Out 282012
 

António Lobo Antunes em entrevista à Rádio Renascença (ler na íntegra).
Frases soltas do contexto:

Antonio Lobo Antunes(…) conseguimos viver sem tudo, mas não conseguimos viver sem esperança, nem sem futuro.

Não tenho muita vontade de olhar para ele [Portugal], com as maldades que estão a fazer às pessoas

Os portugueses não merecem o que lhes estão a fazer

Não entendo porquê tanta insensibilidade, tanta imaturidade, tanta crueldade e porquê tanta estupidez”.

A seguir ao 25 de Abril a Snu Abecassis, que era a fundadora da D. Quixote, convidou os dirigentes dos partidos, cada um deles, para escrever (o Cunhal, o Freitas do Amaral, o Mário Soares, o Sá Carneiro). Repare a diferença, como cabeças com maturidade, como amor ao país, com os dirigentes de agora… o Passos Coelho, mais este mais aquele. Não há comparação possível, não me merecem o menor respeito.

(ler entrevista na íntegra)

Abr 032012
 

Por ser 3ª, dia 3 de Abril, aqui deixo “Quando encontrar alguém…” de Carlos Drummond de Andrade.

Carlos Drummond AndradeQuando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d’ água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado…

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados…

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite…

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela…

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR

Carlos Drummond de Andrade

Mar 212012
 

Carlos NejarContra a Esperança

É preciso esperar contra a esperança.
Esperar, amar, criar
contra a esperança
e depois desesperar a esperança
mas esperar, enquanto
um fio de água, um remo,
peixes existem e sobrevivem
no meio dos litígios;
enquanto bater
a máquina de coser
e o dia dali sair
como um colete novo.

É preciso esperar
por um pouco de vento,
um toque de manhãs.
E não se espera muito.
Só um curto-circuito
na lembrança. Os cabelos,
ninhos de andorinhas
e chuvas. A esperança,
cachorro a correr
sobre o campo
e uma pequena lebre
que a noite
em vão esconde.

O universo é um telhado
com sua calha, tão baixo
e as estrelas, enxame
de abelhas na ponta.

É preciso esperar contra a esperança
e ser a mão pousada
no leme de sua lança.

E o peito da esperança
é não chegar;
seu rosto é sempre mais.
É preciso desesperar
a esperança
como um balde no mar.

Um balde a mais
na esperança
e sobre nós.

Carlos Nejar

Fev 102012
 

Coro dos Amigos da Musica de EspinhoO CORO “AMIGOS DA MÚSICA” – ESPINHO apresenta-se, dia 11, às 21:320 horas, em Café-Concerto, no Foyer do Centro Multimeios de Espinho, sob a direcção de Fausto Neves.


Este Café-Concerto, que celebra o 10º aniversário do ‘Coro dos Amigos’, o qual está em vésperas de digressão por terras francesas, será composto por um espectáculo multifacetado, onde haverá lugar para dança, teatro, poesia, e muita, muita música, com a presença de, para além dos Coro dos Amigos da Música de Espinho, Fausto Neves, Sofia Guedes, Gisela Neves, Carolina Queiroz, Marina Sousa e Rita Ferreira (Ervilha de Contar), Antero Monteiro, Carolina Letra, Sofia Tavares, e Carlos Luís Gaio.


Bilhetes haverá à venda no local por 5€, sendo gratuito para crianças menores de 12 anos.

Dez 222011
 

Jose Augusto MouraoEm tempos de comunicação galopante, tudo é feito para nos cortar o sopro. Querem fazer de cada um entre nós gente que apenas tem de escutar sinais, gente obediente e dócil, executores, falantes monossilábicos. Perfeitas criaturas domadas para comprar, rir e chorar ou bater palmas; cortam-nos o sopro para tentarem sujeitar-nos a fórmulas, slogans – e que nos tornemos animais bem domados para executar palavras vazias, desencarnadas, formatadas, ou telégrafos que transmitem os sinais recebidos. Para que a carne obscura e impura da linguagem seja banida para dar lugar a uma língua asséptica.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Dez 212011
 

Jose Augusto MouraoÉ na soleira que se cumpre a palavra, nesse intervalo do dizer e do dito. Esquecemos a condição do dizer cada vez que a nossa atenção incide unilateralmente sobre o dito. O dizer sugere uma respiração que se abre ao outro, um puro vocativo, sinceridade, proximidade, sendo por isso testemunho, exposição, sem evasão nem álibis.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Jul 172011
 

Jose Augusto Mourao

Os verdadeiros trapaceiros nunca avançam mascarados. A visibilidade de «mostrar tudo» é hoje o seu reino. Os totalitarismos mostram o Tudo e dissimulam o Nada. O visível e o invisível são indissociavelmente os seus instrumentos. A gestão da imagem pode dizer uma coisa e o seu contrário. Não é o que se vê que é a fonte do que o visível faz entender.

José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, 2011, Lx, Pedra Angular

Jun 222011
 

Francisco Jose Viegas - Dicionario de Coisas PraticasFrancisco José Viegas lança hoje, dia 22 de Junho, o seu último livro, ‘Dicionário de Coisas Práticas’, uma colecta das suas crónicas diárias no Correio da Manhã, na Bertrand do Chiado, às 18:30 horas. A apresentação estará a cargo de director daquela publicação, Octávio Ribeiro.

Como se compreende esta iniciativa estava já agendada antes do convite que o autor recebeu para Secretário de Estado da Cultura do actual governo.



Jun 102011
 

PortugalDoces lembranças da passada glória,
Que me tirou fortuna roubadora,
Deixai-me descansar em paz uma hora,
Que comigo ganhais pouca vitória.

Impressa tenho na alma larga história
Deste passado bem, que nunca fora;
Ou fora, e não passara: mas já agora
Em mim não pode haver mais que a memória.

Vivo em lembranças, morro de esquecido
De quem sempre devera ser lembrado,
Se lhe lembrara estado tão contente.

Oh quem tornar pudera a ser nascido!
Soubera-me lograr do bem passado,
Se conhecer soubera o mal presente.

Luiz Vaz de Camões

Mar 042011
 

Alice Valente - Encontro CORPOtraçoCORPO no Clube Literário do PortoAlice Valente trará o seu projecto “CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura” ao Clube Literário do Porto, Sábado, dia 5 de Março, às 17:00h, para, em formato de “Encontro”, apresentar o traço:verde que desvendou em exposição na Estação Biológica do Garducho. (ver)
Para este Encontro Alice Valente convidou Bernardino Guimarães que se pronunciará sobre o verde e a humanização.

Da autora:

O “traço:verde” – 8ª cor das nove cores do «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» … firma-se na relação tão enérgica quanto intrínseca do Homem com o verde, ‘verde’ das plantas, vegetais e árvores, em verde esse que necessitamos de articular, de moldar, de cultivar, de cuidar, de preservar, de uma forma tão natural quanto imprescindível ao melodioso Equilíbrio do CORPO-Ser em seu CORPO-Natureza.