Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

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Dei hoje com um texto de Francisco José Viegas, de Outubro de 2007 publicado no JN, que me fez pensar que haverá mais pessoas (não muitas, um punhado, acredito) que, como eu, têm pena de não ter nascido e vivido em oitocentos - beber lá e viver num ambiente social onde tudo vale desde que, é deveras confrangedor.
Cheguei ao texto, do qual deixo um excerto, via A Origem das Espécies, através de um link neste post.

A direita e o centro-direita precisam de livrar-se desse empecilho para recuperarem a credibilidade que saiu beliscada do confronto com os velhos fantasmas do anti-americanismo, o único pilar que sobrou à esquerda tradicional depois da queda do império soviético. Precisam, também, de se livrar dos neo-conservadores e da sua tralha religiosa para regressarem ao cânone do liberalismo tradicional e do conservadorismo europeu; e precisam de livrar-se da tralha neo-liberal para voltarem a ser liberais, intensamente liberais, livremente liberais.
Francisco José Viegas

Via Público o “Jornal de Angola” atira-se a Bob Geldof chamando-lhe “comediante de quinta categoria” .
Mais adiante, seguindo a mesma fonte, o mesmo jornal afirma, disparando também em direcção do BES:
Se um dia alguém o contratar para uma conferência no Hotel Alvalade, em Luanda, o músico vai chamar criminosos aos seus próprios governantes, descendentes de piratas e negreiros e que ainda hoje vivem na opulência à custa dos povos de África ou da Ásia. É tudo uma questão de dinheiro. Mas em Angola ninguém compra farsantes.
Nada de especial, tudo dentro da normalidade, ontem José Eduardo Agualusa, hoje Bob Geldof.
Se a conferência fosse em Angola e convidassem Kofi Anan, se calhar, ouviriam o mesmo, mas mais cortesmente, sim, mais adamado.

Free BurmaIncentivado pelo Luís Novaes Tito (link) e pegando numa imagem sacada no Contra Capa (link) da Cristina Vieira associo-me à corrente Free Burma, colocando um post neste dia dedicado ao pedido de libertação de Burna (Birmânia) da cruel violência que ditadura militar, com o silêncio da China, impõe aos cidadãos.

Polícia norte-americana imobiliza jovem com choque eléctrico quando, pacificamente, colocava questões a John Kerry numa conferência de imprensa.
Segue vídeo da Sic Notícias sem mais comentários.

é o que afirma Vital Moreira e pronto, eu até acho que sim, foda-se, desde que não mije para cima de mim!
É que o problema da liberdade e das respectivas incontinências é mesmo esse - tudo bem desde que não sobre para gente! Nos outros, ò pá, prontos, paciência, é chato, pá, mas agora na gente é que não!
A este propósito, das incontinências e do mandar calar, ler o post do Francisco Nunes no Planície Heróica.

Nova lei obriga comerciantes a denunciar clientes fumadores (título do Público)

Os bufos do Antigo Regime eram-no por opção e tinham vergonha; agora o Estado democrático, sem vergonha, obriga os cidadãos a serem bufos, mesmo que tenham vergonha!

A prática da pena de morte no Iraque cresceu rapidamente desde que voltou a ser introduzida em 2004, o que levou o país a ter actualmente a quarta maior taxa de execuções do mundo, indicou hoje a Amnistia Internacional. (via Diário Digital)

Dá-me ideia que, em calhando, os senhores da Amnistia Internacional não percebem nada de democracia! Então eles não sabem que foi o tirano ditador Saddam, que aboliu a pena de morte e que foi a democracia que voltou a instaurá-la?
A conselho de quem, isso agora é que não sei…

Quase dois séculos, 2 séculos de política e políticos a defender o capital e sua livre circulação, como condição prima para o aparecimento de uma larga classe média, sustentáculo das nossas democracias representativas e da democracia!
Mas esse mal parido filho emancipou-se, dos progenitores não mais quer saber, porque descobriu que o meio em que melhor se dá e reproduz não é neste modelo ocidental, mas sim o do autoritarismo de um capitalismo que explora sem piedade a mão-de-obra.

A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)

O capital já não é sinónimo de empreendimento, de desenvolvimento, ele próprio de meio em objecto se tornou, assexuado, capaz de se reproduzir por si próprio. As democracias ocidentais (as mães) tornaram-se descartáveis e apenas delas se servirá enquanto elas conseguirem ter capacidade de intervir apenas e só enquanto consumidoras de bens produzidos sob o estigma da exploração humana.

Pour la première fois, la Chine a dépassé les États-Unis comme fournisseur de l’Union européenne en 2006. (…) Ses ventes ont atteint 191,5 milliards d’euros, devant celles des États-Unis qui n’ont représenté que 176,2 milliards. Les produits informatiques, la hi-fi et les télécoms ont été les trois premiers secteurs d’exportation chinoise devant l’électroménager et les vêtements. (…) Conséquence, le déficit commercial de l’UE vis-à-vis de la Chine s’est encore alourdi de 20 % l’année dernière pour atteindre 128,2 milliards. La Chine est ainsi le pays vis-à-vis duquel l’Europe affiche le plus fort déficit, loin devant celui de la Russie (65 milliards). (…) Cette dégradation du commerce extérieur de l’Union européenne ne semble pas sur le point d’être enrayée. En janvier, le déficit commercial de l’UE a atteint 26,2 milliards d’euros contre 9,4 milliards en décembre. (Le Figaro)

É um novo paradigma, uma emancipação não esplanada nas melhores sebentas ou manuais académicos, alheio a eles, alheio à liberdade, à mão invisível e adverso à liberdade - ele molda-se e dá-se bem na ditadura, seu novo e mais que adequado habitat.
Aqui há tempos falei da falta de negócio e do fim da liberdade; agora escrevo sobre o ocaso da União Europeia, uma congregação de burocratas idealistas que querem à força evoluir para uma união política quando a económica não conseguiram sedimentar!
O Banco Central Europeu, esse baluarte último, preocupa-se só, e apenas, com a atracção do capital agiota que com deferência acolhe e, sem o obrigar a empreender, lhe garante mais-valias fiduciárias inimagináveis em fundos de investimento sem rosto, que tudo vendem e compram e alienam com o maior desprezo pela sua fixação e pelo desenvolvimento do Homem.

Escrevi atrás que a liberdade é um caminho interior a percorrer contrapondo o João, em comentário que transcreve uma passagem do ‘Dicionário Filosófico’ de Voltaire, onde se pode ler Tendes a liberdade de fazer quando tendes o poder de fazer. Hoje o Dragão afirma que Se chamamos Idade das Trevas à Idade Média e Idade das Luzes à Idade Moderna, então forçosamente, temos que chamar à nossa a Idade da Cegueira. Tanta luz cegou-nos. Tanta liberdade escraviza-nos.
Se há um ponto de encontro será o de que a liberdade, não existindo fora de nós, a sua reivindicação como um direito social inalienável é um totem, uma reminiscência das utopias de oitocentos.

Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações!
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)!
Preocupados?
Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada!
O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia!
É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque…
Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico!

A propósito das leis que se tentam fazer aprovar em França, proibindo a exibição de sinais culturais religiosos, será que pensarão ainda a vir a proibir os circuncisados de frequentar casas de banho públicas?
Não seria despropositado diante de tanta estupidez!