Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Ensino Integrado’

Não é tempo de divulgar uma posição sobre o ensino artístico para além da que já, por diversas vezes fui fazendo, de absoluto repúdio por estas oitocentas e cinquenta e tal folhas a que chamam estudo, feito por quem não procurou, de facto, informar-se nem saber o que se passa por este país afora.
Aliás, opiniões é o que mais há! Parece até que, não bastasse já a intenção de derrubar o que temos, muitos, cada qual para seu lado, pretende refundar o Ensino Artístico - cerca de uma dezena de blogues ao assunto dedicados, artigos de jornal e revistas perdi a conta, petições já vai em 7 (que eu conheça)!
Mais grave é que ninguém até ao momento conseguiu (ou será quis?) apresentar um texto que consiga ser o denominador comum - a defesa da totalidade dos existentes regimes de Ensino Artístico público e privado: o integrado, o articulado e o supletivo!
Por ora deixo a recomendação de quem me parece que trilha o bom caminho sem preocupações de defender capelas nem clientelas mesmo não estando de acordo com algumas das teses defendidas: a Artimanha, a Sónia A. e o Paulo Bastos e o João Martins.
Ah, pois, mas também estranho o silêncio de pessoas com fácil verbo no que à música clássica diz respeito! Talvez estejam como eu, a pensar…
Acrescento, ainda, que não assinei nem me revejo em nenhuma das petições a circular, pelos motivos atrás referidos.

O bailarino português Telmo Moreira conquistou o prémio de Melhor Bailarino europeu, no escalão sénior, no concurso Youth American Grand Prix, realizado em Nova Iorque entre 27 e 30 de Abril. (via Público)

Actualmente Telmo Moreira frequenta o 6º ano da Escola de Dança do Conservatório Nacional, mas ensino artístico interessa para quê se o Ministério da Educação, à boleia de um muito mal amanhado estudo, se prepara para desmantelar o pouco que existe?

A Academia de Sta. Cecília acaba de comemorar o seu 40º ano de actividade, coincidindo com a comemoração dos 40 anos de ensino artístico integrado. Está de parabéns a Academia de Sta. Cecília, a sua fundadora Vera Franco Nogueira e a principal responsável, esquecida pela própria Academia, pela ideia, pela planificação, pela organização e pelos meses que gastou nos passos perdidos dos ministérios lutando pelo óbvio, Sra. D. Gilberta Paiva, insigne professora do Conservatório Nacional de Lisboa e ainda fundadora da Academia de Música de Vila da Feira, ainda viva, residindo em casa de sua filha em Leça da Palmeira. Retomo este assunto, não só para dar os parabéns à única escola de ensino artístico integrado do país (mesmo 40 anos depois), mas também por considerar que a ideia de prolongar o tempo lectivo dos alunos do actual Ministério da Educação poderá ser desenvolvida por conceitos como o de ensino artístico, articulado e integrado.
Poucos pais conhecem que desde 2003 que os seus filhos podem beneficiar, sem custos, de ensino artístico em regime de articulação com a escola de ensino regular, conforme o estipulado na Portaria 1550/2002 de 16 de Dezembro, seja no domínio da música seja no campo da dança.
Com efeito, existem em Portugal 3 formas de frequentar o Ensino Artístico vocacional nas áreas da música e da dança: integrado, articulado e supletivo. Este último é, infelizmente, o mais vulgarizado - inscrição e frequência em escolas comumente chamadas de Conservatórios, não beneficiando de nenhuma articulação com o ensino regular, sem em termos de plano curricular nem tão pouco de adequação de horários. O primeiro - integrado - já falamos, só existe na Academia de Sta. Cecília. O articulado, é um regime de transição entre os outros, onde as escolas regulares e as artísticas são obrigadas a articular-se para que os alunos que pretendem possam beneficiar da conjugação harmoniosa dos dois cursos. (sigam este link onde encontrarão todas as informações sobre o que estou para aqui a debitar)
Ora, sendo o ensino artístico articulado gratuito, mesmo nas escolas de ensino vocacional artístico privadas, parece-me que seria muito boa ideia que o Ministério da Educação aproveitasse para fazer uma campanha de sensibilização junto dos pais e dos alunos para proporcionar uma base muito mais alargada de passagem de conhecimento bem como, e especialmente, estimular a sensibilidade dos mais jovens à fruição da arte contribuindo, decisivamente, para a formação de novos públicos (não é do que se fala?)!
Esta solução está pronta a andar, evitaria as eventuais aberrações que sempre ocorrem quando se tenta inventar actividades extra-curriculares para preencher essas horas extra, e os principais beneficiados seriam os alunos e os pais!