Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Gestão’

Decorrerá hoje no Museu da Electricidade em Lisboa, pelas 15:00, a 3ª edição de Conversas UNICER, que visão reflectir sobre a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial, sob o tema Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?, sendo transmitido on-line neste link.
Esta tarde o orador principal será Bruno Giussani, contando com António Granado, Eduardo Correia, Maria João Nogueira e Paulo Querido (gestor da rede TubarãoEsquilo) como oradores e interlocutores numa discussão sobre blogues, relações públicas, Internet social e empresas.

Ricardo QuaresmaA desautorização de Fernando Póvoas, o anúncio do prolongamento do contrato de Quaresma e colocá-lo a transmitir oralmente aos media que o Porto ensinou-me muita coisa e fez-me crescer (…) e (…) amo o Porto e estou contente por estar aqui (…), revela que o F. C. Porto geriu a comunicação no respeito pela identidade própria que foi construindo nos últimos anos, através de atitudes inequívocas que respondem, em simultâneo, a quem assobia Quaresma, aos media que tentaram desestabilizar o relação Quaresma / F. C. Porto e ao próprio jogador.
O facto de a qualidade da comunicação estar cada vez mais associada à oralidade do que às atitudes, provoca em muitos aprendizes de feiticeiros, ávidos de projecção mediática, a ânsia de dizer coisas, muitas e a ritmo assinalável. Por outro lado, os próprios media alimentam e amplificam, focados nas audiências, o insólito e o grotesco - a projecção, afinal, da frivolidade e do voyerismo em enlatados de entretenimento que caracterizam a sociedade que vivemos hoje.
Contudo, a gestão da comunicação institucional, não podendo marginalizar-se deste contexto, deve resguardar-se do aproveitamento e natural amplificação de factos menos positivos, através de um comportamento revelador de atitudes coerentes e eticamente comprometidos com a defesa da própria instituição.
É por tudo isto que mesmo será muito difícil o F C Porto manter este registo de qualidade, que Pinto da Costa construiu e inteligentemente preserva, quando chegar o dia em que for obrigado a encontrar alguém que o substitua.

A ler e reter o que o José Manuel Fonseca escreveu no A Infelicidade ao Alcance de Todos onde aborda as consequências da substituição da avaliação do desempenho pela do potencial no mundo empresarial.
Breves excertos:

(…) nos últimos tempos o valor das pessoas não está associado ao seu passado.
(…) Reenquadrando tudo no “potencial”, fazemos depender do futuro, sempre deslizante, uma opinião sobre o valor de qualquer pessoa.
(…) Isto tem a vantagem de desgastar bastante as pessoas cujo património de vida, de experiência e de bom trabalho numa qualquer organização será sempre desvalorizado e sem relevo.
(…) Criam-se organizações sem memória, sem lealdades nem cumplicidades duradouras entre os seus habitantes, mas a quem será, necessariamente, exigida uma dedicação e comprometimento organizacional unilaterais.
José Manuel Fonseca, Então agora que o íamos promover é que se vai embora?

O pensamento actual traduzido nesta análise pode bem ser aplicada ao sitema educativo dos dias de hoje, onde muito se fala e investe na matemática e tecnologia, em detrimento dos pilares civilizacionais, as artes e as humanidades, que conferem e educam a gerir emoções, enquadrando-as na memória, na tradição, conferindo o essencial para construção da identidade, condição prima para se saber quem é nesta aldeia global.

Todos os hospitais e serviços centrais de saúde serão obrigados a ter um controlo electrónico de assiduidade até ao fim do ano. (via Agência Financeira)

Sempre considerei que se deveria controlar a assiduidade dos médicos nos hospitais públicos, mas esta medida agora anunciada sempre me colocou algumas reticências, nomeadamente, se um médico deve interromper um acto, cirúrgico que seja, para ir picar o ponto à hora de saída ou, caso não o faça como manda o bom-senso, as horas que permanece em serviço até terminar o acto médico deverão ou não ser automaticamente consideradas como extraordinárias?
Que deve haver controlo, parece ser consensual; agora este tipo de controlo não me parece ser o mais adequado para os profissionais de saúde.

Árrea que não domino de todo é a gestão dos clubes e SAD’s do Futebol, mas pensamentos há que não deixam de me inquietar: não sei se as vendas de Anderson e de Pepe por 30 milhões cada foram ou não bons negócios para o F.C. do Porto, mas não tenho dúvida de que trocar um bom guarda-redes por outro melhor e ainda deixar 1 milhão de euros no cofre foi bom negócio para o Sporting.

Marcar uma greve geral para o meio de uma semana, a dois dias de uma 6ª feira em que se comemora o Dia Mundial da Criança e abre a época balnear, é um erro que José Sócrates nunca cometeria!

No processo de, para já, veladas intenções do Ministério da Educação de destruir o Ensino Artístico em Portugal com base num relatório apresentado, duas vulnerabilidades de monta sofrem as Escolas de Ensino Artístico, para além das oriundas de cerca de 30 anos de estupidez legislativa por parte tutela, que poderão revelar-se fatais para se defenderem deste ataque grosseiro:

1 – muito poucas a têm uma Associação de Pais instituída ou, se a têm, não a acarinharam nem promoveram uma interacção suficientemente forte para que, como parceira educativa, saia agora a terreiro para defender o ensino que os filhos beneficiam;

2 – as escolas particulares e cooperativas de ensino artístico nunca trataram de organizar-se numa associação específica que conhecesse os seus problemas e as representasse com propriedade, estando inseridas na AEEP – Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, que representa praticamente todas as escolas privadas de Portugal, sendo as de ensino artístico uma muito pequena minoria.

Em relação a esta segunda vulnerabilidade nada poderá ser feito em tempo útil, mas quanto à primeira ainda as escolas estão a tempo de contactar directamente os pais para esclarecer as alterações já anunciadas pela tutela e pedir o seu apoio para a manutenção dos serviços prestados, caso seja do interesse dos seus clientes.
Nas escolas de ensino artístico onde como consultor de gestão presto colaboração já esta urgente medida foi ou está a ser tomada.

Dívida à banca em título de notícia no Público.
Eu sei (quem não sabe?) que a banca é, toda ela, muito bem gerida, mas sem este factor e se pagasse os impostos devidos como qualquer outra empresa, acho que os tais lucros nem sequer reflectiriam este maná!!!

após 2 dias inteiros de reflexão em grupo.
Há empresas assim! Há empresas que constituíram e mantêm o hábito de convidar quem bem entendem para com eles reflectirem sobre cenários possíveis e soluções mais adequadas - antevê-se a evolução do mercado em determinado segmento (curto prazo), prefiguram-se cenários, escalpelizam-se hipóteses, aferem-se os resultados de experiências anteriores e adiantam-se configurações de resposta prováveis. Não há uma final, não há vencedores, há uma reflexão livre e conjunta que empresa guarda para dela fazer o que melhor entender caso o cenário venha a ocorrer.
Quatro notas: há empresas assim, mas em Portugal só conheço um grupo que o faz; nunca vi presente nenhum membro de governo, passado ou presente, nem académicos - só executivos de campo, o que é raro em Portugal; tudo acontece longe dos focos mediáticos - parece mentira; por que será que os governos não pegam nos bons exemplos?

«“Um euro muito forte penalizará a competitividade da Zona Euro e será contrário aos desafios da economia europeia de 2007″, disse Howard Archer, da Global Insight.
No entender deste economista, as ameaças do próximo ano serão o abrandamento da economia mundial, a subida das taxas de juro, as medidas de políticas fiscais na Europa para reduzir os défices públicos, principalmente na Alemanha, e os preços elevados do petróleo.
» (Público)

Há descobertas da pólvora todos os dias, conforme vai calhando a quem mais jeito der!
Louco tenho sido eu para escrever coisas como esta

José Sócrates anunciou ontem que «o Governo está disponível para negociar com os sindicatos o novo sistema de avaliação dos professores (…)», mas não abdicando de que «é necessário premiar o mérito e é impossível manter um sistema em que todos os professores chegam ao topo da carreira.» (O Primeiro de Janeiro>)
Sempre acreditei que a avaliação dos professores pelos encarregados de educação foi inscrita no projecto do "Estatuto da Carreira Docente" com 2 objectivos estratégicos muito precisos: concentrar a atenção dos sindicatos nessa tontice, desviando-os de outros pontos bem mais melindrosos; ser a arma de negociação vital para acalmar os professores.
Os sindicatos, valha-me Deus, engoliram isco, anzol, fio, cana, tudo, ao terem feito o "banzé" que fizeram sobre esse ponto sem sequer terem ainda lido o projecto. Agora, como é evidente, terão muita dificuldade em convencer os professores de que o recuo do governo não é relevante já que  mediatizaram este ponto até à exaustão.
No entanto, apesar de José Sócrates aliviar a pressão neste ponto calculado, insiste e muito bem que a avaliação dos professores pelo mérito não é negociável, mas continua a ser infeliz ao declarar não ser possível todos os professores atingirem o topo da carreira. É raro Sócrates cometer gafes de comunicação desta natureza pois, se o sistema de avaliação iniciará agora, como é que alguém, sem preconceito apriorístico, poderá saber quem e quantos serão objecto de boas avaliações? Teria sido mais certeiro se tivesse dito o que todos, com naturalidade, compreenderiam: a progressão na carreira será baseada no mérito e não na antiguidade do professor.
Neste contexto, reafirmo o que escrevi. Não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na melhoria da aprendizagem sem alterar 4 pontos essenciais que resumo: a inscrição do dever de educar no quadro da responsabilidade civil objectiva da paternidade; o fim dos conselhos directivos eleitos e a contratação de directores por concurso público; exames nacionais a todas as disciplinas em todos os final de ciclo e provas globais internas nos anos intercalares a todas as disciplinas, corrigidas cegamente, em todas as escolas; avaliar o desempenho dos professores com base em objectivos muito concretos e mensuráveis por classe e aluno.
«Portugal’s poor growth performance and its economic difficulties since the launch of the euro in 1999 have highlighted the difficulties faced by some members of the 12-country currency bloc in adjusting to the disciplines imposed by a single monetary policy.» (link)
Já várias vezes escrevi, para o boneco, é certo, por exemplo aqui, sobre a irresponsabilidade de termos entrado para a zona euro aos trambolões, i.e., sacrificando toda a actividade económica em prol do cego cumprimento dos critérios exigidos.
Pode ser que agora a direita ou a esquerda ou quem entender, consiga ser mais assertivo nas análises que faz ao trabalho dos políticos que nos governaram à época, sérios, não tenho dúvida, mas de vistas curtas, muito curtas mesmo, atavismo endémico, afinal, sem novidade!
«O primeiro dia da visita do Presidente da República, Cavaco Silva, a Espanha é praticamente ignorada pela imprensa espanhola de hoje, que dá grande destaque à segunda gravidez da princesa das Astúrias.» (Público)
Volvidos 15 anos não se compreende como é que Cavaco Silva, que sempre se mostrou exímio na preparação de dossiers, não tenha aprendido a necessidade de planear e executar uma preparação prévia da sua imagem nas apresentações públicas!
O Presidente leva assuntos bem esgalhados para debater em Espanha, mas acontecerá que, mais uma vez, ficará a falar sòzinho. Francamente, facilmente se conseguiria uma ou duas entrevistas nos tablóides espanhóies antes da sua chegada que adiantassem os temas que pretende abordar!
É incrível a dificuldade que este senhor tem em fazer passar mensagens que não sejam os tais "tabus", ou seja, a gestão do silêncio, deixando para o seu rol de comentadores a despesa de as irem construindo!
Só que em Espanha não tem nenhum séquito de comentadores apoiantes!
É pena!

Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações!
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)!
Preocupados?
Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada!
O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia!
É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque…
Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico!

A convite do NERBE/AEBAL Medina Carreira esteve em Beja a dissertar sobre «Perspectivas de Desenvolvimento para Portugal na Próxima Década» tendo, a propósito focado vários aspectos das teses que vem defendendo sobre as razões do nosso atraso.
«o Estado não existe “para dar respostas aos empresários, mas sim, para lhes dar condições de trabalho” e que devem ser “os empresários a traçar o seu próprio caminho“. Considerou ainda que “a saída para Portugal está no aumento da competitividade e na produção para exportação“» (Rádio Voz da Planície)
Medina Carreira, diga-se, nunca nos atirou com o chavão do “menos Estado” porque sabe e defende a necessidade de um Estado forte a proporcionar oportunidades, a regular o mercado e fiscalizá-lo. Medina Carreira sabe que o nosso hipotético futuro passa necessariamente pelo empreendimento e trabalho de todos, nomeadamente, do empresário e acrescenta, desta vez (ou pelo menos eu não conhecia a sua posição sobre o assunto) que «o país deve apostar na educação pois “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“»! (Rádio Voz da Planície)
Sábias palavras, em especial o impacto da frase - “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“!
Diagnóstico perfeito e assertivo! Que falta então se conhecemos os obstáculos e como os ultrapassar?
Francamente acho que não falta, há até excesso! Excesso de Professores Doutores embutidos nas Universidades a debitar uma ou duas teses por ano publicadas nas mais prestigiadas publicações de cada área, economistas especialistas em Finanças Públicas e gestores de nomeação pública que, para além de nunca terem posto o pé numa empresa privada nem fazerem a mínima ideia de como é que o mercado, de facto, funciona, nunca empresários ousaram ser!
Porquê? Ora, exactamente porque sabem que, apesar de os diagnósticos e as soluções serem fruto de demorada e difícil investigação, não é o dinheiro deles que corre nem têm o gume da banca encostado ao pescoço.
Ser empresário, como defende o Prof. Medina Carreira e muitos outros especialistas nesta matéria, implica não ter nenhum ordenado, uma pensão ou várias acumuladas, subsídio ou probenda do Estado e arriscar o que é seu! E quem arrisca a sua vida e da família pretende assegurar o menor risco possível - seja em termos de retorno seja na rapidez do “break even point”!
Assim sendo, volto à vaca fria, a de saber qual será o louco que hipotecará o seu capital em Portugal ou na União Europeia sabendo que noutras paragens terá uma moeda muito mais barata, uma mão-de-obra incomparavelmente mais mais em conta e que não coloca problemas laborais e, para mais, um “know how” bem superior?
Por muitas voltas que os Senhores Professores dêem, ser empresário, como os senhores muito bem ensinam nos muitos assentos das muitas universidades, é estar no local e momento certos para agarrar as oportunidades e estas, definitivamente, enquanto os tecnocratas do Banco Central Europeu teimarem em manter o preço do euro disparatadamente elevado, não estão na União Europeia!
Daí que os empresários há muito que já traçaram o seu caminho! Os empresário, repito, não os investidores à conta dom Estado!
O problema poderá parecer que será de falta de empresários mas, a montante, temos causa bem mais profunda e condicionante - a falta de oportunidades de negócio!
Aparecem elas e, estimados Senhores Professores, empresários não faltarão, como nunca faltaram onde há negócio!

A reestruturação orgânica anunciada pelo governo para analisar e deferir ou não sobre as candidaturas a apoiar pelo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional, implementado pela Resolução do C.M. n.º 25/2006, link para PDF), concentrando em equipas profissionais e multidisciplinares em vez seu do parcelamento estanque dentro de cada Ministério, parece induzir uma assumida e acertada tentativa de agilização, profissionalização e transparência de processos.
Fico no entanto sem entender, seguindo mais uma vez o raciocínio do governo de que “os programas são agora transversais” e focalizados na tríade “competitividade, qualificação e território“, por um lado e, por outro, na propagandeada reorganização territorial baseada nas 5 regiões-plano, há muito assumidas pela UE e até pelo Estado, qual a razão de não estar prevista a inclusão nessas equipas profissionais e multidisciplinares de elementos das CCR’s!
A perplexidade aumenta ainda pelo facto de ser, provavelmente, a última oportunidade que teremos para aliviar as assimetrias regionais cometidas por todos os governos desde a adesão à UE, nomeadamente a centralização na área metropolitana de Lisboa!

um estudo da OCDE afirma que os países europeus devem revolucionar os seus sistemas educativos, (…) tornando as instituições responsáveis pelos seus resultados? Público
Isto vai de mal a pior! Como é que os coitados dos dirigentes das E.P.’s e de todas as empresas sob a alçada dos municípios, tão acomodados ao seu lugarzito, grangeado a custo de muito suor vertido durante longo e árduo percurso de lambe-botismo e tráfico de influências, irão agora ser responsáveis? Como e por quê? Responsáveis civil e criminalmente ou, como já vem sendo hábito, responsáveis politicamente, sendo isso lá o que for?

«Ministério da Educação quer criar provas nacionais para admissão à carreira docente». no Público
Se os sindicatos dos professores já andam de luto, acho que agora vão mesmo, já de seguida, encomendar caixões perante tal vileza do Ministério!
E quando se lembrarem de acabar com os Conselhos Directivos corporativamente eleitos para se passar a concurso público de gestores escolares? Nem quero pensar…

«O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, considerou hoje, em Davos, “anormal” o actual fluxo de financiamento dos países de economias emergentes para os países desenvolvidos.» notícia do Público

Com a teimosia do BCE em manter uma moeda sobre-valorizada em relação à economia da zona euro, bem como a manutenção e aumento das taxas de juro, de que estaria o Sr. Presidente do BCE à espera?
Anormal é, e pernicioso para os países em vias de desenvolvimento sem dúvida alguma, mas quem chama o capital para estas paragens? Será o investimento empresarial? Não, esse está com guia de marcha para o Extremo Oriente!
É o investimento fiduciário? Pois, dinheiro investido em dinheiro, a agiotagem, mas quem o alimentará?

« (…) os encargos com os fundos de pensões de empresas públicas transferidos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) em 2003 e 2004 foram subavaliados e custarão 303 milhões de euros por ano ao Estado até 2014.» auditoria do Tribunal de Contas noticiada no Público

É evidente que ao PSD e sobretudo ao CDS a saída é proclamar a falta de isenção da auditoria do Tribunal de Contas, mas em boa verdade, quem conhecer a tese de doutoramento de Bagão Félix que lhe valeu algumas dezenas de conferências, conhecia o que ele pensava…
As transferências dos referidos fundos para o Estado e a permissão para que a CGD tivesse comprado ao grupo “Millenium” a “Mundial” e a “Bonança”, negócios que nenhum privado nacional nem estrangeiro pegou por muito menos de 1/3 do que a CGD pagou, tem uma lógica inabalável - privatizar o que aos privados permite o lucro e comprar-lhes o que, depois de privatizado, lhes dá prejuízo.
O princípio não é nem o da liberalização da economia nem da sua estatização, é outro, diferente, ao qual não conheço epípeto, mas que é capaz de arruinar o Estado, lá isso, dá-me ideia que talvez…, mas quem sou eu…

Vejamos, 7.200.000.000 euros para o TGV, mais 3.600.000.000 para a Ota, dá 9.800.000.000 euros. Admitindo que a UE comparticipa o máximo de 40%, fica à nossa conta, mais coisa menos coisa, 5.880.000.000 euros.
Ora dividir isto pelas 10.000.000 de almas, mais coisa menos coisa, dá 588 euros por cabeça.
A cabeça até que nem está muito cara, mas como por aqui há 6, mais coisa menos coisa, deixa cá ver, 588 x 6 = 3.528 palhaços!
Ora aí está, daqui contribuiremos com 3.528 euros, mais coisa menos coisa, pois, vamos andar muito menos nas estradas, é um facto, e, em calhando, a pé também que até o fôlego se nos esvai, mais coisa menos coisa.

a preocupar-nos mais com a qualidade da receita que cada autarquia é capaz de gerar para a economia do país.>» Jorge Sampaio

«O Presidente da República, Jorge Sampaio, aconselhou hoje os autarcas a “preocuparem-se mais com a qualidade da receita” gerada nos seus municípios, nomeadamente em matéria de turismo, valorizando o ordenamento em detrimento da “especulação imobiliária”.» in Público

«“podemos encontrar em todos os momentos parcerias entre o sector público e privado” e que “o Estado tem obrigação, se quer ter um país desenvolvido e coeso, de poder incentivar a iniciativa privada”, considerou ainda Sampaio.» in Público

Mas quem te ouve ? Para quem falas? Quem te quererá ouvir? A maltosa dos partiditos está noutra, não quer saber disso para nada!

Espinho?
Pois, uma pequena cidade à beira mar, conhecida por ter um casino…, mas também conhecida por ter uma Câmara com uma gestão excelente, uma Academia e uma Escola Profissional de Música notáveis. Provas do que digo? É só apreciar a qualidade da programação deste ano do

01.07 ACCORDONE (Itália)
Marco Beasley voz e percussão
Guido Morini órgão e cravo
Stefano Rocco arquialaúde e guitarra

02.07 TAMBUCO Ensamble de percusiones de México
Ricardo Gallardo director artístico
Alfredo Bringas
Miguel González
Raúl Tudón

03.07 ORQUESTRA DE CÂMARA DA FILARMÓNICA DA MACEDÓNIA
Cesário Costa maestro

08.07 PIETER WISPELWEY (Holanda) violoncelo
DEJAN LAZIC (Croácia) piano

09.07 SERGEJ KRYLOV (Rússia) violino
ADRIENNE KRAUSZ (Hungria) piano

10.07 REMIX ENSEMBLE (Portugal)
Alexandra Moura soprano
Sara Braga Simões soprano
Yoichi Sugyiama maestro

13.07 ORCHESTRUTOPICA (Portugal)
Fabián Panisello direcção musical

15.07 MICHAEL WEILACHER (USA) percussão

16.07 JOËL GRARE (França) percussão

20.07 NIKOLAI LUGANSKY (Rússia) piano

22.07 SEQUEIRA COSTA (Portugal) piano

29.07 ORQUESTRA CLÁSSICA DA EPME (Portugal)
Coro de Crianças
Alexandra Moura soprano
Dora Rodrigues soprano
José Lourenço narrador
Boris Berezovsky piano
Cesário Costa maestro

30.07 ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO (Portugal)
Boris Berezovsky piano
Oliver von Dohnányi maestro

Não está malzito, pois não?

ps: para aceder directamente ao sítio do Festival onde pode reservar bilhtes, clique na imagem, por favor.

Continuam a aumentar os comentários ao “post” sobre o Ensino Artístico, que agradeço, sinceramente, prometendo para breve mais um texto onde consiga reequacionar os problemas que os estimados comentadores aduzem e reflectir sobre os caminhos que poderemos trilhar para obstar a alguns constrangimentos que o regime articulado e integrado ainda encerram.
Uma reflexão aberta, como a que aqui assistimos, é um passo essencial para encontrarmos caminhos mais adequados.

«O coordenador da Comissão Permamente do PS confessou aos militantes eborenses que ficou “chocado” ao ler recentemente os relatórios dos cinco maiores grupos financeiros do país. “Felizmente para o País e para esses mesmos grupos, estão melhor neste período, com percentagens muito significativas, do que aquilo que estavam no ano passado”, disse. Assim, entende Jorge Coelho, “o sector financeiro está em condições de contribuir para as contas públicas, por forma a que os problemas económicos portugueses possam ser resolvidos mais rapidamente”.» (in Notícias do Alentejo)

A humana capacidade de se deixar surpreender com factos do domínio público é uma característica que muito me enternece! Louvem-se os espíritos abertos ao fascínio que a vida encerra!

Porque merecido, edito em post a totalidade dos excelentes comentários ao meu anterior “post”:

1.
O que o Estado não pode é pedir aos cidadãos que façam aquilo que ele próprio não faz: que apertem os cintos, que façam uma gestão mais eficaz dos seus próprios orçamentos familiares e empresariais, que invistam o seu tempo, esforço e poupanças no bem estar de todos.

Publicado por: catarina às maio 25, 2005 05:44 PM

2.
É isso, Cat, sem tirar nem pôr! Às vezes brinco quando digo ao Estado para tratar das suas contas que eu trato das minhas, mas, em boa verdade, é disso mesmo que se trata!

Publicado por: carlos a.a. às maio 25, 2005 05:51 PM

3.
Atenção que muitas das medidas anunciadas são contra-produtivas.

“acabar com “off shores”

Não, não se acabam com as off-shores. Impedem-se os bancos portugueses de serem concorrencias com os outros bancos que continuam com acesso às off-shores.

Como é óbvio, as grandes aplicações continuarão a ser feitas em off-shores. Em bancos estrangeiros.

“acabar com a excepções sem nexo como em sede de IRC da banca;”

As excepções não são bem excepções. Um fundo imobiliário tem um regime específico de IRC. Se se pretende que o banco que consolida fiscalmente este fundo pague 27,5%, o banco tem que bender o fundo, porque a pagar 27,5% é impossívem competir com os fundos internacionais.

Se se pretende que a fiscalidade sobre produtos de hedging seja de 27,5%, acabou-se a cobertura de risco em Portugal. Não faz mal. O que não falta por aí são bancos estrangeiros a querer ficar com o mercado.

“em sede de IRS de jogadores de futebol”

Claro. Lá vamos ver os jogadores a receber salário mínimo em Portugal e o resto em Gibraltar.

“pois claro, e IRC dos clubes, é evidente;”

Clubes não têm lucros, não pagam IRC.

E estás a ver mal o problema. A receita do estado não é parca, é brutal. Quase 50% da riqueza que todos produzimos. O problema está absolutamente do lado da despesa.

jcd

Publicado por: jcd às maio 25, 2005 06:00 PM

4.
Estimado JCD

O argumento de coitadinhas das empresas portuguesas, nomeadamente os detentores de fundos, não é peregrina - a prova está naquela peregrinação de empresários que foram pedir pelas alminhas ao Presidente da República para nos proteger dos espanhóis e já venderam quase tudo!
A questão é bem simples - a empresa presta um serviço social de relevante interesse, o Estado pode apoiar, caso contrário, qual o problema da empresa ser estrangeira? Excluindo o BPI diga-me qual é o banco privado com maioria de capital português? Muito gostaria que me o apresentasse!!!
Os clubes de futebol dão prejuízo? Mas que aborrecido, por que é que não são obrigados a abrir falência ou, no melhor dos casos, a pedir a intervenção do Estado para a sua recuperação, como todas as outras empresas?
Eu francamente não percebo estes neo-liberais, afinal querem que o Estado proteja, seja interventivo e subsidie, mesmo que de forma indirecta, empresas privadas?
Ora, ora, subsidie o Estado os mais necessitados e criem condições para cada cidadão se poder bastar a si e à sua família!

Publicado por: carlos a.a. às maio 25, 2005 06:14 PM

5.
Chiiii.
Logo que se ameaça mexer com interesses instalados, é o diabo…

Publicado por: jgonçalves às maio 25, 2005 10:42 PM

6.
Ora bem! Precisamente porque se tem subsidiado quem não precisa, faltam recursos para ajudar os necessitados. Mas também algumas (bastantes) ajudas aos necessitados têm sido ‘da treta’… Quanto tem sido gasto, ao longo dos quase últimos 20 anos, em cursos de formação profissional que não têm servido para o que seja… Conheço um tipo que se especializou em tirar cursos (tanto quanto sei, já tirou sete), mas trabalho é uma coisa que parece não lhe interessar.
Um dos problemas é, de facto, a cultura do subsídio que este país adoptou. Toda a gente quer subsídios para tudo, mas, depois, quando vamos procurar os resultados… nicles. Aqueles que têm aproveitado realmente as ajudas do Estado para resolver o seu problema são mesmo excepções.

Publicado por: zedtee às maio 25, 2005 11:46 PM

7.
As pessoas que utilizem um serviço, como por exemplo um hospital devem pagar todas o mesmo: a justiça social deve fazer-se antes com os que ganham mais a contribuir mais e os que ganham menos a contribuir menos. se não, aumenta-se ainda mais a discriminação: os que trabalham por conta de outrém e que não fogem aos impostos ainda iam pagar mais que aqueles que sendo ricos, têm rendimentos de pobre…

Publicado por: saltapocinhas às maio 26, 2005 02:09 AM

8.
Estão aqui vários lados da questão. Eu dou razão a todos quantos aqui puseram os seus comentários. Cada um tem direito a analisar a situação portuguesa de acordo com o seu ponto de vista; e todos estão certos.
Não podemos esquecer os interesses instalados, porventura mais fortes que o Estado e contra os quais não é fácil intervir; tal intervenção para chegar a bom porto, demora muito mais anos do que aqueles que medeiam entre eleições! e têm de ser projectados e executados por gente qualificada, com provas dadas, gente séria, gente não enfeudada a partidos políticos, gente que conheça o país, gente que comece e acabe o trabalho.
Quem é que não concorda comigo?

Publicado por: Manuel Marques às maio 26, 2005 11:30 PM

9.
chiii! Uma discussão tão interessante aqui e eu de fora. Não pode ser!
Então cá vai: quanto a mim o post aborda qpenas uma parte da questão, que nem sequer é a mais importante. O que todos temos de compreender (para não deixar espaço para mistificações, para condicionar a actuação dos políticos, para que “eles” saibam que não nos enganam) é que é possível crescer muito mais, aumentar consideravelmente o PIB. É aí que está o fulcro da questão e a solução, segura e doradoira, para os nossos problemas.
Isso não se pode fazer sem a mobilização de todos. Para que todos possam ser mobilizados é necessário acabar com as mordomias e as chulices, ser justo e imparcial em relação a todos. Não se pode pedir a quem receba um vencimento de miséria que se esforce e colabore com um chulo que ganha milhares sem fazer nada, apesar de toda a sua inconpetência demonstrada. É necessário gerir, com rigor, todos os organismos, empresas e instituições igualmente. E logo aqui se recuperariam imensos recursos.
Mas, repito, a pressão e o objectivo têm de estar concentrados no aumento do PIB para valores aceitáveis. Isso é muito fácil de fazer e eu nem consigo acreditar que, entre tantos ilustres, não haja quem saiba. Nós pudemos exemplificar como se faz…
Manuel Marques tem razão quanto à constatação da existência de “interesses instalados”. Mas o governo (a AR) recebe o poder das mãos do povo para governar emj nome do povo, defendendo os interesses do povo e do país e não para o governo ser governado por máfias e interesses instalados. “Quem não sabe ser caixeiro fecha a loja” e quem não sabe governar não se candidata à governação. Portanto, os candidatos fazem parte dos interesses instalados e só por isso se candidatam.
Finalmente queria dizer que é inteiramente falso, é mentira, que José Sócrates não soubesse qual a real dimensão do défice, quando fez as promessas eleitorais, porque até eu sei e todos sabemos. O que ele fez foi mentir descaradamente e criminosamente, para depois montar aquela encenação do estudo, como forma de se desculpar. Tudo premeditado, tudo criminoso, tudo de gente que não presta e devia estar presa.

Publicado por: Biranta às maio 27, 2005 01:04 PM

10.
Se mais não fosse, esta entrada do Carlos demonstra a utilidade dos comentários no blogues. E que muitos vêem mais do que apenas um.

Publicado por: zedtee às maio 27, 2005 03:30 PM

11.
Biranta: Folgo por ter lido “os candidatos fazem parte dos interesses instalados…”
Zedtee: É isso mesmo; “muitos vêem mais do que apenas um”
Sou capaz de sugerir que se crie um blog, onde muitos escrevam sob um determinado tema e cada um, livre pensador, diga de sua justiça. Alguém no fim, será voluntário para fazer um resumo e redigir as conclusões do workshop.
Vou falar nisso no meu blog.
Manuel Marques

Publicado por: Manuel Marques às maio 27, 2005 08:39 PM

12.
Os comentários que aqui vejo é que deveriam ser “posts”, levando-me a crer que há pessoas, na blogosfera e fora dela, interessadas em que o país caminhe independentemente do monopólio partidário que tolhe.
Neste particular aspecto, estou (sempre estive, aliás, saberá quem costume ler) absolutamente convencido que o nosso défice (o verdadeiro, aquele que enuncia o Biranta e o Manuel Marques - falta de criação de riqueza) deve-se particularmente à incompetência da clientela que os partidos do chamado “bloco central” foram instalando à frente de tudo quanto é Estado, vai para mais de 25 anos!
Esta gente não é capaz de pensar para além do que a manutenção das suas mordomias permitem!
Mas não é tudo! São, de facto, os interesses corporativos instalados que tolhem a inciativa dos governos e travam qualquer projecto de modernização do Estado - lembram-se quando Leonor Beleza tentou impor aos médicos do SNS a exclusividade? Foram eles próprios, os tais profissionais ditos liberais, que impediram que tal reforma fosse adiada até hoje!
Como obstar a estes interesses particulares e mesquinhos? Esse é o nosso grande desafio, provada que está a ineficácia dos partidos que nos vêm governando. Acredito, com Biranta, que teremos de ser todos a dizer não aos “eufeudados” e gerirmo-nos a nós próprios como “out siders” de um regime que não cuida dos seus cidadãos e para mais se constitui em podercom apenas 60% de votantes.
O que a abstenção quer dizer, essencialmente, é que não é de ideologia ou pensamento que estamos fartos, o que não aturamos mesmo mais é esta gente altivamente sentada na sua incompetência e mediocridade!
URGE GRITAR CONTRA A MEDICRIDADE QUE TOMOU CONTA DO PODER, nada fazendo e marginalizando quem pretende avançar.

Muito obrigado pelos comentários.

Publicado por: carlos a.a. às maio 30, 2005 02:25 PM

«Também era uma ideia (eu sei que MUITO peregrina neste país) reduzir o lado da despesa, não te parece? Não sei, aquela ‘vaga’ sensação de que se gasta muito dinheiro muito mal gasto…»

O problema é exactamente este que a Catarina coloca: quanto se gasta e como se gasta, por um lado e quanto se recebe e como, por outro. Se é bem verdade que a despesa é demasiada quando comparada com o que produzimos, também não deixa de ser verdade que está dentro da média europeia se enquadrada em % da despesa per capita.
Contudo, a pressão sobre a despesa decorre da parca receita, sendo em meu entender por aí que devemos caminhar, prioritariamente: acabar com “off shores” (parece que já está); acabar com a excepções sem nexo como em sede de IRC da banca; em sede de IRS de jogadores de futebol, pois claro, e IRC dos clubes, é evidente; acabar com regimes de segurança social diferenciados; acabar com as discriminações de comparticipação nas despesas de saúde entre funcionários do Estado e outros (100% e 75%); reduzir a compartipação nas baixas aos mais abastados; diferenciar a comparticipação nos internamentos (quem terá a coragem?); acabar com o sigilo fiscal (já está); acabar com as pensões vitalícias dos políticos; enfim uma série de “pequenos” nadas que interferem na justiça social e directamente na receita do Estado.
Pelo lado da despesa haverá muito mais a fazer, não na sua redução, mas como bem dizes na sua eficiente aplicação: não consigo meter na cabeça a historieta das promoções por anos de serviço no funcionalismo público; não consigo perceber a falta de coragem para implementar uma gestão por objectivos com as respectivas consequências na função pública; não aceito contratos com cláusulas de rescisão extraordinárias na função pública; não entendo como é que há tão poucos processos de despedimento por justa causa na função pública; não compreendo que continuemos a ter uma “medicina aos bochechos”, com médicos sem regime de exclusividade em instituições do Estado; não compreendo a falta de controlo no receituário médico ( ah, o medo das corporações!!!), onde reside a maior fatia de gastos da saúde pública; não compreendo a gestão hospitalar sem ser com o objectivo de melhor prestação de serviços e redução drástica do desperdício; não compreendo a gestão escolar feita por professores eleitos e não por profissionais; não compreendo os critérios de financiamento cultural do Estado, beneficiando sempre os mesmos com quantias consideráveis; e por aí fora.
Mas também, que diacho, não compreendo que nada façamos senão esperar que o Estado faça por nós!!!
No fundo, minha boa amiga, o que me recuso (e tu também, assim o julgo) a aceitar é a mediocridade instalada que se revela avessa ao rigor da gestão, obrigando-se a planear e executar missões e objectivos fixados e bem precisos e a responder perante eles, no cumprimento de um serviço público para o bem de todos sem excepção e, em especial, dos que mais precisam.
Se assim fora, muita da despesa seria ou libertada para investimento ou re-investida na melhoria da eficácia, pois o argumento do “Estado gordo” não pega! Querem privatizar o quê e a quem? Onde estão os empresários? Onde estão os empreendedores que correm riscos?
Não os há e, como tal, não pode o Estado abster-se de investir (entenda-se, por favor, neste contexto) alienando a prestação de serviços essenciais à população. Seria um autêntico desastre pois rapidamente as empresas desapareceriam (ou os privados voltariam a entregar as empresas falidas ao Estado), com um agravamento significativo da desigualdade social.
Mas isto não passam de cogitações…

«A.N: Está a falar da obsessão com os movimentos de experimentação?

M.C.G: Exactamente. Acho fundamental que a experimentação seja apoiada, mas que não se permita que ocupe todo o espaço. O público fica à parte. Nunca o grande público ou o médio público esteve a par da experimentação. Estamos a violentá-lo. Não estou a falar de uma lógica de mercado de dar ao público o que ele quer, mas de promoção da diversidade.
Actualmente, o que se está a fazer na arte contemporânea em Portugal é o acertar do passo com aquilo que já foi feito há vários anos no resto da Europa. Este não pode ser o nosso cartão de visita. (…) O interessante na Arte é exprimir uma identidade própria.
»

entrevista de Anastácio Neto a Maria do Céu Guerra no Comércio do Porto de 29/04/2005

«Estamos a atravessar um período de novo-riquismo em que só o que estána ordem do dia é que é interessante. (…) quando falamos, por exemplo, no conceito clássico, o antigo torna-se clássico porque invade os séculos, porque se torna contemporâneo das várias idades. Ele invade o nosso tempo. Se estou a sobrevalorizar aquilo que nasceu ontem em detrimento daquilo que nasceu há muito mais tempo e que ainda nos interpela, nos representa, estou a perder alguma coisa e a esquecer de me colocar àprova perante os clássicos.
De certa forma, este período de novo-riquismo que estamos a atravessar é representado em Portugal pelo Instituto das Artes (…

Maria do Céu Guerra no Comércio do Porto de 29/04/2005

«O nosso público não é culto, é carente e tem necessidade de ouvir vários discursos artísticos. Não tenho a certeza de que uma pessoa sozinha a programar garanta essa pluralidade cultural»

Maria do Céu Guerra in Comércio do Porto de 29/04/2005