Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: ‘Música Tradicional’

Zeca Afonso
fotografia tratada por Dionísio Leitão

Balada do Outono

Águas
E pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão
Acordar

Águas
Das fontes
calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P’ras bandas do mar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

A Associação de Cante Alentejano – Os Cardadores e a Fonoteca Municipal apresentam, dia 6 de Julho (quinta-feira), pelas 18h30m, três edições em CD:

Viola campaniça: a ilha dos vidros
pelo Grupo de Violas Campaniças

Margarida
por Os Cardadores da Sete

Zuca Zuca
pelas Papoilas do Corvo

O Grupo de Violas Campaniças realizará um showdase na apresentação aberta ao público e deixo o link para o Fonoteca de Lisboa para poderem ler os textos de apresentação de José Luís Jones.

Começa já hoje a III Festa do Cante no Teatro Pax Julia que decorrerá durante todo o fim de semana.
Lá estarei sem falta (pena o ambiente não se prestar a uns copitos e uns caracóis). Este ano estará presente aquele que considero, de momento, o melhor grupo de Cante!!
Qual? Ora, ora, vão lá ouvir!!!

foi dia, conforme estava anunciado, ou melhor, foi manhã!
Cante de manhã? De manhã? Antes de comer e beber a preceito? Assim…, sem apurar a voz, embargada ainda pela frescura matinal?
Lá foi o desfile, às 11 da matina, sem a luz da noite, sem a sedução de ouvir as vozes muito antes de vermos quem as emite como se do nada surgissem.
Não houve magia!
Bom, tentou fazer-se diferente. Tentou arregimentar-se muitos, 2500, diziam, todos juntos a cantar para o Guiness.
Não sei se entraram ou não para o Guiness, sei apenas que não houve Cante, nem de noite nem de dia, pois o Cante é coisa de vésperas e não de matinas e, que diacho, por que será que mesmo o que está bem sentem necessidade de inventar e criar e fazer ainda melhor e mais sei lá o quê?
Está bem, estou triste, sinto que perdi, mas quem perdeu mesmo foi o Cante Alentejano.
Enfim, pode ser que para o ano inventem, num assomo de criatividade, voltar a fazer como sempre foi!

Todos os anos as ruas de Beja são palco de uma das mais belas e genuínas manifestações de cultura popular - o desfile dos grupos de Cante.

Mesmo sem plateias nem pomposas tribunas o público acotovela-se, indiferente ao estatuto social de cada um, para “ouver” o espectáculo, comentando, criticando, comparando a qualidade da performance de cada grupo, sendo tema para vários dias de acesa cavaqueira, tal a rivalidade que os une num só canto - o Cante Alentejano.
O melhor espectáculo que o Alentejo de seu ancestral ventre oferece é esta noite de sedução, genuína, a mais arrebatada que Beja proporciona, bem para lá que o conseguido por qualquer banda comercial que por cá passe.

Esta nossa riqueza não precisa de ser inventada - ela existe, está entre nós e é ainda vivida nas tabernas deste Alentejo; basta um pouco de pão e um…, talvez mais, copo…
Pena que ainda não tenhamos conseguido que esta riqueza produza frutos, isto é, falta “vender” este produto sem paralelo mundial, no estrangeiro e mesmo no país, a quem não conhece nem nunca sentiu a carga emocional e afectiva que este evento proporciona.

A última revelação na música tradicional alentejana, os VádeModas, acabam de lançar em edição de autor o seu primeiro CD, gravado no estúdio “Portal do Som”, com capatação, misturas, masterização e produção do Luís Beco e do Ticha.
É difícil eleger as modas mais belas, no entanto ouso chamar a atenção para “Maria Capitua”, “Que Inveja”, “Lampião”, “Eu ia pela Rua”, “Tenho Pena”, “Alentejo” e “Menina Florentina” (em 12 são já muitas), bem como para superlativa qualidade do grupo vocal no seu conjunto e do fagote de Joaquim Simões.
Quem estiver interessado na sua aquisição deve fazê-lo directamente para o grupo através do endereço vademodas@hotmail.com ou através dos telms. 962 782 597 e 964 013 848.

Aqui fica a ficha técnica:

Grupo:

Jorge Sales: voz e percussão
Clia Marques: voz e percussão
José Andaluz: voz
Dina Marques: voz e bandolim
João Cavalo: voz e guitarra
Antelmo Serrado: voz, cavaquinho e percussão
Joaquim Simões: voz e fagote

Modas:

1 - Menina Florentina
2 - VádeModas
3 - Então por que não?
4 - Lampião
5 - Maria Capitua
6 - As Mulatinhas
7 - Eu ia pela Rua
8 - Que Inveja
9 - Laurinda
10 - Tenho Pena
11 - O Cabreiro
12 - Alentejo

“O Conservatório R. B. Alentejo” e a “MODA – Associação de Cante Alentejano” estabeleceram uma parceria para juntas defenderem e promoverem o Cante Alentejano.
O Conservatório disponibiliza o seu espaço para os ensaios dos Grupos Corais, proporcionando o seu aperfeiçoamento, com o intuito de afirmar o Cante como património cultural do Alentejo reconhecido na região e no País. (Diário do Alentejo)
Parabéns a quem teve a ideia e às 2 instituições pela parceria conseguida que poderá representar um 1º passo para concretização de um sonho - elevar o Cante a Património Mundial.

O governo acaba de retirar todos os apoios ao “Centro de Música Tradicional Sons da Terra”, uma das instituições que mais tem feito pela recuperação e divulgação da música tradicional e étnica portuguesa, nomeadamente a Gaita de Foles, através do seu já internacional Festival de Sendim.
Há uma petição a correr on-line, dirigida ao Ministério da Cultura, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, ao Instituto das Artes e à Delegação Regional da Cultura do Norte ,deixando-vos uma transcrição do pedido de apoio que recebi via e-mail da Associação Gaita de Foles:
Read the rest of this entry »

Com muita pena minha de quando em vez sou obrigado a esgalhar um cadito para ganhar uns carcanhóis…
Nunca nestas Ideias escrevi sobre o que faço na vida para ganhar dinheiro porque tenho alguma dificuldade em ser assertivo e perenptório, assunto que deixa os meus filhos aflitos quando questionados na escola sobre: - qual é a profissão do teu Pai? Ora, eu bem lhes digo: - olhai, dizei que o Papá é biscateiro, i.e., faz qualquer coisita que valha a pena para vos pagar os estudos, a roupa, o tacho, os brinquedos e, atingido o montante necessário, faço por não fazer nada, ou seja, faço o que me dá prazer independentemente de ganhar dinheiro com isso ou não.
Vem isto a propósito do arrefecimento temporário deste blogue por uma boa causa - a mistura final e masterização da gravação com o meu companheiro do Portal do Som, Luís Beco, de 20 modas do Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de S. Bento que entregamos hoje à fábrica para ser lançado antes do Natal.
O Portal do Som tem, felizmente, atravessado estes tempos de crise com relativa acalmia, mas são trabalhos como este do grupo coral de Vila Nova de S. Bento que me motivam e que me mostram que há muitos momentos na vida que valem bem a pena ser vividos.
A produção é nossa, onde procurámos respeitar ao máximo a naturalidade do Cante Alentejano e a edição será de autor, mas não tenho hoje dúvidas sobre o sucesso em termos de qualidade deste trabalho, modéstia à parte.
Vendas? Não sei, gostaria que se vendesse bem, mas não serão as ditas elites que gastarão um tostão na compra de um CD de bom Cante Alentejano precisamente porque o Cante, para além de ser música popular tradicional do nossso Alentejo, é sem dúvida alguma e cada vez mais “música alternativa”.
Em resumo, sinto-me feliz, pela rapaziada de Vila Nova e pelo Portal do Som.
Desculpem o desabafo.

ELES ESTÃO DE VOLTA,

TÁ O BALH’ ARMADO!

Posso assegurar, em 2ª mão, que a Sony Portugal iniciou hoje a divulgação do novo trabalho dos ADIAFA, sob o título “TÁ O BALH ’ ARMADO”.
Quem não teve ocasião ainda para escutar poderá fazê-lo no programa da manhã da RR e, para vê-los, no “Herman SIC” no próximo dia 11.
Dá-me cá ideia que vai “Estralar nova Bomba”!
A ver vamos.
Força ADIAFA!

ps: para mais informações vejam o site dos ADIAFA, aqui.
nota: fotografia sacada do site dos ADIAFA

o 14º Festival Intercéltico do Porto

Do Porto? Sim, mas desta vez descentralizado…, a Lisboa, a Montemor-o-Novo e a Arcos de Valdevez. Segue-se o programa que transcrevemos do At-tambur, daqui.

Porto
Rivoli - Teatro Municipal

. . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Dia 1 de Abril 2004
Portugal At-Tambur
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 2 de Abril 2004
Portugal Realejo
Cantábria Atlântica

Dia 3 de Abril 2004
Portugal Frei Fado d’El Rei
Irlanda Kila

Lisboa
CCB
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Dia 1 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 2 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 3 de Abril 2004
País Basco Kepa Junkera

Montemor-o-Novo
Cine Teatro Curvo Semedo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Dia 2 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 3 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Arcos de Valdevez
Auditório - Casa das Artes
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Dia 2 de Abril 2004
Portugal At-Tambur

Dia 3 de Abril 2004
Cantábria Atlântica

Não fazemos nenhuma chamada de atenção aos participantes embora registemos o regresso dos Realejo” e dos “Frei Fado d’El Rei“, para nós, indiscutivelmente a melhor formação de música tradicional portuguesa, onde se fundo fado, com música popular, flamengo e umas pitadas, aqui e acolá, de ambiências mouricas. Perderam recentemente um grande alicerce, em especial no que concerne a estrutura, a sonoridade, a ambiência, enfim, a âncora, falo de Quico Serrano. A ver vamos como evoluem sem ele, substituído por Raul Tinoco!

Gaiteiros de Lisboa

Invasões Bárbaras de 1995 e Bocas do Inferno de 1997, os primeiros 2 trabalhos dos Gaiteiros de Lisboa, foram reeditados numa única apresentação. Tratam-se de dois CD’s esgotadíssimos, editados pela Farol e que representam o que por cá de melhor se vai fazendo em prol da música tradicional portuguesa.
Quem não conhecer os originais é não perder esta oportunidade que aparecerá, muito em breve, nos escaparates das nossas inúmeras discotecas…!
Se eventualmente não o descobrirem nesses escaparates poderão sempre contactar directamente os Gaiteiros de Lisboa.

Giacometti - Michel

Se vivo estivesse Michel Giacometti teria completado 75 anos no passado mês de Janeiro.
O Centro Cultural de Cascais promove Michel Giacometti - a caminho de um museu, uma exposição sobre o trabalho do etnomusicólogo mais profícuo em Portugal. E cito do site da Gaita de Foles:

(…) Através desta exposição, que foi construída a partir do acervo existente no Museu da Música Portuguesa, pretende-se dar a conhecer a vida e obra de Michel Giacometti e, também, o trabalho e o programa do Museu.
A primeira parte da exposição conta-nos a história e dá-nos a conhecer o plano de trabalho, o contexto e o percurso da sua investigação. Na segunda parte são apresentadas a colecção de instrumentos e o seu legado documental, como os discos da Antologia da Música Regional Portuguesa, os filmes Povo que Canta e toda a documentação levantada nas suas missões pelo país. A exposição termina com os “sons escolhidos?, partindo da selecção de quatro instrumentos musicais, que são tocados por quatro músicos convidados.

O etnomusicólogo está sepultado em Ferreira do Alentejo não tendo a sua sepultura nenhuma especial alusão a quem foi Michel Giacometti. Merecia mais respeito, ele e quem dele precisa de saber!