Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Marketing’

Marcar uma greve geral para o meio de uma semana, a dois dias de uma 6ª feira em que se comemora o Dia Mundial da Criança e abre a época balnear, é um erro que José Sócrates nunca cometeria!

Quem como eu gosta de música e teve digestões difíceis aquando da passagem dos Lp’s para os CD’s, destes para o MP3, preparem-se porque a Web 2.0 (a net em rede ou net social) dará muito brevemente a estocada final no mercado de CD’s.
De há uns anos a esta parte a conjugação entre a facilidade de downloads de música e sua partilha, o incremento da qualidade das conversões para MP3 e a massificação dos leitores portáteis (geração iPod) vem causando sérios danos à venda de CD’s e, consequentemente, à sustentabilidade das editoras. Muitos auguraram o pior, o fim do negócio da música, a falência das editoras e dos músicos, mas nestas coisas de futurologia convém ter algumas cautelas sob pena de o tempo se encarregar de reduzir a pó as mais brilhantes teses e afins.
The Do Band Em boa verdade, conforme Paulo Gomes escreveu e aqui transcrevi, se parece agora certo que as editoras serão muito mais selectivas, reservando as suas iniciativas a mercados muito mais vastos (atente-se nas fusões a nível mundial), a verdade é que dá ideia de que os músicos começam a agarrar uma nova oportunidade de negócio, via internet, criando os seus próprios espaços para divulgação dos seus trabalhos através de um bom marketing de rede (social web) - começam por colocar a sua música, divulgá-la pelos seus social bookmarks, permitir alguns downloads gratuitos e outros a muito baixo custo, conseguindo medir, com um grau de risco muito mais reduzido, a receptividade do consumidor e, claro, a viabilidade de eles próprios de produzirem e editarem.Ishkur
Um caso muito recente da aplicação desta técnica com bons resultados é a dos The DO (o “o” é traçado como o zero), um duo formado pela finlandesa Olivia B. Merilahti (voz e guitarra) e Dan Levy (multi-instrumentista) que poderão ser os pioneiros da pop music de sucesso nascida na net, veja-se o sucesso do seu myspace, com temas já sacados pelos media ingleses e norte-americanos, radiodifundidos e incluídos nos top 20 como The Bridge is Broken e Song for Lovers.
Paulo GomesNoutros géneros musicais e em Portugal também o caminho parece começar a ser desbravado: no Jazz, Paulo Gomes, por exemplo, já aposta mais no seu myspace do que no seu próprio site; no Black Metal o Ishkur tem uma experiência em rede bem vigorosa através de uma interligação estreita entre o seu myspace, o seu Hi5, o last-fm e o seu site!
Os novos tempos da WEB 2.0, da social web, onde a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva (Tim O’Reilly traduzido para a Wikipédia em português) poderá, afinal, revelar-se amiga dos músicos ao revelar-se como o principal canal de distribuição da música, mas muito dura para com os intermediários e editores.
É curioso constatar que enquanto a blogosfera e os media, editados, em geral, por um grupo etário mais elevado, ainda debatem e rebatem as virtualidades da Web 2.0, os mais jovens, seja através dos grupos, do myspace, do hi5, da last.fm ou do Spaces Live, movem-se e intercomunicam já com naturalidade e sem perda de tempo em considerações teóricas na Social Web!
Uma questão geracional? Não sei! Certo estou é de que os marketeers terão muito que fazer para se adaptarem aos novos e poderosos canais de distribuição que a net proporciona.

A Gibson, juntamente com Fender, não precisa de apresentação como marca de prestígio no mercado de guitarras eléctricas. No entanto, por ter sido a última a abandonar o fabrico artesanal, distribuído mais mais de uma centena de luthiers, a sua qualidade desceu a tal ponto, nos anos 90, que mais de metade dos seus produtos eram devolvidos.
Vai a marca para a praça sendo comprada por um investidor pouco interessado em guitarras e nada conhecedor que, ávido de um rápido retorno do investimento, desatou a lançar modelos novos em linha de fabrico, quase destruíndo o prestígio que veio sendo arduamente angariado desde 1902.
Rapidamente o agiota aliena o pouco que ainda restava e a Gibson vai novamente parar a mãos de quem ama o que faz em 1999, embora já sem fabrico artesanal.
A verdade é que os modelos novos lançados pelo anterior accionista pouca procura têm, mas a Les Paul, esta,

Gibson Les Paul Standard

regressou em Março Passado ao top de vendas mundial.
Hoje a Gibson americana está instalada em duas unidades fabris, a do Nashville especializada na electrónica e a de Bozeman dedicada à acústica onde, pelo ar ser mais seco, tratam das madeiras.
Há bens de consumo que fintam os marketeers - apenas precisam que as deixem seguir um ciclo de vida autónomo pois fazem parte do imaginário colectivo.
Vivam as Les Paul da Gibson!

É sobre o que escreveu a Maria do Rosário Fardilha em texto que aconselho a leitura, não por que esteja de acordo com a totalidade, mas pelo que defende num momento em que o assunto se transformou em polémica.

Completou-se anteontem o 1º aniversário sobre o desmantelamento do Ballet Gulbenkian sem que nada, em rigor, tenha sido feito para manter viva e activa a estrutura performativa portuguesa internacionalmente mais conhecida e reconhecida. Nas minhas estadias pela Europa constatei que, nos meios que se interessam pela cultura, a Gulbenkian era uma entidade de referência assente em 3 vertentes: o espaço de concertos em Lisboa; bolsas para estudantes; o Ballet Gulbenkian!
Num momento em que impor uma marca no mercado é o “totem” de todos os especialistas de marketing, já que é o passo fundamental para a internacionalização de qualquer bem ou serviço, nós dámo-nos ao luxo de deitar ao lixo uma das raríssimas marcas que temos, talvez a com mais poder de penetração a nível cultural!
A Gulbenkian não a quer? Pode ser um erro, mas é dos que a administram, não é assunto público! Agora não a aproveitar - uma associação, uma fundação, o Estado, uma parceria entre privados e Estado - demonstra que, afinal, nós, os que gritamos pelas artes e pela cultura em geral, somos uns inertes sem respeito pelo que, muito palacianamente, dizemos que queremos defender!
A marca Ballet Gulbenkian demorou décadas a ser construída e um dia apenas a ser destruída!
Percorrendo a blogosfera dei conta que o Tiago Bartolomeu Costa e a Alice Valente não esqueceram o fatídico momento.
Fui procurar e reler alguns textos escritos à época pelo Henrique Silveira (vários em Julho de 2005), pelo Manel das Trutas (vários em Julho de 2006), pelo Luís Antunes (link), pelo Tiago Bartolomeu Costa (link), pelo P.V.M. (link), pela Thita que reproduz um texto de Miguel Esteves Cardoso editado na Periférica (link), pelo Old Mirror (link e link), pelo “O Céu sobre Lisboa” (link), pela Teresa Cascudo (link), pela Catarina (link), pelo Daniel Tércio (link) e por mim próprio (link) e dei comigo a pensar que, mais uma vez, na hora, todos temos opinião firme e solução à vista sem nunca, neste país, nada se consubstanciar! E excatamente porque nada fazemos se não palrar, mesmo que vocifrando a alta voz, andamos e continuaremos a rogar pelo amparo do papá Estado, desde os keynesianos aos mais acérrimos neoliberais, para ficarmos por estes!
Onde está a iniciativa privada de toda esta gente que à época se indignou? Que fizemos nós, os que choramos o fim do Ballet Gulbenkian, por ele? Nada! Rigorosamente nada a não ser assinalar a data e “bater no ceguinho”!
Ai de nós que exigimos que o Estado faça aquilo que cada um deveria fazer! O Estado (é esse o problema) não é uma entidade etérea, somos nós, nós mesmos, os mesmos que palramos e nada por ele fazemos, nem sequer exigir, com propriedade e de forma consequente, sabemos!
A acrescentar ao que escrevi há 1 ano nada, mais nada tenho, a não ser a total falta de assertividade e competência no desempenho da nossa cidadania!
Deixo um poema da Alice Valente dedicado ao Ballet Gulbenkian, “Movimento Presente” e o sincero desejo de que as novas gerações trabalhem mais pelas seguintes do que nós por elas fizemos.

Ontem recebi este email onde encontro mais uma razão para a minha fidelidade.

O Clix vai aumentar a velocidade do seu Serviço Clix ADSL

Estimado Cliente,

A partir do dia 19 de Maio, o Clix vai aumentar a velocidade do seu acesso Clix ADSL.
Este aumento de velocidade será automático e não terá qualquer custo adicional para si, mantendo-se assim, o valor da sua mensalidade actual.

Sempre achei que a fidelidade depende muito mais de acções do que sentimentos ou afectos.