casa da Música).
Saliento, desde já, com a melhor das expectativas, que os investigadores são todos eles personalidades ligadas às artes e seu ensino há muitos anos, em contraponto com o estudo encomendado a Domingos Fernandes pelo Ministério da Educação sobre os níveis básico e secundário.
Por último gostaria de vos endereçar para uma primeira opinião deixada pelo Pedro Sousa Silva. Ver aqui.