Em 2005, “Quando fui votar no boletim de voto não estava lá o nome do Pedro Santana Lopes (…) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava. Só que no boletim estava PSD. E eu sempre votei PSD”, disse Manuela Ferreira Leite. (no Público)
É caso para dizer que há uma grande distância entre ‘as palavras e as coisas’, em especial as coisas que se dizem…
Por acaso acho que Manuela Ferreira Leite vai ganhar as directas no PSD - as pessoas que ainda votam têm mostrado, ultimamente, grande empatia com este género…, género de fazer género com a credibilidade.
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Atingimos a fase de já não sermos ouvidos. Significa que as pessoas nos perderam o respeito, afirmou Manuela Ferreira Leite relativamente ao PSD (via Público)
Fala verdade, Manuela Ferreira Leite, de forma clara e inequívoca, embora sem enxergar a causa…
A pouca vergonha do enxovalho pessoal diário, ordinariamente baixo, com que os ‘barões’ e ‘notáveis’ do PSD fustigaram Luís Filipe Menezes desde que anunciou a sua candidatura à liderança, não deixa muita margem para se pedir respeito seja a quem for.
Para se ser respeitado é preciso dar-se ao respeito!
Manuela Ferreira Leite afirma que o problema prioritário de Portugal é de natureza social e “não de contas públicas”, alertando para o aumento do desemprego e o surgimento de “novos pobres”. (via Público)
Esta campanha para as eleições do PSD estão a ficar muito divertidas. A Senhora que só via défice público que levou à falência milhares de micro-empresas, colocando na penúria as famílias que delas viviam, nomeadamente, no comércio tradicional, através do ‘pagamento especial por conta’ e, logo de seguido, do primeiro aumento do IVA, de 17 para 19 por cento, diz-se agora preocupada com os ‘novos pobres’, os tais que ela própria criou!
A gente tem de ouvir cada uma!!!
A ideia de que se tem um canudo estilo engenheiro Sócrates, que dá para tudo, já não serve (…). (Manuela Ferreira Leite via Diário Digital)
Tem a senhora razão em defender um sistema educativo que ensine e promova o desenvolvimento pessoal de cada aluno, mas esta analogia compromete tudo o que possa ter aduzido: é que com ou sem canudo, com mais ou menos estilo, José Sócrates conseguiu cumprir o único objectivo que Manuela Ferreira Leite tinha e falhou redondamente no governo de Durão Barroso - diminuir o défice público!
Falhou muitos outros, Sócrates, muitos e bem mais gravosos, mas esse, esse único a que Manuela Ferreira Leite se comprometeu, não falhou.
Coisas da vida, hélas… e do populismo.., e, ah sim, da elegância.
O líder madeirense defende que para derrotar José Sócrates “é necessário um líder que ganhe o apoio da maioria dos portugueses com sede de esperança, e não apenas se satisfaça em ganhar o PSD, sabendo-se que não ganha as eleições nacionais”. Acrescenta ser também importante “refundar a Aliança Democrática, mobilizando e unindo todos os portugueses que não são militantes socialistas nem comunistas” (Alberto João Jardim via Público)
Ora, que me lembre, Manuela Ferreira Leite já falou em “unir o PSD”, em relembrar os princípios e valores que estão na base da criação do PSD , em escolher um protagonista que ganhe eleições mas…, sendo certa a sua candidatura a presidente do PSD, ainda não a ouvi afirmar, cabalmente, que será candidata a Primeiro-Ministro nas eleições de 2009, para mais sabendo que, tanto ela (ver link) como os seus mais chegados apoiantes, os “barões”, “notáveis” e “opinion makers”, acalentam, há anos, a sebastiânica esperança de ver Rui Rio nessas funções. Parece ser adequado pensar que o presidente da Câmara do Porto reserva-se para depois de 2009, a não ser…, sim, a não ser que o PSD até às vésperas das próximas eleições se aproxime, nas sondagens, do PS.
A rápida desistência de Aguiar Branco e o recente envolvimento recente de Rui Rio na campanha da candidata dá que pensar…, pelo menos para aguardar se Manuela Ferreira Leite define ou não, inequivocamente, os seus propósitos neste domínio.
ps: imagem de Rui Rio retirada do site da Câmara do Porto sem autoria identificada.
É interessante a veemência com que Manuela Ferreira Leite se insurge contra os epítetos de “barões” e de “notáveis” do PSD, classificando esses termos como “divisionistas”. O PSD é um partido interclassista, clama via Público.
Em tese, a tese é interessante, dando até ideia de que Manuela Ferreira Leite pretende posicionar-se numa candidatura que una todos os militantes, mas não foi a própria candidata que, aludindo à presidência de Luís Filipe Menezes, afirmou que o partido não é respeitado, da forma como foi em 34 anos de história? E que dizer de todos os seus “notáveis” e “barões” apoiantes que durante sete meses zurziram, sem dó nem intermitência, em todos os órgãos de comunicação social que dominam e minam, numa recém apelidada falange “populista” que tinha tomado conta do partido?
Não haverá “classes”, até poderá ser, mas uma casta que domina os órgãos de comunicação social, que raramente se expôs a votos e que está habituada a pôr e dispor no PSD, isso parece-me por demais evidente.
Manuela Ferreira Leite está no gozo do seu pleno direito de fazer campanha eleitoral embora, quando questionada sobre o que a distinguia de José Sócrates, só lhe tenha ocorrido dizer que não mentia. Acredito piamente que não minta - hoje ninguém mente, dizem-se “inverdades” - mas também não será através de míngua de linguagem demagógica que se distinguirá do actual Primeiro-Ministro.







