Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Cultural Management’

Ainda sobre o PU (utilizando a sigla da Jacky) há um aspecto que neste post não foquei, mas que não passou despercebido à Susana Serrano num comentário - as ESE’s! Transcrevo parte dele:

«É uma absoluta irresponsabilidade ministerial!
Durante os últimos 20 anos investiram nas ESEs, em cursos semi-especialistas, de má qualidade geral, para cobrir o 2º ciclo essencialmente e dar formação “mais credível� aos professores do 1º ciclo, deixando mais uma vez “as disciplinas artísticas, menores� de fora do currículo. É verdade, estas últimas, pagas a recibo verde agora e dadas como actividades extra-curriculares, estão na lei, no currículo do 1º ciclo há já muitos anos.Na realidade só o Inglês ainda não fazia parte do currículo do 1º ciclo, era só intenção.
Os resultados do investimento nas ESEs são também muito contraditórios e ainda não foram nem analisados, nem investigados e muito menos avaliados seriamente, assim como tudo neste ME que temos; como tal parte-se para outra mudança. Acho que a maioria das pessoas não acredita nisso e os sindicatos mais uma vez vão pegar no assunto pelo único lado que não deviam.
» Susana Serrano

Com efeito, num momento em que toda a gente já sabe do logro que as Escolas Superiores de Educação (ESE’s) representaram para a diminuição da qualidade do ensino superior em Portugal (com honrosas excepções, claro), esta medida do Professor Único viria dar um novo fôlego ao incrementar as inscrições nessas instituições em detrimento das universitárias, sabendo nós que elas correm sério risco de desaparecer por falta de alunos, i.e., por desinteresse do mercado! (ver notícia do Público 11 de Julho de 2006)
Então, para além da medida ser má para a qualidade do ensino pelas razões adiantadas, ainda se acrescenta esta desconfiança (para não dizer suspeição) de favorecimento encapotado das ESE’s, para mais sabendo que o Secretário de Estado Valter Lemos foi um dos grandes impulsionadores destas instituições, tendo sido Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 1996 e Presidente da Politécnica - Associação dos Institutos Politécnicos do Centro desde 2003, funções só deixou quando foi convidado para este governo!

Contrariando a tendência que se constata em quase toda a Europa, excluindo França donde teimamos decalcar, o governo ensaia na comunicação social a ideia de prolongar o professor único até ao 6º ano.

«Segundo Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, o que se quer evitar é que, do quarto para o quinto ano, os alunos passem de um professor para dez, amenizando a transição curricular das crianças, algo que tem sido uma das críticas mais frequentes feitas por outros sistemas educativos europeus ao sistema português.» (Público)

Amenizar a transição curricular das crianças é um objectivo salutar mas, enquanto na Europa se caminha para, desde o 1º ano, os alunos terem professores por disciplina e horário semanal fixo para cada uma (bastaria o Sr Secretário de Estado ir ao Colégio Alemão, por exemplo), por cá a via é cortar ao n.º de professores, implicando uma redução assustadora da qualidade do ensino prestado, já que a especialização individual e o trabalho de equipa são um caminho sem retorno no que ao conhecimento diz respeito.
Francamente, acho que esta ideia cairá por ela própria sob pena de regredirmos dezenas de anos, mas espero que os sindicatos, em vez de se porem aos berros contra a redução de professores que a medida implica, abordem o assunto pelo lado da preservação e incremento da qualidade do ensino nas escolas, desde o 1º ano!
Esta ideia é das tais que nem a um guarda-livros lembraria!

Assim vai o estado do ensino da gestão cultural - uns dias dispersos pelo ano com um diploma final, seguramente, e subsidiados por dinheiros públicos, nacionais ou comunitários!
É difícil, vai ser muito difícil chegarmos lá se não levarmos as coisas a sério e seriamente.

Manuel Caldeira Cabral, Professor do dep. de economia da Universidade do Minho, publicou em estudo sobre o Ensino Superior em Portugal nos últimos 20 anos. O estudo é passível de download na sua página pessoal.
O que parece que fica demonstrado é que o crescimento dos alunos inscritos é inversamente proporcional à qualidade do ensino prestado pelas instituições do interior, nomeadamente a dos Politécnicos, onde foram cair os alunos que, pela sua muito baixa nota de entrada, não conseguiram entrar noutras locais, só lá indo parar por mero acaso, nunca criando raízes nesses locais. Daí que o estudo aponte para o falhanço do investimento público nessas instituições como forma de fomentar uma política regional.
O melhor mesmo é lê-lo, mas quem pelo interior vai andando vê o que lá está dito - a pressão autárquica, a proliferação de docentes e o exponencial crescimento de cursos sem interesse algum. Por outro lado, apesar de não abordar este aspecto, quem por lá vai andando também vê que o grau de parentesco entre os docentes é, nalguns casos, muito, mas muito, como direi, hilariante.

A Cristina Vieira no Contra Capa pegou no assunto que atrás abordei da cultura e sua gestão aludindo que, por considerar que a cultura é elitista se deveria enveredar pela progressividade de níveis de complexidade na programação e, coincidentemente com uma educação para a arte também progressiva.
Eu compreendo o que a Cristina pretende dizer e aceito que se se optar, exclusivamente, por programações de fruição mais complexa o carácter elitista adensar-se-á. Apesar de o assunto ser demasiadamente vasto e de difícil solução transcrevo para aqui o comentário que deixei no seu blogue embora só seja compreensível se antes lerem o seu texto.

1 - não há cultura elitista - cultura é cultura, é tudo o que nos deixaram;
2 - por deficiente educação o legado cultural cuja fruição requer bagagem prévia foi sendo “apropriado” por cada vez menos pessoas que formaram um grupo restricto e, por outro lado, esse mesmo grupo foi-se fechando e reivindicando a “sabedoria” de fruir só para eles (aqueles a que tu bem inseres na “elite” que referes;
3 - a única forma que encontro para devolver da sua fruição a todos é ela ser objecto de estudo na escola, desde tenra idade, onde as artes não sejam vistas como um apêndice, mas como imprescindíveis para a formação da identidade, tal como a língua e a matemática;
4 - como em qualquer outra área para lá das artes, devemos dar às crianças os clássicos originais, uma vez que elas não são burras e têm uma capacidade de assimilação muito superior a um adulta (como sabes melhor do que eu, a capacidade de assimilação ou de aprendizagem, se preferires, é das poucas coisas que vamos perdendo desde o dia em que nascemos);
5 - qualquer clássico original será sempre melhor do que um sucedâneo do mesmo, uma vez que tudo está datado e a criança deve enquadrar cada obra no seu tempo, para perceber a nossa evolução bem como para compreender, mais tarde, manifestações mais vanguardistas; começar por estas é que seria (e tem sido) um erro de palmatória;
6 - entretanto, para os adultos que não beneficiaram de uma educação deste tipo e que têm direito à fruição artística, pode-se perfeitamente (penso eu) encaminhá-los para manifestações menos complexas, embora sem ceder ao facilitismo e à falta de qualidade;
7 - tudo tem a ver com educação e com gestão cultural e, neste último particular aspecto, com uma gestão criteriosa do investimento e da receita em especial no que concerne aos equipamentos culturais - defendo que, sem nunca ceder na qualidade, deve-se incluir na programação manifestações artísticas mais comerciais de modo a que a receita de bilheteira consiga financiar outros projectos essenciais, mas fora do circuito comercial.

Esta última questão levar-nos-ia à mentalidade vigente (que escrevi noutro sítio) do divórcio entre os actores culturais e os “contabilistas” que saem das nossas escolas de economia. Enquanto não resolvermos esta tendência secular, enquanto os “contabilistas” não forem gestores para olhares para a cultura como um bem a investir e os actores culturais não admitirem que têm um produto para comercializar e rentabilizar, será muito difícil chegarmos a bom porto.

Devia à Cristina Vieira e ao Rui Rebelo uma posição sobre a troca de opiniões que deixaram nesta entrada. A Cristina ia exasperando com a demora, mas entendi esperar pela confirmação oficial(?) da concessão do Rivoli à Bastidores/Produções La Feria.
Confesso que valeu a pena esperar não pelo anúncio público do Presidente da Câmara antes de o apresentar à assembleia municipal, mas pelas reacções. Um espanto!
Uns calaram-se, vergados, talvez por considerarem que, pelo facto de La Feria ser uma garantia de bilheteira, será uma gloriosa vitória política de Rui Rio, enquanto outros, os do regabofe, toca a deitar abaixo La Feria por ser o diabo feito gente.
Rapidamente, porque nisto de posts não convém gastar muita tinta, La Feria merece-me a consideração que devo a quem faz, e com qualidade (não é pouco, não) e adianto que não tenho dúvida de que o produtor/encenador ancalçará êxitos de bilheteira nem dificuldade em admitir uma vitória “política” de Rui Rio.
Certo estou é de que, num momento em que se fala tanto em promiscuidade, em compadrios, em tráfico de influências, abrir um concurso de concessão para o Rivoli onde se exige que o concessionado produza quatro grandes produções anuais para a sala grande e mais quatro para a sala é, no mínimo, muito, mas muitíssimo insuspeito…
Certo estou que uma sala de espectáculos como a do Rivoli apresentar na sala principal 4 espectáculos num ano é ridículo! Imagine-se o que para aí não se diria quanta folha de jornal não se gastaria se a Casa da Música, o CCB, Serralves, S. Luiz, para só citar alguns, fizessem 4 produções/ano! Cairia ao Carmo e a Trindade!
Certo estou de que esta vitória da politiquinha é uma derrota pesada para a cultura e um grave precedente para a gestão das cerca de 70 salas de espectáculo em Portugal, pois permite que as pessoas continuem a não querer saber que a formação de públicos não passa por estes equipamentos, mas pela escola, onde o ensino artístico continua a ser considerado como enriquecimento extra-curricular no 1º ciclo!
O negócio da cultura depende da sua compra, i.e., da vontade de a fruir, e após tantos anos a esbanjar dinheiro na oferta sem qualquer resultado (para mim, peço desculpa se firo alguém, existe um evidente excesso de eventos culturais em Portugal) ainda não aprenderam ou não querem saber que (vou repetir alguém) será através da fruição dos clássicos, da literatura, do teatro, das artes plásticas, da música desde tenra idade, que poderemos almejar a que daqui a uns 20 anos haja público interessado em manifestações culturais, clássicas e experimentais, e que as sustente.
Bem pode argumentar a Cristina que demora e que no entretanto o La Feria chama gente ao teatro. Bem pode ser…, o que não há é dinheiro para tudo nem a “palhaçada” prevista para a sala pequena colmata esta tontice!
4 produções/ano no Rivoli é uma ousadia que só uma pessoa invulgar poderá atingir! Não é o meu caso…, nem me habituo a comer de tudo e a calar, mesmo quando me esfregam nas ventas concursos, como direi, “enfeitiçados”…, talvez!

Lopes-Graça

Faz amanhã precisamente 1 ano que o ministro Santos Silva anunciou a recuperação e edição de parte da obra de Lopes-Graça constante do valioso arquivo da ex-Emissora Nacional.
Missão cumprida! São 10 CD’s com 41 obras seleccionadas por Romeu Pinto Da Silva entre 100 escolhidas entre mais de 1000 constantes do referido arquivo. Total razão ao ministro que na altura afirma que “esta é a melhor maneira de homenagear os criadores, dando a conhecer a sua obra.” (O Primeiro de Janeiro)
Deixo, contudo, mais uma vez, o alerta e o desejo que formulei há 1 ano - que este trabalho seja o arranque da total preservação, catalogação, digitalização e, sempre que apropriado, a edição do vastíssimo espólio da ex-Emissora Nacional.

Ora, então, por um lado:

« (…) a proposta da OCDE para o ensino superior português é que universidades e politécnicos públicos passem, gradualmente, a ser fundações financiadas pelo Estado, mas geridas como se fossem do sector privado. O organismo aconselha também que professores e trabalhadores não-docentes das escolas percam o vínculo ao Estado e deixem de ser funcionários públicos.» (Público)

mas, por outro:

«Caberá ao Governo estipular a estrutura e o número de pessoas que devem fazer parte desse órgão, mas a OCDE sugere que tenha elementos externos à academia e que são parte interessada, os chamados stakeholders.» (Público)

No entanto:

«Neste momento há 11.806 pessoas que trabalham para o Estado através do chamado recibo verde. Em Agosto, um decreto-lei do Governo definiu que a continuidade da relação laboral com avençados ou tarefeiros deve ser avaliada até ao final do ano. (…) Dos funcionários a recibo verde, 5.179 estão colocados no Ministério da Educação, 1.986 na Saúde, 1.020 na Ciência e Ensino Superior (…)» (SIC)

Em que ficamos, afinal?

Enquanto ilustres académicos e pensadores e comentadores se preocupam se a cultura é de esquerda ou direita, se cabe ao Estado ou aos particulares investir (ver aqui), há quem não perca tempo e invista - é o caso da UNICER com o projecto Aquanatur que envolve o Hotel do Vidago, as Pedras Salgadas, as Termas, um acordo com a Fundação de Serralves e Siza Vieira como projectista.
Continuem os excelsos académicos em discussões de treta porque pode ser que entretanto alguém invista e crie riqueza para que possam continuar a dizer coisas e a ganhar a vidinha…
Sobre este assunto ler Apostas… de Alexandre Burmester no A Baixa do Porto.

subscrevo sem mais, Francisco José Viegas.
Não há deserto de programação cultural nenhum, bem pelo contrário! Há excesso, há eventos sem qualquer interesse, há um desprezo pelo público que é "inculto", há uma soberba sobranceira em especial de quem tem dinheiro público para programar e se queixa que "a gente faz e o público não aparece" ou "o dinheiro não chega para nada"!
O que há falta é de gestão desses dinheiros, de acompanhamento e controlo dos projectos e de responsabilização contratual de quem não cumpre com o estipulado!
O erro vem de longa data - não haver uma política de gestão cultural do Estado! O Estado financia um projecto e o que lhe fornecem é o número de espectáculos que foram apresentados e para ele basta!
Programar, convenhamos, não é fácil, mas captar público, pois, a expressão que se apregoa, mas ninguém dela quer fazer caso, é bem mais difícil e não é compaginável com a especificidade do trabalho de criadores ou de programadores - exige experiência e tarimba de gestão, um saber à parte que urge ser integrado no que à cultura diz respeito.

É certo de que nunca fui grande adepto, mas o fim de algo que esteve sempre esgotado dá-nos que pensar…
A Festa da Música tornou-se no evento de música dita clássica mais mediático de Portugal – ele era um corrupio de comentadores, de candidatos a comentador, de críticos, de sociólogos da música, de músicos sociólogos, de antropólogos, de Cinhas, de Caras, caía lá tudo, todo este mundo e mais outro! Essa festança acabou!
Merecia o evento continuar? Sem dúvida, havia qualidade na programação, nos músicos, na montra que era para os músicos portugueses, no renascer da vivência da música clássica, mas o que era o CCB para além desses 3 dias? Nada será demasiado e algo muito! (ver tristeza da Teresa Cascudo)
A verdade é que não há dinheiro para pagar ao René Martin, mas também nada há a agradecer pois muito pouco fez para a internacionalização dos músicos portugueses que afinal convidava para as suas festas.
Fim do contrato. Ponto, parágrafo.., por uma questão orçamental, mas parágrafo!
E agora, finda a festança, poderemos continuar a ter música? Ou seja, será que o CCB poderá, como diz, ter uma programação mais regular, melhor, gastando menos?
Eu acho que pode, francamente, mas pelo que já vi não me parece que não o consiga. E o problema reside justamente neste ponto: será que não temos entre nós capacidade para programar com excelência. (ver o que escreveu o Tiago Bartolomeu Costa a propósito)
A resposta é demasiado óbvia – o fim da Festa da Música acaba com a festa, mas é a própria programação do CCB que arrasa com a música!

«Em Portugal, por exemplo, a percentagem do sector cultural e criativo para o PIB é de 1,4 por cento, abaixo do sector têxtil (1,9) mas acima do dos derivados de borracha e plástico (0,5 por cento).
(…)
Já em França, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido, o sector cultural e criativo é o que mais contribui para os PIB nacionais.» (no Público)

Há evidências que a insigne e nobel escola económica portuguesa (especialistas em finanças públicas e de todos os tipos ou, mais concretamente, versão moderna de guarda-livros) não consegue decifrar por evidente formatação do ensino. Nas nossas faculdades de economia e de gestão não se formam gestores, não se incute o desenvolvimento do “faro” do negócio, antes espartilham o conhecimento na gestão corrente, na despesa e na receita, escamoteando a análise de oportunidades de negócios e mercados emergentes, condicionamento que limita drasticamente a capacidade de discernir o que é despesa do que é investimento.
Num momento em que o investimento na indústria ruma para o Oriente e a dos serviços concentra-se em enormes grupos financeiros que ninguém conhece ao certo seu modus operendi nem as regras do jogo, o negócio da cultura parece ser o que de mais promissor a Europa pode explorar. Temos património, temos criadores, temos equipamentos, mas falta-nos o know how para explorar o negócio - o investimento na formação de gestores, no caso, gestores culturais. Temos o ouro, mas não o sabemos garimpar…

Não tenho a veleidade de pretender sensibilizar pessoas como o Dr. Rui Rio para este fenómeno, mas há muita boa gente que ainda está a tempo de perceber estas mudanças dos mercados e do comportamento dos consumidores e arrepie caminho!
Pensem, por exemplo, no chavão de que o Estado gasta muito dinheiro com a cultura! O que é que isso quer dizer em termos práticos? Não sei, mas os factos são estes: o orçamento do ministério da cultura é de cerca de 0,6% do PIB enquanto o contributo da cultura para o nosso PIB é de 1,4%!
Repare-se no fenómeno Casa Fernando Pessoa. Trata-se de uma instituição nova? É sobre-financiada? De forma alguma! Trata-se de um caso de sucesso muito recente onde existe trabalho, muito com certeza, mas competência (o termo que a distingue e deveria constituir-se em case study nas nossas faculdades), competência intrínseca às coisas da cultura e, muito especialmente, à forma como é gerida.
É tempo de aprendermos e de arrepiar caminho sem nos deixarmos prender por conversas de café como a de saber se mais ou menos Estado, se somos neo-liberais ou sociais-democratas ou outra coisa qualquer, porque o mercado e as oportunidades de negócio não esperam nem dessas cogitações querem saber.

Para um economista, para um gestor, a questão deveria resumir-se a constatar que a cultura é uma das mais promissoras oportunidades de negócio para a Europa e que devemos investir o mais eficazmente possível para estar rentavelmente nele.
Para os governos a questão poderá ser mais complexa, como venho defendendo, pois eles próprios deveriam reorganizar-se numa perspectiva de gestão cultural, envolvendo tutelas dispersas pelos ministérios da cultura, educação e negócios estrangeiros e pelo audiovisual, com missões e objectivos próprios quando não contraditórios.

O trio de Keith Jarrett hoje no CCB, após dezenas de anos sem vir a Portugal e após a sua grave doença, e Bernardo Sassetti em Castro Verde.
A escolha não é fácil, mas atendendo a que os bilhetes para o CCB há muito que se foram, quem não os tiver decidido está!
Talvez pudesse falar sobre programação, sobre gestão cultural de equipamentos, sobre o não vender gato por lebre, sobre o não despejar espectáculos sem nexo e sem nenhum fio condutor, mas não, cansei…
Registo, apenas, que Castro Verde continua a oferecer uma programação cultural variada sem cedências na qualidade.

Para ver mais detalhes vejam o que ao António Branco escreveu no Improvisos ao Sul, aqui e aqui.

Não desisto de pugnar por uma política gestão cultural global do Estado. Os princípios orientadores, as regras de apoio às artes, a tipologia dos apoios, o controlo, a avaliação dos resultados são fundamentais para se delinearem estratégias, programar temporadas e espaços de programação regular.
Sem isto nada é endendível, parecendo que todos os financiamentos são de ocasião para mais não dizer.
Sobre este assunto recomendo vivamente a leitura de O grande teatro da metrópole, pelo Tiago Bartolomeu Costa, em O Melhor Anjo, onde analisa a nova programação do Teatro Nacional D. Maria II.

A 26 de Julho saudei Isabel Pires de Lima pelo facto de, para lá de saber se a gestão é pública ou privada, afiançar a garantia der um Serviço Público para o Rivoli, em declarações à RR.
No entanto, como escrevi, não sei onde está definido o que isso de Serviço Público de Teatros Municipais.
Ontem renovou as suas intenções e ofereceu-se para mediadora entre a Câmara do Porto e os manifestantes, mas o problema é que, 2 meses volvidos, todos continuamos sem saber o que é isso de serviço público!
Esta coisa de serviço público tem, no audiovisual, servido os maiores disparates, sendo de temer que, a não estar concretamente definido em que consiste, a Ministra continue a falar de nada, mesmo revelando bom senso e vontade de encontrar uma solução digna, uma vez que para Rui Rio esta medida mais não representa que o produto de uma vendeta encapotada contra Isabel Alves Costa, não sendo de esperar que os manifestantes presentes consigam contribuir para um desenlace feliz.
O economês fala hoje mais alto escondendo-se sempre no politicamente correcto. Este género de acções obriga a que falemos a mesma linguagem e utilizemos os mesmos métodos para o combater - bastará comparar a relação custo/benefício de muitas das medidas do ditador democraticamente eleito como, por exemplo, a pista de automóveis da Boavista ou o património da zona classificada pela Unesco.
A continuar assim, Rui Rio sairá, mais uma vez, com uma vitória pessoal numa contenda onde ninguém sairá a ganhar - Câmara, produtores e artistas e, principalmente, o público.

Eu gostaria de ter escrito isto, mas ainda bem que foi o Francisco José Viegas que o fez, muito melhor do que eu conseguiria.
O FJV entende que os professores são o elo mais fraco na cadeia de comando da organização e gestão da educação em Portugal. Entende bem, pois é na escola (diz o autor) que tudo acontece.
No entanto, eu gostaria de tentar ser mais assertivo, para dizer que é na relação particular que se estabelece entre cada aluno e cada professor, nessa comunicação que se pretende biunívoca, onde se cruza o ensino e a aprendizagem, o que quer dizer, onde se joga o sucesso de ambos os actores do processo educativo.
Quem já passou por empresas comerciais sabe o que pretendo dizer, é líquido, é na relação vendedor/comprador que o negócio se gera e, embora possa parecer estranho ao professor (ele não vende, no sentido literal) as técnicas a utilizar para uma rápida percepção de quem é o interlocutor (o aluno) e as de persuasão na comunicação são exactamente as mesmas.
O resto, o resto é como diz FJV, são génios, os génios que saíram das escolas para num qualquer gabinete, esquecendo-se de que para lá foram por professores terem sido, se entregarem aos mais inquietantes e compulsivos devaneios pedagogeses!
E a propósito, utilizando o título de FJV, o post do Dragão sobre a Violência Doméstica tem muito a ver com a indisciplina nas escolas, com a facilidade com que os pais se desresponsabilizam pela educação dos filhos e com o muito enfraquecido poder de persuasão dos professores quando comparado com o audiovisual.
Mesmo mais ausente da blogosfera do que outrora é sempre bom regressar para encontrar textos como estes.

Estimado A.A. (resposta a comentário)

É fácil, com frases feitas, é demasiadamente fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi, livre de defuntas ideologias como as de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, em estudo já realizado, que o Estado gastará menos, controlará melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto despendeu em 2005 o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, no programa de Arte em Rede, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de audiovisual, sente-se, veja o resultado, e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertada e avulsamente como tem sido.

nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?

1 - será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?

2 - será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?

Não são precisos mais exemplos, pois não? Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos, sim, de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, são também dispensáveis discursos de esquerdas e de direitas, necessitamos, isso sim, de gente com bom senso e coragem.

Sobre o documento de intenções, apresentado hoje no CCB, relativo ao novo Regime de Apoio às Artes pela Ministra da Cultura e Secretário de Estado, retive algumas ideias:

1 - Nas candidaturas de apoio à programação de cine-teatros, serão privilegiadas as candidaturas que visem a captação e formação de novos públicos, contemplem uma dimensão educativa e impliquem o acolhimento de uma entidade de criação em regime de residência permanente ou temporária não inferior a três meses por ano;

2 - promover a fixação de entidades de criação artística no interior do país;

3 - promover a internacionalização das artes e dos artistas portugueses e contribuir para o aprofundamento da cooperação artística internacional;

4 - ligar as artes ao emprego jovem, ao meio escolar, às ciências, ao turismo, à inclusão social, solidariedade social, ambiente e ordenamento do território, bem como a o desenvolvimento regional;

5 - proporcionar maior sustentabilidade das entidades apoiadas pelo Ministério da Cultura através do Instituto das Artes;

6 -acompanhar melhor o processo de apoio e reforçar a responsabilização das entidades apoiadas.

Ou seja, para quem andou apenas a despejar espectáculos (bons ou maus, muitos ou poucos) sem estabelecer uma missão, objectivos precisos, nem providenciou uma gestão que proporcionasse uma maior sustentabilidade, obriga a que venha agora o papá Estado fazer o que quem de direito deveria, atempadamente, ter feito e não fez!!!
Mas é evidente que o que recentemente escrevi aqui e aqui não passou de uns meros devaneios…

Uma pianista integrada numa instituição portuguesa sediada em Lisboa, foi obrigada, após processo de reintegração ordenado por sentença judicial, a montar e apresentar publicamente, entre 26 de Setembro e 16 de Outubro de 2005, o seguinte programa:

26, 27, 28 e 29 Setembro:

Piano Recital

- J.S. Bach Toccata in D major BWV 912
- Beethoven Sonata no. 26 in Eb major, op.81a “Les Adieux”
- Chopin Ballad in G minor op. 23
- Ballad in F major op. 38

6, 7 e 8 Outubro:

Piano Recital

- W.A. Mozart Sonata KV. 331
- J. Brahms Sonata op.5
- Chopin Scherzo in B minor op.20

20, 21, 22 e 23 Outubro:

Piano Recital

- Chopin 24 Preludes op.28
- Shostakovich 24 Preludes op.34

19, 20, 21 e 22 Outubro (!!!):

Piano Recital

- Beethoven Sonata no.14 in C minor, “Moonlight Sonata”
- Mussorgsky Pictures at an Exhibition

Por ser humanamente impossível e por desabonar não a pianista, mas a pessoa e a instituição que ordenou tamanho dislate, subscrevi e divulgo a petição online - Musical Mission Impossible.

«À Orléans, c’est la municipalité qui vient de notifier des réductions de crédits aux deux grands artistes de la ville. Moins 75 000€ pour Josef Nadj, moins 45 000€ pour Olivier Py. Le premier, directeur du centre chorégraphique, répète actuellement le spectacle d’ouverture du prochain Festival d’Avignon. Le second, directeur du centre dramatique, vient de triompher au Rond-Point et doit signer l’hommage à Jean Vilar qui aura lieu vers la fin de la 60e édition d’Avignon.»
(…)
«À Aubervilliers, c’est le département de Seine-Saint-Denis qui coupe drastiquement la subvention du théâtre équestre Zingaro, passant de 130 000€ à 40 000€ ce qui est le montant de la taxe professionnelle que reverse Zingaro.» (Le Figaro sob o título “Des subventions coupées“)

Evidentemente eu é que sou louco em pensar que, se isto está a acontecer nos países ricos, poderá, muito brevemente, acontecer em Portugal!
É, manifestamente, um insensato devaneio meu!

O texto que escrevi a propósito do 1º aniversário do PAX Julia foi alvo de algumas interpretações que me parecem completamente descontextualizadas. Por isso transfiro para post um texto que lá coloquei a propósito de um comentário do Nikonman, que vai muito mais além de uma resposta. Passo a transcrever.

O respeito que me merecem todas as pessoas impede-me, precisamente, de individualizar o assunto que tratei (recordo mais uma vez, gestão, no caso, cultural).
Mais adianto que, muito seguramente, apresentar alguns espectáculos, nas condições existentes, terá sido quase um milagre e que a maioria das pessoas que trabalham no PAX JULIA deverão ter tido muitos e muitos dias em que pouco dormiram ou comeram.
Exactamente por isso enderecei os parabéns, sinceros, a todos os envolvidos - Câmara, funcionários e prestadores de serviços.
Por outro lado, não falei dos espectáculos apresentados, nem da sua qualidade nem da sua quantidade, pois a programação deve ser, do meu ponto de vista, o reflexo de uma missão e objectivos previamente delineados, os quais desconheço.
Por último, quando afirmei que existia «equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção», está perfeitamente implícito (sem individualizar a questão) o desajustamento funcional! Termos uma pessoa mais do que qualificada para executar determinado tipo de funções a fazer outras é mais um caso de ausência de gestão, para não dizer de má fé.
Se quiserem pegar nas minhas palavras para entender um insulto, façam-no, estão no seu direito, mas não foi isso que escrevi nem foi essa (quem me conhece, sabe) a minha intenção.
A minha intenção é clara (peço o favor de lerem com atenção, com mente aberta e sem emprenharem pelos ouvidos) - trabalhar para que daqui a uns tempos não tenhamos de constituir movimentos, manifestações e abaixo-assinados para que o PAX JULIA possa continuar a desenvolver um papel relevante para o Distrito de Beja.

Quanto a uma empresa municipal para «evitar que a veleidade privada se exiba e fique municipalmente controlada» não sei que dizer, (aliás já escrevi bastas vezes sobre o assunto aqui no Ideias Soltas muito antes do PAX JULIA abrir), mas não sei de que tenha mais receio, se das veleidades privadas se das públicas.
Há muito a pensar antes de dar esse passo:

1 - tem Beja uma dimensão crítica que permita o desenvolvimento do projecto em condições de progressivo auto-financiamento?
2 - se tem quais as prioridades que deve privilegiar?
3 - se não tem o que deve fazer?
3.1 - dar prioridade à formação de públicos?
3.2 - investir mais no Serviço Educativo ou manter o investimento quase exclusivo na oferta de espectáculos?
3.3 - envolver na sua gestão a parceria com outras Câmaras do Baixo Alentejo?
3.4 - envolver na sua gestão a parceria com entidades privadas?
4 - que responsabilidade deve ter na promoção dos artistas e instituições culturais da região?
4.1 - há conhecimento dos valores que cá residem?
4.2 - depois de os conhecer e seriar, têm valor para actuar no PAX JULIA?
4.3 - deve e pode o PAX Julia promover os valores regionais pelo país afora, aproveitando a estrutura de rede em que está inserido e, se sim, qual a percentagem do orçamento que deve ser afecto a esse objectivo?
5 - que papel deve desempenhar a iniciativa privada no Pax Julia?
6 - se se considerar que deve desempenhar, que objectivos traçar e de que forma a implementar?
6.1 - entregar o espaço à iniciativa privada?
6.2 - manter o estado actual e decidir pontualmente?
6.3 - constituir mais uma estrutura camarária que defina universalmente quais os critérios, condições e meios de controlo para a sua prossecução?
6.4 - definir a missão, objectivos e formato e entregar contratualmente a gestão a uma entidade privada que o faça, a quem se possa assacar responsabilidades?
7 - obtidas as respostas às questões anteriores, qual a equipa de gestão mais adequada e qual o perfil de cada elemento?
8 - elaborar o plano, onde está, entre outras coisas, incluído um modelo de programação, para cumprir a missão e objectivos traçados.

As respostas a estas e outras questões deverão ser prévias a qualquer decisão, pois sem elas, sem se estabelecer, com rigor, o que se pretende, como se avalia e quais as formas de controlo, tudo poderá não passar de iniciativas meramente especulativas.

«(…) 62% dos alunos recorre a explicações e tem cerca de 10 horas semanais de aulas particulares, o que obriga as famílias a desembolsarem entre 200 a 250 euros por mês. (Diário Digital)

É evidente que existe uma correlação estreita entre o sucesso escolar e a capacidade financeira das famílias e, se assim é, quem poderá avaliar o actual sistema e seus intervenientes?
Em boa verdade o Sistema Educativo deve centrar-se, precisamente, naqueles que só dele, em exclusivo, usufruem, ou estarei a ver mal?

Completa-se hoje, dia 17, 1 ano desde que o Pax Julia reabriu as suas portas.
O Pax Julia é um recinto cultural de programação regular (utilizando a designação do Programa Operacional de Cultura (POC) que pagou a sua reconstrução e sustentou, em grande parte, a sua programação, até agora, pois termina precisamente este ano de 2006), incluído no contexto de Arte em Rede do Ministério da Cultura, juntamente com outros 62 recintos.
Não sei se será hora de balanço pois a sua gestão não é diferenciada, estando a ser gerido directamente pela Câmara Municipal de Beja, através de uma equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção), a qual, entre muitas outras responsabilidades, tem a seu cargo a gestão deste espaço.
Já seria muito bom sabermos qual a missão, objectivos e metas particulares a que o Pax Julia se propôs inicialmente, por um lado e, por outro, a sua concretização bem como saber se cumpriu as metas impostas pelo POC que o sustenta.
Não pretendendo ser pessimista - aliás o modelo de gestão (ou a sua falta) do Pax Julia é idêntica ao da maioria dos recintos apoiados - sempre adianto que muito me preocupa saber que o Ministério da Cultura financia actualmente o grosso da manutenção e programação de 74 recintos culturais (incluíndo os nacionais) e que, concluído que está o Programa Operacional de Cultura, como é que eles sobreviverão.
Vivemos num país onde está na moda dizer que queremos menos Estado e simultaneamente exigir mais do Estado, ou seja, uma prática oposta ao discurso, mas a verdade é que, em tempo de balanço, o que os directores destes espaços invariavelmente lançam é a quantidade de espectáculos exibidos e, por vezes, a taxa de ocupação das salas, sem curar de tocar no pomo da questão: o que é que fizeram no sentido do auto-financiamento destes preciosos espaços, de forma a assegurar o seu futuro?
Convenhamos que (nem será necessário recorrer ao bom senso, basta à honestidade intelectual) o Estado não pode sustentar 74 espaços de programação regular! Porquê? Primeiro porque esta política inviabiliza a empresarialização da cultura (o aparecimento de empreendedores, de produtores e agentes culturais - condição essencial para a constituição de uma indústria cultural) e, em segundo lugar, porque o Estado não tem mesmo capacidade financeira para o fazer (as prioridades e o orçamento estão muito longe deste desiderato).
Regressando ao POC e lendo um dos seus principais objectivos,

«(…) estruturadas sob a forma de circuitos de programação, co-produção e divulgação das artes do espectáculo e visuais, demonstrando que com o projecto se obtêm efectivamente ganhos de eficiência que contribuam para as condições de sustentabilidade dos recintos culturais envolvidos e para a melhoria da oferta cultural nas regiões mais desfavorecidas do território nacional.»

facilmente e sem grandes contas constatamos que, tirando honrosas excepções de Câmaras que entregaram a gestão destes espaços a pessoas ou entidades externas com conhecimento e a quem possam ser assacadas responsabilidades, não se vislumbram quaisquer iniciativas conducentes à sustentabilidade! Mais grave, ainda, é saber que os detentores dos espaços pensam mesmo que o Estado tem obrigação de, per si, os sustentar!
Não sou pessimista, mas estou muito preocupado com o futuro destes espaços, preocupação essa que já vem desde a aventura de os restaurar e/ou construir (basta correr o que por aqui escrevi sobre gestão cultural e sobre o Pax Julia).
Muito mais penoso do que não ter é ter de encerrar o que com muita dificuldade e com dinheiros públicos se ergueu, por manifesto desinteresse pelas mais básicas regras de gestão!
Apesar das minhas preocupações, endereço à Câmara Municipal, aos seus funcionários que, entre outras responsabilidades, têm a de fazer com que o Pax Julia funcione, bem como à equipa de prestadores de serviços (em especial técnicos) que faz com que possa acontecer, os meus parabéns e o desejo, muito sincero, de este dia seja o primeiro de muitos aniversários do PAX JULIA.
Hoje, às 21:30h, poderemos assistir a:

ficha técnica:

Direcção: Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum
Director Assistente: Eduardo Wotzik
Adaptação: Leonor Xavier
Guarda-roupa: José António Tenente
Desenho de Luz: Marinel Matos
Intérpretes: Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique

De quando em vez a Jacky dá-lhe para escrever sobre coisas sérias e o mais curioso é que se sai tão bem como noutros assuntos que se entendeu rotular de menos sérios. A ler «Plano Nacional de Leitura» e reflectir, talvez, que às vezes, muitas, em calhando, as boas intenções gerais esbarram em inverosímeis impossibilidades locais.

Não tenho dúvida de que a extinção do “Ballet Gulbenkian” é uma perda sem retorno para a dança e a cultura portuguesa.
Como disse o Henrique Silveira, O “Ballet Gulbenkian” já não era da Fundação nem sequer português - era património mundial e um orgulho nacional.
Permito-me, contudo, reflectir um pouco sobre modelos de gestão culturais e de gestão de dinheiros públicos no que à cultura diz respeito.
Será, no entanto, que a Fundação poderá abster-se de se regular pelas tendências de gestão cultural hoje em voga, muito mais rentáveis e, em muitos casos, não menos eficazes?
Estou de acordo quando o Henrique afirma «Longe estão os dias de Azeredo Perdigão, longe está a elegância e a qualidade do homem que fez da instituição o verdadeiro ministério da cultura de Portugal» mas, apesar da excelência da referida Companhia e do facto de ser, em boa verdade, a única escola de ballet em Portugal, o que a Fundação gasta com a sua manutenção é muito menos rentável do que apoiar diversos projectos na área, dentro e fora de portas, ou organizar espectáculos - o seu nome e imagem obtêm uma implantação exponencial face à aposta numa companhia residente.
É que longe vão os dias de Azeredo Perdição, os dias e os tempos, havendo que modernizar a gestão da Fundação para que daqui por uns anos possamos ainda contar com ela para apoiar a cultura portuguesa.
Note-se que digo isto com mágoa, entenda-se, mas trata-se de uma empresa privada, no caso com a figura jurídica de fundação, não lhe cabendo o papel que desempenhou, é certo, de ministério da cultura, mas sim de apoio aos projectos que considerará mais interessantes para o desenvolvimento da sua missão.
«Este país tem umaministra da cultura que não comenta nem dá a sua opinião sobre a extinção do Ballet Gulbenkian», diz o Henrique. Pois não, não comenta nem deve interferir na esfera do privado, podendo, apenas, lamentar a perda.
O que eu questiono é por que razão o Estado nunca apoiou a Fundação Gulbenkian, nomeadamente, a sua Orquestra e o seu Ballet?
De facto, o que agora aconteceu ao Ballet poderá rapidamente acontecer à Orquestra, uma vez que não se justifica que o Estado continue sem privilegiar a Gulbenkian como parceira preferencial nos domínios da Cultura e da Ciência, em vez de andar a esbanjar, só em Lisboa, dinheiros públicos com uma Companhia de Ópera, residentemente fixa e fixada, uma Sinfónica agregada à Ópera que pouco toca e não se desloca e uma Orquestra Metropolitana de que ninguém compreende a sua razão de existir, pulverizada que está de estrangeiros, negando a sua missão prima de ser uma via de profissionalização para os alunos da Escola Superior de Música que está na base do projecto AMEC!
Algo me diz que, não havendo dinheiro para isto tudo, o Estado deveria, há muito tempo, aliar-se a quem sabe fazer, a Gulbenkian, e abster-se de manter projectos que revelam indícios muito duvidosos na divulgação da música, do ballet e da ópera.
É tempo de poupar onde está muito mal gasto e aplicar os parcos recursos em quem tem provas dadas de que sabe fazer.
Quem sabe se, deste nodo, não seria possível Portugal manter a Companhia de Bailado e a Orquestra, apoiadas pelo Estado e pela Gulbenkian e outros privados, não deixando o ónus da manutenção, exclusivamente, para a Fundação?

ps: os bailarinos do Ballet Gulbenkian abriram um blogue (clique)

A Casa (da Música) não veio com manual de instruções. É um edifício único no mundo, tanto em conteúdos como em definição arquitectónica”, esclareceu Francisco Pires, director de produção, remetendo para a génese do projecto - e para a figura de Pedro Burmester enquanto autor central da ideia da Casa da Música - a filosofia geral que deve ser aplicadaJornal de Notícias.

Como é Sr. director, a Casa da Música à espera do salvador? Tomem as gotas, de manhã e ao deitar, de preferência!!!

Uma verdadeira rede não é feita de edifícios, pelo que importa criar programas que permitam o incentivo à itinerância e que permita que esses equipamentos se tornem numa verdadeira rede e não apenas o complexo de estruturas fixas Isabel Pires de Lima ao Comércio do Porto.

Tem toda a razão embora, Senhora Ministra, o incentivo à itinerânicia deva partir da gestão desse “complexo de estruturas fixas”, para que elas sejam catapultadoras do trabalho dos criadores dispersos pelo país e não meros repositários das itinerâncias dos “sempre os mesmos ENORMES E GRANDES e GLORIOSOS artistas” que absorvem mais de 85% dos subsídios do Instituto das Artes para projectos de itinerância, entidade central e centralizadora do poder de decidir quais são os “bons” e os menos “bons” projectos!
Para obstar a essa escandalosa concentração de instituições e pessoas beneficiadas seria, por que não, uma belíssima medida que cada Teatro Municipal pudesse apresentar e defender junto do I.A. os projectos mais interessantes de cada região.
Mas isto é apenas uma ideia entre muitas…

(aviso: texto longo só para quem se interessar pelo assunto)

Àcerca deste post do Rui A. e deste outro do João Miranda no Blasfémias apus lá 2 comentários que aqui reproduzo:

1 - «Um pouco de memória não faz mal a ninguém:

1.1 - Pedro Burmester saíu do projecto Casa da Música de sua livre e espontânea vontade quando era assessor pessoal do Presidente do Conselho de Administração, M. Alves Monteiro;

1.2 - Apesar da “birra” incompreensível de Rui Rio em teimar não querer Pedro Burmester na administração da Casa da Música, M. Alves Monteiro, bateu o pé e chamou-o para o seu lado, como seu único assessor;
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Por diversas vezes dei destaque à gestão da Casa da Música como um exemplo a evitar no que concerne à gestão de equipamentos culturais, em especial, tudo o que decorreu antes de Alves Monteiro aceitar a Presidência do Conselho de Administração. Afirmei que este gestor era, para mim, um garante do rigor, apaixonado embora, necessário à prossecução do projecto, evitando que continuasse a navegar ao sabor de interesses partidários, camarários, pessoais e, em especial, de “lobbies” há muito instalados no meio musical portuense, dali se estendendo, qual polvo encapotado, para todo o país.
Alves Monteiro iniciou o seu trabalho cumprindo cautelosa mas firmemente a missão a que se propôs (pode-se ver aqui), longe dos holofotes da ribalta mediática que muito gratificantes poderão ser a nível pessoal, mas incompatíveis com uma gestão que antes de se cumprir tem de mandar o lixo para o lixo e conservar o que valia e não tinha sido feito, i.e., “arrumar a casa”.
Cedo, e salomonicamente, mostrou não ceder a pretensões mesquinhas e vazias de sentido profissional, nomeando Pedro Burmester para seu assessor único, mantendo desta forma uma valia que não poderia encontrar noutro personagem - a memória e a justificação do já realizado. Contudo, a Casa da Música, não manteve a figura da direcção artística no seu novo organigrama - apenas administração e executores.
Daí que não assista a Pedro Burmester qualquer razão em sentir que a nomeação de Anthony Withworth -Jones possa ter um sentido de retirada de confiança do Presidente do Conselho de Administração, uma vez que nunca tal foi prometido e a não nomeação do músico para essas funções não augurava que Alves Monteiro tivesse, aprioristicamente, intenção de resolver essa delicada lacuna organizacional com o seu nome
Poderá ter sido surpresa para muitos, mas para quem conhece a correcção pessoal e profissional saberia que o novo gestor, ao abraçar o comando de um projecto que saía do âmbito que conhecia, iria antes do mais inteirar-se da especificidade da gestão da coisa cultural, deixando espaço para, a seu tempo, tomar as decisões que considerasse mais adequadas. E a nomeação de A. Withworth-Jones (ver aqui o seu percurso profissional) mais não confirma senão a segurança de entregar os destinos da programação a quem já possuía créditos firmados, estivesse disponível e exigisse uma remuneração adequada ao projecto.
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Ainda sobre a mensagem que recebi por correio electrónico de B. O. , que aqui transcrevi e comentei, transcrevo agora uma outra sobre o mesmo assunto remetida por Abel Roldão Santos.

que misterio há para as orquestras portuguesas quando gravam, so gravam o mais que gravado ?
será porque há um ou dois maestros portugueses que insistem nisso .. casoa.cassuto para a naxos, e como este maestro é nacional e chato (como todosos maestros..vide o ensaio de orquestra do Fellini)vamos então fazer outracoisa assim..no estilo filarmonica de Berlim.
No entanto senhores gestores eu e mais uns tantos até pagavamos para termos nas nossas colecções um cdzito com a “Pátria� do Vianna da Motta etc porque não consideram serviço publico por cá fora em cd as gravações davelha orquestra da EN com o Frederico de Freitas a reger as suas obras ?
para controlo de tal “hitotético� negocio quantos cd se venderam com a�callas�?
(…)
aliás a rdp podia tb� vender� os programas de divulgação para uso escolar ou equivalente…

Regressarei sempre a assunto, sempre que for a propósito, pois se atentarmos no que não tem sido feito pelo riquíssimo acervo da Antena 2, da RDP, ex-Emissora Nacional, e pelo Museu da Música que teima em não mostrar todas as colecções privadas que lhe foram doadas, a história da música portuguesa estará sempre amputada e, mais grave, deturpada e usurpada.