Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Liberalismo’

Dei hoje com um texto de Francisco José Viegas, de Outubro de 2007 publicado no JN, que me fez pensar que haverá mais pessoas (não muitas, um punhado, acredito) que, como eu, têm pena de não ter nascido e vivido em oitocentos - beber lá e viver num ambiente social onde tudo vale desde que, é deveras confrangedor.
Cheguei ao texto, do qual deixo um excerto, via A Origem das Espécies, através de um link neste post.

A direita e o centro-direita precisam de livrar-se desse empecilho para recuperarem a credibilidade que saiu beliscada do confronto com os velhos fantasmas do anti-americanismo, o único pilar que sobrou à esquerda tradicional depois da queda do império soviético. Precisam, também, de se livrar dos neo-conservadores e da sua tralha religiosa para regressarem ao cânone do liberalismo tradicional e do conservadorismo europeu; e precisam de livrar-se da tralha neo-liberal para voltarem a ser liberais, intensamente liberais, livremente liberais.
Francisco José Viegas

Os arautos do absolutamente livre funcionamento dos mercados, os neo-liberiais de hoje, que não liberais à moda antiga como gosta, justamente, Francisco José Viegas de se demarcar, uma vez que estes aprenderam com Keynes após a depressão de 29, desaparecem sempre em momentos de crise económica e/ou financeira, ousando mesmo demandar dos Estados obrigações que em tempos de abastança recusam, chegando mesmo ao ponto de quase defenderem a abolição do seu papel de regulador. (ver notícia do Público que anuncia que o FMI pede intervenção pública mais radical no mercado)
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A reboque deste post do António Costa Amaral no Arte da Fuga chego ao Estado Liberal, escrito por Bruno Alves no Desesperada Esperança, onde é abordada a questão da liberdade, do Estado Liberal e dos seus fundamentos.
Não poderia estar mais de acordo com o Bruno Alves quando afirma que:

Cabe aos defensores da liberdade defender o “Estado liberal” sem o qual, sem a ordem por ele estabelecida, essas liberdades não têm garantia de sobrevivência. Mas precisamente por essa ordem ser tudo menos “natural”, nada nos garante que ela possa ser mantida. Só a força dos que a defendem o pode garantir.

Aliás, acho que é exactamente, neste ponto, no equilíbrio entre a liberdade individual e a democracia, que passa a distinção entre o liberalismo e o neoliberalismo.
No entanto, divirjo do Bruno Alves quando adianta:

(…) poderá haver liberdade sob a autoridade do Estado? Para responder a essa questão, é necessário ver o que é isso da “liberdade”. E aqui talvez me distancie dos meus amigos liberais, ao não a ver como algo “natural” e “universal”, mas apenas como uma ideia cultural, fruto de uma herança greco-romana e judaico-cristã que formou o Ocidente, e que, com a evolução histórica desse mesmo Ocidente, adquiriu o carácter que hoje lhe atribuímos.

Não colocando em causa que a liberdade é uma atitude cultural fruto de uma herança greco-romana, lembro que até ao advento do protestantismo, a igreja condicionou à sua aprovação (à de Deus, na sua concepção) todos os princípios, atitudes e comportamentos do homem.
De facto, desde os primeiros séculos do 1º milénio a igreja católica mais não fez do que combater essa atitude cultural herdada da cultura greco-romana, condicionando, e até publicamente reprovando, qualquer liberdade que pusesse em causa o seu dogmatismo.

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