Iliteracia Musical - Lopes-Graça
Em 1956 Lopes-Graça já se insurgia contra a iliteracia musical em Portugal devido ao desinteresse em aumentar o número de escolas. Fica aqui o link para a muito apropriada citação que a Ana C. fez no Art&manha, deixando eu uma outra do mesmo livro:
O ensino da música acha-se em Portugal reduzido a quatro escolas: (..). Não será necessário entrar em largas considerações para se deduzir quanto estas quatro únicas instituições estarão longe de satisfazer às necessidades do País e de poderem, só por si, contribuir para uma vasta e eficiente educação musical da nossa grei. A difusão e descentralização do ensino da música seria assim uma das medidas a encarar por uma política cultural de visão ampla. Diga-se o que se disser, Portugal não é um país musical, quer dizer que a música não ocupa um lugar de grande relevo, nem se considera devidamente o papel que ela pode representar como elemento de educação e cultura.
Lopes-Graça, Fernando, A Música e os seus Problemas III, Sobre o Problema do Ensino da Música em Portugal, pags. 145 e 146, Edições Cosmos, reed. de 1973
Hoje, a descentralização do Ensino Artístico é uma realidade, com perto de 100 escolas a funcionar por todo o pais com resultados à vista em termos de número de músicos profissionais no activo, mas eis que um relatório feito certamente por mui iluminados académicos pretende liquidar, sumariamente, o que a muito custo se conseguiu construir nas últimas décadas!
Que crédito poderá merecer um relatório que apenas, e só, aponta para o desinvestimento do Estado na Educação Artística?
Nenhum, de facto! Não sabe do que fala, faz tábua rasa da história recente do Ensino Artístico e nem sequer procurou conhecer a realidade existente, in loco, escola a escola, do país!



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