Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: ‘Música Portuguesa’ Category

Poder-se-á pensar que as referências à música do Ricardo Serrano são já abusivas ou até indiciadoras de publicidade amigável. Burrifo-me.
A 9 de Maio passado o Ricardo disponibilizou o seu mais recente tema, ‘a José Afonso‘, no Peremela. Aqui fica, não pelo facto assumido de sermos amigos de longa data (mas também), mas porque sinto o Zeca, uma homenagem à sua música sem condescender com paternalismos ou colagens de suas canções. Sinto o Zeca Afonso, a sua música, a guitarra (mesmo em piano solo) e uma força… Da terra…, viva e vivida.



Obrigado, Ricardo.

Anos depois, em 1982, José Mário Branco marcou-me com este concerto - FMI - que é um desabafo, pessoal, um desabafo de contra, contra o conformismo, contra o cansaço de lutar pelos conformados, contra o consumismo, a alienação, cansado…, desencantado, mas lúcido, lúcido até hoje. É uma das mais belas e pungentes obras da canção de intervenção, de assombro, de fim de etapa, mas de uma visão de um futuro diferente, sem se prostituir, contudo. Aqui fica:

Eurico Carrapatoso - foto de João TunaEstreia hoje, 18 de Março, às 21:00h, o STABAT MATER de Eurico Carrapatoso para Barítono, Coro de Câmara e Ensemble, uma encomenda do Centro Cultural de Belém, para ser apresentado em contraponto com a obra de Boccherini que será executada, no Grande Auditório, no mesmo parte do concerto.
Serão intérpretes Armando Possante (barítono), o Coro Olisipo e a OrchestrUtópica, dirigido por Cesário Costa.
Entrevistado por Maria Ana Freitas, entrevista cuja leitura integral recomendo, transcrevo algumas palavras de Eurico Carrapatoso sobre este seu STABAT MATER:

(…) o meu tratamento do texto “Stabat Mater” é fundamentalmente silábico e homofónico, para que não se perca uma única gota que seja da sua essência, e para que a sua mensagem não sofra qualquer distúrbio no seu percurso entre o intérprete e o ouvinte. Mais a mais, quando este texto plangente assume tamanha actualidade na época que vivemos. Lembremo-nos, por exemplo, das mães dolorosas das milhares de crianças iraquianas mortas desde o início da bárbara ocupação militar em Março de 2003: os infames “danos colaterais”. O Ocidente globalizado digere bem os seus crimes com estes doces epítetos: “danos colaterais”. Mas a verdade é que os “danos colaterais” são, no fundo, uma matança dos inocentes que faz corar Herodes. E é a estas mães dolorosas do país onde nasceu a civilização ocidental que eu dedico o meu “Stabat Mater”, sempre com o timbre de Messiaen em pano de fundo: “tout ceci reste essai e balbutiement, si l’on songe à la grandeur écrasante du sujet.”

Breves notas biográficas de Eurico Carrapatoso:

Eurico Carrapatoso nasceu em 1962 e é natural do distrito de Bragança.
É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Iniciou os seus estudos musicais em 1985, tendo sido sucessivamente aluno de composição de José Luís Borges Coelho, Fernando Lapa, Cândido Lima e Constança Capdeville. Concluiu em 1993 o Curso Superior de Composição no Conservatório Nacional de Lisboa com Jorge Peixinho.
Foi assistente de História Económica e Social na Universidade Portucalense.
Leccionou na área da composição em várias instituições, nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa e na Academia Nacional Superior de Orquestra. É desde 1989 professor de Composição na Academia de Amadores de Música e no Conservatório Nacional, sendo professor do quadro desta última instituição. Recebe regularmente encomendas das principais instituições culturais portuguesas e a sua música tem vindo a ser executada, editada e difundida desde 1987 não apenas na Europa bem como nos restantes continentes.
Ganhou as primeiras edições do Prémio de Composição Lopes Graça da Cidade de Tomar e do Prémio Francisco de Lacerda.
A sua música representou três vezes Portugal na Tribuna Internacional de Compositores da UNESCO, realizadas em Paris em 1998, 1999 e 2006, com “Cinco melodias em forma de Montemel” (para soprano, trompa e piano), “Deploração sobre a morte de Jorge Peixinho” (para grande orquestra) e “O meu poemário infantil” (para tenor e orquestra)
Em Maio de 2001 foi distinguido pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal com o Prémio da Identidade Nacional.
Foi condecorado pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique em 10 de Junho de 2004.

ps: fotografia de João Tuna

O Rui Dinis há anos que alimenta A Trompa, um blogue de referência sobre música portuguesa. Desta vez entendeu fazer um “quiz” entre os membros da rede editorial TubarãoEsquilo e hoje calhou-me a mim a edição.
Perguntas? Ei-las:
1. Artista preferido? 2. Grupo preferido? 3. Disco preferido? 4. Canção preferida? 5. Último disco que ouviu? 7. O melhor disco que ouviu em 2007? 8. Última descoberta? 9. Último concerto a que assistiu? Quando? 10. Artista ou Banda mais importante para a história da música em Portugal?
Respostas? Vão lá vê-las!

Ler as impressões da Gisela Cañamero sobre a Oratória Fátima sinal de esperança para a Humanidade de António Cartageno, encomenda do Santuário de Fátima e estreada a 11 de Novembro na Igreja da Santíssima Trindade em Fátima.
No Domingo passado, dia 18, foi apresentada em Beja e são dessa récita as impressões que Gisela Cañamero escreveu.

ps: ver a este propósito entrevista de António Cartageno à Agência Eclesia.


JOSÉ PEIXOTO e FILIPA PAIS

«Este CD nasce do cruzamento de duas vontades e de um prazer comum.
Há mais de uma década que em cada encontro ocasional com a Filipa Pais sobrava sempre o desejo de fazermos algo em conjunto. No princípio deste ano deu-se a ocasião. Tinha em mãos um leque de canções de matriz popular que por uma razão qualquer tinham a “cara” da Filipa. Estavam impregnadas de sensualidade e de perfume mediterrânico. Falei-lhe nisso e tive dela uma adesão e uma sintonia imediatas. Daí ao convite ao João Monge foi um pequeno passo. O João aceitou dar o seu contributo e aceitou também uma corrida contra o tempo. O prazer da construção alargou-se, triangulando. É visível no casamento perfeito das suas palavras com a música e com o canto da Filipa.
À medida que as canções se iam completando com as palavras, escolhemos a moldura humana com que queríamos vestir musicalmente essas mesmas canções. Convidei o Mário Delgado (gt) o Yuri Daniel (ctb) e o Quiné (perc). Todos aceitaram o convite e com total liberdade de movimentos, salvo algumas sugestões ocasionais da minha parte, construíram com o seu rico vocabulário e personalidades distintas o resto do edifício que faltava. A motivação e o prazer instalaram-se. A eles se deve em grande parte a qualidade do trabalho final. O universo é o da música popular. A raiz mediterrânica. A expressão é universal. As soluções encontradas tiveram como único limite a optimização de cada canção. A escolha dos músicos revelou-se acertada e gratificante.
Resta-me uma palavra à atenção, competência, criatividade e musicalidade do Mário Barreiros que contribuiu decisivamente para a boa canalização da energia colectiva desenvolvida na semana de gravação que tivemos.
»

José Peixoto

Este CD será lançado amanhã na FNAC do Chiado e o primeiro espectáculo ocorrerá em Castro Verde no próximo dia 12, Domingo, pelas 22 horas, no Cine-Teatro, inserido no XII Festival Sete Sóis Sete Luas.
Os músicos serão os mesmos que gravaram o CD, Mário Delgado, Yuri Daniel e Quiné.

Todos a Castro no próximo Domingo

ELES ESTÃO DE VOLTA,

TÁ O BALH’ ARMADO!

Posso assegurar, em 2ª mão, que a Sony Portugal iniciou hoje a divulgação do novo trabalho dos ADIAFA, sob o título “TÁ O BALH ’ ARMADO”.
Quem não teve ocasião ainda para escutar poderá fazê-lo no programa da manhã da RR e, para vê-los, no “Herman SIC” no próximo dia 11.
Dá-me cá ideia que vai “Estralar nova Bomba”!
A ver vamos.
Força ADIAFA!

ps: para mais informações vejam o site dos ADIAFA, aqui.
nota: fotografia sacada do site dos ADIAFA

Excelente este primeiro Aceno de José Peixoto com as suas guitarras acústicas.
Um CD de músicas do próprio com as participações de Manuela Azevedo, Mário Delgado, José Salgueiro, Mário Franco, Filipa Pais, Mário Barreiros, Quiné e, imagine-se, Ralf Towner. Um trabalho muito bem cuidado (ou não tivesse a mão de Mário Barreiros), onde se sente a inspiração da música tradicional portuguesa condimentada, aqui e ali, com influência mourisca, por exemplo em Mais uma tarde, Doce Crescente e Lua, que tens?.
Espaços com Ralf Towner é inadjectivável, assim como Caixinha de Pandora, com Manuela Azevedo cantando um texto de Sérgio Godinho. Enfim, um trabalho seguramente entre os melhores de música portuguesa deste 2003.