Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Luís Filipe Menezes’

Luís Filipe Menezes, disse hoje esperar que o seu sucessor “não seja um estorvo” para uma correcta relação entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e as instituições do Estado. (via Público)
Ora aí está o melhor argumento para a candidatura de Manuela Ferreira Leite - garantia de que não será um estorvo para Cavaco Silva.

Luís Filipe Menezes já foi, mas parece que ainda assim tem peçonha e ainda mais peçonha e, se calhar, talvez, peçonha!
É muita peçonha…, mas onde estão os notáveis com tomates para pegar o touro pelos cornos?

Luís Filipe Menezes anuncia que deixa liderança e marca directas antecipadas no PSD. (via Público)
É tempo de vermos quem são afinal os que têm os tomates no sítio entre o rol dos críticos “notáveis” que infernizaram a vida a Menezes. Ou se candidatam ou são mesmo, mas mesmo politiqueiros de alforge. Não é dizer que apoiam este ou aquele ou aqueloutro, ou proclamar, solenemente, que se irão seriamente empenhar para angariar assinaturas para candidaturas de mais líderes temporários; é avançarem, os tais “barões” ou “tubarões”, com a mesma garra com que maldisseram, incessantemente e sem tréguas, o líder cessante.
Quero vê-los, sempre quero ver quem os tem no sítio!

Tento não me imiscuir na vida interna dos partidos, mas o que de repente está a acontecer no PSD é demasiadamente grotesco! O que estará a unir Rui Rio, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Amândio de Azevedo, António Capucho, Manuel Dias Loureiro, José Falcão e Cunha, Eduardo Azevedo Soares, Carlos Horta e Costa, José Luís Arnaut, Miguel Relvas e Miguel Macedo? Será a vergonha do que se passou com os cadernos eleitorais do PSD nas últimas eleições directas enquanto Miguel Relvas, muito chegado a Arnaut, era o secretário-geral? Já se esqueceram da vergonha nacional que isso representou? Que disseram estes senhores na altura sobre o assunto?
E onde estiveram todos estes senhores (exceptuando a Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite) nas últimas eleições directas? Não cheirava então que o PSD poderia ganhar em 2009 e agora parece abrir-se uma janela de esperança através das sondagens que retiraram a maioria absoluta ao PS? Agora já querem ir a votos? Rui Rio, o programado promitente D. Sebastião para alguns “notáveis” do PSD, sente que afinal já merece a pena correr o risco? Já dá jeito, agora?
Manuela Ferreira Leite afirmou ontem que o PSD não pode dar-se ao luxo de desrespeitar um militante do nível do Rui Rio (via JN), mas pergunto, será que para a distinta Senhora o PSD se pode dar ao luxo de ter um coro de “notáveis”, ausentes nos momentos que o partido mais deles precisa, a acusar publicamente a actual direcção de que está a abrir as portas à lavagem de dinheiro (via Público) como afirmou Rui Rio?
Fico com a ideia de que a alteração da forma de pagamento das quotas (questionável, é certo) é muito secundária ao objectivo que este conjunto de “notáveis” pretenderá atingir!

Aprovado o Tratado Europeu pelos senhores que teimam em, sozinhos, construir uma Europa melhor para todos, não nos espanta que Cavaco Silva seja contra o referendo, nem que Sócrates mande às malvas mais uma promessa eleitoral ao preferir a ratificação parlamentar. Inusitado é Luís Filipe Menezes, que ganhou a liderança do PSD através do plebiscito universal do seu partido, contra a vontade do aparelho e da ‘malta’ dos congressos, fazendo até questão de o sublinhar, apostar agora numa posição alinhada com esses mesmos notáveis, optando pela ratificação. Até compreendo a sua jogada de antecipação em relação a Sócrates, mas estou farto de compreender jogos de poder sempre em prejuízo da democracia.
O problema das elites europeias é que de facto não o são! Em democracia, da elite deveriam fazer parte aqueles que os cidadãos reconhecem e suas opiniões seguem; hoje, a intitulada elite, tem apenas por sustentação os media e tem pavor, desdém em alguns casos, da vontade popular expressa.
Uma elite elitista é, em democracia, a absoluta negação da sua condição de elite, uma vez que esvazia a substância do conceito, ao purgá-lo da condição de ouvir e cumprir a vontade dos cidadãos.
Uma elite é indispensável; absolutamente desaconselháveis são os elitistas porque, ao desprezarem a vontade dos cidadãos, negam a essência da democracia, sendo perniciosos para a subsistência do próprio regime.

Vem tarde, eu sei, mas por ter estrado fora, não pude comentar mais cedo o resultado das eleições no PSD, mas não seja por isso…
O que vontade de rir é me dá é o desnorte (embora dúvida não acalentasse) das pessoas que, per si ou por intermédio dos mediáticos poderes, em grupo de notáveis do regime se investiram embora, apesar de se proclamarem como acérrimos defensores da democracia, da liberdade, do sufrágio, não gostam de eleições, ou melhor, não gostam que o povo se manifeste, porque acham que ele é estúpido, ou melhor, pouco informado…
Ora, nada tendo eu contra a existência de elites (são essenciais numa democracia), não sou dado a elitismos, ou seja, reconhecer alguém que tem capacidades superiores é muito diferente de essas mesmas pessoas assumirem que elas, porque pertencem a uma elite, são donas da verdade e razão!
Isto é muito perigoso até porque, se essas elitistas acham as massas mal informadas e com pouco conhecimento, nada têm feito contra a diminuição da exigência no ensino, causa principal da destruição do sistema educativo, que este governo está a levar a cabo, chegando até ao ponto de afirmar (alguns) que uma educação cultural é um luxo num país endividado!
Ora, se eu fosse mal intencionado, até poderia pensar que esses elitistas não diferem muito, no seu comportamento, de Salazar, pois constituem-se à custa de um povo mal informado e com limitado acesso a uma educação que substancialmente os promova enquanto cidadãos!
Notável, de facto, mas mais acertada, no caso, será a expressão barões do que elites.

Menezes tem contra si ser um homem do Norte - o PSD de Lisboa continua a desconfiar da província (já vem do Eça), esquecendo-se, claro, que Sá Carneiro, seu pai fundador, vinha precisamente daí. Mas tem a seu favor uma carreira plebiscitada pelos votos e ter realizado como autarca uma obra que deixa o Porto (de Rui Rio) na mais completa sombra - e no mais completo ridículo. (excerto de post de Francisco José Viegas)

Nem mais, não conseguiria ser tão assertivo em tão poucas linhas!

Afinal Luís Filipe Meneses avança com candidatura num processo manietado pelo aparelho do PSD, embora os jogos de bastidores de Marques Mendes talvez não sejam o seu principal obstáculo - terá de se defrontar contra uma forte massa acéfala, diluída e partidariamente transversal de todos aqueles que vêem nele um representante do Norte contra o centralismo vigente. O modus operandi é conhecido e está já em marcha - a achincalhação pessoal que tenta ridicularizar todo e qualquer gesto ou mera expressão. Já se lê e até por pessoas que me merecem respeito, que estava com ar de prisão de ventre quando anunciou a candidatura ou que será figurante numa comédia.
Isto é apenas o começo! Quem assistiu ao que fizeram a Narciso Miranda, Fernando Gomes ou Vieira de Carvalho o que se seguirá não constituirá novidade para ninguém!
No entanto, a quem uma vitória de Menezes poderá infligir maior mossa, Rui Rio, não se espera a menor subtileza em jogos de bastidores nem em arranjos pré-eleitorais. Rui Rio quer a presidência do PSD, sim, mas só depois de 2009, e esse é a grande diferença entre quem assume riscos e quem só vai a jogo pela certa.
Ora, que me lembre, as grandes vitórias do PSD foram conseguidas por homens que arriscaram avançar sem esperar por ninguém nem sequer pelo partido (o partido é que não teve outra alternativa se não seguí-los) - Sá Carneiro e Cavaco Silva!
Parece estar tudo em aberto.., excepto a transparência e a democracia no processo eleitoral!

O autarca vincou que só perante “uma situação verdadeiramente excepcional”, pessoal - “uma doença, por exemplo” - ou política, é que poderia abandonar a Câmara do Porto antes do fim do mandato (…) (via Público)

Ora pois, o céu anda ainda muito nublado para a época do ano…! Para já Aguiar Branco e até 2009 a ver vamos se surge ou não um situação verdadeiramente excepcional…, até porque o importante, neste momento, é não ser derrotado por Luís Filipe Menezes!