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Arquivo da Categoria ‘Livros’

O Povo Semi-Soberano – Conceição Pequito Teixeira

Maria da Conceição Pequito Teixeira - O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em PortugalMaria da Conceição Pequito Teixeira lançou ontem em livro, através da Almedina, a sua tese de doutoramento, O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, produto de uma investigação e análise (entre 1990 e 2003) que aponta para o que todos sabemos e as pessoas que insistem na teimosia de serem honestas consigo próprias alertam – o divórcio entre os partidos políticos e a sociedade civil.
Conceição Pequito Teixeira identifica as “clientelas partidárias” e a “dependência económica” como duas das ameaças à qualidade dos deputados que representam os cidadãos na Assembleia da República, afirmando que 50 por cento dos portugueses hostilizam e rejeitam a necessidade dos partidos políticos.

Se não podemos deixar e reconhecer que (…) os partidos são instituições essenciais à democracia, sendo esta impensável na sua ausência, resta-nos porém saber o quê e como fazer para ultrapassar as suas tendências fechadas, oligárquicas e autoreferenciais através de novas estratégias de democratização?

A comprar e ler, seguramente.

A Educação do meu Umbigo em livro

A Educacao do meu umbigo - Paulo GuinotePaulo Guinote, autor do A Educação do meu Umbigo apresentou em livro os textos do melhor blogue sobre educação de Portugal.
Saudamos a iniciativa pela conjugação da qualidade com seriedade das reflexões e investigações de Paulo Guinote constantes no seu blogue e aconselhamos a compra a professores e sobretudo decisores políticos sobre educação, seguindo as palavras do autor em sub-título: um livro que incomoda ministros e mobiliza professores.


Dia Mundial do Livro 2009 – Jean Baudrillard

Jean Baudrillard - A Sociedade de ConsumoNão serei a pessoa mais indicada para aconselhar leituras, mas gostaria, para este Dia Mundial do Livro que se avizinha, de lembrar Jean Baudrillard, nomeadamente o seu livro “A Sociedade de Consumo”, editado entre nós pelas Edições 70.
Baudrillard, faláva-nos do “triunfo dos simulacros” neste niilismo amoral que vivemos, onde perdendo a imagem os vínculos com a sociedade, tornou-se mais real do que o real.
O simulacro é hoje a figura fundamental da sociedade da comunicação e do espectáculo, refere António Guerreiro no Expresso de 10/03/2007.

Clarice Lispector na Casa Fernando Pessoa

Clarice Lispector - Casa Fernando PessoaEntre hoje e amanhã a Casa Fernando Pessoa abre-se à descoberta e divulgação de Clarice Lispector através de várias iniciativas: conferências, debates, leituras, uma peça de teatro, visionamento de filmes, a apresentação da fotobiografia de Clarice, e uma exposição/instalação dedicada à autora de Perto do Coração Selvagem.
Sob a designação de ‘Colóquio Clarice Lispector’ serão intervenientes nesta iniciativa de entrada gratuita (ver programa): Nádia Battella Gotlib, Carlos Mendes de Sousa, Clara Rowland, Francisco José Viegas, Maria Antónia Fiadeiro, Ana Paula Tavares, Patrícia Lino, Inês Pedrosa, Cristina Elias, Vasco Durão, Lauro Moreira e Lauro António.

António Sousa Homem – Os Males da Existência

Antonio Sousa Homem - Os Males da Existência

António Sousa Homem irá a Lisboa na próxima quarta-feita, dia 25, às 18:30, para o lançamento do seu livro Os Males da Existência. Crónicas de um Reaccionário Minhoto… [Ler mais em Origem das Espécies por Francisco José Viegas]

O Apocalipse dos Trabalhadores de Valter Hugo Mãe

Valter Hugo Mae - O Apocalipse dos Trabalhadores Valter Hugo Mãe lançará, em Julho, o seu novo livro O Apocalipse dos Trabalhadores. Deixo uma imagem da capa e um vídeo enviado, via myspace, pelo autor. Para mais informações ir até à Casa de Osso.

Alice Valente expõe Traço-VERDE-OLIVA no Museu de Lanifícios

Alice Valente - traço-verde/olivaAlice Valente (link) expõe traço:verde-oliva, a sétima cor do projecto CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura, composta por 9 Obras em díptico, no Museu de Lanífícios da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, a convite do Núcleo de Estudantes de Filosofia da UBI (Universidade da Beira Interior).

A inauguração ocorrerá a 30 de Abril, pelas 18:30h, contando com a presença do reitor da respectiva Universidade, de Guilherme d’ Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura, entidade patrocinadora da artista e do evento, da directora do Museu de Lanifícios, responsáveis pelo Núcleo de Filosofia da universidade e pelo director do curso de Filosofia.

A exposição estará patente até 29 de Julho com inúmeras actividades programadas aolonga da sua duração: conferências, exposições, encontros, concertos, workshops, visitas-guiadas, visitas acompanhadas para escolas e ateliês. (ver programa)

Deixo um pequeno excerto sobre a exposição:

(…) porque assentes na concepção de um pensamento artístico-filosófico e desenvolvidos através de projectos no âmbito da criação artística, a autora escolheu fazer a apresentação do «traço:verde-oliva», a 7ª cor das nove cores do seu projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura», em que para além das características da cor e em seu projecto, enquanto precisa em inteireza e Verdade, Alice Valente irá relacioná-la neste espaço exposicional com a importância do azeite na lã, em para amaciar e alisar a lã, esta era colocada ou ensopada, durante dias, em talhas ou potes de barro com azeite.

ps: ver projecto “CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura” no e-cultura.

Dia Mundial do Livro 2008

LER - revista Este ano, no Dia Mundial do Livro, limito-me a transmitir-vos a minha alegria por voltar a ter para ler a LER, a revista, novamente dirigida por Francisco José Viegas (link), que quando vivi por outras paragens me confortou e ligou a esta terra, que parece ser cada vez mais só de terra e da língua.
Amanhã irei correr as bancas a ver se já a encontro.

ps: imagem retirado do blogue “LER Blogue

Revista LER na blogosfera

Via Francisco José Viegas tomo conhecimento que a revista “LER” tem blogue próprio – LERBLOGUE. Para os links das leituras, claro.

Joaquim Castro Caldas e o Pinguim Café

Joaquim Castro CaldasSempre às segundas-feiras, à noite, noite dentro, numa cave, cave de fumo, de fumo e de álcool, e de pouca luz e de fumo, mas sempre a propósito da poesia e de a bem dizer, de a amar, de a sentir, de irmos por onde ela…, ela e Joaquim Castro Caldas nos transportava.
Foi ontem, há 20 anos, que me iniciei a descer à cave do Pinguim Café para ouvir não já música, mas Castro Caldas, ele e quem queria dizer, dizer o que há muito no Porto o hábito se perdera – poesia.
Na quinta-feira, 13 deste mês, regressaremos ao Pinguim Café para homenagear quem bem nos fez, Joaquim Castro Caldas, 20 anos depois, onde estará, com certeza, o seu último livro – Mágoa das Pedras.
Bem-hajas Joaquim Castro Caldas pelo que de ti por amor à poesia (nos) deste.

Expressão na Rede – O Caso dos Blogues de Luís Carmelo

Expressão na Rede – O Caso dos Blogues, livro de Luís Carmelo, será apresentado dia 6 de Março, às 18:30h, na Casa Fernando Pessoa, por Eduardo Pitta.
Depois da apresentação haverá lugar a um debate sob o tema “o modo como as linguagens seculares (que aprendemos sem ter em conta a rede) se moldam, hoje em dia, à rede e mais concretamente aos blogues” com Carla Hilário Quevedo, Isabela, Pedro Rolo Duarte e Vasco M. Barreto, moderado por Paulo Gorjão.

Madalena Sá e Costa lança Memórias e Recordações

Madalena Sá e Costa, uma das mais insígnes discípulas de Guilhermina Suggia e neta do fundador do Conservatório de Música do Porto, Bernardo Moreira de Sá, lança um livro há muito prometido e aguardado – “Memórias e Recordações“.
O lançamento de “Memórias e Recordações” ocorrerá na Casa da Música, dia 24 de Fevereiro, às 19:00h, na sala 2, iniciativa enquadrada numa série de 6 concertos a decorrer de hoje a Domingo na Casa da Música em homenagem a Guilhermina Suggia.
Pode ser que o violoncelo “Montagnama” que Suggia legou ao Conservatório do Porto apareça, mais uma vez, de relance…
Não será demais relembrar o hercúleo trabalho de Virgílio Marques na constituição da Associação Guilhermina Suggia para que uma das melhores violoncelistas de sempre não fosse definitivamente apagada da nossa memória colectiva.

Indústrias Culturais – imagens valores e consumos

Industrias-Culturais

É já amanhã, dia 25, que o livro do Rogério Santos, INDÚSTRIAS CULTURAIS – Imagens, Valores e Consumos, editado pela Edições 70, será lançado na livraria Almedina, ao Saldanha (Lisboa), pelas 19:00.

Prefaciado por Isabel Capeloa Gil, trata-se de um livro, seguindo as palavras do autor, que reflecte os textos que foi escrevendo no seu blogue – Indústrias Culturais.
Para o Rogério Santos, amigo e companheiro nesta caminhada blogosférica, segue daqui um abraço.

O Vale do Moinho de João Norte – lançamento

Depois de O peso do Silêncio (link), o João Norte do intro.vertido lança agora o O Vale do Moinho, que será apresentado por Isabel Quitério e pelo autor no dia 12 de Outubro, no Café Bar Populus, nas Caldas da Raínha, pelas 21:00 horas, em sessão aberta.

Livros que mudaram a minha vida

No meio de muitas tão in blogosféricas correntezas, uma me chega, via Zazie, que achei engraçada – quais os livros que mudaram a minha vida? Engraçada a ideia? Talvez nem tanto, mas o que me deu para rir foi pensar nisso e constatar que, afinal, os que me mudaram não foram os melhores, nem os que mais recordações guardo, nem sequer os que mais releio. Mudaram-me e mudaram a minha forma de estar e pensar, é (foi) assim!
Aqui vai, então uma lista por ordem cronológica:

- Cartilha Maternal de João de Deus, por onde a minha tia-avó me ensinou as primeiras letras e a ler;

- Os Cinco na Ilha do Tesouro de Enid Blyton (de quem se comemora este ano o centenário do nascimento), o primeiro da colecção dos cinco que me despertou para a leitura;

- A Queda de um Anjo de Camilo Castelo Branco, livro que me apresentou o encanto da arte de bem escrever em português;

- O Capital de Karl Marx que marcou definitivamente o meu pensamento e que durante alguns anos (poucos felizmente), devido à apropriação ideológica de outros autores e políticos, implicou que o viesse a reler por ter induzido conclusões apriorísticas que lá não se encontravam;

- Uma Família Inglesa, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais e As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Diniz, cuja releitura me valeu mais para compreender os quadros mentais de oitocentos do que todos os livros, manuais, sebentas e resenhas de historiadores;

- A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber, livro que me obrigou a reler e a compreender o que Marx, afinal, escreveu e quis dizer em O Capital;

- O Paradigma Perdido de Edgar Morin por me centrar naquilo que o Homem pode e deve fazer em vez da indignação e revolta sobre aquilo que de mau fez e continua a fazer e sempre fará;

- A Era do Vazio de Gilles Lipovetski por me desamarrar de prisões ideológicas e me colocar nos dias que correm.

Bom, segue a corrente para o António Costa Amaral, para o Francisco Nunes, para o Piotr Korpotkine, para a Alice Valente, para a Gi, para o Tiago Barbosa Ribeiro, para a Maria do Rosário Fardilha, para o HVA, para o Paulo Bastos e para o Rui Rebelo.

Biblioteca de Beja – Palavras Andarilhas 2007

Palavras Andarilhas - Biblioteca de BejaA IX edição de Palavras Andarilhas promovido pela Biblioteca Municipal de Beja e pela Associação de Defesa do Património de Beja arranca já no próximo dia 17 e decorrerá até 22 de Setembro.
O Palavras Andarilhas é um Encontro/Festival de Contadores de histórias ou, como a organização gosta de designar, um Encontro de Aprendizes do Contar.
Este ano abrem-se outras portas de Beja – a Praça da República, a Igreja da Misericórdia e A Casa – e mais eventos:
- Festival da Narração Oral;
- Estafeta de Contos;
- Feira do Livro e da Leitura;
- Oficinas (oficinas de narração e oficinas sobre mediação leitora);
- Momentos Musicais.

O programa completo pode ser descarregado a partir do sítio da Câmara de Beja (LINK directo).

Ultimas Leituras

É o desafio agora da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos. Já atrás tinha respondido não aos últimos, mas aos que ando a ler, mas livros é uma cadeia que não me importo nada de reincidir, embora alguns ainda se mantenham:

- Complexity and Innovation in Organizations de José Fonseca;
- A reprodução social e cultural na era digital de José Manuel Silva;
- O Crepúsculo do Dever de Gilles Lipovetsky;
- Librorum Monimenta – Imagens da cultura eborense (séculos XVI_XVIII) de Arnaldo Espírito Santo, Cristina Pimentel, Cláudia Teixeira e Aramando Martins;
- Os Filhos da Rua Arbat de Anatoli Ribakov;
- História do Galego-Português – Estado linguístico da Galiza e do Noroeste de Portugal desde o século Xiii ao século XVI de Clarinda de Azevedo Maia;
- A Corrosão do Carácter de Richard Sennet em boa hora oferecido por este amigo.

Desta vez endereço o desafio: à Alice Valente, à Ana C., à Cristina, à Gi, ao Paulo Bastos e ao Piotr Kropotkine.

Trova do Vento que Passa

Manuel Alegre e Carlos Paredes

Os últimos livros que li?

Lançado pela Emiele, o amigo Raul envia-me a comenda, mas o alzheimer não me ajuda a lembrar de tanta coisa! Aqui vão, no entanto, os livros que estou a ler e a reler:

- Complexity and Innovation in Organizations de José Fonseca;
- A Embriaguez Democrática de Alain Minc;
- O Crepúsculo do Dever de Gilles Lipovetsky;
- In Memoriam Bernardo V. Moreira de Sá de vários;
- Lettres à un jeune Pianiste de Jean Fassina;
- À Queima-Roupa de Dragão;
- Que é Arte? de Abel Salazar;
- A Corrosão do Carácter de Richard Sennet em boa hora oferecido por este amigo.

À Queima-Roupa de César Augusto Dragão

A Queima-RoupaJá cá canta o À Queima-Roupa do Dragão, uma antologia de textos do Dragoscópio, que afinal, desvenda agora, é César Augusto, com uma dedicatória que revela, acima de demais, uma amizade blogosférica.
César Augusto Dragão? Sim, é o pseudónimo de autor, mas lá para o fim consta o verdadeiro nome da pessoa…, vá, comprem e ficarão a saber tanto como eu.
Sendo uma antologia com 317 páginas não poderia conter o Dicionário Sheltox Concise, mas o autor adverte que este será objecto de futura edição com autonomia própria.
Do prefácio retiro um excerto:

Do Dragoscópio apenas gostaria de sublinhar um aspecto que julgo essencial e determinante: Tanto quanto uma página de humor, o “dragoscópio” é uma montra de humores – os meus. Não é, pois, o mero megafone de serviço às minhas ideias, convicções religiosas, políticas, sexuais, ou quaisquer outras.
Creio que não devo importunar as pessoas com isso. Porque se eu tenho as minhas, os outros, naturalmente, têm as deles. E os prolongamentos, mais ou menos patéticos, do ego e de cada qual, já são suficientemente infestantes neste coisa dos blogues (bem como, infelizmente, no mundo em geral) , para que eu agrave ainda mais o monturo com o débito torrentuoso dos meus. Além do mais, se bem estou recordado e a memória não me falha, não contraí matrimónio com a Verdade, em modo ou tempo algum, o que, se por um lado me veda o acesso às ufanias de quem com ela partilha diariamente o tálamo, por outro, isenta-me das ilusões e do peso das rendilhadas armações de hastes fatalmente inerentes a tão fantástica condição.

Dia Mundial do Livro – 2007

Neste Dia Mundial do Livro deixo estes quadros para reflexão:
Leitores em Portugal
(via Marktest)
Leitores por grupo etário
(via Marktest)

Para o livro isto interessa, aumento de 58% de leitores de livros na última década, atigindo os 3 milhões de leitores de livros em 2006, mas ficamos sem saber, neste estudo da Marktest, que livros são esses.

O Dragão encadernou-se À Queima-Roupa!

Não contava, essa é a verdade, mas foi com alegria que encomendei a edição de autor em papel e belíssima encadernação do Dragão, sob o título À Queima-Roupa, autor assumidissimamente anónimo do Dragoscópio, um dos blogues que mais prazer de leitura me dá, tanto pela excepcional qualidade da escrita como pelo conteúdo.
Diz o autor assim, retirado daqui:

A Queima-Roupa - Dragão3. Estamos a falar efectivamente de um livro; não de um desses blocos de folhas mal amanhadas e pior coladas, embrulhados a cartolina estampada, que a indústria despeja -quando não bolsa – pelos escaparates. É, de facto, um livro na acepção genuína do termo: são folhas devidamente cosidas e encadernadas – encadernação a pele de réptil (sintética, naturalmente; não desejaríamos contribuir para a extinção dos meus parentes terrestres, nem, consequentemente, tornarmo-nos alvos da ira das boas gentes ecologistas). Era, aliás, importante que a excelência do veículo compensasse da humildade da carga.
4. Custa a módica (e vergonhosa! infame!) quantia de 25€ (mais os portes de envio pelo correio, aproximadamente 2€, para Portugal Continental). Aproveito para afiançar que não tenciono ficar rico. Grande parte da receita reverte para o encadernador aqui do bairro, velho artesão que bem precisa.
5. É uma edição não industrial e não destinada ao grande público, mas ao escol da humanidade que são os leitores deste famigerado blogue. Ou seja, na matéria e na forma, o artigo é produto integral de mãos humanas e destina-se a seres humanos. Os semideuses ainda vão ter que esperar.

Dia Mundial da Poesia – 2007

Em certo Reino, à esquina do Planeta,
Onde nasceram meus Avós, meus Pais,
Há quatro lustros, viu a luz um poeta
Que melhor fora não a ver jamais.

Mal despontava para a vida inquieta,
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideias,
À falsa-fé, numa traição abjecta,
Como os bandidos nas estradas reais!

E, embora eu seja descendente, um ramo
Dessa árvore de Heróis que, entre perigos
E guerras, se esforçaram pelo Ideal:

Nada me importas, País! seja meu Amo
O Carlos ou o Zé da T’ resa… Amigos,
Que desgraça nascer em Portugal!

António Nobre, Coimbra, 1889

Demorou!

Antonio Lobo Antunes
Lobo Antunes – Prémio Pessoa 2007

Zeca Afonso – 20 anos de saudade

Zeca Afonso
fotografia tratada por Dionísio Leitão

Balada do Outono

Águas
E pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão
Acordar

Águas
Das fontes
calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P’ras bandas do mar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

Arte com Poesia, sempre

15, Fevereiro, 2007 Carlos Araújo Alves 3 comentários

Alice Valente AlvesA Alice Valente Alves habituou-nos a fundir a poesia com a ‘imagem’ na sua arte: na fotografia, na pintura e, agora, no desenho.
Uma das temáticas que mais aborda é a do acto de criar, sendo que defende (e disso está convicta) que tudo parte de uma imagem, de uma imagem que a assalta como percepção do que na vida vai sentindo.
Ora, se tudo é imagem, Alice, como é que todas crias, transformas e fundes com a poesia, a arte, não da imagem, mas a de abrir as fronteiras do paradoxo de imagens e sensações que nos outros despertarás?

E Deus Pegou-me Pela Cintura

é o título do novo romance de Luís Carmelo, o décimo, a ser editado pela Guerra e Paz, cujo lançamento está agendado para as livrarias do Corte Inglês, em Lisboa a 6 de Março pelas 18:30h, com apresentação de Francisco José Viegas, e em Gaia, a 13 de Março à mesma hora, estando a apresentação assegurada por João Pereira Coutinho.

Bom Ano Novo com …

Um Beijo

que tivesse um blue.
isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
“ao sucesso”
diria meu censor
“à escuta”
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz
indagando só
“what’s new”
uma questão
matriz
desenhada a giz
entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.

Ana Cristina César

O meu obrigado a quem me apresentou este poema – a T-Regina – e um bom 2007 para todos.

Casa Fernando Pessoa – 13º aniversário

A Casa Fernando Pessoa abre hoje todos as salas, pisos e jardim ao público em comemoração do seu 13º aniversário.
A “festa” começa pelas 14:30h e pelas 21:30h Manuel António Pina, Pedro Mexia, José Luís Peixoto, Luís Quintais, José Eduardo Agualusa e José Tolentino Mendonça lerão textos seus.
Depois, bom, depois parece que haverá ceia e confraternização, mas o melhor é seguirem os links, este e este, para conhecerem o programa em detalhe.
Ah, quem me dera poder estar por Lisboa!

Mario Cesariny

fotografia de Dionísio Leitão.

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