Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

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Cavaco SilvaOs tratados internacionais nunca deveriam ser objecto de referendo e tivemos agora a prova disso. Cavaco Silva em Portugal Diário.

Serão precisos comentários? Definitivamente a construção da União Europeia (que não existe a não ser para defender os interesses do capital sem rosto) caminha, já não sem ter em conta a opinião dos cidadãos, mas tratando-os como despidos de inteligência e, se possível, descartáveis.
Os cidadãos, para esta Europa dos elitistas, são extra-numerários - se não existissem, melhor.
Falta só o Sr. Mugabe ou o Sr. Musharraf tomar conta disto. Pelos menos esses não enganam a não ser quem quiser ser enganado!
É aviltante. Ética, honradez e democracia são conceitos com conotação negativa para quem pretender uma carreira política. Mais grave, talvez, será ninguém se indignar quando ouve estas coisas!

Nao a LisboaNo único país que referendou o Tratado de Lisboa, engendrado pelos elitistas de uma Europa politicamente unida (que não existe como se estamos a assistir nesta sua absoluta incapacidade de responder às indignações de quem sofre na carne a inviabilidade do prover o seu sustento), os cidadãos disseram NÃO, sendo que a maioria nem sequer foi votar, provavelmente, porque não saberia do que trata o Tratado.
Todos os governantes desta União Europeia que se furtaram a ouvir os cidadãos não se envergonham com isto (são superiores a estas minudências), mas ainda assim parece-me que seria curial pedir pedir responsabilidade a quem prejudicou imenso a imagem de de Lisboa e de Portugal - a colagem do nome de Lisboa e de Portugal a este fracasso, onde a palavra ‘NÃO’ esteve sempre ligada a Lisboa e a Portugal, terá gerado, naturalmente, danos incalculáveis na imagem do país.

Em 2005, “Quando fui votar no boletim de voto não estava lá o nome do Pedro Santana Lopes (…) Se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava. Só que no boletim estava PSD. E eu sempre votei PSD”, disse Manuela Ferreira Leite. (no Público)
É caso para dizer que há uma grande distância entre ‘as palavras e as coisas’, em especial as coisas que se dizem…
Por acaso acho que Manuela Ferreira Leite vai ganhar as directas no PSD - as pessoas que ainda votam têm mostrado, ultimamente, grande empatia com este género…, género de fazer género com a credibilidade.

Mário LinoOs títulos de transporte vão aumentar em todo o País, já a partir de Julho, à excepção de Lisboa e Porto. É que a promessa do Governo de congelar os passes, afinal, apenas se aplica às transportadoras que integram o sistema do passe social destas duas regiões metropolitanas. (DN)
Tudo aumenta: ele são os combustíveis, os cereais… até o deserto. É verdade, já não é só na margem sul!!! Deve ser da seca…

O que levou Menezes a demitir-se?
- “Não sei responder a essa pergunta.”
Apesar de afirmar não saber, teve entendimento para adiantar que considerava a demissão de Menezes da presidência do PSD “Absurda, errada e inacreditável.” (via DN)
Pois, caro Ribau, não se auto-flagele, ele há coisas assim, do outro mundo, dir-se-ia, que de tão simples confundem as mais reluzentes mentes.
Vá lá um gajo perceber que, pouco depois do Ribau e seu companheiro Agostinho Branquinho terem a elevedíssima iniciativa de insinuar o que lhes aprouve acerca de um convite da RTP dirigido à jornalista Fernanda Câncio, Luís Filipe Menezes tenha mandado a presidência do PSD às malvas sem sequer se pronunciar sobre o assunto!
Não se deixe esmorecer, ele há coisas assim, mas tão, tão assim como o seu adequadíssimo apoio a Santana Lopes. Bate tudo certo, a careta com a perdigota!

Atingimos a fase de já não sermos ouvidos. Significa que as pessoas nos perderam o respeito, afirmou Manuela Ferreira Leite relativamente ao PSD (via Público)
Fala verdade, Manuela Ferreira Leite, de forma clara e inequívoca, embora sem enxergar a causa…
A pouca vergonha do enxovalho pessoal diário, ordinariamente baixo, com que os ‘barões’ e ‘notáveis’ do PSD fustigaram Luís Filipe Menezes desde que anunciou a sua candidatura à liderança, não deixa muita margem para se pedir respeito seja a quem for.
Para se ser respeitado é preciso dar-se ao respeito!

A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) penhorou e colocou à venda dois imóveis, cujo valor patrimonial é superior a 38 mil euros, a um contribuinte com uma dívida de 235,88 euros. (via Público)
Se as pessoas andam aflitas para ganhar a vida, não conseguindo vender património imobiliário para cumprir as suas obrigações fiscais, uma medida destas, para além de absolutamente desproporcionada, arrasta para a falência pessoal e familiar a esganada classe média deste país. Isto é abominável!
Este procedimento até pode estar dentro do cumprimento da lei, mas não deixa de ser, moralmente, um crime do Estado contra os cidadãos.

Manuela Ferreira Leite afirma que o problema prioritário de Portugal é de natureza social e “não de contas públicas”, alertando para o aumento do desemprego e o surgimento de “novos pobres”. (via Público)
Esta campanha para as eleições do PSD estão a ficar muito divertidas. A Senhora que só via défice público que levou à falência milhares de micro-empresas, colocando na penúria as famílias que delas viviam, nomeadamente, no comércio tradicional, através do ‘pagamento especial por conta’ e, logo de seguido, do primeiro aumento do IVA, de 17 para 19 por cento, diz-se agora preocupada com os ‘novos pobres’, os tais que ela própria criou!
A gente tem de ouvir cada uma!!!

Jorge Coelho afirmou hoje, no âmbito da apresentação do programa da Conferência Internacional de Transporte Aéreo, o qual presidirá, que Portugal “precisa urgentemente de infra-estruturas que suportem o crescimento do país”, referindo-se especificamente à construção do novo aeroporto em Alcochete. (via Público)
Ora eu penso de que, sim e mais diria que me parece muito importante que esta conferência conte com a presença de políticos e académicos.
Um dia destes um gajo pega num dicionário e lerá:
académico - sing. masc. - político estagiário; político reformado; professor temporariamante do quadro aguardando futuras eleições legislativas ou nomeação para cargo político; cientista de educação que elabora centenas de estudos anualmente para o Ministério da Educação e outros.
político - sing., masc. - ex-académico; futuro académico; estagiário em gestão de empresas privadas de obras públicas; fobia acometida, em geral, durante a adolescência.

A ideia de que se tem um canudo estilo engenheiro Sócrates, que dá para tudo, já não serve (…). (Manuela Ferreira Leite via Diário Digital)
Tem a senhora razão em defender um sistema educativo que ensine e promova o desenvolvimento pessoal de cada aluno, mas esta analogia compromete tudo o que possa ter aduzido: é que com ou sem canudo, com mais ou menos estilo, José Sócrates conseguiu cumprir o único objectivo que Manuela Ferreira Leite tinha e falhou redondamente no governo de Durão Barroso - diminuir o défice público!
Falhou muitos outros, Sócrates, muitos e bem mais gravosos, mas esse, esse único a que Manuela Ferreira Leite se comprometeu, não falhou.
Coisas da vida, hélas… e do populismo.., e, ah sim, da elegância.

Ao escolher este dia para promulgar o Tratado de Lisboa (link), Cavaco Silva faz coincidir, para memória futura, a coincidência de duas efemérides relativas à União Europeia a 9 de Maio - o Dia da Europa e o fim da Europa dos cidadãos.
A ausência de plebiscito ao Tratado de Lisboa coloca um ponto final na ideia original de uma Europa dos Cidadãos. Inicia-se um novo ciclo assente no princípio de que há uns iluminados, uma meia-dúzia de elitistas, que impõe aos cidadãos o que considera ser melhor para eles sem os consultar nem sequer querer ouvir.

Uniao Europeia

Volta-se a página, sabendo de antemão uma coisa - a (re)construção da União Europeia passará a ser tarefa dos poderes estabelecidos a cada momento.

A ministra da Saúde lamentou hoje a decisão da Direcção Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) celebrar um protocolo com o Hospital da Luz, uma unidade de saúde privada, para prestação de serviços aos funcionários públicos. (via Público)

A honestidade intelectual, por um lado, e a convicção de que o investimento do Estado na área da saúde deve privilegiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), por outro, aliados à equidade de acesso de todos os contribuintes, obrigou Ana Jorge a lamentar a “incursão” do Ministério das Finanças em matéria da sua competência.
Não estou certo de que, a curto prazo, o SNS consiga responder a todas as solicitações dos contribuintes, mas a igualdade de acesso dos cidadãos parece-me uma evidência e o lamento público de Ana Jorge uma demonstração de carácter de quem coloca a ética acima dos jogos de interesses, assumidos como modus faciendi da política.
Ana Jorge não deverá ter tempo para aquecer o lugar…

O líder madeirense defende que para derrotar José Sócrates “é necessário um líder que ganhe o apoio da maioria dos portugueses com sede de esperança, e não apenas se satisfaça em ganhar o PSD, sabendo-se que não ganha as eleições nacionais”. Acrescenta ser também importante “refundar a Aliança Democrática, mobilizando e unindo todos os portugueses que não são militantes socialistas nem comunistas” (Alberto João Jardim via Público)

Ora, que me lembre, Manuela Ferreira Leite já falou em “unir o PSD”, em relembrar os princípios e valores que estão na base da criação do PSD , em escolher um protagonista que ganhe eleições mas…, sendo certa a sua candidatura a presidente do PSD, ainda não a ouvi afirmar, cabalmente, que será candidata a Primeiro-Ministro nas eleições de 2009, para mais sabendo que, tanto ela (ver link) como os seus mais chegados apoiantes, os “barões”, “notáveis” e “opinion makers”, acalentam, há anos, a sebastiânica esperança de ver Rui Rio nessas funções. Parece ser adequado pensar que o presidente da Câmara do Porto reserva-se para depois de 2009, a não ser…, sim, a não ser que o PSD até às vésperas das próximas eleições se aproxime, nas sondagens, do PS.
A rápida desistência de Aguiar Branco e o recente envolvimento recente de Rui Rio na campanha da candidata dá que pensar…, pelo menos para aguardar se Manuela Ferreira Leite define ou não, inequivocamente, os seus propósitos neste domínio.

ps: imagem de Rui Rio retirada do site da Câmara do Porto sem autoria identificada.

Manuela Ferreira Leite É interessante a veemência com que Manuela Ferreira Leite se insurge contra os epítetos de “barões” e de “notáveis” do PSD, classificando esses termos como “divisionistas”. O PSD é um partido interclassista, clama via Público.
Em tese, a tese é interessante, dando até ideia de que Manuela Ferreira Leite pretende posicionar-se numa candidatura que una todos os militantes, mas não foi a própria candidata que, aludindo à presidência de Luís Filipe Menezes, afirmou que o partido não é respeitado, da forma como foi em 34 anos de história? E que dizer de todos os seus “notáveis” e “barões” apoiantes que durante sete meses zurziram, sem dó nem intermitência, em todos os órgãos de comunicação social que dominam e minam, numa recém apelidada falange “populista” que tinha tomado conta do partido?
Não haverá “classes”, até poderá ser, mas uma casta que domina os órgãos de comunicação social, que raramente se expôs a votos e que está habituada a pôr e dispor no PSD, isso parece-me por demais evidente.
Manuela Ferreira Leite está no gozo do seu pleno direito de fazer campanha eleitoral embora, quando questionada sobre o que a distinguia de José Sócrates, só lhe tenha ocorrido dizer que não mentia. Acredito piamente que não minta - hoje ninguém mente, dizem-se “inverdades” - mas também não será através de míngua de linguagem demagógica que se distinguirá do actual Primeiro-Ministro.

Questionado como vê a possibilidade de também o líder do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, avançar com uma candidatura às eleições directas do PSD, Miguel Relvas declarou ver «com bons olhos todas as candidaturas». (Miguel Relvas via Portugal Diário)

Luís Filipe Menezes, disse hoje esperar que o seu sucessor “não seja um estorvo” para uma correcta relação entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e as instituições do Estado. (via Público)
Ora aí está o melhor argumento para a candidatura de Manuela Ferreira Leite - garantia de que não será um estorvo para Cavaco Silva.

O primeiro-ministro abriu hoje a sessão plenária que ratificará o Tratado de Lisboa na Assembleia da República, vincando que existe “um grande consenso político e social em torno do Tratado de Lisboa” (via Público)
Dou o braço a torcer, José Sócrates tem razão… Tem razão na medida em que os cidadãos europeus querem saber cada vez menos “deste” género de político Continue a ler »

Será hoje ratificado pela Assembleia da República o Tratado de Lisboa (via Público) que, antes do que nele está prescrito, traduz inexoravelmente o afastamento entre cidadãos europeus e um grupo de pessoas instaladas no poder, os quais, sabendo que provavelmente os cidadãos que os elegeram não plebiscitariam o que preconiza o Tratado do neoliberalismo financeiro, escondem-se, amedrontados, dos seus eleitores, Continue a ler »

À boleia da “descoberta” das virtudes da regionalização e da autonomia, o elogio de Cavaco Silva a Alberto João Jardim, e não tanto à autonomia regional, parece ter aberto a primeira fractura entre o Presidente e José Sócrates.
A abertura do caminho para a regionalização na próxima legislatura (ver texto anterior), acarinhado com 25 anos de atraso pelos dois governantes, não previa uma extemporânea, e inusitada, homenagem presidencial ao dirigente da Madeira.
Sócrates esteve bem: foi aos Açores fazer a apologia da autonomia e possível regionalização sem abdicar da distinção entre economia e ética, ou por outras palavras, entre desenvolvimento e democracia.
Será que ainda iremos ver Cavaco Silva a elogiar os dirigentes chineses pelo crescimento económico que a China tem conseguido incrementar e manter?

Luís Filipe Menezes já foi, mas parece que ainda assim tem peçonha e ainda mais peçonha e, se calhar, talvez, peçonha!
É muita peçonha…, mas onde estão os notáveis com tomates para pegar o touro pelos cornos?

Luís Filipe Menezes anuncia que deixa liderança e marca directas antecipadas no PSD. (via Público)
É tempo de vermos quem são afinal os que têm os tomates no sítio entre o rol dos críticos “notáveis” que infernizaram a vida a Menezes. Ou se candidatam ou são mesmo, mas mesmo politiqueiros de alforge. Não é dizer que apoiam este ou aquele ou aqueloutro, ou proclamar, solenemente, que se irão seriamente empenhar para angariar assinaturas para candidaturas de mais líderes temporários; é avançarem, os tais “barões” ou “tubarões”, com a mesma garra com que maldisseram, incessantemente e sem tréguas, o líder cessante.
Quero vê-los, sempre quero ver quem os tem no sítio!

Primeiro foi Jaime Gama, agora Cavaco Silva, a cantar as virtudes do desenvolvimento madeirense e as virtualidades da autonomia.
Confesso que, assim de repente, estes novos cantares de musas obscurecidas, deixou-me perplexo mas, passados estes dias, assaltou-me a ideia de que se trata de preparar os cidadãos para uma regionalização que sempre se recusou e agora parece todos acreditarem que ela tudo resolverá.
O PS, ganhando as Legislativas de 2009, avançará com toda a certeza para a Regionalização e Cavaco, apercebe-se agora que, para além de estar de acordo, assume-se como “educador” das consciências mais avessas à ideia (ver Regionalização - incompreensão e pavor).
A ver vamos…, a ver vamos o que é que essa regionalização trará sobre o que importa - a descentralização da decisão e a autonomia financeira.

Para mim, é totalmente insatisfatória a situação. É preciso o partido dedicar-se muito mais a pensar, a reflectir e a falar com o País.
(…)
Os meses de Janeiro a Março foram três meses perdidos, com disputas internas por razões menores”. “Espero que retomemos a linha que tinha sido pensada em Outubro e Novembro. (Ângelo Correia via Público)

Todas as sensibilidades do PSD poderão afirmar que as palavras de Ângelo Correia eram dirigidas aos adversários ou até, como Daniel Oliveira, entender que se tratará do primeiro sinal de debandada mas, cá para mim, Ângelo Correia falou na qualidade de presidente da mesa do congresso do PSD, ou seja, falou para todos os que pouco têm feito pelo partido e se têm envolvido em “disputas internas menores”, sendo que se há disputas há contendores de todas as partes envolvidas.
Se assim é, Ângelo Correia falou em nome do PSD para todos, dizendo tão-só, que assim não vale a pena! Enfie a carapuça quem quiser…

O Estado deve ser claro na definição das grandes linhas estratégicas e das políticas estruturais e saber que umas e outras só serão mobilizadoras dos cidadãos se estes delas se sentirem co-proprietários, condóminos e parceiros, se estes forem estimulados na sua auto-estima e na sua capacidade própria de vencer as dificuldades. (Jorge Sampaio via Expresso)

Tento não me imiscuir na vida interna dos partidos, mas o que de repente está a acontecer no PSD é demasiadamente grotesco! O que estará a unir Rui Rio, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Amândio de Azevedo, António Capucho, Manuel Dias Loureiro, José Falcão e Cunha, Eduardo Azevedo Soares, Carlos Horta e Costa, José Luís Arnaut, Miguel Relvas e Miguel Macedo? Será a vergonha do que se passou com os cadernos eleitorais do PSD nas últimas eleições directas enquanto Miguel Relvas, muito chegado a Arnaut, era o secretário-geral? Já se esqueceram da vergonha nacional que isso representou? Que disseram estes senhores na altura sobre o assunto?
E onde estiveram todos estes senhores (exceptuando a Sra. Dra. Manuela Ferreira Leite) nas últimas eleições directas? Não cheirava então que o PSD poderia ganhar em 2009 e agora parece abrir-se uma janela de esperança através das sondagens que retiraram a maioria absoluta ao PS? Agora já querem ir a votos? Rui Rio, o programado promitente D. Sebastião para alguns “notáveis” do PSD, sente que afinal já merece a pena correr o risco? Já dá jeito, agora?
Manuela Ferreira Leite afirmou ontem que o PSD não pode dar-se ao luxo de desrespeitar um militante do nível do Rui Rio (via JN), mas pergunto, será que para a distinta Senhora o PSD se pode dar ao luxo de ter um coro de “notáveis”, ausentes nos momentos que o partido mais deles precisa, a acusar publicamente a actual direcção de que está a abrir as portas à lavagem de dinheiro (via Público) como afirmou Rui Rio?
Fico com a ideia de que a alteração da forma de pagamento das quotas (questionável, é certo) é muito secundária ao objectivo que este conjunto de “notáveis” pretenderá atingir!

A manifestação de professores de Sábado passado mostrou, sem margem para qualquer dúvida, o descontentamento generalizado de quem ensina face à actuação do Ministério da Educação. Ninguém acalentava diversa forma de sentir (talvez só quem pretenderia formatar outras cabeças), assim como só pessoas muito mal intencionadas poderão afirmar, generalizadamente, que os professores não se interessam pela qualidade da aprendizagem dos alunos.
A dimensão desta manifestação mostrou também que o habitual conformismo dos professores às dezenas de mudanças que têm vindo a ser operadas a partir dos vários titulares do Ministério da Educação não resistiu a um incompreensível enxovalho público, sistematicamente reiterado, que a actual equipa dispensa contra esta classe profissional. No entanto, querer ler para além da forte e generalizada indignação contra o tratamento (verbal e legislativo) que este Ministério lhes vem dispensando, será sempre um exercício de retórica que servirá para alimentar fanáticos, seja de sindicatos, de partidos, de líderes de associações de pais ou de outra equivalente índole.
Tenho muito dificuldade em digerir discursos de pessoas que só querem ouvir falar de povo em momentos eleitorais e que o desdenhem em todas as outras ocasiões. Será de bom-senso tirar ilações tanto de resultados eleitorais como de manifestações - são bons momentos para auscultar o voz dos cidadãos, sem a intermediação de comentaristas nem colunistas do género “educadores da classe operária”, vocação que parece pupular um pouco por todo o lado.

Tem José Sócrates razão quando afirma que esta manifestação não pode colocar em causa o Programa do Governo (documento PDF), mas a verdade é que também não foi essa a sua intenção. Contudo, poderá ser um bom momento para fazer um exercício de avaliação interna do seu cumprimento, ver o que já se conseguiu fazer, o que está em vias de prossecução, o que não foi ainda de todo feito e eventuais erros de perspectiva e implementação que o possam colocar em causa.
Bom-senso é preciso e pessoas acostumadas a ele recorrer e é nesse contexto que deixo duas transcrições do Programa do Governo em relação à educação e à cultura:

A opção política do Governo é, tendo plena consciência da educação como factor insubstituível de democracia e desenvolvimento, pôr em prática políticas que consigam obter avanços claros e sustentados, na organização e gestão dos recursos educativos, na qualidade das aprendizagens e na oferta de várias oportunidades a todos os cidadãos para melhorarem os seus níveis e perfis de formação. (pag.42)
(…)
A política cultural para o período 2005-2009 orientar-se-á por três finalidades essenciais. A primeira é retirar o sector da cultura da asfixia financeira em que três anos de governação à direita o colocaram. A segunda é retomar o impulso político para o desenvolvimento do tecido cultural português. A terceira é conseguir um equilíbrio dinâmico entre a defesa e valorização do património cultural, o apoio à criação artística, a estruturação do território com equipamentos e redes culturais, a aposta na educação artística e na formação dos públicos e a promoção internacional da cultura portuguesa. (pag. 54)

Augusto Santos Silva e Teixeira dos Santos distinguem-se pelo facto de em meia-dúzia de dias darem a mesma resposta a dislates de colegas seus, i.e., não comentar.
Augusto Santos Silva não comentou o descontrolo de Valter Lemos ao atacar o desempenho dos titulares do Ministério da Educação do governo de Guterres e Teixeira dos Santos recusa-se a comentar a afirmação de Maria de Lurdes Rodrigues de que o modelo de avaliação dos professores é mais simples e transparente do que o da Função Pública.
Estas atitudes distinguem quem as pratica, pelo menos para quem ainda as consegue compreender e dar valor.

Sócrates remodela. Compreende-se, voos da CIA, pois. Correia de Campos, não poderia deixar de ser, cai por cumprir com o que Sócrates pretendia, mas em ano de eleições… Ah, e cai Isabel Pires de Lima, que fez pouco é certo, sendo que a sua demissão vale muito para Sócrates - esconder a manutenção de Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação. Porquê? Ora, porque os professores por si pouco agem, blasfemam sim, muito, mas pouco agem, a bem da nação, pois então…, são assalariados, não subsidiados, assalariados, a bem da nação, pois então!
Compreende-se a euforia que em certos meios está a provocar a demissão de Isabel Pires de Lima diante do impressionante currículo de José António Pinto Ribeiro no que à cultura diz respeito! Compreende-se, a bem da nação, pois então…
Isto agora é que vai, vão ver…

Quando algo acontece de mediaticamente penoso para José Sócrates e seu governo logo no dia imediato ele trata de arranjar um facto positivo que alimente os órgãos de comunicação social!
Assim foi com o anúncio do Director Executivo para as escolas após a divulgação dos resultados do PISA 2006 e assim foi agora com o anúncio do aeroporto para Alcochete após a opção de ratificação do Tratado ontem.
Inteligência política para governar a partir da comunicação social, é um facto.
Pena é que tanta arte e engenho não tenham sido bastantes para governar de forma a que nos governemos!

José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética - aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?