A Assembleia da República debaterá hoje e, certamente, aprovará a Reorganização Administrativa do Território das Freguesias através do projecto de Lei n.º 320/XII e o mapa das freguesias.
Nunca este projecto de Lei seria aprovado se os candidatos a deputados só pudessem concorrer pelos círculos onde residem, se os deputados representassem quem os elegeu e não os partidos que os nomeiam candidatos, ou seja, se vivêssemos numa democracia mais directa e profunda.
Extinguir umas quantas freguesias que os deputados, se calhar, nem no mapa conseguem apontar, constitui a maior prova da abissal distância entre eleitores e eleitos, a desresponsabilização dos eleitos diante da vontade de quem os elege, configurando que o centralismo estatal absurdo em que vivemos é fruto de um “dictat”, transversal a todos os partidos, iniciado por Estaline – o centralismo democrático.
A causa prima do centralismo reside na organização dos partidos políticos e é uma das principais facetas de um regime de partidocracia instalada, que se manifesta através da defesa de um poder não constituído pelos eleitores e alheio à vontade dos cidadãos.
Será este regime uma democracia que nos defende das tentações totalitárias? Não creio. Promove, antes, e configura uma tirania de meia-dúzia de pessoas que dominam o poder central, atentando contra o desenvolvimento de uma cidadania participativa e activa.
António Lobo Antunes – conseguimos viver sem tudo, mas não conseguimos viver sem esperança (…)
António Lobo Antunes em entrevista à Rádio Renascença (ler na íntegra).
Frases soltas do contexto:
(…) conseguimos viver sem tudo, mas não conseguimos viver sem esperança, nem sem futuro.
Não tenho muita vontade de olhar para ele [Portugal], com as maldades que estão a fazer às pessoas
Os portugueses não merecem o que lhes estão a fazer
Não entendo porquê tanta insensibilidade, tanta imaturidade, tanta crueldade e porquê tanta estupidez”.
A seguir ao 25 de Abril a Snu Abecassis, que era a fundadora da D. Quixote, convidou os dirigentes dos partidos, cada um deles, para escrever (o Cunhal, o Freitas do Amaral, o Mário Soares, o Sá Carneiro). Repare a diferença, como cabeças com maturidade, como amor ao país, com os dirigentes de agora… o Passos Coelho, mais este mais aquele. Não há comparação possível, não me merecem o menor respeito.
A licenciatura de Miguel Relvas
A licenciatura de Miguel Relvas, realizada através da conclusão de 4 cadeiras, não é assunto nem para Passos Coelho, amigo desde os tempos da JSD, nem para António Seguro, amigo desde os tempos da JS.
Acontece que pouco me importa se um Ministro é licenciado ou tem a 4ª classe, o que me importa é conhecer o seu carácter e o que me incomoda é que os cidadãos nele votem.
Quanto ao resto, tudo dentro da conformidade da promiscuidade.
Em tempos de comunicação galopante, tudo é feito para nos cortar o sopro. Querem fazer de cada um entre nós gente que apenas tem de escutar sinais, gente obediente e dócil, executores, falantes monossilábicos. Perfeitas criaturas domadas para comprar, rir e chorar ou bater palmas; cortam-nos o sopro para tentarem sujeitar-nos a fórmulas, slogans – e que nos tornemos animais bem domados para executar palavras vazias, desencarnadas, formatadas, ou telégrafos que transmitem os sinais recebidos. Para que a carne obscura e impura da linguagem seja banida para dar lugar a uma língua asséptica.
José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular
É na soleira que se cumpre a palavra, nesse intervalo do dizer e do dito. Esquecemos a condição do dizer cada vez que a nossa atenção incide unilateralmente sobre o dito. O dizer sugere uma respiração que se abre ao outro, um puro vocativo, sinceridade, proximidade, sendo por isso testemunho, exposição, sem evasão nem álibis.
José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular
Trapaceiros – gestão da visibilidade e da transparência
Os verdadeiros trapaceiros nunca avançam mascarados. A visibilidade de «mostrar tudo» é hoje o seu reino. Os totalitarismos mostram o Tudo e dissimulam o Nada. O visível e o invisível são indissociavelmente os seus instrumentos. A gestão da imagem pode dizer uma coisa e o seu contrário. Não é o que se vê que é a fonte do que o visível faz entender.José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular
O Dia Mundial da Criança, criação recente na onda da fobia da instituição de dias celebrantes, fica este ano marcado pela apresentação de um estudo que aponta para a existência de 40% de crianças em Portugal que vivem em situação de pobreza.
Amélia Bastos, Carla Machado e José Passos, que conduziram esse estudo encomendado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade, o qual será apresentado hoje no ISEG, analisaram dados relativos ao período que vai de 2004 a 2009, constataram ainda, entre outras assuntos, que:
não há nenhuma criança que por razões económicas esteja privada de televisão. Mas que 23 por cento vivem em alojamentos sobrelotados e que cinco por cento estão inseridas num agregado que não faz uma refeição de carne ou peixe (ou equivalente vegetariano) pelo menos de dois em dois dias. E não faz porque não tem dinheiro.
Os políticos que apoiam, permitem e sustentam a libertinagem deste capitalismo selvagem, que desdenha as pessoas em favor de uma moeda – monetarismo -, querem celebrar hoje o quê?
Talvez queiram celebrar o facto de não estarem na prisão a cumprir pena por crimes contra os cidadãos!
É com enorme surpresa que dou conta de surpreendentes surpresas de várias pessoas com a decisão de Fernando Nobre de aceitar ser cabeça de lista por Lisboa pelo PSD!
Fernando Nobre não deve ter surpreendido o seu mentor Mário Soares que, tal como ele, sempre revelou grande apetência para ser um enorme estadista!
É disso que se trata! Fernando Nobre pretende dar uma voz activa aos descontentes dos partidos que nele votaram no Parlamento, através do mais que indicado púlpito de Presidente da Assembleia da República.
Surpreende-me quem, surpreendentemente, considera este passo de Fernando Nobre uma surpresa!
Dão-se alvíssaras a quem conseguir fazer compreender quais as razões que terão norteado Passos Coelho e o PSD a chumbar a proposta do PEC do PS para 2012 e a aceitar e aplaudir e apoiar o governo neste pedido de ajuda à União Europeia, sem conhecer as condições impostas, mesmo sabendo, de antemão, que serão muito mais gravosas para os cidadãos!

(…) conseguimos viver sem tudo, mas não conseguimos viver sem esperança, nem sem futuro.
Paulo Morais, em vários programas televisivos, tem denunciado não fenómenos de corrupção, mas de falta de ética de políticos que poderão promover a mesma. Aqui fica um desses vídeos.