Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

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Maria Joao Pires



Levo para férias Maria João Pires, como é costume aliás, mas aproveito para partilhar nestes dias de interregno a sua superlativa interpretação da Sonata n. 6 in D Major KV284 de Mozart, gravada em 1974…, ainda em Steinway…, ainda na editora Denon. Desculpem o superlativa, mas não tenho mesmo verbo capaz para exprimir o que na alma me vai quando escuto! O génio não é descritível, nem narrativa sustentável aguenta; revela-se, sente-se, é tudo!
O podcast está feito num só post para não interromper muito os andamentos nem as variações, sendo a Sonata composta por:
I - Allegro;
II - Rondeau en polonaise; Andante;
III - Andante (Theme and Variations) - XII variações.
Até breve e fruam do talento, génio e musicalidade que Maria João Pires exala.

De há uns tempos a esta parte deu para algumas amigas danarem-se com o que eu escrevo! Desta vez foi a Teresa Cascudo, mas tem bom remédio, de castigo ouvir este podcast da única gravação em duo de Ben Webster e Coleman Hawkins em saxofone tenor, discípulo e mestre, de 1953, com Oscar Peterson no piano!



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Posologia: 5 vezes Don’t Get Around much Anymore e, se não bastar para melhorar a disposição, mais 5 vezes You’d be So Nice to Come Home To. La Rosita não, essa não, não ofereço - faz parte da minha memória, da minha vida, de mim, de a dançar com minha Mãe!
A Senhora não era lá muito dada ao Jazz, mas tinha uma secreta paixão por Ben Webster que eu partilho, não o segredo, mas a paixão, porque, dizia, este tocava… com os tomates!
Julgo que não, mas que o som do seu tenor é inebriante…, lá isso…, sem temores é o melhor som de sax de sempre (dêem de desconto a relatividade da minha paixão) e um ‘baladeiro’ sem paralelo, antes e depois (o mesmo desconto, p.f.)
Quem se atreve a dizer que o Jazz pré-bop não prestava?

ps: Webster é sempre o primeiro saxofone e Hawkins o segundo

A propósito de Sir Roland Hanna chegamos ao New York Jazz Quartet, mais concretamente ao album Surge de 1977, com Sir Roland Hanna, Frank Wess em fautas e saxofones, George Mraz em contrabaixo e Richard Pratt na bateria, que tanta saudade deixou ao Rui Rebelo do Anacruses.



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Deixo dois temas, 87th Street e Big Bad Henry: o primeiro, um blue, que deverá estar presente em qualquer história do Jazz; o segundo porque há pouco falámos de contrabaixistas e George Mraz é mais um que merece ser lembrado, pelo timbre, presença e som - após George Mraz o som do Contrabaixo no Jazz não voltou a ser mais o mesmo cujos paradigmas eram até então Ron Carter e Ray Brown.


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Sir Roland HannaDe regresso aos bons pianistas e porque ainda não é assim tão vulgar colocar um músico de Jazz ao nível de um da música clássica deixo 3 temas interpretados a solo por Sir Roland Hanna, Sofly as in a Morning Sunrise, Oleo e This Can’t Be Love, gravados ao vivo em 1994 e editados em CD sob o título The Maybeck Recital Hall, Volume Thirty-Two.
Gostaria de dedicar este podcast à amiga do Ponto de Vista, primeiro porque se danou comigo, depois por desconfiar que por ser admiradora de Oscar Peterson deverá ser sensível ao piano de Sir Roland Hanna, que evidencia toda a sua cultura afro-americana ao contrário de outros que estão demasiadamente na moda e têm tanto de demasiadamente branco como de demasiadamente chatinho…
Bom fim-de-semana.

Nunca entendi que razão haverá para que os baixistas e contrabaixistas sejam dos menos enaltecidos entre os músicos de uma banda, apesar de terem sob a sua quase exclusiva responsabilidade (juntamente com o baterista) o carácter da interpretação, o tempo, o swing, a inclinação, enfim o groove como hoje se diz.
Vem isto a propósito de uma interessante conversa entre o Paulo Bastos e o Paulo Mesquita no Tónica Dominante sobre Victor Wooten, um dos actuais gurus do baixo eléctrico.
A eles dedico Double Feature, da autoria de Stanley Clarke e Sonny Rollins e tocado em duo pelos dois, incluído no LP Love at the First Sight de Sonny Rollins, editado em 1980, que há 27 anos me acompanha como paradigma do diálogo perfeito (se é que a perfeição em música pode ser alguma vez conseguida) entre um saxofone e um baixo.

Ricardo SerranoCinemascope

Partiste para outras latitudes mais uma vez mas, desta vez, sem nos deixares; fica a tua música, fica de ti e tu, sim tu que partiste para buscar o sustento que a música te não dava, também ficas, a ela agarrado, porque ela és tu e sem ela algo de ti falta.

Cinemascope, o teu tema que abre este post é a tua vida (já reparaste?) , a de todos nós, enfim, uma manta de retalhos, tão bem alinhavados e cosidos que em uno manto se mostram, porque a falta do mais pequeno desses retalhos distorceria o que o tema é. Tal como nós, as nossas memórias, a nossa vida…

Abriste a tua música ao mundo através da net e quem por aí te conheceu nada de ti perderá por ser tudo o que tu para muitos és…e serás…

Um abraço, até breve talvez seja melhor, e no entretanto ofereço-te de ti - Para Ti.

Para Ti

Ricardo Serrano:

no Myspace;
no Blogue;
no GarageBand.

ps: desculpem por não ter resistido em colocar o leitor em auto-play. Não resisti.

Pico

Tita

Ricardo Serrano

A Preto

Fronteira

Ricardo Serrano

Amigo de há 30 anos o Ricardo foi fazendo, pé ante pé, sem barulho, sem busca de mediatismos, a sua música, sem preocupação de se restringir a este ou aquele género, sempre procurando que a sua música fosse ele - acústica, rock, pop, electrónica…
Sei que não há muita gente a conhecer a sua música; sei que só há pouco o Ricardo a começou a colocar online; sei que o Ricardo merecia outro lugar, outra divulgação e outra estima.
Deixo-vos O Lugar do Corpo, tema do seu CD O Silêncio das Esferas, para ouvirem e os links para os sítios onde o poderão conhecer melhor como pessoa e como músico.



Ricardo Serrano em:
- o seu sítio no Myspace;
- a sua música no GarageBand;
- o seu blogue.




Acredita, estimada Teresa, que andei estes dias todos às voltas para conseguir dizer mal desta interpretação do Ivan Moravec da Mazurca em La min. op. 17/4 de Chopin que me enviaste! Ele não toca o Chopin que eu defendo - um romântico não melado de arrebatadas paixões com contrastes bem marcados; ele toca isto muito lento, demasiadamente lento para uma Mazurca que se quer uma dança, num andamento e ambiente quase de nocturno; utiliza, diria, 5 f’s em vez de 3, bem, um não sei quantos defeitos tentei arranjar, mas a verdade é que esta interpretação é de uma consistência irrepreensível, onde cada nota, uma a uma e todas elas, são cantadas diversamente num contexto global muito coerente, dentro de uma profunda interioridade que será, necessariamente, a do próprio Moravec.
Nestas coisas da arte e da música, em particular, o que sentimos é bem mais importante do que o que racionalmente possamos ou não defender e a capacidade de sermos surpreendidos é característica que nunca devemos perder. Esta interpretação de Ivan Moravec é, talvez, a melhor que conheço desta obra, sendo que foi o primeiro intérprete que conseguiu que eu gostasse de uma Mazurca de Chopin!
O meu obrigado.




ps: ajustar o volume para cerca de 3/4 do máximo.

sim, partilhar sensações que o belo nos desperta, é uma forma de estar, de amar, de viver…, La phrase qui coule!




ps: ajustar o volume para cerca de 3/4 do máximo.

Pode até parecer brincadeira o facto do Anarca disponibilizar o seu podcast a quem o pretender, mas o certo é que, montar um com a diversidade e qualidade do iFónix, leva tempo, dinheiro e, principalmente, requer conhecimento e bom gosto que não estará ao alcance de todos.
Portanto, quem quiser boa música prontinha a consumir é só pedir-lhe.

Nude - Bill Brandt
fotografia: Nude, 1952, de Bill Brandt



É dum gajo se partir a rir o último post que o Crítico colocou no seu podcast! Diz lá que se trata de uma gravação feita secretamente na Gulbenkian pela Antena II

Sonny RollinsVia Improvisos ao Sul sou apanhado de surpresa pelo facto de Sonny Rollins ter obtido o Polar Music Prize Award for 2007 juntamente com Steve Reich.
Sobre Steve Reich e o minimalismo deixo para os amantes e especialistas o ônus de escreverem. Sobre Sonny Rollins já escrevi bastante, mas deixo aqui o agradecimento ao António Branco, a transcrição do texto que está no sítio do Polar Music, um link para o vídeo de divulgação dos premiados e um podcast com 3 temas do album “Saxophone Colossus” de Sonny Rollins, gravado em 1956, um dos melhores trabalhos de Jazz de sempre.
O Blue 7 é o tema de Jazz que mexe comigo - improvisação quase toda apoiada sobre a 7ª m, a 2ª M e a 5ª bemol, permitimdo progressões invulgares de 4ª aumentada; o You Don’t Know what Love Is é uma balada que pareceria inverosímil ter sido interpretada pelo mais elevado expoente do Hard Bop; o St. Thomas, não sendo um dos meus favoritos, é um dos temas mais conhecidos do Sonny pelo facto de ter sido o 1º calipso a ter um tratamento jazzístico, género que o saxofonista nunca mais deixou de abordar.



Sonny Rollins - Sax tenor
Tommy Flanagan - Piano
Doug Waltkins - Contrabaixo
Max Roach - bateria

STEVE REICH & SONNY ROLLINS
WINNERS OF THE POLAR MUSIC PRIZE FOR 2007

The winners of the Polar Music Prize Award for 2007, were unveiled on Thursday the 25th of January at The Royal Swedish Academy of Music in Stockholm. The Chairman of the Board and Award Committee, Mr. Åke Holmquist, read the Award Committee’s citations.

The Sonny Rollins Citation
The 2007 Polar Music Prize is awarded to the American tenor saxophonist and composer Sonny Rollins, one of the most powerful and personal voices in jazz for more than 50 years. Sonny Rollins has elevated the unaccompanied solo to the highest artistic level – all characterised by a distinctive and powerful sound, irresistible swing and an individual musical sense of humour.
He is still active and the greatest remaining master from one of jazz’s seminal eras.

ps: ver entradas relacionadas com Sonny Rollins.