Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de ‘Neoliberalismo’

Dei hoje com um texto de Francisco José Viegas, de Outubro de 2007 publicado no JN, que me fez pensar que haverá mais pessoas (não muitas, um punhado, acredito) que, como eu, têm pena de não ter nascido e vivido em oitocentos - beber lá e viver num ambiente social onde tudo vale desde que, é deveras confrangedor.
Cheguei ao texto, do qual deixo um excerto, via A Origem das Espécies, através de um link neste post.

A direita e o centro-direita precisam de livrar-se desse empecilho para recuperarem a credibilidade que saiu beliscada do confronto com os velhos fantasmas do anti-americanismo, o único pilar que sobrou à esquerda tradicional depois da queda do império soviético. Precisam, também, de se livrar dos neo-conservadores e da sua tralha religiosa para regressarem ao cânone do liberalismo tradicional e do conservadorismo europeu; e precisam de livrar-se da tralha neo-liberal para voltarem a ser liberais, intensamente liberais, livremente liberais.
Francisco José Viegas

Os arautos do absolutamente livre funcionamento dos mercados, os neo-liberiais de hoje, que não liberais à moda antiga como gosta, justamente, Francisco José Viegas de se demarcar, uma vez que estes aprenderam com Keynes após a depressão de 29, desaparecem sempre em momentos de crise económica e/ou financeira, ousando mesmo demandar dos Estados obrigações que em tempos de abastança recusam, chegando mesmo ao ponto de quase defenderem a abolição do seu papel de regulador. (ver notícia do Público que anuncia que o FMI pede intervenção pública mais radical no mercado)
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Ler eu cá confeçu do Piotr Kropotkine no Anarca Constipado.

Edelmiro Momán, reputado químico galego, responde a Saramago melhor, em calhando, que muitos portugueses, em artigo sob o título Santo Saramago Naïf: uma visão galega, tocando na progressiva conquista de Portugal através do capital e do controlo dos meios de comunicação! Deixo breve excerto:

(…) a profecia saramaguiana corresponde com exactidão matemática com os planos que a Espanha tem para a República Portuguesa. Sim, a acumulação de capital, planificada desde bem antes, dos oitenta e noventa está a servir agora para que as caravelas madrilenas se lancem na reconquista das antigas colónias e outros territórios, próximos e distantes. E Portugal, bom, nos delírios néo-imperiais da direita espanhola, Portugal foi sempre um erro. Uma aberração. Portugal, simplesmente, não tinha direito a existir. Portugal, quantas vezes levamos escutado esse mantra maçador do espanholismo, es el brazo que le arrancaron a España, e a Espanha, graças ao avances cirúrgicos das ultimas décadas, tem toda a intenção de se fazer reimplantar o seu braço. Já o esta a fazer. A penetração, leva razão Saramago, do capital espanhol em Portugal semelha já imparável e, na estratégia espanhola, resulta fulcral o controlo dos meios de comunicação.

Edelmiro Momán no Portal Galego da Língua

Grato estou ao ZedTee através de quem cheguei ao artigo.

Chegou-me de fonte pouco fidedígna que o que terá motivado o governo a impedir que o mercado funcionasse livremente terá tido a ver com o seu empenho na captação de investimento estrangeiro.
Se assim é, aconselho a maior prudência na leitura do que escrevi no post anterior, devendo, quiçá, utilizar-se diversa hermenêutica. Mas só para treinar essa coisa da hermenêutica porque o sentido é, exactissimamente, o mesmo!
Onde está todo esse rol de neoliberais da mão invisível que, neste caso, talvez atendendo aos rendimentos que do Estado lhes advêm, a ‘coragem’ lhes tenha sussurrado para deixar, a tal mão, no bolso?

A reboque deste post do António Costa Amaral no Arte da Fuga chego ao Estado Liberal, escrito por Bruno Alves no Desesperada Esperança, onde é abordada a questão da liberdade, do Estado Liberal e dos seus fundamentos.
Não poderia estar mais de acordo com o Bruno Alves quando afirma que:

Cabe aos defensores da liberdade defender o “Estado liberal” sem o qual, sem a ordem por ele estabelecida, essas liberdades não têm garantia de sobrevivência. Mas precisamente por essa ordem ser tudo menos “natural”, nada nos garante que ela possa ser mantida. Só a força dos que a defendem o pode garantir.

Aliás, acho que é exactamente, neste ponto, no equilíbrio entre a liberdade individual e a democracia, que passa a distinção entre o liberalismo e o neoliberalismo.
No entanto, divirjo do Bruno Alves quando adianta:

(…) poderá haver liberdade sob a autoridade do Estado? Para responder a essa questão, é necessário ver o que é isso da “liberdade”. E aqui talvez me distancie dos meus amigos liberais, ao não a ver como algo “natural” e “universal”, mas apenas como uma ideia cultural, fruto de uma herança greco-romana e judaico-cristã que formou o Ocidente, e que, com a evolução histórica desse mesmo Ocidente, adquiriu o carácter que hoje lhe atribuímos.

Não colocando em causa que a liberdade é uma atitude cultural fruto de uma herança greco-romana, lembro que até ao advento do protestantismo, a igreja condicionou à sua aprovação (à de Deus, na sua concepção) todos os princípios, atitudes e comportamentos do homem.
De facto, desde os primeiros séculos do 1º milénio a igreja católica mais não fez do que combater essa atitude cultural herdada da cultura greco-romana, condicionando, e até publicamente reprovando, qualquer liberdade que pusesse em causa o seu dogmatismo.

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Via Sérgio Azevedo do Tonalaotonal tomei conhecimento do lançamento de um Cd duplo com a integral das Suites progressivas in memoriam Béla Bartók de Lopes-Graça, por António Rosado, com a “chancela” da Câmara de Matosinhos.

Esta iniciatica da Câmara de Matosinhos surge após uma outra, há uns meses atrás, com a integral das Sonatas para Piano, pelo mesmo pianista.
Duas sugestões de prenda de Natal, esta, e a da entrada anterior anterior. Assim se homenageia!

A maioria das principais empresas seguradoras que disponibilizam seguros de saúde está ou admite vir a criar produtos que respondam ao facto de o Estado estar a reduzir os apoios concedidos. (Agência Financeira 12:01h)

A maioria das principais companhias que disponibilizam seguros de saúde admite diminuir os benefícios ou aumentar as taxas de utilização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido aos cortes do Estado na saúde pública. (Diário Digital 16:05h)

a ler «Les Riches, toujours plus riches e plus nombreux» de Hervé Rousseau no Le Figaro.
Estarrecedora a origem geográfica da maioria novas grandes fortunas - América Latina, Ásia do Pacífico e Médio Oriente: Índia (+ 19,3%), Rússia (+ 17,4%), África do Sul (+ 15,9%) Indonésia (+ 14,7%)!
Menos Estado, meus senhores, livre circulação de mercadorias e capitais, uma política monetária forte, é tudo quanto precisamos para criar mais riqueza, e muita, mas para muito poucos!
Mais pobres? Não faz mal, deles não reza a história!