
«Este CD nasce do cruzamento de duas vontades e de um prazer comum.
Há mais de uma década que em cada encontro ocasional com a Filipa Pais sobrava sempre o desejo de fazermos algo em conjunto. No princípio deste ano deu-se a ocasião. Tinha em mãos um leque de canções de matriz popular que por uma razão qualquer tinham a “cara” da Filipa. Estavam impregnadas de sensualidade e de perfume mediterrânico. Falei-lhe nisso e tive dela uma adesão e uma sintonia imediatas. Daí ao convite ao João Monge foi um pequeno passo. O João aceitou dar o seu contributo e aceitou também uma corrida contra o tempo. O prazer da construção alargou-se, triangulando. É visível no casamento perfeito das suas palavras com a música e com o canto da Filipa.
À medida que as canções se iam completando com as palavras, escolhemos a moldura humana com que queríamos vestir musicalmente essas mesmas canções. Convidei o Mário Delgado (gt) o Yuri Daniel (ctb) e o Quiné (perc). Todos aceitaram o convite e com total liberdade de movimentos, salvo algumas sugestões ocasionais da minha parte, construíram com o seu rico vocabulário e personalidades distintas o resto do edifício que faltava. A motivação e o prazer instalaram-se. A eles se deve em grande parte a qualidade do trabalho final. O universo é o da música popular. A raiz mediterrânica. A expressão é universal. As soluções encontradas tiveram como único limite a optimização de cada canção. A escolha dos músicos revelou-se acertada e gratificante.
Resta-me uma palavra à atenção, competência, criatividade e musicalidade do Mário Barreiros que contribuiu decisivamente para a boa canalização da energia colectiva desenvolvida na semana de gravação que tivemos.»
José Peixoto
Este CD será lançado amanhã na FNAC do Chiado e o primeiro espectáculo ocorrerá em Castro Verde no próximo dia 12, Domingo, pelas 22 horas, no Cine-Teatro, inserido no XII Festival Sete Sóis Sete Luas.
Os músicos serão os mesmos que gravaram o CD, Mário Delgado, Yuri Daniel e Quiné.
Todos a Castro no próximo Domingo
