Construção da Noite de Carlos Nejar

No casulo há um homem
Mas o fundo é outro lado;
No casulo de seu tempo
Há um homem
Mas o fundo é outro lado.
É o casulo
Onde o homem foi achado
Mas o fundo é outro lado.
É o terreno
Onde o homem foi lavrado
Mas o fundo é outro lado.
É a treva
Onde o homem foi fechado
Mas o fundo é outro lado.
É o silêncio
De um homem soterrado
Mas o fundo é outro lado
Mas o fundo é outro lado.
É a infância que nasce sobre o morto
É a infância que cresce sobre o morto,
É o sol que madruga no seu rosto,
É um homem que salta do sol-posto
E convoca outros homens para o sonho.
E mistura-se à terra
E mistura-se ao sonho
E o canto recomeça além do sonho,
Além da escuridão, além do lago.
Mas o fundo é o outro lado.

Mas o fundo principia
Sem passado,
Sem os montes, sem os barcos,
Sem o lago.

Tua vida verdadeira é o outro lado,
Tua terra verdadeira é o outro lado,
Tua herança verdadeira é o outro lado.

Tudo cessa
Tudo cessa
Tudo cessa
Mas o mundo
É o outro lado
Que começa.

Agostinho da SilvaO que faço só importa
se traduz o que vou sendo
se assim não for tudo é nada
só finjo que estou fazendo.

Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 2.ª ed, 1997

Agostinho da SilvaÉ ciência subir os Himalaias
e criar matemática sem fim
mas é cultura vê-la poesia
e ter os Himalaias dentro de mim.

Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 2.ª ed, 1997

A 11.ª edição do Corrente D’Escritas, o maior encontro de escritores do País, inicia já amanhã, prolongando-se até dia 27 de Fevereiro, na Póvoa de Varzim, sendo a Ministra da Educação, Isabel Alçada, que profere a Conferência de Abertura, com o tema “Leitura, Escrita e Educação”.
Correntes D'EscritasDurante estes 4 dias estarão presentes cerca de 66 escritores provenientes do Brasil, de Moçambique, de Cabo Verde, do México, da Colômbia, de França, de Espanha, de Angola, do Uruguai, da Argentina e, claro, de Portugal, que se distribuirão por mesas de debate, sessões de poesia, lançamentos de livros, entrega de prémios, nomeadamente a divulgação dos premiados pela ‘Prémios de Edição LER/Booktailors‘, cinema, entre muitas outras actividades.
Consulte o programa e veja quem são os participantes neste outro sítio.

Agostinho da SilvaO primeiro anjo pecou
pois não viu que liberdade
é dada só para a busca
não conquista da verdade.

Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 2.ª ed, 1997

GLOSAS será uma revista semestral da responsabilidade do ‘MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa’, uma associação sem fins lucrativos, cujo objectivo primo é Dinamizar e Revitalizar o Património Musical Português. O lançamento da Glosas surge após o bem sucedido projecto ‘ATRIUM – Base de Dados de Compositores Portugueses’.
Aqui deixo a divulgação formal:

Glosas - capa da revistaPARTICIPE NA glosas, UMA REVISTA PELA MÚSICA PORTUGUESA

O mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa, uma recém-fundada associação sem fins lucrativos em prol da defesa e revitalização do património musical português, tem o prazer e a honra de o convidar a participar no projecto de uma revista semestral cujo primeiro número será lançado durante o corrente ano de 2010.

Se é compositor, musicólogo, instrumentista, melómano ou cidadão interessado, não hesite em enviar-nos informações e notícias relativas a concertos, conferências, edições discográficas, publicações diversas e outras actividades que se relacionem com a causa defendida pela associação.

Teremos o maior gosto em fazê-las publicar na revista, sempre que possível, na secção dedicada à actualidade da música, dirigida por Manuela Paraíso, bem como na agenda em-linha disponível em www.mpmp.pt e na nossa página facebook associada. Contacte-nos através do e-mail geral@mpmp.pt.

Não há nada no presenteAgostinho da Silva
que eu não louve
embora venham saudades
de futuros que não houve.

Agosinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 2.ª ed, 1997

Via Facebook, através da Paula Abreu e Lima, cheguei a este pensamento de Clarice Lispector que, por tão apropriado aos tempos, não resisti a transcrevê-lo aqui:
Clarice Lispector

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viv…er de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

Alice Valente expõe, de 11 a 27 de Novembro, 13 a 18 das 63 obras já realizadas do projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, no Largo do Picadeiro, 10 – 1º, ao Chiado.
Deixo o texto de apresentação da autora:

CORPOtraçoCORPO é um projecto multidisciplinar, que teve início em 2003 e que articula poesia e pintura, assinadas pela mesma artista.

Alice Valente-CORPOtraçoCORPO no Centro Nacional de Cultura- A poesia surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e a corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.

- A pintura é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 81×130cm, apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade.

Até ao momento foram já apresentadas 63 obras, nas 7 das 9 cores: 1ª Cor (traço) Vermelho; 2ª Cor (traço) Castanho-terra; 3ª e 4ª Cor (traço) Água-azul-céu; 5ª e 6ª Cor (traço) Laranja-lima e 7ª Cor (traço) Verde-oliva. Seguir-se-à a 8ª Cor (traço) Verde e a Cor-de-pele encerrará o ciclo das nove cores.

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com a presença de todas as obras, aquando do lançamento do LIVRO com o mesmo nome do projecto, contendo 81 poemas e ilustrado com as 81 obras, em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.

Mais informações sobre a exposição e a autora em:
Ali_se;
Alice Valente Alves;
Centro Nacional de Cultura no e-cultura;
Facebook.

Maria da Conceição Pequito Teixeira - O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em PortugalMaria da Conceição Pequito Teixeira lançou ontem em livro, através da Almedina, a sua tese de doutoramento, O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, produto de uma investigação e análise (entre 1990 e 2003) que aponta para o que todos sabemos e as pessoas que insistem na teimosia de serem honestas consigo próprias alertam – o divórcio entre os partidos políticos e a sociedade civil.
Conceição Pequito Teixeira identifica as “clientelas partidárias” e a “dependência económica” como duas das ameaças à qualidade dos deputados que representam os cidadãos na Assembleia da República, afirmando que 50 por cento dos portugueses hostilizam e rejeitam a necessidade dos partidos políticos.

Se não podemos deixar e reconhecer que (…) os partidos são instituições essenciais à democracia, sendo esta impensável na sua ausência, resta-nos porém saber o quê e como fazer para ultrapassar as suas tendências fechadas, oligárquicas e autoreferenciais através de novas estratégias de democratização?

A comprar e ler, seguramente.