A prazo a Democracia não será compatÃvel com liberdade George W. Bush em Telejornal, RTP, 7/XI/2003 Uma das coisas de que estou mais convencido em relação à s emoções e aos sentimentos é que a resposta à violência com violência só cria mais violência. (…) A possibilidade de resolver um ataque de uma forma violenta tem que existir, não pode é existir por si. António Damásio, em Visão n.º 557, pag.122, 6/XI/2003 Mais de cem mil pessoas juntaram-se em Telavive no sábado, 1, para homenagear Yizhak Rabin (…) e para protestar contra a polÃtica do Governo israelita face aos palestinianos. Visão, n.º557, pag. 94, 6/XI/2003 As minorias activas e inovadoras, que são as que não têm vantagem, de estatuto ou de reconhecimento social, tudo o que fazem é resistir e agir. Não reagem, agem. São essas minorias que me interessam. Serge Moscovici, em Visão n.º 557, pag. 92, 6/XI/2003 (…) a prática da aceitação e da tolerância são um antÃdoto para o medo e a tristeza, porque conferem força interior. Dadi Janki, em Visão n.º 557, pag. 16, 6/XI/2003 (…) remontando ao acto mesmo através do qual o homem .conhece. . anterior a toda a objectivação dura desse conhecimento . a que se chama Ciência, mas somos nós que a baptizamos . não há, vendo bem, razão, mais do que história, e contingente, para a Querela que por causa de um dado conhecimento . mesmo o mais incontestável como o da Ciência . nós travamos connosco mesmo enquanto sujeito a de outra forma de conhecimento relevando de outra evidência que a meramente intelectual. Eduardo Lourenço, Ensaio, em Visão n.º 557, pag.193, 6/XI/2003 Praticamente tudo aquilo que se possa pensar em matéria mental tem uma ligação com o corpo. O corpo é o espaço em que se pode pensar. António Damásio, em Visão n.º 557, Ag. 122, 6/XI/2003 A maioria reconhece a ligação corpo-mente.(…) Não é a dificuldade que gera o stresse, mas sim a atitude e a resposta face ao que acontece. Dadi Janki, em Visão n.º 557, pag. 16, 6/XI/2003 Acordei, em silêncio, .Pelleas und Melisande. de Schoenberg, pela Sinfónica de Chicago dirigida por Boulez, acabara. Tinha já saudades de um Domingo assim, de mansamente passar pelas brasas das minhas interrogações.
Porque 100nada te purgas, Catarina?
Não sinto pena nem saudade, não peço que voltes nem que permaneças, não quero que sejas sem Ser, só quero que saibas que a invasão que da tua privacidade sentes é fruto da recatada nudez que com segurança te expuseste, dando-me não um de ti aos pedaços mas o pleno, o Amor que para os outros emanas. Em 100nada encontrei sempre seiva, não o vazio que alguns te arremessaram, seiva feita de confissões ficcionadas, ou não, mas certas dos trilhos, não buscando o vão perdão redenctor, assumindo sim o vulgo do pecado que nos encerra, dilacera, comove e rejubila. Um grande amigo, este, enviou uma prenda à minha famÃlia neste último .dia de todos os Santos. que gostaria de partilhar contigo, que o lêsses, o sentisses e o guardasses. É-me hoje muito difÃcil encontrar o fio que separa o sagrado do profano, não do secular e do laico, este é simples, é racional, antes da sensibilidade pessoal e cultural de que cada um de nós é enfermo, a nossa identidade, que sagra e profana em si sem necessitar ou mesmo alheio ao sacralmente correcto e institucionalizado. Foi assim que segui atentamente as diferenças entre a Letra Blog, Aviz e o CrÃtico em relação ao Panteão, queria ter opinião e não consegui alcançá-la! Os domÃnios do sagrado e do profano emanciparam-se dos cânones para em nós se sentirem e para em cada um se substanciar. Bem hajas Catarina pelo que deste e pelo que conseguirás vir a dar! Transcrevo o texto porque gosto muito dele embora possa ser visto aqui. Todos os Santos 1. A santidade é o mais forte de todos os sentimentos verdadeiros por ser uma alegria que rejubila com a alegria que se aprofunda, para além de qualquer contrariedade ou perturbação. Quem deseja ainda ardentemente vestir-se de sanctitas? Quem acredita na sensualidade do invisÃvel? 2. Falo de um afecto, não de uma peanha, falo da .alegria que nasce em nós da alegria que o outro sente. (Lllansol). Falo da festa misturada de luto e de alegria, de dor e de felicidade como tudo o que é eterno. Falo da alegria da linguagem que os textos de hoje nos doam, por mais enigmáticos e paradoxais nos pareçam. “Felizes os que sofrem”: a co-pertença do sofrimento à alegria é paradoxal. A famosa distinção entre tristeza e alegria é bem mais poderosa do que a que vingou: opressão ou liberdade. A alegria torna-nos sempre livres, enquanto a liberdade nos pode tornar tristes ou não. 3. Esta é a festa de todos os santos e de todos os fiéis defuntos que morreram no amor eterno de Deus. Esta é a festa de todos os santos anónimos que continuam a erguer o mundo: quem não encontrou na vida o amor, a humildade, a bondade e a fidelidade que os santos irradiam? Nem sequer na mãe a quem chamamos .santa., sempre calada e abnegada, ou no pai, sempre tão firme e doce? 4. A santidade é o impensado do nosso tempo, como a morte ou a graça. Apesar dos inúmeros processos de canonizações a correr. “A santidade é uma diferença. Emerge algures, na espessura das vidas. Será perceptÃvel ou não. Exemplificável ou não. Depende da organização e do seu pólo agregador. É este que mede, avalia, aprecia e tipifica a diferença” (Augusto Joaquim). Esta vida partiu para as extremas do humano. Vai Ter de produzir uma diferença real. Os antigos diziam que havia um cheiro inconfundÃvel. A santidade difundia um odor forte, sem ser inebriante, nÃtido sem ser cortante, persistente sem ser enjoativo. Era o seu modo de estabelecer a diferença real. Não seremos capazes de estabelecer uma diferença real entre a intrujice e a bondade, a hipocrisia e o sentimento verdadeiro? 5. A “santidade” secularizou-se, como tudo o resto. Conserva a virtude de agir por substituição: os heróis do nosso tempo são estrelas do cinema na intimidade, desportos radicais, modelos anoréxicos e lisos, o ouro e o brilho de ser conhecido, visto, publicitado. Essa é a santidade do Ãdolo, do atleta ou da estrela a que sacrificam as multidões. A graça que discernimos no rosto do santo é a graça do Ãcone litúrgico, eclesial, de uma realização do mundo . o que chamamos o Reino de Deus. Porque a beleza do santo não lhe pertence. A luz que o Ãcone lhe reconhece vem-lhe de um outro. Pulchritudo boni ou pulchritudo Dei in homines diffusa splendor sanctitatis. 6. Que diz o Cordeiro, de pé, investido de poder, cercado de uma corte de eleitos? Que diz este herói marcado pelo combate de várias cruzes? Diz ele que a testemunha vem marcada pela paixão de um combate, que arriscou a vida em função do horizonte das Bem-aventuranças, que resistiu ao amolecimento de que padecem todas as formas de vida. Que mais diz o Cordeiro? Que as nossas verdades, circunstanciais, são apenas as verdades dos nossos interesses, da nossa cegueira, das nossas expectativas e tendências. Que o Livro não é o nosso espelho, mas a nossa confrontação e desmascaramento. Que a marca da imolação subsiste como aparência, como traço de passagem da vida à morte. 7. Que mais diz o Cordeiro? Que a pátria da criação vem do futuro, que o futuro é uma visão; aprender a ver obriga a saber sonhar. Que a incerteza provoca também a excitação feliz da multiplicidade dos possÃveis. Que o sonho figura o tempo da liberdade. Que mais diz o Cordeiro? Que o Deus do AT. e do N.T. introduziu na História a dinâmica do “Novum”, a impaciência dos limites e o combate sempre recomeçado contra a paralisia das ordens estáveis do eterno retorno do mesmo. Que o mundo das Bem-aventuranças não é o mundo maravilhoso e liso do irreal que consola. Que a utopia cristã se chama esperança, urgência de conversão e não futurologia. Que mais diz o Cordeiro? Que o nosso estatuto é o de filhos e que só Deus é santo. 8. Do monte dos macarismos soam palavras que só os loucos dizem entre si, irrisórias, duras para quem leva uma vida dilacerada: “Bem-aventurados os pobres, os que choram, os que têm fome e sede”. Quem estranhará a acusação antiga de que o cristianismo conduz à efabulação do além, ao Céu vazio que é o céu dos pardais? Porque há a realidade crua. Há a morte à porta contra a qual nada se pode. Há uma revolução informática em curso que vai acelerar e rever conceitos como o do emprego e trabalho. São as pequenas e médias empresas que geram empregos. “Quanto aos excluÃdos, vou ser muito directo: estão destinados a morrer” (José Tribolet). 9. A Vida é invisÃvel, invisÃvel no sentido em que de facto – a dor, o inebriamento – inevitavelmente se frui, fora do mundo, independentemente de qualquer ver (M. Henry). Não se trata, pois, de uma oposição entre o visÃvel e o invisÃvel ou entre duas formas de realidade. Para o santo de Deus, Jesus, o Samaritano não estava imerso nos sonhos diáfanos da “bela alma” quando se debruçou sobre o homem coberto de sangue para ao socorrer e cuidar levando-o para um albergue. Como podem as sete obras de misericórdia corporais afastar-nos do mundo? Como não construir hospitais em tempos de barbárie? Como não cuidar dos feridos em tempo de guerra? Tanta mão invisÃvel que dá comer a essa multidão de mendigos que dorme ao relento sem que o comum do cidadão se incomode. Não são esses os santos dos nossos dias, invisÃveis, como o amor é invisÃvel? 10. As Bem-aventuranças não instituem a crÃtica sábia das nossas certezas ou felicidades. Elas circunscrevem o outro lugar que o nosso coração habita. A bem-aventurança se não é deste mundo, deve necessariamente habitar neste mundo. É em nós que a Cruz faz a sua morada. Os que choram, continuarão a chorar: Deus é alguém que se faz próximo daquele que chora. Deus presente, quer dizer retirado, não na “figura da morte”, mas no rosto dos mortos – dos exterminados. Deus não tem medo do pobre porque é pobre. Deus não se esconde. 11. Os santos lembram-nos, não o que somos, mas, drasticamente, o que deverÃamos ser. Eles propõem uma imagem familiar do sagrado. A sua presença na cidade ou nas extremas é poder de contestação e de contradição: polÃtica, social e onto-antropológica: uma “outra” forma, especÃfica, de ser homem e mulher. O santo e o pecador são homens e o primeiro Ãndice de uma humanidade em caminho para a sua realização é a certeza aguda duma solidariedade com o pecado de todo o homem. O santo e eu somos homens; ele dá testemunho da humanitas communis e da humanitas perfecta. Imitadores de Deus, que eles nos transmitam aquilo que os tornou tão próximos dele e de nós que nos reconhecemos neles, nossos irmãos comuns. A luz tabórica que brilha no rosto do santo vem do seu futuro e do nosso. Eles são exemplo da melhor humanidade do passado e projecção da melhor humanidade futura. Que a sua luz ilumine também o nosso rosto, agora do Monte das Bem-aventuranças. Beijinho, Catarina e até breve.
De Regresso àImigração
A propósito deste Adufe e do que aqui escrevi.
A questão parece querer manter-se nestes termos – quem defende a abertura àimigração é anti-patrióta, quem defende a imigração 0 é racista!
Peguemos num assunto bem actual, a falta de médicos. Não vou sequer deambular pela atribuição de responsabilidades, o Presidente da República falou sobre isso ontem, antes por uma lógica que defendi. Tentando refundar!
A quem defende que a abertura das nossas fronteiras só serve para ter crimonosos entre nós, não tenho comentário algum que me ocorra. Certo é, no entanto, que muita gente há que não tem culpa de ter nascido num local sem recursos sendo sua obrigação moral e ética procurar sustento para a sua famÃÂlia. O nosso caso recente de emigração era exemplo do que acabo de dizer.
Desta forma é desumano que os paÃÂses que subscreveram a Declaração dos Direitos Humanos, nomeadamente os da Europa ocidental, fechem as suas portas perante as extremas dificuldades em que vivem muitos nossos semelhantes!
PrincÃÂpio, sim, a questão de moral, de ética. Mas, se nós não consiguimos melhorar as condições de vida destes imigrados, para quê deixá-los vir?
É aqui que introduzo o problema fulcral da lamentável ausência de uma polÃÂtica de imigração! Porque continua a nossa Ordem dos Médicos a não reconhecer os seus colegas formados nos paÃÂses de leste? As nossas orquestras estão cheias de diplomados nesses paÃÂses e, em abono da verdade, promoveram significativamente a elevação da qualidade das mesmas. Não poderiam as nossas embaixadas e consulados promover a imigração e integração junto daqueles que melhor respondam às nossas necessidades?
Formar um obstectra ou um pediatra leva mais de 10 anos. Vamos ficar sem médicos especialistas até então por uma birra da Ordem dos Médicos que é a principal responsável pela situação?
Haja bom senso, haja a coragem de estabelecer uma polÃÂtica de imigração adequada às nossas necessidades, por um lado e, por outro, ànossa capacidade de integração social.
Uma polÃÂtica de imigração 0 é equivalente a imigração clandestina; a total abertura é sinónimo de irresponsabilidade.
De Regresso à Imigração
A propósito deste Adufe e do que aqui escrevi. A questão parece querer manter-se nestes termos . quem defende a abertura à imigração é anti-patrióta, quem defende a imigração 0 é racista! Peguemos num assunto bem actual, a falta de médicos. Não vou sequer deambular pela atribuição de responsabilidades, o Presidente da República falou sobre isso ontem, antes por uma lógica que defendi. Tentando refundar! A quem defende que a abertura das nossas fronteiras só serve para ter crimonosos entre nós, não tenho comentário algum que me ocorra. Certo é, no entanto, que muita gente há que não tem culpa de ter nascido num local sem recursos sendo sua obrigação moral e ética procurar sustento para a sua famÃlia. O nosso caso recente de emigração era exemplo do que acabo de dizer. Desta forma é desumano que os paÃses que subscreveram a Declaração dos Direitos Humanos, nomeadamente os da Europa ocidental, fechem as suas portas perante as extremas dificuldades em que vivem muitos nossos semelhantes! PrincÃpio, sim, a questão de moral, de ética. Mas, se nós não consiguimos melhorar as condições de vida destes imigrados, para quê deixá-los vir? É aqui que introduzo o problema fulcral da lamentável ausência de uma polÃtica de imigração! Porque continua a nossa Ordem dos Médicos a não reconhecer os seus colegas formados nos paÃses de leste? As nossas orquestras estão cheias de diplomados nesses paÃses e, em abono da verdade, promoveram significativamente a elevação da qualidade das mesmas. Não poderiam as nossas embaixadas e consulados promover a imigração e integração junto daqueles que melhor respondam à s nossas necessidades? Formar um obstectra ou um pediatra leva mais de 10 anos. Vamos ficar sem médicos especialistas até então por uma birra da Ordem dos Médicos que é a principal responsável pela situação? Haja bom senso, haja a coragem de estabelecer uma polÃtica de imigração adequada à s nossas necessidades, por um lado e, por outro, à nossa capacidade de integração social. Uma polÃtica de imigração 0 é equivalente a imigração clandestina; a total abertura é sinónimo de irresponsabilidade.
E agora, que vou pr’àqui escrever?
Este Ideias Soltas abriu-se sem disso se aperceber e, template arrumado, ficou sem saber para que serviria! Serviu-se da sua preocupação pela AMEC para a AMEC servir e de Ideias Soltas só da AMEC brotou!
E agora, porra, que vou fazer disto?
Confesso que não sei, tentarei ir como fui, ao sabor, na corrente das minhas preocupações, de louco seguramente, pois não as vejo nos reputados órgãos de comunicação social!
Serei marginal ou de mim quererão fazê-lo? Não sei, mas qualquer das hipóteses me agrada, seduz-me a preocupação daqueles que ainda fazem por amor, ou fazem porque fazem, acreditando no que vão fazendo, por alegria que é a maior manifestação de liberdade que conheço. Cito um grande amigo, José Augusto Mourão, “A alegria torna-nos sempre livres, enquanto a liberdade nos pode tornar tristes ou não.�
Então, um destes dias recebi um email de B. O., devidamente identificado, que manifesta uma profunda preocupação, não de agora antes de longa data, a da ausência de divulgação da música dos nossos compositores. Aqui vai, seguindo-se um breve comentário:
Caro Carlos Alves,
Porque se trata de um assunto relacionado com a música aqui estou para chamar a atenção de uma notÃÂcia que li hoje no JL.
A Orquestra Nacional do Porto vai lançar dois discos por si interpretados: de Tchaikovski a Sinfonia nº 4 e Romeu e Julieta; de Brahms o Concerto de Piano nº 1 e as Variações Haydn, sendo solista no Concerto o pianista António Rosado.
Obras arqui-tocadas!
Como é possÃÂvel gastar-se dinheiro nisto? Serão discos para oferecer no Natal?
O mercado está inundado destas obras. Só da Sinfonia nº 4 há pelo menos dezenas de versões, de difÃÂcil escolha, qual delas a melhor: Sanderling, Karajan, Mravinski, Svetlanov, Barbirolli, Toscanini, Bernrstein, Monteux, Markevitch, etc., etc., e pelas melhores orquestras do mundo.
Do Concerto do Brahms há mais de 20 versões e pelos melhores pianistas do mundo! Agrada-me que Rosado seja mais um mas preferia que gravasse música portuguesa.
O mesmo para a Orquestra Nacional do Porto.
Que eu conheça, há meia-dúzia de discos com música portuguesa por orquestras portuguesas. Há mais discos com música de orquestra mas são orquestras húngaras.
Como é possÃÂvel que não sejam divulgadas as obras de autores portugueses?
Onde está a música sinfónica ou concertante de Freitas Branco,Cláudio Carneiro, Lopes Graça, Armando José Fernandes, isto para referir os mais antigos?
Felizmente que a Naxos está a editar Joly, a Hyperion editou Viana da Mota, a Numérica compositores jovens e a La màde Guido, de Carrapatoso.
Quem são os responsáveis que mandam gravar Tchaikovski e Brahms em 2003 pela Orquestra Nacional Porto?
É preciso denunciá- los na praça pública.
Fiquei indignado com a notÃÂcia. Desculpe o desabafo mas ocorreu-me que seria interessante abordar a questão da música portuguesa no seu blog.
A preocupação de B. O. é justÃÂssima. Com efeito, os compositores portugueses têm mais obra orquestral gravada no estrangeiro que entre nós o que é no mÃÂnimo caricato! Ainda ontem Jorge Sampaio dizia em terras castelhanas que era estranho nenhuma empresa portuguesa ter almejado até ao momento ganhar um concurso em Espanha. Dizia e dizia bem, é que neste apregoado e sacralizado mundo neo-liberal exporta-se o liberalismo enquanto no recato caseiro se protegem contra a sua invasão através dos mecanismos àdisposição do Estado. E nesta matéria todos se entendem, da direita àesquerda, menos entre nós, os arautos do “non senseâ€Â?, que não cuidamos atempadamentte de defender os nossos interesses e parecemos preocupados em defender, por inusitado princÃÂpio ético e moral, a “finantiaâ€Â? internacional.
Mas voltemos ao pomo.
Por preposições (sempre me pareceu um dos métodos mais adequados):
1 – Terá a Orquestra Nacional do Porto obrigação de gravar música de compositores portugueses?
2 – Terá António Rosado obrigação de gravar música portuguesa?
Certamente que não. A liberdade de um músico escolher o que interpreta é inalienável. Em tempos, no interrompido Fórum da Antena 2, discutiu-se se Maria João Pires teria ou não obrigação de gravar compositores portugueses. Como é evidente as opiniões dividiram-se, cada um guardando a sua, mas para mim é lÃÂquido que se a um intérprete for negada a liberdade de escolha está definitivamente hipotecada a qualidade da sua manifestação artÃÂstica por força de não se expressar onde entende que terá algo para dizer.
Quero com isto dizer que não estou de acordo com B. O.?
De forma alguma! Vejamos a preposição seguinte:
3 – Quando uma intervenção artÃÂstica é financiada ou apoiada por dinheiros públicos será lÃÂcito que se exija que se interpretem autores portugueses?
Não, não tem sido, mas acho que sim! De facto não deve ser imposto ao artista um programa, mas deve ser obrigação das entidades públicas que financiam ou apoiam exigir que tal aconteça, no caso concreto desde duplo CD, incluir, vá lá, ao menos, uma obra portuguesa de folgo.
Não sei se houve ou não qualquer financiamento para a produção deste CD da Orquestra Nacional do Porto, mas a própria instituição é substancialmente financiada pelo Estado, sendo que, se a António Rosado não deveremos exigir que só interprete obras de compositores portugueses (aliás já o fez em gravações anteriores), já me parece de muito mau gosto que a ONP a tal não se obrigue, nem pelos financiadores estatais seja obrigada.
Quem não estiver de acordo bata-me primeiro para eu perceber o porquê.
E agora, que vou pr’Ã qui escrever?
Este Ideias Soltas abriu-se sem disso se aperceber e, template arrumado, ficou sem saber para que serviria! Serviu-se da sua preocupação pela AMEC para a AMEC servir e de Ideias Soltas só da AMEC brotou! E agora, porra, que vou fazer disto? Confesso que não sei, tentarei ir como fui, ao sabor, na corrente das minhas preocupações, de louco seguramente, pois não as vejo nos reputados órgãos de comunicação social! Serei marginal ou de mim quererão fazê-lo? Não sei, mas qualquer das hipóteses me agrada, seduz-me a preocupação daqueles que ainda fazem por amor, ou fazem porque fazem, acreditando no que vão fazendo, por alegria que é a maior manifestação de liberdade que conheço. Cito um grande amigo, José Augusto Mourão, .A alegria torna-nos sempre livres, enquanto a liberdade nos pode tornar tristes ou não.. Então, um destes dias recebi um email de B. O., devidamente identificado, que manifesta uma profunda preocupação, não de agora antes de longa data, a da ausência de divulgação da música dos nossos compositores. Aqui vai, seguindo-se um breve comentário: Caro Carlos Alves, Porque se trata de um assunto relacionado com a música aqui estou para chamar a atenção de uma notÃcia que li hoje no JL. A Orquestra Nacional do Porto vai lançar dois discos por si interpretados: de Tchaikovski a Sinfonia nº 4 e Romeu e Julieta; de Brahms o Concerto de Piano nº 1 e as Variações Haydn, sendo solista no Concerto o pianista António Rosado. Obras arqui-tocadas! Como é possÃvel gastar-se dinheiro nisto? Serão discos para oferecer no Natal? O mercado está inundado destas obras. Só da Sinfonia nº 4 há pelo menos dezenas de versões, de difÃcil escolha, qual delas a melhor: Sanderling, Karajan, Mravinski, Svetlanov, Barbirolli, Toscanini, Bernrstein, Monteux, Markevitch, etc., etc., e pelas melhores orquestras do mundo. Do Concerto do Brahms há mais de 20 versões e pelos melhores pianistas do mundo! Agrada-me que Rosado seja mais um mas preferia que gravasse música portuguesa. O mesmo para a Orquestra Nacional do Porto. Que eu conheça, há meia-dúzia de discos com música portuguesa por orquestras portuguesas. Há mais discos com música de orquestra mas são orquestras húngaras. Como é possÃvel que não sejam divulgadas as obras de autores portugueses? Onde está a música sinfónica ou concertante de Freitas Branco,Cláudio Carneiro, Lopes Graça, Armando José Fernandes, isto para referir os mais antigos? Felizmente que a Naxos está a editar Joly, a Hyperion editou Viana da Mota, a Numérica compositores jovens e a La mà de Guido, de Carrapatoso. Quem são os responsáveis que mandam gravar Tchaikovski e Brahms em 2003 pela Orquestra Nacional Porto? É preciso denunciá- los na praça pública. Fiquei indignado com a notÃcia. Desculpe o desabafo mas ocorreu-me que seria interessante abordar a questão da música portuguesa no seu blog. A preocupação de B. O. é justÃssima. Com efeito, os compositores portugueses têm mais obra orquestral gravada no estrangeiro que entre nós o que é no mÃnimo caricato! Ainda ontem Jorge Sampaio dizia em terras castelhanas que era estranho nenhuma empresa portuguesa ter almejado até ao momento ganhar um concurso em Espanha. Dizia e dizia bem, é que neste apregoado e sacralizado mundo neo-liberal exporta-se o liberalismo enquanto no recato caseiro se protegem contra a sua invasão através dos mecanismos à disposição do Estado. E nesta matéria todos se entendem, da direita à esquerda, menos entre nós, os arautos do .non sense., que não cuidamos atempadamentte de defender os nossos interesses e parecemos preocupados em defender, por inusitado princÃpio ético e moral, a .finantia. internacional. Mas voltemos ao pomo. Por preposições (sempre me pareceu um dos métodos mais adequados): 1 . Terá a Orquestra Nacional do Porto obrigação de gravar música de compositores portugueses? 2 . Terá António Rosado obrigação de gravar música portuguesa? Certamente que não. A liberdade de um músico escolher o que interpreta é inalienável. Em tempos, no interrompido Fórum da Antena 2, discutiu-se se Maria João Pires teria ou não obrigação de gravar compositores portugueses. Como é evidente as opiniões dividiram-se, cada um guardando a sua, mas para mim é lÃquido que se a um intérprete for negada a liberdade de escolha está definitivamente hipotecada a qualidade da sua manifestação artÃstica por força de não se expressar onde entende que terá algo para dizer. Quero com isto dizer que não estou de acordo com B. O.? De forma alguma! Vejamos a preposição seguinte: 3 . Quando uma intervenção artÃstica é financiada ou apoiada por dinheiros públicos será lÃcito que se exija que se interpretem autores portugueses? Não, não tem sido, mas acho que sim! De facto não deve ser imposto ao artista um programa, mas deve ser obrigação das entidades públicas que financiam ou apoiam exigir que tal aconteça, no caso concreto desde duplo CD, incluir, vá lá, ao menos, uma obra portuguesa de folgo. Não sei se houve ou não qualquer financiamento para a produção deste CD da Orquestra Nacional do Porto, mas a própria instituição é substancialmente financiada pelo Estado, sendo que, se a António Rosado não deveremos exigir que só interprete obras de compositores portugueses (aliás já o fez em gravações anteriores), já me parece de muito mau gosto que a ONP a tal não se obrigue, nem pelos financiadores estatais seja obrigada. Quem não estiver de acordo bata-me primeiro para eu perceber o porquê.
Metropolitana – Dia “D”
4 de Novembro – “The Day After� da AMEC
Parece, finalmente, tudo se conjugar para que o folhetim Amec conheça o seu epÃÂlogo na próxima 3ª feira. Por um lado, as Câmaras associadas não quebraram o acordo de considerar que Miguel Graça Moura não tem condições para prosseguir e, por outro, a posição publicada pelo maestro, através de carta aberta, neste Expresso último.
Por lapso nunca anteriormente aqui “linkei� AMEC, “Associação Música – Educação e Cultura� (corrigindo agora o erro cometido), conhecida pela marca Metropolitana. Como poderão constatar e como muito bem elucidou Adufe, esta associação sem fins lucrativos é composta por 4 escolas e 2 orquestras – “Academia Metropolitana de Amadores�, Escola Metropolitana� (infantil e juvenil), “Conservatório Metropolitano� e “Academia Nacional Superior de Música�, a “Orquestra Académica� e a “Orquestra Metropolitana�
Os contornos rocambolescos de que este processo se revestiu já eu aqui transmiti, sendo com especial apreço que ouvi ontem, na Antena 2, João Maria de Freitas Branco dizendo, com muito ponderação e assertividade, que o projecto AMEC é uma obra ÃÂmpar no que ao ensino da música em Portugal diz respeito, pedindo que a saÃÂda inevitável do maestro não se traduza numa alteração ou desvirtuação dos fundamentos da obra.
É certo que não é o momento adequado para se prestar uma homenagem a Miguel Graça Moura, mas não se duvide que foi graças àsua tenacidade que a AMEC nasceu e àsombra da sua gestão se ergueu, ficando para a história o seu nome inscrito de forma indelével.
Salientava, ainda e bem, João Maria de Freitas Branco, ser a AMEC pioneira nos estudos superiores de Direcção de Orquestra e a forma inteligente como as escolas se encontram inter-relacionadas com o objectivo de captar e formar jovens músicos para as nossas orquestras, em especial, nas cordas, sector deficitário, desde sempre entre nós.
Para se ter uma ideia, desde 1995, ano em que saÃÂram os seus primeiros formandos, bacharéis e, mais tarde, licenciados, da Academia Nacional Superior de Orquestra saÃÂram 80 profissionais, 17 violinistas, 7 violetistas, 13 violoncelistas, 4 contrabaixistas, 6 maestros, 3 flautistas, 8 clarinetistas, 5 trompetistas, 3 percussionistas, 5 tubistas, 4 trombonistas, 2 fagotistas, 2 oboeÃÂstas e um trompista, sendo que destes 80, 40 são profissionais de música em Portugal e 11 conseguiram entrar em várias instituições estrangeiras de prestÃÂgio onde prosseguem o seu aperfeiçoamento artÃÂstico. ÃÂ?mpar, como venho repetindo, é pouco para o conseguido em apenas 11 anos, diria atÃÂpico, pela positiva, dentro do panorama do ensino da música em Portugal, seja público, privado ou cooperativo. Notável, sem adjectivação quando comparado com outras escolas superiores se retirarmos os pianistas, sempre em excesso e de pouca utilidade no universo das orquestras!
Ora, esta é a herança a preservar, a impedir que seja deturpada, antes incentivada e acarinhada pelos poderes públicos. Para a maioria do público, Metropolitana é apenas uma orquestra, mas a verdade diz-nos que a realidade vai muito para além da Orquestra Metropolitana, aliás, esta nem teria, a meu ver, fundamento, sem ser integrada neste projecto já que seria uma 3ª orquestra residente em Lisboa, a par da da Gulbenkian e da Orquestra Nacional do S. Carlos.
É, sumariamente, este o desafio de quem vier a ter responsabilidades no futuro da AMEC! O momento é, felizmente, agora, de serenidade, de reflexão, sendo plausÃÂvel que a Assembleia Geral consiga um compromisso unânime para o futuro. As inqualificáveis atitudes tomadas pela Câmara Municipal de Lisboa e pelo próprio maestro Miguel Graça Moura quase destruÃÂram a realidade que descrevi e que, por si, orientou a minha conduta, pedindo o regresso do bom senso e da legalidade, tendo inclusivamente elogiado o trabalho calmo desenvolvido pelo Ministro da Cultura na busca do consenso mas, ou muito me engano, ou mais alguém, com grande sentido de responsabilidade e de Estado, sem procurar nenhuma espécie de protagonismo, encaminhou este rocambolesco folhetim para um mais que necessário epÃÂlogo, denunciado pelo espÃÂrito da carta aberta de Miguel Graça Moura, onde este parece recuperar o siso após longo perÃÂodo de notório desequilÃÂbrio.
Ainda bem que Portugal ainda pode contar com pessoas desta estirpe, preocupadas em defender e promover o que de muito bem fazemos, impedindo que outros, cegos pela busca de interesses pessoais, não conhecendo limites para os seus intentos, arrastem para a lama pérolas como a AMEC.
Neste especial e ansioso momento, cumpre-me agradecer ao Rui Branco, àCatarina e ao CrÃÂtico a partilha desta preocupação e desejar as maiores felicidades aos vindouros, aqueles que receberão o privilégio de assumir os destinos da AMEC, tendo sobre eles o estigma da obra nada e criada por MGM. Exige-se, depois de todo este processo, que pior não façam e, ao assumirem este objectivo, tenham consciência que é extremamente ambicioso.
Ranger de Portas
Portas bloqueia a argumentação dizendo que a quota zero é o que sempre tivémos e, por tal, os clandestinos é que promovem o desemprego ao aceitarem jornais de miséria sem qualquer apoio social ou humano!
Das duas uma, ou é mesmo um problema de portas, como aquelas dos antigos estúdios que abriam uma para cada lado, ou é uma mera procura de bandeiras popularuchas, para esgrimir votos numas putativas eleições. A este propósito já se insurgiu o Abrupto, mas talvez sem insistir veementemente numa tentativa de solução.
A verdade é que desde Salazar nunca se pensou sobre uma polÃtica de imigração pois não era um problema – Portugal, há mais de 250 anos que é um paÃs de emigração – sendo o quadro muito recente, advindo da descolonização, primeiro, da adesão à União Europeia e, com mais pertinência, com a queda do muro de Berlim, depois.
O que é verdade é que somos agora um paÃs que deve ter polÃticas para a emigração e para a imigração, exactamente para não virem a constituir um problema.
É por demais evidente que as nossas mais constantes receitas de há 2 séculos a esta parte advêm das remessas dos nossos emigrantes, de importância crucial para a nossa economia, tendo merecido uma atenção especial dos poderes públicos.
Pelo contrário, no caso da imigração continuamos a deambular entre o arremesso da xenofobia e as pueris ideias de socialismos de gaveta, encapotados por detrás de um ecumenismo social. Aliás, não só neste caso, os nossos polÃticos têm uma tendência especial para debater até à exaustão da superficialidade os problemas com que o paÃs vai enfrentando no devir da história.
O que urge não é arremessar “nem mais um imigranteâ€? nem o “venham a nós, coitadinhosâ€?! Urge definir uma polÃtica de imigração de acordo com os interesses de Portugal, em cada momento, sem afrontar, evidentemente, o humanismo social a que somos obrigados pela nossa condição de aderentes à Carta dos Direitos Humanos. Assim sendo, não me parece que nos interesse nem estancar as portas nem escancará-las, antes abri-las consoantes os nossos interesses, albergando os que nos possam ajudar ao nosso desenvolvimento e evitando aqueles que nada poderão acrescentar.
Vejamos, será que a nossa construção civil será viável sem a mão-de-obra de imigrantes? Só um tonto responderia de forma afirmativa! Nem os empreiteiros podem comportar os salários de pedreiros ou carpinteiros portugueses nem temos profissionais suficientes nesta área.
Será que os licenciados em medicina e enfermagem dos paÃses de leste, que hoje ilegalmente trabalham na construção civil, em mecânica automóvel e eu sei lá que mais, não poderiam ver os seus cursos reconhecidos oficialmente e, mediante a prestação de provas nacionais e públicas tanto dos seus conhecimentos especÃficos como da nossa lÃngua, serem incentivados a colmatar a insuficiência que padecemos nestas áreas no serviço nacional de saúde?
Por aqui continuarÃamos, detectando as nossas insuficiências para promover, através das nossas embaixadas uma imigração que servisse os interessados e o paÃs.
Uma polÃtica coordenada de imigração é urgente para colmatar sectores de actividade que somos deficitários de mão-de-obra, por falta de quadros especializados ou por manifesto desinteresse dos portugueses em desempenhar algumas tarefas, contribuindo para um aumento substancial de contribuintes para a nossa segurança social bem como para o IRS.
Não precisamos de ranger de portas, nem de portas contrárias, precisamos de uma só porta, bem lubrificada, que abra quando deve abrir e para quem deve abrir.
Problemas de aprendiz
Nada a fazer, os aprendises cometem erros, por vezes, bem incómodos como foi o caso das hiperligações falhadas no post de abertura, nomeadamente a 100nada e ao CrÃtico Musical. Aqui ficam as minhas desculpas e a esperança de colmatar o erro, desta feita.
