Mar 072011
 

Deixo o Dinu Lipatti a interpretar o Concerto para piano e Orquestra de Schumann op. 54, com a Philharmonia Orchestra, dirigida por Karajan, gravada em Londres em 1948, se tempo tiverem entre as brasileiradas carnavalescas da época.

Dinu Lipatti



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Jun 082010
 

Bicentenário, hoje, do nascimento de Schumann. Fica o ‘Carnaval op. 9′, composto entre 1834 e 35, só audio, por Vladimir Sofronitsky.

Schumann - Robert & Clara



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Mai 202010
 

Fausto Neves - Recital Pavilhão Centro PortugalFausto Neves apresenta-se em recital de piano, amanhã, dia 21 de Maio, às 21:30, no Pavilhão Centro Portugal, em Coimbra, interpretando:

BEETHOVEN – Sonata op. 28 (Pastoral);

CHOPIN (1810 – 2010) – Fantasia em Fá Menor op. 49;

SCHUMANN (1810 – 2010) – Kreisleriana op. 16.

Breves Notas Biográficas:

Fausto NevesFausto Neves iniciou os seus estudos na Academia de Música de Espinho – sua terra natal – e complementou-os no Conservatório de Música do Porto, na Universidade Laval (Canadá) e no Conservatório de Música de Genebra (Suíça), onde conquistou o Prémio de Virtuosidade.

Discípulo de Helena Costa, recebeu ainda os ensinamentos dos pianistas Robert Weizs (Canadá) e Harry Datyner (Suíça). Aprofundou também os seus conhecimentos nos domínios da música de câmara e da análise musical. Frequentou ainda seminários com Sequeira Costa, Moura Castro, Josef Palenicek, Jörg Demus e Álvaro Salazar.

Apresentando-se em público desde muito cedo, é convidado frequente das mais importantes organizações e festivais de música nacionais. Actuou ainda na Suíça, no Canadá, no Brasil e na Itália. Gravou para a RTP, RDP e TV Cultura (Brasil) e foi solista da Orquestras da RDP, Clássica e Nacional do Porto, Portuguesa da juventude e da Oficina Musical, sob a direcção de Silva Pereira, Gunther Arglebe, Graça Moura, Álvaro Salazar, Kamen Goleminov e Marc Tardue.

De entre as actividades com outros solistas destacam-se as colaborações com a violoncelista Gisela Neves, com o pianista Álvaro Teixeira Lopes e com o pianista Pedro Burmester e os percussionistas Miguel Bernat e Manuel Campos, integrado num quarteto de dois pianos e percussão.

Fausto Neves é actualmente Professor Auxiliar Convidado no ‘Departamento de Comunicação e Arte’ da Universidade de Aveiro.

Jan 082010
 

Deixo-vos o concerto de Schumann interpretado por Géza Anda, um dos bons pianistas que o sec. XX nos legou, com a Filarmónica de Berlim, dirigida por Rafael Kubelik, gravado em 1964 (só audio).


Bom fim-de-semana.


Out 122007
 

Je me refuse de me laisser classer dans un genre. Ce qui m’intéresse, c’est de m’inscrire dans une démarche de recherche. L’instrument a cette particularité de permettre d’embrasser de larges horizons.
Je veux éviter de tomber dans cette ornière qui invite au produit industriel impeccable qui passe à côté du message
. Pierre-Laurent Aimard

Regresso a Pierre-Laurent Aimard desta vez a interpretar os Estudos Sinfónicos de Schumann, para piano para insistir em pianistas que recusam o mediatismo efémero e pelo facto de ainda hoje o catalogarem com o rótulo de especialista em música contemporânea. É certo que esteve no Ensemble Intercontemporain desde a sua fundação; é certo que se notabilizou a interpretar Ligetti, Boulez, Eötvös e Bartok, mas ouçam esta interpretação de Schumann e vejam se corroboram as afirmações de Aimard do início do post.

Bom fim-de-semana.

Jul 262006
 

Sim pois, 250 anos, pois, mas todos os dias … ó pá, nunca é demais, pá, mas chega, basta, já enjoa tanto maneirismo!
E o centanário do nascimento de Schostakovitch? Nada?
E os 150 anos da morte de Schumann?
Ah, meu caro Robert, ainda hoje não te conhecem, mas não te aflijas que isto anda por modas, umas hoje, outras amanhã e com tantos amanhãs e modas para inventar poderá ser que a ti, um dia, te toque!

Carnaval“, op. 9, 1834/5…, como não te conhecer?

«Si le ciel vous a doué d’une imagination active (…) vous vous sentirez peut-être d’autant plus mystérieusement ravi dans un cercle magique que vous vous conformerez moins aux lois de la construction musicale. (…) Mais ce ne sera cependent qu’en vous appliquant aux signes précis et prononcés de l’écriture que vous obtiendrai la maîtrice de la forme et le pouvoir d’une claire ordenance.»
SCUMANN, Robert, “Conseils aux jeunes musiciens“, trad. para francês de Yves Hucher, Ed. Buchet/Chastel (1ª ed em 1848)

Mar 252004
 

Schumann - Robert & ClaraEscrito entre 1834 e 35 o “Carnaval” de Schumann não é uma das obras para piano mais afamadas, mas é uma das que revisito regularmente, uma questão de paixão!
Ontem dei comigo a escutar as versões de Sofronitsky, Arrau, Michelangeli, Rubinstein, Rachmaninov e Gabrilov, as que possuo. A separar estas gravações correm cerca de 90 anosl. A separar estas gravações estão concepções estéticas muito distantes, opostas quiçá, da visão do que foi o romantismo musical do qual Schumann foi pioneiro.
Ora se em Rubinstein não podemos saber com propriedade se a versão que gravou seria ou não aquela que autenticamente sentia (este excelente pianista tinha a invulgar capacidade de interpretar consoante o(s) padrão(s) estético(s) do público a quem se dirigia) já Arrau era mais fiel a si próprio embora as suas interpretações variassem, naturalmente, consoante o estado de espírito de que momentaneamente se encontrava embuído, conseguindo-se uma visão mais próxima do que pretendia dizer e fazer sentir. A interpretação de Arrau afasta-se muito da estética predominante à época, a da lirismo quase etério do piano romântico introduzido por Rubinstein, muitas vezes com menor respeito pelo texto dos compositores, exagerando rubatos e acelerandos.
Aliás, o “Carnaval” de Arrau é esteticamente mais moderno e respeitador do texto que a posterior gravação de Michelangeli. Mais que Rubinstein, Michelangeli leva ao extremo do “mau gosto? a estética ‘lamechas’ que se impôs um pouco por todo o mundo do pós-guerra. Não é só não respeitar o texto, é toda uma concepção da obra que entronca radicalmente numa visão doentia e entristecida do romantismo de Chopin que teimosamente imperou e ainda hoje nos agride em certa escola pianística portuguesa muito em voga e aclamada “ad nauseum”!
Curiosamente, muito antes de Rubinstein, Arrau e Michelangeli, Rachmanivov dá-nos uma visão apaixonada e violenta da obra, visão essa que radicava no final do romantismo musical entronado por Liszt e, mais tarde pelos pós-românticos. O piano era abordado orquestralmente e as obras românticas interpretadas com o exagero sentimental da paixão incontroladamente arrebatada. Rachmaninov cumpre o texto? Nem por isso, a sua invulgar capacidade técnica aliada ao extremismo passional conduz a uma interpretação emocionalmente intensa, intercalando andamentos muito mais rápidos que aqueles que Schumann indicava com pianíssimos bem pronunciados, introduzindo-nos numa atmosfera assaz densa e plena de emoções. Diga-se, contudo, que Rachmaninov não explora os rubatos e acelerandos intercalados que no futuro viriam a descaracterizar a interpretação romântica do piano.
Vladimir Sofronitsky, antes de todos, respeita o texto, sempre embuído do arrebatamento romântico de oitocentos.
É, no entanto, com a interpretação de Gabrilov que encontramos o equilíbrio entre o escrupuloso respeito pelo compositor e o arrebatamento passional que a interpretação romântica tem de encerrar. Alia a intensidade à quase etéria emoção, nunca se desviando das pretensões iniciais do compositor. De todos estes Carnavais, o de Gabrilov é aquele que sinto o meu “Carnaval”, aquele que Schumann concluiu em 1835.
É assaz curioso vermos a evolução da estética aplicada no tempo! Tal qual a história é a visão do passado com os olhos de cada presente!
Gavrilov foi melhor que os restantes? É evidente que sim, para mim!
Para outros não? Pois bem, gozem as emoções os estados de alma a que a música nos conduz, tão-só! Este é o real valor da arte!
Porque escrevi sobre isto? Não sei, aconteceu, apeteceu-me, enfim…, porque acho que, de facto, o “Carnaval”, op.9 de Schumann, é uma das grandes obras de arte do início do romantismo, contrariando o vulgo dos musicólogos.
Deixo-vos o Préambule em Lá bemol pelo Andrei Gavrilov:



ps: ouvir a interpretação de Vladimir Sofronitsky.