Abr 302010
 

Paulo BastosA edição do ciclo de peças Cinco Quadros para Alice para flauta e piano de Paulo Bastos será apresentada amanhã, na Feira de Exposições de Braga, às 17:00h, por Elisa Lessa da Universidade do Minho e Nuno Fernandes da ‘AVA Musical Editions’. Nesta apresentação será interpretada a integral da obra pelos por alunos da Universidade do Minho: 1 – Down, down, down; 2- White Rabbit; 3 – Who am i then?; 4 – Do cats eat bats?; 5 – Off with her head!.

Do compositor deixo um texto de apresentação que gentilmente me cedeu.

Paulo Bastos - Cinco Quadros para Alice«Como resposta ao desafio do compositor Eduardo Patriarca escrevi, para flauta e piano, a quarta peça deste pequeno ciclo – Do cats eat bats? – para o Concurso Marília Rocha, edição de 2009. Porém, à medida que ia compondo esta peça, pressenti que ela faria parte de um ciclo, ainda não escrito. Sob este pressentimento, fui escrevendo as restantes peças, encarando tal facto como uma inevitabilidade, assim teria que ser…

Este ciclo de peças, escrito num ápice, relata, em forma de fantasia, cinco momentos da aventura “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll: o primeiro momento – Down, down, down – descreve a queda, aparentemente sem fim, de Alice no buraco que a levará ao país das maravilhas; o segundo quadro - White Rabbit – apresenta a personagem que suscitou a Alice toda a curiosidade inicial, o Coelho Branco; o terceiro momento - Who am i then? – transmite a inquietude constante de Alice em relação ao que a rodeia, quer isso faça parte do seu mundo real ou do seu novo mundo de fantasia e descoberta; o quarto quadro é, expressamente, a segunda pergunta da curiosa Alice – Do cats eat bats? – que simboliza algum non sense patente na maior parte das perguntas da pequena rapariga (a determinado momento da história ela inverte as personagens perguntando também se os morcegos comem gatos!); o quinto e último momento -Off with her head! – descreve, literalmente, a frase lapidar da déspota personagem Rainha de Copas, “cortem-lhe a cabeça!”. Esta ordem final da rainha é textualmente enfatizada pela célula rítmica – colcheia, duas semicolcheias, colcheia = Off with her head!

Quando concluí estas peças pensei imediatamente na sua edição, até porque mais não fosse, pela falta de repertório deste género na música portuguesa, e que tal só poderia ser feito pelo Centro de Estudos da Universidade do Minho, concretamente pela acção da Doutora Elisa Lessa. A sua iniciativa e coragem, uma vez que já tem editado um património musical muito significativo no que diz respeito ao universo da música para a infância, era tudo o que precisava para que esta música não ficasse, à semelhança de outras, no fundo “da minha gaveta”.

Por fim, gostaria de agradecer à minha amiga Sofia Leal que, de terras longínquas, me fez esta capa maravilhosa onde a música ganha imagem, traço e contorno.»

Paulo Bastos

Jul 132009
 

Uma obra de Paulo Bastos, ‘NUMBERS’, de 1993, compositor e, enquanto professor de ‘Análise e Técnicas de Composição’, um dos principais responsáveis pela sensibilização de alunos para abraçarem estudos superiores de composição em Portugal.
Só audio:


Abr 172009
 

Ivo Pogorelich, para desgosto do Paulo Bastos, não é um dos meus pianistas preferidos, mas confesso que a sua interpretação de ‘Ondine’ do ‘Gaspard de la Nuit’ de Ravel arrebatava-me, mesmo quando confrontada com a de Pierre-Laurent Aimard, este sim, um dos meus preferidos na música do século XX.
Ainda assim parece que Ivo Pogorelich não tem sorte comigo! Não é que dei com outra interpretação da qual não encontro paralelo! Advinhem de quem… É a do segundo vídeo que só contém som. Ouçam e digam-me…


Sim, a do próprio Ravel!!!

Jan 112008
 

O Paulo Bastos teve a gentileza de me enviar o resumo da conferência que proferirá na 2ª feira, às 14 horas, na Escola Superior de Música de Lisboa, sob o título A teoria das notas atractivas – Elementos metodológicos e aplicação analítica nas Seis Peças, op. 19 de Arnold Schöenberg. Aqui ficam:

A Teoria das Notas Atractivas – metodologia analítica em fase de experimentação – assenta nos ideais e fundamentos harmónicos que Edmond Costère começou a apresentar no início dos anos cinquenta, os quais se regiam pela natureza dos próprios sons, sendo que as “leis de atracção” entre uma determinada altura e as suas frequências próximas revelavam que a harmonia era o campo essencial e vital de toda a construção musical.

Paulo Bastos