Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

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a Comissão Teológica Internacional, que depende da Congregação para a Doutrina da Fé, declara-se convencida de que existem “sérias razões teológicas para crer que as crianças não baptizadas que morrem se salvarão e desfrutarão da visão de Deus” (via Público)

Impunha-se que o Vaticano decretasse que Deus não pode mandar as criancinhas para o limbo, senão como conciliar com a certeza da vida desde a concepção - fundamento da sua recusa à prática da interrupção voluntária da gravidez?
É bom ver que o Vaticano corrige alguma da porcaria doutrinária que foi produzindo durante 2 milénios, sempre em nome de Deus, é claro, mas graças a Deus que, seguramente, Deus nada tem a ver nem com a porcaria que a doutrina elaborou, nem com a que elabora, nem com a que se elaborará, sempre em Seu nome, claro!
Mas convém também lembrar que, em geral, a merda doutrinária ou ideológica raramente é assumida sem ser em nome de outrem: de Deus, do povo, do Homem, da raça, enfim do que estiver mais à mão, mas o odor, esse, é sempre o mesmo!

Aborto em primeiro; IVG em segundo; não e sim e sim e não não se conseguiu apurar!
Quantos dias faltam para 12 de Fevereiro pra ivgetizar este assunto de vez?

Via A Infelicidade ao Alcance de Todos deixo este excerto:

De repente médicos percebem imenso de doutrina de direito, advogados descodificaram genes e ligações neuronais, sociólogos distinguem-se em conhecimentos sobre neuroses e psicoses, religiosos castos falam com profusão de detalhes de relacionamentos íntimos que por certo leram algures, escritoras rasgam as fronteiras da filosofia, economistas teorizam sobre prisões, psicólogos dirimem o código de processo penal.

Não há pais para a consciência. É individual e intransmissível. é o que lembra a T-Regina no Blocosaurius_loch.

Eu também acho absurdo este ‘mandar calar’, Francisco José Viegas, mas não compreendo por que raio os partidos têm direito a tempo de antena num assunto que recusaram decidir!

Depois de em vídeo no 31 da Armada ter dito que iria votar não apesar de ter defendido a despenalização da IGV, é claro que a consequência de semelhante incongruência é o que (lido no Letras c/ Garfos) hoje foi obrigado a dizer:
uma mulher que aborte aos 8 meses e meio, não deve ser criminalizada.
Há quem faça a cama e não se importe de deitar nela. Até aí tudo bem, o que eu estranho é que consiga dormir!

no Público de hoje utilizando uma estratégia conhecida - um pé dentro e outro fora. (link Abrupto)
Nada de novo, afinal, é a sua estratégia pessoal de sempre, à qual deve o estatuto mediático que alcançou.
A coisa vende, não haja dúvida, foi decalcada da do outro Professor que veio explicar que sim, mas talvez nem por isso em relação ao mesmo assunto. Com uma pequena diferença, contudo, Marcelo Rebelo de Sousa disse o que vai fazer.

é a que faz a Helena Araújo no 2 Dedos de Conversa, sob o título Jogar a Feijões.

O nosso cardeal, afinal, sempre se meteu no aborto, na sua discussão, entenda-se, levando troco da Fernanda Câncio. Está tudo no Contra Capa da Cristina Vieira.

Tem a Lolita toda a razão, em Equívocos e manifestos, quando afirma que o que está em jogo em relação ao aborto é a questão de saúde pública!
No entanto, ao afirmar mais à frente que, sendo uma questão de saúde pública da mulher, o homem não é para o caso chamado, a pergunta a referendar não poderia ser a que é, nem a referendar deveria ir, pois só as mulheres deveriam poder pronunciar-se.

«O Provedor de Justiça afirma que a condenação do aborto no código deontológico dos médicos é “uma orientação ética”, independente da lei penal, não podendo os clínicos ser punidos se o praticarem de acordo com a lei.» (Público)

Ex.º Sr. Provedor, por favor, a Ordem é ordem para quem sair da ordem, quer a justiça ordene ou não. A Ordem não está nunca acima da justiça…, talvez assim, como dizer, um bocadinho ao lado, talvez…, ou nem isso, porque a lei até permite que a Ordem possa impedir um médico de exercer a sua profissão se não cumprir essa tal orientação ética que anuncia.

Ontem a Cristina Vieira no Contra Capa fez referência a um texto que aqui deixei abrindo um debate para o qual não tenho a necessária frieza de raciocínio para assumir uma opinião definitiva.
Por muitas e variadas sensações que vivi e que, portanto, vivem e viverão em mim sentidas enquanto a minha memória vida lhes der, a questão do aborto é para mim muito difícil de abordar. Não vai há muito escrevi um texto sobre uma série de excelentes posts da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos, onde afirmava o meu não ao referendo sobre o assunto.
Hoje não sei se mantenho ou não esse não, porque não é suportável continuar a ver mulheres a serem publicamente humilhadas pelas salas de tribunal.
Até lá, a ver vamos o que irei sentindo, mas por ora deixo-vos este outro texto, Manucha morreu a seu tempo, que é afinal um hino à vida.
Eu continuo sem saber, sem certezas, mas respeito quem as tem. Já mais dificuldade tenho em respeitar opiniões de quem nunca viveu momentos em que a vida se vive e sente no extremo do equilíbrio possível.

«Entre 346 e 363 mil mulheres em idade fértil já terão interrompido voluntariamente a gravidez» (Público)

E homens, quantos terão partilhado a decisão? Quantos não partilharam de todo? Quantos partilharam e a mulher, não concordando com a sua opinião, tomou decisão contrária?

Pergunta do referendo:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

NÃO, será mais uma vez a minha resposta!

Repugna-me que as mulheres sejam penalizadas, mas exactamente por isso, dever-se-ia não cometer, mais uma vez o erro, de discriminar os homens, nos seus direitos e opções.
A desigualdade que já existe no Direito de Família favorável às mães, levando os tribunais a, em caso de divórcio, só não lhes estregarem a tutela dos filhos em raríssimas excepções, leva-me-á a novamente votar Não só e apenas por teimarem em ter lá a frase - por opção da mulher!
Como progenitor já passei por não querer o filho e a mãe querer; querer o filho e a mãe não querer. Creiam que o que mais me marcou foi a segunda hipótese: a mãe fazer a interrupção voluntária contra a minha vontade, violando, desta forma, no meu entender, princípios constitucionais que, penso, deveriam ser suficientes para considerar esta pergunta como inconstitucional:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 36.º
(Família, casamento e filiação)

3 . Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.

Artigo 21.º
(Direito de Resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Como é evidente, assumo que deverá ser por única opção da mulher em casos de violação, incesto, manifesto alheamento do progenitor, portadoras de H.I.V., entre outros casos que ora não me ocorrem.

é o título de três excelentes textos da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos, aqui, aqui e aqui.