Abr 232010
 

No 25 de Abril deste ano já ninguém ousa falar sobre se a revolução foi com ou sem ‘R’. Todas as promessas abertas pela liberdade mostram hoje, a todos, o que poderíamos ter sido e não conseguimos ser. Aqueles que arriscaram a vida pela liberdade que fruímos não mereciam que com essa liberdade apenas betão e alcatrão construíssemos!
Há quem pense que são os governos que fazem e há quem faça!
Jose Antonio AbreuJosé Antonio Abreu, o criador e executor do El Sistema, conseguiu o que conseguiu sobrevivendo a duas ditaduras que o deixaram fazer o bem que fez pela Educação Artística de toda a Venezuela.

La cultura para los pobres no puede ser una pobre cultura – José António Abreu

Os resultados estão à vista e enxergá-los é tomar consciência do absurdo que é a discussão dos teóricos entre uma ‘Educação pela Arte’ e uma ‘Educação para a Arte’. Faz-se fazendo e não debitando as mais tolas teses e estudos sobre como se deve fazer, por gente que nunca fez, nem ousou aprender com quem sabe…, porque fez, e bem!

É verdade que tinham razão aqueles que insinuavam que o 25 de Abril era ‘evolução’ e não ‘revolução’, por muito que me custe a admitir. Diria, até, que pouca evolução e muito vandalismo. Vandalismo, sim, contra cultura, a educação, incluindo a artística e contra o culto de mentes sãs!
É neste contexto que o ‘FMI’ de José Mário Branco é mais actual do que nunca, uma vez que a sua mensagem, a dor que o autor sente e expressa, é-lhe infligida pela indiferença do comodismo dos cidadãos que tudo aceitam, com tudo pactuam, em troca da sua vidinha!
Jose Mario Branco


Bom 25 de Abril!


Abr 242009
 

Comemorar o 25 de Abril é, antes do mais, cantar a liberdade e o fim da guerra colonial, propondo-vos este ano que o façamos com música, destacando dois concertos que me parecem muito adequados para comemorar a data: ‘Música e Revolução’ de Maria de Medeiros e a Gustavo Dudamel a dirigir a ‘Orquestra Juvenil Simón Bolívar’ interpretando a ‘Sagração da Primavera’ de Stravisnky.

Maria de MedeirosMaria de Medeiros apresenta ‘Música e Revolução’ hoje, dia 24, na Sala Suggia pelas 21:00h, na Casa da Música, interpretando canções do ‘Maio de 68′, sob e direcção musical de Stephan Sanseverino, Pascal Salmon ao piano, Edmundo Carneiro na percussão e NN em Contrabaixo. A 2ª parte deste concerto poder-se-á escutar a Sinfonia, para oito vozes e orquestra de Berio interpretada pelo Orquestra Nacional do Porto e pelo ‘Neue Vocalsolisten Stuttgart’, dirigida por Michael Zilm.

Gustavo DudamelAmanhã, no Coliseu dos Recreios, às 21:00h, no âmbito do ‘Ciclo Grandes Orquestras Mundiais‘ promovido pela Gulbenkian, Gustavo Dudamel regressa a Portugal com a Orquestra Juvenil Simón Bolívar para apresentar a Sagração da Primavera de Stravinsky.
Nunca aqui escrevi sobre este, um jovem maestro, Gustavo Dudamel, hoje com 28 anos, director musical da Orquestra Sinfónica de Gotemburgo desde 2006, um produto do ‘El Sistema‘, um programa de educação musical para os mais pobres implantado na Venezuela por José António Abreu em 1975 sob o nome, então, de ‘Acción Social para la Música’, e que produziu já centenas de excelentes músicos profissionais que alimentam as excepcionais orquestras infantis e juvenis do país, retirando-os da miséria dos bairros em que viviam e do ‘destino’ que os acorrentava.
O ‘El Sistema’ de José António Abreu foi adoptado e acarinhado por Hugo Chávez, designando-se agora por ‘Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela’.