Por ocasião do septuagésimo aniversário de Dizzy Gillespie, em 1987, Sonny Rollins juntou-se-lhe para discorrerem em ‘Wheatleigh Hall’, com Hank Jones no piano, Rufus Reid em contrabaixo e Mickey Roker na bateria, sobre ‘Ricky Horn’. Como é bela a liberdade de expressão!
Bom fim-de-semana.
Sonny Rollins avança por ‘Smoke gets in your eyes’, canção da autoria de Jerome Kern, composta em 1933 para a opereta ‘Roberta’, numa gravação vídeo, ao vivo em Praga em 1982, durante a digressão da sua última gravação ‘Love at the first Sight’, em plena fase ‘funky’. Não é a fusão que aqui sentimos, mas antes o Sonny Rollins baladeiro, o inesgotável improvisador, a sua faceta caraibenha de brincar sobre os ritmos, o gosto de referir outros temas, tudo isto num solo….
Ouçam… e deixem-se ir!
Bom fim-de-semana.
Nunca entendi que razão haverá para que os baixistas e contrabaixistas sejam dos menos enaltecidos entre os músicos de uma banda, apesar de terem sob a sua quase exclusiva responsabilidade (juntamente com o baterista) o carácter da interpretação, o tempo, o swing, a inclinação, enfim o groove como hoje se diz.
Vem isto a propósito de uma interessante conversa entre o Paulo Bastos e o Paulo Mesquita no Tónica Dominante sobre Victor Wooten, um dos actuais gurus do baixo eléctrico.
A eles dedico Double Feature, da autoria de Stanley Clarke e Sonny Rollins e tocado em duo pelos dois, incluído no LP Love at the First Sight de Sonny Rollins, editado em 1980, que há 27 anos me acompanha como paradigma do diálogo perfeito (se é que a perfeição em música pode ser alguma vez conseguida) entre um saxofone e um baixo.
Via Improvisos ao Sul sou apanhado de surpresa pelo facto de Sonny Rollins ter obtido o Polar Music Prize Award for 2007 juntamente com Steve Reich.
Sobre Steve Reich e o minimalismo deixo para os amantes e especialistas o ônus de escreverem. Sobre Sonny Rollins já escrevi bastante, mas deixo aqui o agradecimento ao António Branco, a transcrição do texto que está no sítio do Polar Music, um link para o vídeo de divulgação dos premiados e um podcast com 3 temas do album “Saxophone Colossus” de Sonny Rollins, gravado em 1956, um dos melhores trabalhos de Jazz de sempre.
O Blue 7 é o tema de Jazz que mexe comigo – improvisação quase toda apoiada sobre a 7ª m, a 2ª M e a 5ª bemol, permitimdo progressões invulgares de 4ª aumentada; o You Don’t Know what Love Is é uma balada que pareceria inverosímil ter sido interpretada pelo mais elevado expoente do Hard Bop; o St. Thomas, não sendo um dos meus favoritos, é um dos temas mais conhecidos do Sonny pelo facto de ter sido o 1º calipso a ter um tratamento jazzístico, género que o saxofonista nunca mais deixou de abordar.
STEVE REICH & SONNY ROLLINS
WINNERS OF THE POLAR MUSIC PRIZE FOR 2007The winners of the Polar Music Prize Award for 2007, were unveiled on Thursday the 25th of January at The Royal Swedish Academy of Music in Stockholm. The Chairman of the Board and Award Committee, Mr. Åke Holmquist, read the Award Committee’s citations.
The Sonny Rollins Citation
The 2007 Polar Music Prize is awarded to the American tenor saxophonist and composer Sonny Rollins, one of the most powerful and personal voices in jazz for more than 50 years. Sonny Rollins has elevated the unaccompanied solo to the highest artistic level – all characterised by a distinctive and powerful sound, irresistible swing and an individual musical sense of humour.
He is still active and the greatest remaining master from one of jazz’s seminal eras.
ps: ver entradas relacionadas com Sonny Rollins.
De um dia para o outro, em Julho de 1997 desafiei o meu Pai a rumarmos de carro, quais imberbes adolescentes, a Antibes só para ver o Saxofone Colossus, então com quase 67 anos (nasceu em Setembro de 1930, no Harlem, não havendo uma data consensual, 7 ou 9). Pensava eu que talvez fosse uma das últimas oportunidades de o ouvir e ver ao vivo.
O concerto foi memorável como todos os do Sonny – um bicho, um animal de palco, um génio da improvisação com uma mestria rítmica e harmónica inigualáveis, que parece em ausentar-se para outra dimensão quando começa a revirar os olhos, em transe diria, como se ali fosse um outro que não ele, mas que por ele e com ele se exprime. Bom, o certo é que apesar dos meus receios ei-lo de volta com um novo CD, Sonny, Please, cujo primeiro concerto europeu foi este ano no Jazz at Viena, estarrecendo a crítica presente. Sonny, aos quase 76 anos apresentou-se assim:
Foi a única vez que fiz férias só com o meu Pai. Não me conhecia! Tinha uma ideia completamente diferente do que eu era – o rapaz e depois homem demasiadamente sério e sisudo, responsável e profissional, mas nada gozão, como ele era e sempre almejara que eu fora…. Mas era, embora nunca lho tivesse dado a conhecer.
Gozámos que nem doidos – o ambiente, as praias pagas da Côte, o vinho, as ostras, as gajas!
Morreu no ano seguinte com a doença que já carregava, mas durante esse último ano já mais não fomos Pai e filho; apenas 2 gajos folgazões e…. danados para a brincadeira!
À época, quando me apercebi de que nunca tinha permitido que ele me conhecesse para além da imagem formal, experimentei alguma amargura, culpa mesmo, mas hoje, sim, hoje e desde pouco após a sua morte, sei que esse ano foi um privilégio para mim. Já não sabe a pouco, sabe a muito, a tudo, porque um ano, um mês, um dia, um momento, podem ser tudo, ou quase tudo o que conta, o que fica.
Sonny Rollins, o último dos génios vivos (do Jazz), abriu-me, aos 16 anos, para outras dimensões do sentir, inesperadas, é certo, para a altura, mas profundas e ricas, que não mais esqueci nem abandonei.
Dedico este vídeo ao Anarca juntando o pedido de incluir, na sua selecção vintage da melhor jukebox da blogosfera, um tema do meu must Sonny Rollins!
nota: este vídeo que dura 5′ data de 1963 e contém apenas a parte do solo de Sonny Rollins, tendo sido gravado e difundido por um canal de televisão a propósito do lançamento do LP “The Bridge”, o 1º da 2ª fase do músico.
Com ele estão Jim Hall na guitarra, Bob Cranshaw (seu compenheiro de sempre) no contrabaixo e Ben Riley na bateria.





















